ABRUPTO

30.9.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 30 de Setembro de 2007


O Presidente da CM de Loures considera que as inundações no seu concelho se devem ao facto da "natureza" estar "no seu pleno direito" de encher as ruas, os passeios e os esgotos e ninguém tem nada com isso.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Paredes de Lisboa. (Z-MM)

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 7:
ERROS NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DE HOJE




Editorial do Diário de Notícias:
O primeiro grande teste para perceber para onde Menezes vai levar o PSD é a forma como irá constituir a sua Comissão Política e apontar o líder parlamentar. A margem é pequena, porque o PSD e a Oposição - que em qualquer sistema democrático se quer substantiva e interveniente - só ganham com a troca Mendes-Menezes se as escolhas privilegiarem sociais-democratas de prestígio (como Ângelo Correia e Arlindo de Carvalho, ambos ex-ministros de Cavaco Silva) ...
Ângelo Correia nunca foi ministro de Cavaco Silva.

*
Noutro artigo:
Pedro Passos Coelho foi um muito popular líder da JSD durante o cavaquismo e um dos estrategas em 1995 da candidatura (falhada) de Durão Barroso à liderança do partido. "Roubou" a distrital de Lisboa a Pacheco Pereira, mas, mais tarde, abandonou a vida política activa.
Passos Coelho perdeu a distrital com Pacheco Pereira e não o contrário. Nessas eleições , Manuela Ferreira Leite, que concorria na lista de Pacheco Pereira, ganhou as eleições a Ângelo Correia que concorria na de Passos Coelho.

Com jornalismo desta qualidade não se vai longe.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Imagens do Outono hoje em Lisboa. (RM)

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A CULTURA "OFICIAL" DA UNIÃO EUROPEIA

Forum Cultural
A reunião em Lisboa do Fórum Cultural para a Europa foi mais um passo para definir uma política da União Europeia da "cultura", ou seja, como hoje se diz em burocratês, definir uma "agenda para a cultura". A seu tempo, como é habitual na UE, as "agendas" transformar-se-ão em "agências", embriões de ministérios europeus. No caso da "cultura", isso deve corresponder à institucionalização do modelo francês Malraux-Lang como norma europeia de "cultura". É natural que assim seja, porque os países mais dirigistas em matéria de cultura, França, Portugal, Bélgica, Espanha, adoptaram-no há muito em detrimento do modelo anglo-saxónico, menos intervencionista.

É natural que os governos, desde a direita à esquerda, dos socialistas ao PPE, estimem esse modelo construído para a glória da França de De Gaulle e Mitterrand, e que assenta na utilização da "cultura" como mecanismo de propaganda do poder, com a enorme vantagem de usar como instrumento uma realidade considerada intangível, intocável e aparentemente incontroversa, eficaz por isso mesmo. Este modelo tem duas consequências, ambas com muito "boa imprensa" e inúmeros e activos defensores com fácil acesso aos media. Uma é criar um establishment cultural dependente do Estado, muito para além da gestão patrimonial, com uma rede de "casas de cultura", animadores, agentes, produtores, "artistas", "trabalhadores" do cinema, do teatro, do circo, das marionetes, da "animação de rua", etc., etc. e toda uma "economia" à sua volta. Outra, e igualmente importante nos tempos que correm, é, através desses agentes, definir uma versão liofilizada politicamente da "cultura europeia" conforme com os paradigmas da UE.

A lógica dessa "economia" fortemente subsidiada não será a prazo muito diferente da "política agrícola comum", de quem toma, mesmo sem o saber, a linguagem que serve para o trigo, a manteiga e as batatas. A lógica é a protecção do emprego em nome da identidade "cultural" da Europa e, a nível mais vasto, o proteccionismo dos mercados europeus dos produtos alienígenas, em particular essa sinistra produção vinda de Hollywood de filmes populares que ameaçam matar a "cultura europeia". Do mesmo modo que os tenebrosos OGM servem de pretexto para proteger os agricultores principescamente subsidiados pela PAC da competição dos produtos agrícolas americanos, a "agenda cultural europeia" deve proteger uma miríade de produtos sem público e de qualidade duvidosa, subsidiados pelos contribuintes europeus das multidões que querem ver A Guerra das Estrelas. A reunião de Lisboa quer mais dinheiro para esta função.

http://www.arqueologos.org/IMG/jpg/128-s-sofia5.jpgO segundo aspecto, o de definir, por inclusão e exclusão, a "cultura europeia", é mais complicado e mexe em muito mais do que a economia. Tornar "europeia" a cultura das nações da Europa é uma tarefa difícil de levar a cabo, não muito diferente da de fazer um manual de "história europeia" que sirva de norma educativa nas escolas da Europa, também desejado pelos eurocratas. O problema é que, entendida nos seus genuínos factores de "unidade", a cultura europeia está bem longe de ser a versão iluminista, "progressista" e multicultural que a UE precisa para legitimar a sua cosmovisão olímpica. Como se viu com a discussão do Preâmbulo da defunta Constituição europeia, a definição de uma "cultura europeia", se for coerente com a história identitária da Europa (e não há outra, nem se decreta a identidade), ou está em choque com o islão, ou dá origem a sucessivas falsificações históricas para a moldar ao "politicamente correcto". Claro que este problema só existe, quando se quer ter uma "cultura" oficial que sirva uma "agenda".

É verdade que há uma herança greco-latina como factor de unidade, mas não se pode dar o salto do século de Augusto - a Roma que a UE gosta - para as Luzes - a filosofia que a UE gosta -, porque foi exactamente neste intervalo que a Europa se fez e essa Europa foi feita por uma religião que veio do Oriente, o cristianismo. Paulo trouxe o cristianismo do mundo dos judeus para o dos gentios, o que significou primeiro para os gregos e a filosofia grega, e depois para os romanos, para o direito romano. Desde que Constantino fez do cristianismo a religião do império, da Irlanda à Moscóvia, foi a religião que fez a Europa e essa religião defrontou desde cedo uma religião combatente, o islão.

The image “http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/65/The_Battle_of_Lepanto_by_Paolo_Veronese.jpeg/250px-The_Battle_of_Lepanto_by_Paolo_Veronese.jpeg” cannot be displayed, because it contains errors.Se o factor religioso na identidade europeia parece atenuado, isso se deve a um conjunto de factores que prolongam, mais do que se pensa, a "guerra" que antes se fazia nos mares de Lepanto (ao lado Nossa Senhora de Lepanto de Veronese) ou nos arredores de Viena. Na verdade, o crescimento da descrença, o imperialismo e o colonialismo, e a decadência do império otomano apagaram a fractura pela religião, embora na realidade a tivessem apenas mudado - ou seja, o cristianismo só deixou de ser um factor forte de identidade da "cultura europeia" quando o islão perdeu o poder militar, abrindo caminho dentro de si a ideias oriundas da Europa, como o nacionalismo (com os "jovens turcos" e Atatürk), ou o "socialismo pan-árabe" (de Nasser, Assad e Saddam Hussein). Mas, como se vê, todas essas ideias, ocidentais na sua génese, estão em crise com o ascenso do islão fundamentalista. Indo ainda mais longe, uma parte do conflito que opõe a Europa ao islão, como seja a necessidade da secularização do Estado, a condição feminina, ou a valorização da liberdade religiosa, são frutos da história europeia que incorporam a capacidade de instituições como a Igreja coexistirem com um mundo laico.

Ora este interregno dos factores da identidade clássica da Europa, que leva os burocratas europeus a acreditarem no sucesso do "multiculturalismo", está a acabar pelo retorno de um islão combatente e fundamentalista. Por tudo isto, a tentativa de fundar uma "agenda cultural" inócua só pode ser feita por exclusão, com a mesma atitude que levou a UNESCO a não querer publicar a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, porque não correspondia ao "diálogo de civilizações" mítico da culpa do homem branco.

(No Público de 29 de setembro de 2007.)

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 6: GRUPOS E ENTOURAGE



Vamos assistir a muita coisa semelhante ao que aconteceu em 2004-5, até porque é gerada pelas mesmas causas, em particular por uma "pressa" do poder que é cega à realidade, do país e do estado do partido. Mas há diferenças essenciais, e algumas são para pior. Santana Lopes era um solitário, o seu grupo de fidelidades muito pequeno; Menezes tem uma entourage considerável e, para usar de um eufemismo, muito pouco recomendável. Eduardo Dâmaso descreve-a no Correio da Manhã como "uma verdadeira galeria de horrores, figuras cuja credibilidade já não é recuperável, mas é com eles que o PSD histórico e profundo vai ter de lidar". Pelos vistos ele tem memória, a mesma memória que falta ao Diário de Notícias, cujos artigos sobre o PSD não só parecem que são escritos por quem não sabe do que e de quem está a falar, como abundam de erros factuais. A memória vai ser importante, uma memória que está associada à série de escândalos que precipitaram o fim dos governos de Cavaco Silva e que o tornou tão frágil ao Independente. O PSD pode ser indiferente a esta memória e aos seus personagens. Eu não sou.

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 5: QUEM ANDA À CHUVA MOLHA-SE



Uma boa regra cá da casa é andar à chuva e, consequentemente, molhar-se. Em matérias que são essenciais não há "silêncios estratégicos" nem "benefícios da dúvida", que são só exercícios tácticos. O que vem aí está tão "escrito nas estrelas" como o que veio antes. Foi no Abrupto que tal se disse desde o primeiro dia de Santana Lopes, e as coisas aconteceram exactamente como se disse, no desastre de 2005. Muitos não gostaram, uns porque estavam do outro lado da crítica, o que ainda é uma atitude compreensível; outros porque cultivam a ambiguidade e a "moderação", o que serve sempre uma margem de manobra considerável para carreiras e "prestígios", e só falam quando já todos dizem o mesmo. Mas o que está em causa é demasiado importante para ser deixado ao silêncio.

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EARLY MORNING BLOGS
1116 -La Poule aux oeufs d'or

L'avarice perd tout en voulant tout gagner.
Je ne veux, pour le témoigner,
Que celui dont la Poule, à ce que dit la Fable,
Pondait tous les jours un oeuf d'or.
Il crut que dans son corps elle avait un trésor.
Il la tua, l'ouvrit, et la trouva semblable
A celles dont les oeufs ne lui rapportaient rien,
S'étant lui-même ôté le plus beau de son bien.
Belle leçon pour les gens chiches :
Pendant ces derniers temps, combien en a-t-on vus
Qui du soir au matin sont pauvres devenus
Pour vouloir trop tôt être riches ?

(La Fontaine)

*

Bom dia!

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29.9.07


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: NOTÍCIAS DO PLANO TECNOLÓGICO


Determinado a ganhar 50€ numa aposta com Medina Ribeiro, tentei saber onde podia encontrar uma máquina NetPost em funcionamento em Portugal. Enviei uma mensagem aos CTT e após 5 dias de longa espera lá recebi uma mensagem que referia que as máquinas Netpost deram lugar às máquinas cttnet (que basicamente fazem pouco mais que as anteriores). Ou seja, não é por aqui que vou conseguir ganhar a aposta.

Esta questão levanta, no entanto, um problema preocupante: as máquinas NetPost foram co-financiadas, segundo sei, pelo Feder e pelo Programa Operacional para a Sociedade do Conhecimento. Pelo que me foi dado a saber, também as máquinas cttnet foram co-financiadas pelos mesmos incentivos. Numa semana em que foi noticiado que Portugal é o 3º país da UE com maior taxa de aplicação de fundos comunitários, com uma taxa de aplicação de 82%, é caricato saber que foram aprovados fundos para máquinas agora obsoletas, que foram substituídas por outras também financiadas pelos mesmos fundos.

Esta foi a saga Netpost. No mesmo dia enviei ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior uma mensagem a perguntar pelos quiosques Infocid. Se demorei 5 dias a obter uma resposta dos CTT, no caso do MCTES ainda nem isso aconteceu. Por isso, aguardemos pelas cenas do próximo capítulo...

(Pedro Tomás)

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 4: A ACEDIA



Na lista dos pecados mortais inclui-se a "preguiça" e muita gente pensa que o pecado é mesmo a preguiça. Não é: o pecado mortal é a acedia que é outra coisa bem diferente. Um dos textos mais interessantes da Summa Theologica de Tomás de Aquino é sobre a acedia e por ele se percebe por que razão é um dos pecados "espirituais" mais complexos da lista cristã. A acedia é a indiferença face ao mal, uma "tristeza" face ao bem (Tristitia de bono spirituali) que mata a acção, um torpor perante uma obrigação presumida.

Um dos grandes e eficazes eleitores de Menezes foi a acedia.

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ETNA 10





A estética dos Sopranos. Homens num casamento siciliano na região do Etna.

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 3: A FORÇA E A ANÁLISE



Como aconteceu quando Santana Lopes chegou a Primeiro-ministro, e recebeu os mais rasgados elogios vindos de quem não se esperava e um enunciar de virtudes e esperanças que não lhe era concedido na véspera, vamos ter o momento hegeliano de Menezes em que toda a gente vai dizer que ele é o que não é. É a Força que determina estes comentários e a força tem muita força. Mas a Força não altera a análise, nem se justifica a si própria.

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 2: A PRESSA PELO PODER



A outra razão pela qual Menezes ganhou, a mais importante para os votos que obteve, tem a ver com a incapacidade do PSD suportar mais tempo de oposição e ter "pressa" de chegar ao poder. Por isso acredita no Houdini, no milagre salvador que lhe dê esperança de, sem trabalho, nem reflexão, nem mudança, aparecer na manhã seguinte instalado em S. Bento.

É por isso que teria sido vitalmente necessário fazer uma análise sobre o que aconteceu com a experiência de Santana Lopes, cujo pressuposto "karma" eleitoral garantia vitória sobre vitória, até ao desastre final. Ninguém a quis fazer e agora paga o preço dessa omissão. O que a eleição de Menezes revela é que o PSD não aprendeu nada sobre o que se passou em 2004-5, e comportou-se exactamente da mesma maneira como quando deu a Santana Lopes um aplauso unânime para se tornar no "menino-guerreiro". Agora está a repetir o mesmo e terá os mesmos resultados.

O PSD tinha até ontem uma crise de afirmação, mas estava a atenuar a crise de credibilidade. Hoje voltou em pleno à crise de credibilidade, e vai continuar a ter a crise de afirmação.

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ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 1



Uma coisa que morreu ontem: os últimos restos do processo de refiliação de Rui Rio, os últimos restos de alguma moralização da vida interna para garantir a democracia dentro do partido. A partir de agora algumas das pessoas que andavam aos saltos na candidatura de Menezes vão-se encarregar de garantir que aquilo que sempre souberam fazer nas suas secções se vai estender a todo o partido. A blindagem contra surpresas futuras vai ser total, porque eles não brincam em serviço. Se alguém pensa que Manuelas Ferreira Leite, Rios, Relvas, ou seja lá quem for podem ganhar alguma vez contra alguns daqueles profissionais, está bem enganado. Terão que fazer alianças com eles.

Uma das razões porque Menezes ganhou foi porque assumiu o papel de sindicalista do aparelho do partido, como já tinha sido com Valentim Loureiro contra as propostas de Rio. Não foi a única razão, mas foi importante. prometeu-lhes todos os despojos de guerra, os lugares de deputados, do Parlamento Europeu, das autarquias, empregos, tudo. Isto foi uma força em campanha, mas vai ser uma fraqueza no deliver. É que agora vai-se defrontar com a escassez, não há lugares para todos.

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O BLOGUE DO MAU PERDER



Em matéria do PSD este é o blogue do mau perder. Direi mais ainda, do péssimo perder. E continuará assim até a bandeira ficar direita, se é que alguma vez fica direita.

Por três razões: pelo país, e eu sei que parece um rodriguinho, mas não é; pela oposição, que garantiu ontem de papel passado um longo período de poder ao PS; e por último, pelo PSD enquanto movimento social e político, que se calhar já só é aquilo que é e sou eu que me iludo.

Continuemos. Porque uma coisa não há por aqui, a acedia dos "notáveis". Voltaremos à acedia.

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EARLY MORNING BLOGS
1115 - The Platypus

http://www.nature.ca/notebooks/images/platypus.gifY child, the Duck-billed Platypus
A sad example sets for us:
From him we learn how Indecision
Of character provokes Derision.
This vacillating Thing, you see,
Could not decide which he would be,
Fish, Flesh or Fowl, and chose all three.
The scientists were sorely vexed
To classify him; so perplexed
Their brains, that they, with Rage at bay,
Called him a horrid name one day,--
A name that baffles, frights and shocks us,
Ornithorhynchus Paradoxus.

( Oliver Herford)


*

Bom dia!

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POBRE PAÍS

o nosso.

(bis)

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28.9.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (36)


Se houver grande participação eleitoral, e qualquer votação nas dezenas de milhares é muito boa nos dias de hoje num partido político, mesmo com caciquismo, mesmo com vários Joãozinhos das Perdizes que há em muitas secções, essa participação contém um príncipio de regeneração positivo. O PSD tem de facto massa crítica e não está morto. Vistas bem as coisas, o PS não tem os espasmos do PSD, mas está mais para o lado do morto.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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A caminho de Montevideu. (João Almeida)



Hoje. Lua no Funchal. (Carlos Oliveira)



Hoje. Não chovia há 3 meses e 11 dias, na Côte d'Azur.
Os Alpes do Sul, mostram o seu manto de neve sobre Cagnes sur Mer.

(José Rego)

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: VESTA E CERES E O ABRUPTO

Dawn spacecraft rising above a cloud-filled horizon












Boa viagem Dawn! Por todas as razões e mais uma: o nome do Abrupto vai lá dentro num microchip.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (35)


Uma vitória teve Menezes: foi ele que definiu o tom da campanha. A campanha foi o que Menezes desejava que fosse. Aliás uma lição desta campanha é que num confronto entre dois candidatos (seria diferente com três candidatos equilibrados) o que assume o tom mais agressivo, impõe as regras da campanha e não há nada a fazer. Esse tom agressivo condiciona o tratamento comunicacional, e o outro candidato não pode escapar.

*
A opção por nem os Estatutos, nem o Regulamento, considerarem a hipótese de uma segunda volta caso nenhum dos candidatos obtivesse 50 % dos votos visa claramente dificultar a existência de uma terceira candidatura. O candidato C seria logo apontado como divisor do campo dos “bons” podendo com isso dar a vitória ao Candidatos B, o candidato dos “maus”

O elevado número de subscrições necessárias para se ser candidato dificulta também a entrada de quem é outsider à máquina do partido. Quem se candidata só o consegue ser ficando refém da máquina.

Se as quotas não contassem para as votações e um militante com dois anos de quotas por pagar fosse riscado automaticamente dos ficheiros se nos quinze dias após da carta de aviso as não regularizasse, não só evitava este imbróglio das quotas como assim se fazia a actualização automática dos Ficheiros do PSD sem se ter que recorrer a complexas refiliações e se acabavam com os sindicatos de voto. (Só as eleições despertam este bom sentimento de pagar quotas a terceiros)

(António Alvim)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (34)

Tinha também muita curiosidade em saber que aconselhamento na campanha de Luis Filipe Menezes foi dado pela agência de comunicação que contratou. Sendo uma campanha claramente ofensiva e agressiva, inédita dentro de um partido português, foi a agência ou o candidato que deu o tom à campanha?

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (33)


Por falar em gastos convinha que as candidaturas, vencedora e perdedora, explicassem a origem dos avultados fundos que utilizaram. Uma das candidaturas deve ter gasto centenas de milhares de euros, a outra pareceu mais modesta nas despesas, mas as observações "a olho" às vezes enganam. De qualquer modo, o volume de gastos em campanhas internas partidárias coloca um problema novo de transparência na vida pública.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (32)


Hoje é um bom dia para os operadores de telemóveis. Vão fazer fortunas com os milhares de telefonemas que estão a ser feitos por todo o país.

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27.9.07


EARLY MORNING BLOGS
1114 - Stone Villages

The stone-built villages of England.
A cathedral bottled in a pub window.
Cows dispersed across fields.
Monuments to kings.

A man in a moth-eaten suit
sees a train off, heading, like everything here, for the sea,
smiles at his daughter, leaving for the East.
A whistle blows.

And the endless sky over the tiles
grows bluer as swelling birdsong fills.
And the clearer the song is heard,
the smaller the bird.

(Joseph Brodsky)

*

Bom dia!

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26.9.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 26 de Setembro de 2007 (2)

Por uma vez concordo com Pedro Santana Lopes: interromper uma entrevista política com um não-evento, sem notícia, nem conteúdo, merece esta resposta.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Lua em Lisboa. (RM)





Último Sol e primeira Lua de hoje em Armação de Pera. (Vasco Louro)



Poente em Setúbal, agora. (Ochoa)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 26 de Setembro de 2007


É tão portuguesa esta obsessão de bater em quem está em baixo. Tão portuguesa como a subserviência com quem está em cima.

*

http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/images/2007.03.004a.m_net.jpg
Parece que a revista História está em risco de acabar. Nela publiquei alguns (poucos) artigos nas suas diversas séries e não tenho muitas razões para me sentir próximo de uma revista que ignorou, por razões que me são obscuras (ou demasiado claras), a publicação, por exemplo, do terceiro volume da biografia de Cunhal em contraste com a maioria das revistas e dos jornais, académicos ou não. Mas isso vem pouco ao caso, para o maior mal de acabar a única revista popular de história, a única que apela a um público mais geral de interessados e curiosos pela história. Parece que lhe falta pouco mais de 10000 euros ano para sobreviver. Não defendo subsídios do estado mas será que não há algum mecenas que gasta muito mais a comprar álbuns de luxo para o Natal, que possa dar uma contribuição menos gloriosa e mais eficaz para a cultura popular, onde a história tem um papel importante?

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Uma exposição. (Manuela Reis)



Vista do Pico. (Claúdio Almeida)



Composição do Escultor José Rodrigues: Nos Jardins do Convento de SanPayo.

(Ochoa)

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STROMBOLI 5



"Porto" de Stromboli.

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EARLY MORNING BLOGS
1113 - Il n'y a pas de travail ici?

Dans la plaine rase, sous la nuit sans étoiles, d'une obscurité et d'une épaisseur d'encre, un homme suivait seul la grande route de Marchiennes à Montsou dix kilomètres de pavé coupant tout droit, à travers les champs de betteraves. Devant lui, il ne voyait même pas le sol noir, et il n'avait la sensation de l'immense horizon plat que par les souffles du vent de mars, des rafales larges comme sur une mer, glacées d'avoir balayé des lieues de marais et de terres nues. Aucune ombre d'arbre ne tachait le ciel, le pavé se déroulait avec la rectitude d'une jetée, au milieu de l'embrun aveuglant des ténèbres.

L'homme était parti de Marchiennes vers deux heures. Il marchait d'un pas allongé, grelottant sous le coton aminci de sa veste et de son pantalon de velours. Un petit paquet, noué dans un mouchoir à carreaux, le gênait beaucoup; et il le serrait contre ses flancs, tantôt d'un coude, tantôt de l'autre, pour glisser au fond de ses poches les deux mains à la fois, des mains gourdes que les lanières du vent d'est faisaient saigner. Une seule idée occupait sa tête vide d'ouvrier sans travail et sans gîte, l'espoir que le froid serait moins vif après le lever du jour. Depuis une heure, il avançait ainsi, lorsque sur la gauche, à deux kilomètres de Montsou, il aperçut des feux rouges, trois brasiers brûlant au plein air, et comme suspendus. D'abord, il hésita, pris de crainte; puis, il ne put résister au besoin douloureux de se chauffer un instant les mains.

Un chemin creux s'enfonçait. Tout disparut. L'homme avait à droite une palissade, quelque mur de grosses planches fermant une voie ferrée; tandis qu'un talus d'herbe s'élevait à gauche, surmonté de pignons confus, d'une vision de village aux toitures basses et uniformes. Il fit environ deux cents pas. Brusquement, à un coude du chemin, les feux reparurent près de lui, sans qu'il comprit davantage comment ils brûlaient si haut dans le ciel mort, pareils à des lunes fumeuses. Mais, au ras du sol, un autre spectacle venait de l'arrêter. C'était une masse lourde, un tas écrasé de constructions, d'où se dressait la silhouette d'une cheminée d'usine; de rares lueurs sortaient des fenêtres encrassées, cinq ou six lanternes tristes étaient pendues dehors, à des charpentes dont les bois noircis alignaient vaguement des profils de tréteaux gigantesques; et, de cette apparition fantastique, noyée de nuit et de fumée, une seule voix montait, la respiration grosse et longue d'un échappement de vapeur, qu'on ne voyait point.

Alors, l'homme reconnut une fosse. Il fut repris de honte: à quoi bon? il n'y aurait pas de travail. Au lieu de se diriger vers les bâtiments, il se risqua enfin à gravir le terri sur lequel brûlaient les trois feux de houille, dans des corbeilles de fonte, pour éclairer et réchauffer la besogne. Les ouvriers de la coupe à terre avaient dû travailler tard, on sortait encore les débris inutiles. Maintenant, il entendait les moulineurs pousser les trains sur les tréteaux, il distinguait des ombres vivantes culbutant les berlines, près de chaque feu.

- Bonjour, dit-il en s'approchant d'une des corbeilles.

Tournant le dos au brasier, le charretier était debout, un vieillard vêtu d'un tricot de laine violette, coiffé d'une casquette en poil de lapin; pendant que son cheval, un gros cheval jaune, attendait, dans une immobilité de pierre, qu'on eût vidé les six berlines montées par lui. Le manoeuvre employé au culbuteur, un gaillard roux et efflanqué, ne se pressait guère, pesait sur le levier d'une main endormie. Et, là-haut, le vent redoublait, une bise glaciale, dont les grandes haleines régulières passaient comme des coups de faux.

- Bonjour, répondit le vieux.

Un silence se fit. L'homme, qui se sentait regardé d'un oeil méfiant, dit son nom tout de suite.

- Je me nomme Etienne Lantier, je suis machineur... Il n'y a pas de travail ici?

(Emile Zola, Germinal)

*

Bom dia!

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25.9.07


STROMBOLI 4



Stromboli em acção.

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EARLY MORNING BLOGS
1111 - The Tree

I stood still and was a tree amid the wood,
Knowing the truth of things unseen before;
Of Daphne and the laurel bow
And that god-feasting couple old
that grew elm-oak amid the wold.
'Twas not until the gods had been
Kindly entreated, and been brought within
Unto the hearth of their heart's home
That they might do this wonder thing;
Nathless I have been a tree amid the wood
And many a new thing understood
That was rank folly to my head before.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

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24.9.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 24 de Setembro de 2007


Passada a longa primeira parte do Prós e Contras, a que tem maior audiência, ainda estou à procura dos "Contras". Este é o típico programa de televisão cuja discussão "construtiva" é a ideal para qualquer governo. O que se passa é que o Plano Tecnológico não é uma "verdade revelada", ou uma "evidência incontestável", mas uma política, um conjunto de opções de investimento, um plano em detrimento de outros, uma série de escolhas. Envolve muitos interesses, muitos dos quais estão representados na sala, a começar pela galáxia PT. Muitas compras, muitas encomendas, muitos contratos. Ou seja, insisto, é uma política, não é uma coisa neutra. Uma política. Uma política. Uma política.

Ora, num debate democrático teria que haver "prós" e "contras" sobre essa política. Não há um professor, um político (como Zorrinho que o é também), um empresário, que seja crítico das opções que o governo está a fazer com o nome do Plano Tecnológico? Claro que há, mas não cabem nas escolhas deste programa. Assim não vale. Assim é propaganda. Pura, dura e eficaz.

*

Nada muda? Muda, muda. Já há alguns dias que tenho reparado que o escapismo futebolístico prima na RTP, seguida pela SIC, enquanto a TVI está a fazer aquilo que é normal num noticiário, dar notícias. Como hoje: Madaíl em directo na RTP e SIC por longos minutos do prime time do prime time, e na TVI notícias e notícias a sério.

*
Apesar da sua insistência na necessidade indispensável de elevar a qualidade do jornalismo em Portugal, a mediocridade (e a sua parente directa: a arrogância) parece estar definitivamente instalada. Por não ser referir habitualmente ao jornalismo radiofónico presumo que não seja um dilecto ouvinte de rádio, ou pelo menos da principal frequência da estação pública. É que se a RTP muito desilude, a sua associada Antena 1 chega a levar-nos ao desespero. São muitos os milhões de portugueses que ouvem rádio durante a maior parte do dia, em casa e nos seus empregos, pois este meio permite que se desempenhem as mais variadas tarefas enquanto é ouvido. O seu impacto só parece ser menor do que o da televisão devido ao facto de a escolha de "canais" ser muito superior. Todavia, a emissora governamental (dita estatal) tem obrigações superlativas e é sempre uma referência para o sector.

A propósito de futebol (vulgo "desporto") vs. notícias "a sério" gostaria de relevar o que se passa na rádio, nomeadamente na Antena 1, emissora pública e paga por todos nós duplamente (através dos impostos e da taxa anexa à conta da electricidade), mesmo pelos surdos e por quem não tem receptor de rádio. Nesta estação, a "informação desportiva" ocupa sozinha mais tempo de antena do que toda a restante informação (nacional, internacional, política, sociedade, regional, etc.). É uma verdadeira praga radiofónica que, paral além de estar presente nos noticiários de hora a hora, repete-se a muitas meias horas, com espaços alargados, e ao fim-de-semana se transforma numa obsessão a raiar o histerismo.

(Carlos)


Exemplo aleatório:
PROGRAMAçÃO DE HOJE


00:00 JORNAL DA MEIA NOITE

00:12 JORGE AFONSO
Histórias e Músicas
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(01:00/02:00)
02:12 MADRUGADA ANTENA 1 Com António Rolão e Gil Veloso
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(03:00 / 04:00 / 05:00/ 06:00/ 07:00)
02:20 JANELA INDISCRETA
02:40 DIAS DO AVESSO
02:55 BANDA SONORA
03:20 HISTÓRIA DEVIDA
03:30 50 ANOS DE CANÇÕES PORTUGUESAS
03:40 O AMOR É... (2ª a 6ª Feira)
03:55 CINCO MINUTOS DE JAZZ
04:40 A1 CIÊNCIA
04:20 À VOLTA DOS LIVROS
04:55 PRIMEIRA ESCOLHA

05:12 MANHÃ - ANTENA 1 (1ª Parte) Com Bruno Pereira
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(06:00-07:00)
05:20 DIRECTO AO CONSUMIDOR
05:30 1 MINUTO PELA TERRA
05:55 CANTOS DA CASA
06:20 JOGO DA LÍNGUA
06:55 ALMA LUSA

07:12 MANHÃ - ANTENA 1 (2ª Parte) Com António Macedo
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(08:00-09:00-10:00-11:00)
07:20 TÍTULOS DA IMPRENSA
INFORMAÇÃO DE DESPORTO
(07:30-08:30-09:30)
07:40 50 ANOS DE CANÇÕES PORTUGUESAS
07:50 PANO PARA MANGAS
07:55 PORTUGALEX
08:20 REVISTA DE IMPRENSA
Com João Paulo Guerra
08:40 CONSELHO SUPERIOR
08:52 ÍNDICE A1
08:55 CINE 1
Com Teresa Nicolau
08:58 1 MINUTO PELA TERRA
09:20 O AMOR É... (2ª a 6ª Feira)
09:40 EURO 27
09:55 OUTRAS HISTÓRIAS DA MÚSICA (ROCK/POP)
10:20 CASA DAS ARTES (ESPECTÁCULOS)
10:55 GRANDES MÚSICAS

11:03 ANTENA ABERTA com Eduarda Maio
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(12:00)
12:12 MANHÃ - ANTENA 1 (3ª Parte) Com Augusto Fernandes
12:20 ÍNDICE A1
12:25 PORTUGALEX
12:32 JORNAL DE DESPORTO
12:55 ALMA LUSA

13:00 SÍNTESE INFORMATIVA

13:07 PORTUGAL EM DIRECTO

14:00 NOTICIÁRIO - ANTENA 1

14:12 TARDE - ANTENA 1 Com Filomena Crespo
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(15:00 / 16:00)
14:20 DIRECTO AO CONSUMIDOR
14:30 1 MINUTO PELA TERRA
14:40 JOGO DA LÍNGUA
14:46 JORNAL DO PRÉMIO
Ed. Ana Daniela e Reinaldo Francisco
14:55 CANTOS DA CASA
15:22 CAUSAS PÚBLICAS
15:55 ALMA LUSA

16:12 TARDE - ANTENA 1 (2ª PARTE) Com Paulo Rocha
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(17:00 / 18:00 / 19:00/ 20:00)
ENTREVISTA ANTENA 1
Paula Rego
INFORMAÇÃO DE DESPORTO
16:35 / 17:32 / 18:32
16:40 DIAS DO AVESSO
16:47 À VOLTA DOS LIVROS
16:55 JÚLIO ISIDRO
17:17 ÍNDICE A1
17:20 HISTÓRIA DEVIDA
17:40 CASA DAS ARTES (ESPECTÁCULOS)
17:55 PRIMEIRA ESCOLHA
18:20 JANELA INDISCRETA
18:55 QUEM ÉS TU ZÉ TÓ ?
19:55 GRANDES MÚSICAS

20:12 NOITE - ANTENA1 Com Rui Santos
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(21:00 / 22:00 / 23:00)
20:20 DIAS DO AVESSO
20:50 CASA DAS ARTES (ESPECTÁCULOS)
20:55 JÚLIO ISIDRO
21:20 HISTÓRIA DEVIDA
21:40 A1 CIÊNCIA
21:45 À VOLTA DOS LIVROS
21:55 BANDA SONORA
22:20 O AMOR É... (2ª a 6ª Feira)
22:30 INFORMAÇÃO DE DESPORTO
22:55 CINCO MINUTOS DE JAZZ

23:12 ALMA NOSTRA
Com Carlos Magno e Carlos Amaral Dias

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STROMBOLI 3


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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Paredes algarvias. (Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS
1110 - An Old Malediction

What well-heeled knuckle-head, straight from the unisex
Hairstylist and bathed in Russian Leather,
Dallies with you these late summer days, Pyrrha,
In your expensive sublet? For whom do you
Slip into something simple by, say, Gucci?
The more fool he who has mapped out for himself
The saline latitudes of incontinent grief.
Dazzled though he be, poor dope, by the golden looks
Your locks fetched up out of a bottle of Clairol,
He will know that the wind changes, the smooth sailing
Is done for, when the breakers wallop him broadside,
When he’s rudderless, dismasted, thoroughly swamped
In that mindless rip-tide that got the best of me
Once, when I ventured on your deeps, Piranha.

(Horace, BK. I, Ode V)

(Anthony Hecht)

*

Bom dia!

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23.9.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Foz, Mar e Espinho ao Fundo.



Petroleiro em Leixões.



Nevogilde. (Paulo Loureiro)









Hoje, procissão da N.S. dos Aflitos em Armação de Pera (Luís Louro Vasco )



Jardim Botânico da Ajuda. (RM)



Fim da tarde em Olhão. (Ochoa)





Praia da Costa Nova, Aveiro, hoje ao fim da tarde. (Paulo Cardoso)



Yangshuo, provincia de Guanxi, no sul da China.

(António Larguesa, China)


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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: E-GOV 2



A imagem (1 e 2)mostra um dos inúmeros quiosques INFOCID espalhados pelo país... e que não funcionam. Para este (que, por sinal, está no edifício do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social - na Av. de Roma, n.º 1, em Lisboa) foi instituído há tempos - e ainda não atribuído... um prémio de 50 euros para quem, até às 24h do dia 31 de Dezembro de 2007, o mostrar a funcionar durante 10 minutos.

O que aqui (3) se vê é um dos inúmeros quiosques Netpost (que foram financiados pelo FEDER e pelo Programa Operacional para a Sociedade do Conhecimento) para acesso à Internet que ainda se podem ver em muitas estações dos CTT. Ora, para tentar "despertar" estas maquinetas do seu sono profundo, foi instituído há tempos um prémio de 50 euros para quem seja capaz de indicar UMA ÚNICA que funcione normalmente. Escusado será dizer que ainda não foi atribuído.

(Carlos Medina Ribeiro)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro.

(RM)

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PSD: UMA ESCOLHA SEM AMBIGUIDADES

PSD

Já aprendi o suficiente sobre o modo como funcionam os partidos para não ter ilusões sobre a realidade que se esconde por detrás da retórica das grandes escolhas, grandes opções e grandes lideranças. Já aprendi o suficiente para perceber como o tempo de oposição prolongada é de vacas magríssimas e que algumas debilidades da oposição têm razões estruturais e não conjunturais, não dependem das lideranças, mas sim da falta de autonomia da sociedade civil e do espaço público face ao peso do Estado e do seu executante, o Governo. Não há solução salvífica, só há a realidade: a de Portugal em 2007 e a do PSD em 2007.

Quem combate o PS no Governo porque acha que este está a fazer mal ao país, não se pode dar ao luxo de esperar por soluções salvíficas, onde se confunde "carisma" com populismo e se acredita que há um Houdini escondido numa esquina à espera de se libertar de todas as cordas e emergir glorioso à tona da água. Não há, e a tentação do PSD pelo escapismo populista do karma, que ganhava todas as eleições, é um dos fardos que pesam sobre a sua crise de credibilidade actual. Não é por aí, nem a espera pelos "notáveis" nem por Houdini servem os dias de hoje.

Vamos aos "notáveis", a sombra que pesa sobre o PSD dos que seriam desejados mas não aparecem. Não sabemos muito bem quão desejados seriam se aparecessem, mas eles pairam sempre como uma sombra de deslegitimação sobre quem está. Seria possível encher esta página de nomes sonantes e conhecidos que estão associados ao PSD, muitos dos quais são mesmo militantes do partido. Mas contam-se pelos dedos de uma mão o número desses "notáveis" que, na sua actividade, tenham efectiva independência do Governo e que estejam dispostos a serem vozes activas da oposição. Eu não digo sequer que estivessem dispostos a actuar na oposição estritamente partidária, como sendo porta-vozes de áreas sectoriais em que têm prestígio e actividade, digo, pura e simplesmente, manifestarem a sua opinião crítica de forma consistente e duradoura contra o Governo, mesmo que a título individual, caso não quisessem sujar as mãos nos partidos. Por exemplo, escrever artigos, dar uma entrevista, exprimir uma crítica séria, tudo coisas que se esperava de quem pela sua postura política é suposto achar que o país está mal governado pelo PS, tanto mais que apoiam o partido alternante. Será porque acham que o Governo de Sócrates é bom? Alguns acham que é um mal menor e que é melhor de que as alternativas e isso leva-os ao silêncio. Mas duvido que seja um número muito significativo. O que se passa é que mesmo entre esses notáveis a independência real do Governo, das suas decisões, da sua colaboração benévola, é escassa. O que muitas vezes se esconde numa certa postura de "silêncio de Estado", que é uma habilidade retórica muito portuguesa, é a necessidade de não hostilizar um Governo que tem sempre mil dossiers em aberto que podem afectar empresas, negócios, lugares, fundações, projectos, ou mesmo esse bem raro que é o "prestígio".

Portugal é um país muito pequeno e com demasiado Estado para ter uma sociedade civil com efectiva independência e isso é mortífero para qualquer partido da oposição que não queira ser apenas uma variante pobre de "bloco central". É este o problema estrutural número um da oposição. A não ser em períodos em que se torna evidente que vai haver uma mudança política a curto prazo, como quando Barroso fez uma convenção no Coliseu com tudo que era colunável na política e na economia na primeira fila, os "notáveis" primam pela prudência e pela cautelosa reserva da política. Não é por acharem que Marques Mendes seja um "mau líder", é porque só tem a perder alguma coisa pelo envolvimento político contra o Governo, fora do tempo. Não é só Marques Mendes que prova o fel desta atitude, mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, que frequenta os mesmo salões do poder, quando quis contestar alguns negócios e interesses também provou a solidão e os ataques ao seu "prestígio".

Os defeitos de Marques Mendes são conhecidos. Como herdeiro directo do "nogueirismo", ele representa bem um partido clientelar e provinciano, que hoje é o essencial do PSD que ainda resiste no poder autárquico com sucesso. Como o seu poder vem desse establishment partidário interno, ele precisa de dar-lhes um retorno para manter os seus votos. Mil e uma voltas pelo circuito da "carne assada" atestam essa dependência. Mas seria errado ignorar que ele fez mais pelo "partido nacional" do que os seus antecessores. Embora seriamente limitado pela herança do grupo parlamentar vindo da direcção anterior e com o "partido nacional" em muito mau estado - e aqui Mendes poderia ir mais longe do que a tentação de sucessivas listas de "notáveis" para cargos nominais - Mendes tem ajudado o PSD a libertar-se da crise de credibilidade que vinha do desastre do "menino guerreiro", e duvido que alguém estivesse com vontade e na posição de o ter feito.

E fez ainda mais. Se ultrapassarmos a coreografia, mesmo aquela para que Mendes contribuiu com aquela linguagem morta do "politiquês" com que se exprime, teríamos que olhar com mais atenção para a tendência programática que algumas das suas propostas exprimem, porque me merecem completa concordância e são mais inovadoras do que parecem. Mendes defrontou a questão do aval político automático que se dava aos que ganham no partido apenas porque ganham, autarcas em particular, seja qual for o "escândalo" público e a situação jurídica que os seus actos assumem para o país. Fê-lo imperfeitamente? Fê-lo fechando os olhos a uns casos para empolar outros? Pode ser, mas fê-lo com os custos que até então nenhum dirigente partidário estava disposto a pagar, a começar por aqueles que, como Mendes, foram feitos dentro do aparelho. Avançou com um conjunto de propostas liberais e não teve medo de assim as classificar? Fê-lo na segurança social, na proposta do fim da RTP pública e no modo como enquadrou a proposta de baixa de impostos, como medida alternativa ao modo como o Estado se relaciona com a economia e com o seu próprio tamanho. Foi contraditório nestas propostas com outras em que criticou o encerramento de serviços públicos e "reformas" que o Governo apresenta como destinadas a emagrecer o Estado? Talvez, mas quando se olham essas propostas como foram feitas e não como o PS e Sócrates diz que foram feitas, não há tanta contradição como isso. Aliás, a oposição do PSD com Mendes ao Governo PS está nos antípodas da que o PS fez ao PSD, é muito mais responsável e consistente. O modo como Sócrates trata a oposição justificaria que se dissesse que não merece esta moderação, mas é bom que assim seja.

Isto significa que vou votar em Marques Mendes nas eleições directas do PSD. Com o meu voto singular, de quem tem as quotas em dia, na minha secção, vou votar sem "mas" nenhum, no homem que muitas vezes critiquei com dureza, e certamente continuarei a criticar, e nem sequer o faço pelo princípio do mal menor. Ou seja, não voto Marques Mendes porque a alternativa é Luís Filipe Menezes; votaria Marques Mendes mesmo que a alternativa fosse algum dos "notáveis" que são sempre falados em eleições e se mantêm em silêncio como eternas esperanças do porvir. Estando o país como está, esse silêncio é mais uma abstenção cívica do que um mérito, e num partido como o PSD é mortífero viver de esperanças sebastianistas.

(No Público de 22 de Setembro de 2007.)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Na última semana, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Néon e erros de ortografia na noite do Algarve.



Aves, na Carrasqueira.



Carrasqueira, perto da Comporta.



Praia da Granja junto a Espinho.
(Ochoa)



Largo de S. Gonçalo em Amarante, visto da Ponte de S. Gonçalo, hoje de manhã.

(Helder Barros)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: E-GOV

Sobre as recentes notícias sobre as maravilhas do nosso e-gov e numa perspectiva de crítica construtiva aqui lhe envio as minhas (más) experiências com alguns aspectos do mesmo:


1- O Serviço Público de Correio Electrónico:

Foi anunciado com pompa e circunstância há cerca de ano e meio:

Passado algum tempo foi apresentado o ViaCTT a que aderi imediatamente. Pensava eu ingenuamente que poderia passar a dialogar com os serviços públicos por essa via e evitar assim as idas aos Correios para levantar correspondência registada do IRS, etc.

Hoje, passado mais de um ano de existência do serviço eis as entidades activas no mesmo:

Banco Barclays

Banco Privado Português

Câmara Municipal do Funchal

Banco Finibanco, S.A.

EDP

EPAL

Gascan S.A.

PT Comunicações

TV Cabo

UNICRE - Cartões de Crédito

Vodafone Portugal - Comunicações Pessoais S A


Se excluirmos a Câmara Municipal do Funchal vê mais algum Organismo Estatal que utilize o serviço?

Mas a intenção anunciada era que utilizassem.


2- Utilização do Portal do Ministério da Agricultura:

O Portal do Ministério da Agricultura disponibiliza um serviço on-line para apresentar reclamações, aí é dito que as reclamações têm que ser respondidas em 15 dias.

Em 6 de Abril último apresentei ao IFADAP uma reclamação sobre um Projecto de Florestação de Terras Agrícolas utilizando este Portal, passado mais de um mês sem obter qualquer resposta apresentei nova reclamação, a 13 de Junho, desta vez para o Gabinete do Ministro da Agricultura queixando-me da falta de resposta à reclamação inicial e do incumprimento dos prazos legais de resposta a reclamações. Até hoje não obtive qualquer resposta às duas reclamações.

Concluindo: muita parra e pouca uva…

(Pedro Bandeira)

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EARLY MORNING BLOGS
1109 - Money

-------Money is a kind of poetry.

–...........( Wallace Stevens)

Money, the long green,
cash, stash, rhino, jack
or just plain dough.

Chock it up, fork it over,
shell it out. Watch it
burn holes through pockets.

To be made of it! To have it
to burn! Greenbacks, double eagles,
megabucks and Ginnie Maes.

It greases the palm, feathers a nest,
holds heads above water,
makes both ends meet.

Money breeds money.
Gathering interest, compounding daily.
Always in circulation.

Money. You don't know where it's been,
but you put it where your mouth is.
And it talks.

(Dana Gioia)

*

Bom dia!

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22.9.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Na última semana, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Trovoada no Parque das Nações . (André Felício)



Big Island - Hawaii. Kilauea Iki Crater. (Luiz Paiva de Sousa)



Cartazes no País Basco, Guernica.

(António Marques)

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EARLY MORNING BLOGS
1108 - when serpents bargain for the right to squirm...

when serpents bargain for the right to squirm
and the sun strikes to gain a living wage-
when thorns regard their roses with alarm
and rainbows are insured against old age

when every thrush may sing no new moon in
if all screech-owls have not okayed his voice
-and any wave signs on the dotted line
or else an ocean is compelled to close

when the oak begs permission of the birch
to make an acorn-valleys accuse their
mountains of having altitude-and march
denounces april as a saboteur

then we'll believe in that incredible
unanimal mankind(and not until)

(e.e. cummings)

*

Bom dia!

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21.9.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 21 de Setembro de 2007


É cómodo atacar a ineficácia da oposição, mas para a saúde da democracia gostaria de ver muito maior indignação com um Primeiro-ministro arrogante, insuportável na sua jactância, a recusar responder a qualquer pergunta a sério, sobre matérias tão importantes como o grave atraso do QREN, para dizer umas graçolas estudadas sobre a "agenda" da oposição.

*
Um país com um PM que repetidamente não responde a perguntas no parlamento é um país que ou tem um grande problema para resolver ou já está em coma. Como é possível acontecer isto na Europa? Que “debate” é este? Não seria melhor não haver debate? Quem é esta gente? Como é que pessoas assim chegam ao parlamento? Como é a parte que não vemos?

(Paulo Loureiro)

*

Como é possível um primeiro-ministro de um país europeu, democrático, e, ainda para mais, presidente em exercício do Conselho da União Europeia, esvaziar o debate mensal com graçolas de mau gosto, evitando as perguntas incómodas, chegando ao ponto de ignorar completamente que foi eleito pelos portugueses para governar, mas que também o foram os deputados para perguntar? É isto decente? A reforma do Parlamento devia ter ido mais longe e acabar com as idas mensais do PM. Chega a roçar o ridículo. Só um político menor não ganharia estes debates, feitos de encomenda para a 3ª figura do Estado.

(Nelson Silva)

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BIBLIOFILIA: COLHEITA ITALIANA 2



Nanni Balestrini / Primo Moroni, L'orda d'oro 1968-1977 La grande ondata rivoluzionaria e creativa, politica ed esistenziale, Feltrinelli, 2007.

Giuseppe Carlo Marino, Biografia del sessantotto. Utopie, conquiste, sbandamenti, Edizione Bompiani, 2004.

Antonio Negri, Goodbye Mr Socialism, Feltrinelli , 2006

Mario Moretti, Carla Mosca, Rossana Rossanda, Brigate rosse. Una storia italiana, Mondadori, 2007

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COISAS DA SÁBADO: NOVAS OPORTUNIDADES E DESEMPREGO DE LICENCIADOS

http://www.cfporto.net/style/logo_novas_oportunidades.JPG

O problema das dezenas de milhares de candidatos a professores que não obtiveram emprego, não é, como é óbvio, um problema só do Ministério da Educação. Também o é em parte, mas como diz e bem a ministra é um problema de desemprego mais global do país. E tem acrescentado, com uma rara frontalidade, que não se prevê tão cedo que esses licenciados possam obter emprego com as qualificações que tem. Os 40000 rejeitados da educação são apenas a face mais visível do desemprego de jovens qualificados, que apenas uma minoria supera e uma minoria da minoria resolve indo para fora de Portugal.

Ora, no mesmo momento em que o Governo diz às pessoas no seu programa das Novas Oportunidades que se “tivesses estudado não serias balconista mas locutora de televisão”, tem que admitir que muitos que estudaram para serem professores, engenheiros, advogados, psicólogos, sociólogos e outras profissões, que implicam esse mesmo “estudos” e qualificações que se propagandeiam nas “Novas Oportunidades”, acabem por ser balconistas, na melhor das hipóteses, quando não desempregados. Uma mão dá, outra mão tira.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Na última semana, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Islândia, ontem, no cimo da cratera de um vulcão.

(Fernando Correia de Oliveira )

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EARLY MORNING BLOGS
1107 - silence...

silence

.is
a
looking

bird:the

turn
ing;edge,of
life

(inquiry before snow

(e.e. cummings)

*

Bom dia!

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20.9.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 20 de Setembro de 2007


Ouviram o Ministro das Finanças? Nenhuma boa notícia, sombras evidentes de um impasse significativo na economia portuguesa, fuga às perguntas incómodas (desemprego, aumento da despesa pública, etc.), um tom triste e sem esperança. Como tudo corre mal, a culpa é do estrangeiro, se corresse bem seria um grande mérito do Governo..

*

Com Mourinho e Scolari, as notícias foram para férias e, com elas, o Portugal real. Há uma semana que estamos em pleno escapismo futebolístico. Primeiro foram os jogos internacionais, agora são os Grandes Incidentes do Futebol. Se existisse "serviço público", como ele é propagandeado e legitimado pelos seus defensores, poderíamos sempre refugiar-nos na RTP. Puro engano, noticiário sobre noticiário, a RTP consegue bater as privadas no tempo que dedica ao futebol. Deste país televisivo, o Governo gosta e muito. E não há estatística da ERC que revele esta governamentalização pelo circo.

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BIBLIOFILIA: COLHEITA ITALIANA



Giorgio Agamben, Ninfe, Bollati Boringhieri, 2007.

Carlo Maria Lomartire, Il Bandito Giuliano, Mondadori , 2007.

Aldo Schiavone, Storia e destino, Einaudi, 2007.

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ETNA 9



Numa aldeia junto ao Etna ainda há bolcheviques.

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INTENDÊNCIA



Em mais que necessária actualização os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

*

Tenho seguido com interesse a discussão sobre a apresentação gráfica do Abrupto no Posto de Escuta e as sugestões que têm sido feitas. Algumas sugestões vão ser de imediato aplicadas, em particular a diminuição do número de notas na página inicial para a tornar menos pesada. Embora já esteja esquecido no tempo, um factor essencial no sucesso dos blogues era serem user-friendly para os seus criadores e não necessitarem de "especialistas" em design e código. Permaneço fiel a essa intenção inicial e tenho recusado "artilhar" o Abrupto por todo o lado, mantendo sempre um princípio de simplicidade, quanto menos, melhor. Semper idem como se diz debaixo da figurinha espreitadora.

Para um blogue como o Abrupto, o aspecto gráfico é um factor de identidade e as mudanças a introduzir serão sempre minimalistas, mas há várias coisas que podem ser melhoradas e trabalharei nesse sentido agradecendo as sugestões.

*
Há uma contradição entre o "aspecto gráfico como questão de identidade" e a ausência de qualquer elaboração ou até pensamento sobre esse mesmo aspecto. É quase uma tentativa de afirmação pela negativa. Na minha opinião, tem pouco mérito o facto de ser o único blogue actualizado ainda com o template de há quatro anos. Pode ser "vintage", mas na internet, isso ainda é uma menos valia. Não concordo que esteja esquecida no tempo a facilidade para os criadores, pelo contrário. Também isso evoluiu e está ainda mais fácil relativamente às possibilidades (de "tags" a conteúdos "multimedia", passando por podcasts e conteúdo RSS). Concordo que algumas destas coisas acrescentam algumas camadas de complexidade que nem toda a gente suporta (por exemplo o que é o RSS e aquele curioso símbolo cor de laranja que agora se vê em todo o lado?). Eu sobre o Abrupto só sei que é muito visitado, não sei se é muito
lido. Mas sei como facto que nem todos os que visitam o lêem -- devia ser uma preocupação constante converter visitantes em leitores. Não sendo um blogue que sofra por falta de conteúdo de qualidade, falta-lhe o resto -- o resto é principalmente a acessibilidade à informação que começa a ter um volume considerável -- isto para não tecer considerações puramente estéticas -- e é um blogue feio para o meu gosto (concluo que é esse o grande mérito do autor, tantas visitas a um blogue feio). O Kottke que já aqui foi referido, passou largos dias a colocar "tags" num arquivo que já remete para 1998, porque apesar de pertencer ao restrito Top100, preocupa-o que as pessoas possam não encontrar o que procuram. E obviamente, o blogue foi evoluindo ao longo do tempo, nunca perdendo as suas características minimalistas.

Os leitores do Abrupto, têm que fazer como eu quando quero encontrar alguma coisa por aqui, "googlar" apenas o Abrupto: -- "palavra a procurar" site: http://abrupto.blogspot.com/ -- (e mais sugestões no Sargaçal ).

(José Rui Fernandes)

*

Na polémica instalada com o seu consentimento, reconheço que o minimalismo algo incipiente do Abrupto me diverte pela positiva.

Isto é, procuro nos blogs um lugar pouco rebuscado;

onde se reconheça o lastro da vivência do autor;

onde se leia a opinião que costuma veicular noutros lugares;

onde se ‘mostre’ formas e imagens de forma displicente;

onde se posso passear sem um rumo certo;

onde não predomine o ataque aos visitantes;

onde a violência seja subtil.

Abrupto poderia ter um destes templates

ou um banner destes:

mas preferiria que assim não fosse

(MJ)

*

Não considero o Abrupto um blogue vintage. Considero apenas que é fácil de ler. Bem sem que nestes tempos nada se compadece com aquilo que é “fácil” Principalmente a Internet. Contudo, caso faça alterações tenha isso em atenção. A facilidade de ler e apreciar, pois nem toda gente domina a Internet e a blogoesfera.

( F. Ribeiro)

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COMO SE PERDE UM CLIENTE NA TMN



Há muitos anos que tenho uma assinatura de telemóvel da TMN, com um plano de preços que a empresa chama "executivo", ou seja caro. Vou acumulando pontos, mas quando os pretendo trocar há sempre qualquer coisa que o impede. A paciência vai-se esgotando por aquilo que é objectivamente um engano ao cliente. A gota de água veio da experiência de ter perdido, nas deambulações vulcânicas, o telemóvel. Logo que cheguei pedi cópia do cartão com o meu número, o que aconteceu em 24 horas. Percebe-se: a TMN sabe que está a perder dinheiro cada minuto em que o cartão andar pelo lixo da Catania.

Depois, fui a uma loja da TMN para trocar os pontos por um novo telemóvel. Impossível, diziam umas meninas, porque tinha que estar "fidelizado" à compra anterior (o telemóvel perdido) e só depois de 18 meses podia comprar novo telemóvel. Perguntei-lhes em que parte do regulamento dos pontos é que estava escrito que eu, que estou "fidelizado" à TMN há muitos anos, estava impedido de comprar um novo telemóvel para colocar lá o meu cartão de sempre. Depois de muitas atribulações, apareceram-me com um regulamento quase ilegível em que se dizia: "a troca de pontos por um telemóvel implica a obrigação do cliente manter activo o cartão que fez a troca, por um período mínimo de 18 meses ou outro especificamente indicado no catálogo. " Expliquei-lhes que "o cartão que fez a troca", era sempre o mesmo, foi aquele que me permitiu encomendar o telefone anterior com pontos e aquele que me permitia ganhar os pontos que pretendia agora usar. Rapidamente me apercebi que não adiantava, as meninas tinham instruções rígidas que não sabiam interpretar, estavam certamente com medo de fazer uma asneira e perder o emprego precário que tinham e não havia "acima" a não ser um telefone que ninguém atendia. Passei uma hora nisto, tentando explicar que nada no regulamento dos pontos me impedia de os usar, mas não vale a pena. Como não gosto de ser enganado, a TMN prepara-se para perder um cliente, ou com estes truques ou com este modo de atender os clientes.

*
Depois de ler o seu post, decidi analisar a fundo a questão pois também sou um "velho" cliente da TMN. No Ponto 3 do regulamento de pontos (Regulamento de Pontos da TMN) diz o seguinte:

- "Pode ser efectuada uma troca de pontos por mês, desde que o cliente disponha dos pontos necessários."

- "A troca de pontos por um telemóvel implica a obrigação do cliente manter activo o cartão que fez a troca, por um período mínimo de 18 meses ou outro especificamente indicado no catálogo ..."

Deduzo com estas frases que nada o impede de comprar um novo telemóvel. Com estas atitudes, só perdem bons clientes!

(Pedro Sotta)

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Na Otimus não é muito diferente. Sou cliente quase desde a fundação e sempre troquei de telemóveis através dos pontos / evoluções da Otimus e sendo informado que tal implicava períodos variáveis de fidelização entre os 12 e os 18 meses que sempre cumpri, pois tenho o mesmo número vai p/ 8 anos. Acontece que conservo os telemóveis antigos que ainda estejam em estado de utilização, não vá acontecer-me algo como o que lhe aconteceu a si ou uma avaria e ficar “pendurado”. Neste verão depois de uma limpeza à tralha resolvi pedir à Otimus os códigos de desbloqueio de 2 aparelhos ainda em bom estado de utilização. Não desejava mudar de rede, apenas exercer o direito que tinha uma vez que ambos os aparelhos já tinham ultrapassado há uns 2 / 3 anos o respectivo prazo de fidelização que tinha sido cumprido. A Otimus teve o descaramento de pedir 75 EUROS pelo envio do respectivo código de desbloqueio. Estamos falar de aparelhos Nokia 3410 já há muito descontinuados e completamente desactualizados. Por esse preço hoje em dia já se adquirem (incluindo na própria Otimus) aparelhos novos c/ maq. Fotográfica, ecran a cores e acesso Internet, tudo funções inexistentes nos aparelhos que pretendia desbloquear. Apesar dos meus argumentos, mormente e essencialmente que tal não constava das condições de aquisição daqueles aparelhos e portanto a Otimus não estava a cumprir a sua palavra, responderam-me que se tratava de “um procedimento interno”. Ainda não tive pachorra p/ trocar de operador, mas talvez um dia o faça. Ou escreva ao Eng. Belmiro que tanto atacou a PT (e por essa via a TMN) pela forma como trata os respectivos clientes, lembrar-lhe que na empresa dele também se fazem coisas parecidas aos clientes anónimos (presumo que a ele o tratem nas palminhas das mãos).

Por isso caro Pacheco Pereira, pense bem antes de mudar, poderá não valer a pena. As diferenças entre os 3 concorrentes podem não ser tão grandes quanto isso.

(Miguel Sebastião)

*

Quanto ao seu problema com a TMN: sou há muito cliente da Vodafone (primeiro Telecel) e nesta, a troca de pontos por um telemóvel fideliza o cartão por 18 meses, o que significa que não posso, durante esse período, trocar pontos por um outro telemóvel, a não ser que tenha outro cartão na mesma conta de cliente, livre de qualquer fidelização. Não é isso que decorre da leitura do regulamento da TMN, mas parece ser esse o procedimento dos seus funcionários. Estranho é que haja tanto zelo da TMN em matar a fonte do seu lucro.

(Joaquim Santos)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Na última semana, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Cartaz dirigido aos turistas afixado numa rua de Donostia - San Sebastian.

(Vasco Portugal)



Descarregando barris de cerveja em London Derry, Irlanda do Norte.

(Fernando Santos Marques)



Aveiro. (António Cabral)



Vesúvio. (Carlos Costa)





Luzes da Quarteira. (Ochoa)







Porto Santo, reconstituição desembarque Cristóvão Colombo. (João Almeida)

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EARLY MORNING BLOGS
1106 - Rien n'est beau que le vrai...

... Rien n'est beau que le vrai : le vrai seul est aimable ;
Il doit régner partout, et même dans la fable :
De toute fiction l'adroite fausseté
Ne tend qu'à faire aux yeux briller la vérité.

Sais-tu pourquoi mes vers sont lus dans les provinces,
Sont recherchés du peuple, et reçus chez les princes ?
Ce n'est pas que leurs sons, agréables, nombreux,
Soient toujours à l'oreille également heureux ;
Qu'en plus d'un lieu le sens n'y gêne la mesure,
Et qu'un mot quelquefois n'y brave la césure :
Mais c'est qu'en eux le vrai, du mensonge vainqueur,
Partout se montre aux yeux et va saisir le coeur ;
Que le bien et le mal y sont prisés au juste ;
Que jamais un faquin n'y tint un rang auguste ;
Et que mon coeur, toujours conduisant mon esprit,
Ne dit rien aux lecteurs qu'à soi-même il n'ait dit.
Ma pensée au grand jour partout s'offre et s'expose,
Et mon vers, bien ou mal, dit toujours quelque chose...

(Boileau)

*

Bom dia!

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18.9.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 18 de Setembro de 2007


Um Primeiro-ministro irritadíssimo por ter que falar da aplicação do novo Código, ou seja, ter que falar de algo que não está a correr bem, sem ser em Momento-Chávez.

*

A nova nomenclatura dos afectos: "filha do sangue", versus "filha do coração" ou "filha do amor". A advogada dixit. O "amor" resultou de um roubo de criança à mãe, mas a raptora gostava muito da "Andreia", está perdoada. O "amor" dá para tudo. É o "amor" e a "cultura", os intocáveis de dois séculos de lamechice romântica e meio de intocabilidade da "arte".

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STROMBOLI 2





Casa onde viveram Roberto Rosselinni e Ingrid Bergman durante as filmagens de Stromboli.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Flamingos na Ria de Aveiro.

(José Carlos Santos)

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EARLY MORNING BLOGS
1105 - Historion

No man hath dared to write this thing as yet,
And yet I know, how that the souls of all men great
At times pass athrough us,
And we are melted into them, and are not
Save reflexions of their souls.
Thus am I Dante for a space and am
One Francois Villon, ballad-lord and thief,
Or am such holy ones I may not write
Lest blasphemy be writ against my name;
This for an instant and the flame is gone.

'Tis as in midmost us there glows a sphere
Translucent, molten gold, that is the "I"
And into this some form projects itself:
Christus, or John, or eke the Florentine;
And as the clear space is not if a form's
Imposed thereon,
So cease we from all being for the time,
And these, the Masters of the Soul, live on.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

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17.9.07


STROMBOLI 1

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Azulejos e majólicas nas casas de Stromboli.

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ETNA 8



Prato de doces da região do Etna.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 17 de Setembro de 2007


Uma das áreas em que há situações calamitosas em Portugal (e são várias) é a da justiça. Nada parece melhorar apesar da contínua agitação governamental. Basta ouvir um noticiário para perceber a crise:

- temos dois ministros da justiça: Alberto Costa e Maria José Morgado;

- temos um interessante critério político na "pressa" em evitar a saída de alguns presos preventivos. Alguém, pressuroso, informou os órgãos de comunicação social que o país pode estar calmo: saíram ou vão sair acusados de assassinatos, violações, etc., mas não será libertado Mário Machado, o dirigente dos skinheads, que é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime, nem sequer delito de opinião. Tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia.

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ETNA 7



Qui sull'arida schiena
Del formidabil monte
(...)
La qual null'altro allegra arbor nè fiore,
Tuoi crespi solitari intorno spargi,
Odorata ginestra,
Contenta dei deserti.

(Leopardi)

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ETNA 6



O centro do "monstro". A vermelho, as emissões de lava do século XX e XXI. As fotografias aqui publicadas foram tiradas dentro desta zona.

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ETNA 5



Cratera.



Um chão activo. Nalguns sítios a temperatura dos gases à saída é de 300º.

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ETNA 4



Uma joaninha no meio da lava.

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EARLY MORNING BLOGS
1104 - Nel dubbio

Stavo tenendo un discorso
agli 'Amici di Cacania'
sul tema 'La vita è verosimile?'
quando mi ricordai
ch'ero del tutto agnostico,
amore e odio in parti uguali e incerto
il risultato, a dosi alternate.
Poi riflettei ch'erano sufficienti
cinque minuti
due e mezzo alla tesi
altrettanti all'antitesi
e questo era il solo omaggio
possibile a un uomo senza qualità.
Parlai esattamente trentacinque secondi.
E quando dissi
che il sì e il no si scambiano le barbe
urla e fischi interruppero il discorso
e mi svegliai. Fu il sogno più laconico
della mia vita, forse il solo non sprovvisto
'di qualità'.

(Eugenio Montale)

*

Bom dia!

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16.9.07


ETNA 3










O refúgio da Torre do Filosofo durante a erupção de 2000 e hoje (2007).

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INTENDÊNCIA


As notas vulcânicas sobre o Etna e o Stromboli estão a ser actualizadas com a inclusão de fotografias.

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A TRAGÉDIA QUE ESTÁ EM CARTAZ



O caso da "pequena Maddie" e o da princesa Diana são mais parecidos do que se imagina. Em ambos os casos existe um núcleo duro de violência trágica, um acidente brutal, um crime, uma morte ou um rapto. Seja qual for o desfecho final, não há happy end possível, não há retorno ao equilíbrio inicial, alguém sofreu inesperadamente, e esse sofrimento atinge os próximos. Sabemos que foi isto que aconteceu, esta é a coisa a sério, a real thing. Tudo o resto anda à volta mas não é da mesma natureza. E é o "resto" a história que vivemos, que nos interessa, que nos move, e para além deste ponto inicial, os factos pouco interessam, tudo é do domínio da ficção e, por cruel que seja dizê-lo, tudo é um enorme teatro, a gigantesca encenação do Pathos, rei e senhor do espaço público nas nossas sociedades de massas.

O que nós estamos a ver é um filme (e a seu tempo haverá um filme), um espectáculo, em que personagens "não procuram o autor" como no teatro moderno (que exactamente por essa perplexidade nunca será popular), mas onde cada personagem é um ícone, transporta consigo uma face trágica, que "fala" com a cidade, e a que esta responde com um coro. Sim, é puro teatro grego clássico, por cruel que seja dizê-lo assim insisto, aquele que Sólon queria proibir porque institucionalizaria a confusão entre a verdade e a mentira.

Nem podia deixar de ser doutra maneira, tão imersos estamos num mundo dominado pelo Pathos, e sem Ethos, nem Logos. Sentamo-nos em casa diante da televisão (o veículo dominante nos dias de hoje do espectáculo permanente, mas que não é o único, e está prestes a entregar a sua dominação a mais poderosos meios interactivos de que o Second Life é apenas um grosseiro precursor) e diante dos nossos olhos passa a tragédia da "pequena Maddie", que na realidade é a tragédia da Mãe McCann, o centro de tudo. Como nas grandes personagens femininas do teatro clássico, a tragédia desenrola-se entre o destino e a hubris, entre a dadora da vida e a sua possível roubadora, num duplo acto decisivo de princípio e fim, que mexe com os fundamentos de tudo o que consideramos adquirido e que nos foi intensamente transmitido no primeiro acto do espectáculo.

É verdade que a aceitar-se a tese de uma morte acidental pela mais trivial das razões (e como já afirmei os factos verdadeiramente não interessam), a de os pais quererem jantar sossegados com os amigos, dando um sedativo à filha para não terem que a aturar "histérica", perturbadora dos actos dos adultos - uma versão mais sofisticada de algo que nos campos se fazia com aguardente - seria apenas um retrato da vida irresponsável e fácil dos burgueses de hoje, de uma cultura de satisfação individual e egoísta. Se tudo tivesse ficado por aí, a morte acidental da criança por negligência dos pais, estaríamos de facto numa história dos nossos dias de egoísmo suburbano, de um jovem casal que quer ter filhos e viver a sua vida em férias para se divertir, "descansando das crianças" que não sabem onde pôr. Nada que não atravesse o Allgarve de uma ponta à outra, só que esta teria corrido mal, de uma forma mais gravosa para os pais do que se a criança tivesse vindo para a rua e fosse atropelada. A sua negligência é química, menos socialmente aceitável do que se tivessem deixado uma janela aberta ou os fósforos em cima da mesa. Mas seria só isso.

De novo insisto, pouco nos preocupamos com o destino da "pequena Maddie", mas já nos colamos ao ecrã se este egoísmo inicial desleixado tivesse levado a um outro egoísmo essencial, o de querer ocultar a negligência com uma história inventada de rapto para que esta overdose de sedativos "não nos estrague a vida toda". Aqui sim irrompe o Mal puro e as personagens tornam-se trágicas, é o teatro absoluto. Porque, a ser verdadeira a acusação então nós sabemos por intuição, e ninguém precisa de falar disso, que aquela mãe e aquele pai transportaram o cadáver da filha e enterraram-no, ou deitaram-no ao mar, ou fizeram-no desaparecer de forma ainda mais terrível, e depois simularam durante meses uma dor que não tinham (?), numa encenação de que foram magníficos actores sem uma falha. Convenceram-nos a todos e à Cúria Romana que lhes permitiu ver o Papa. Se isto não é o Mal entre nós, o que é que é o Mal? Um raptor profissional para uma rede de pedofilia, actuando por dinheiro, é um menino de coro face a este Mal, que tem a face do Engano, que mistura os sentimentos, que tem todas as características de incompreensibilidade, surpresa, devastação, crueldade pura, para termos medo, muito medo. É o exorcismo desse medo que procuramos na tragédia, no teatro, tocando-o ao de leve e fugindo dele, como se fosse um acto sacrificial.

Vejam-se as personagens femininas, porque esta é uma tragédia só possível com personagens centrais femininas, a começar pela equivalente a Medeia, Electra, Clitemnestra, Lady Macbeth, a Mãe, Kate McCann no seu perfil de solitária, deprimida, psicótica, com a sua face dura e esculpida, sem variações, em silêncio, como uma rocha, possuída de qualquer sentimento essencial que pensávamos até ontem ser a dor da perda da filha e hoje suspeitamos ser a mais terrível das faces. Ao passar, agarrada a um boneco de Maddie, infantilizando-se nessa imagem, como se fosse ela própria a filha perdida, dá ainda mais intensidade a um mundo em que não sabemos como penetrar, e que se esconde por detrás de uma cara, outra cara e outra e outra. No meio desse labirinto de máscaras, está uma capaz de tudo. E a cara capaz de tudo lida com a Morte de forma pouco natural, com frieza, juntando as mãos às da ceifeira.

O resto das personagens quase desaparecem, o Pai McCann é que dá voz à Mãe, mas se a terrível hipótese se confirmar ainda mais se apagará como personagem. O Allgarve é não só o cenário, como é dele que vem o coro, primeiro silencioso e compungido, depois vociferante, insultando a Mãe, e trazendo ao de cima todas as complexidades e conflitos que permaneciam latentes. De repente, emerge o próprio tecido social, as tensões entre a comunidade inglesa (e as suas suspeições antiportuguesas, sobre a polícia e sua competência) e a hostilidade perante aquela mulher loura, vinda de um mundo louro e rico que paga o turismo algarvio, mas que é e será sempre de fora. Algumas fotografias em que se vê Kate McCann com um fundo de portugueses dizem tudo, a diferença na delicadeza das faces e no trato do corpo, e a rudeza popular, uma boçalidade camponesa nos polícias e nos "populares". Mesmo, se olharmos assim, nem a "pequena Maddie" escapa a um sinal do Mal, a uma marca demoníaca, o seu sinal de nascença num olho riscado, uma coisa para que há trezentos anos se olharia com muita atenção e nenhuma inocência.

E se nada disto for verdade, a acusação se revelar ser falsa, os McCann inocentes e duplamente vítimas? E se a história estiver mais perto da "honra perdida de Katarina Blum", da vitimização conspirativa de uma polícia que não consegue descobrir os raptores, associada ao festim mediático, que mais do que mães dolorosas deseja mães criminosas com todo o dolo do mundo? Pode ser, mas para o espectáculo pouco importa. A não ser que apareça Maddie com os seus raptores, numa história suja mas limpa de ambiguidades, a suspeita pairará sempre sobre os McCann, porque esta é a natureza deste tipo de espectáculo, onde ninguém sai ileso e não há reparação possível. Nem nós, que perdemos discernimento, distância, razão, equilíbrio, num mundo dominado pelo Pathos.

(No Público de 15 de Setembro de 2007.)

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ETNA 2







Cratera da grande erupção de 2002.

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ETNA 1



O cone eruptivo do Etna em plena actividade, com as suas várias crateras.

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EARLY MORNING BLOGS
1103 - Skywriting

Three jets are streaking west:
Trails are beginning to fray already:
The third, the last set out,
Climbs parallel a March sky
Paying out a ruled white line:
Skywriting like an incision,
Such surgical precision defines
The mile between it and the others
Who have disappeared leaving behind
Only their now ghostly tracks
That still hold to the height and map
Their direction with a failing clarity:
The sky is higher for their passing
Where the third plane scans its breadth.
The mere bare blue would never have shown
That vaultlike curvature overhead,
Already evading the mathematics of the spot,
As it blooms back, a cool canopy,
A celestial meadow, needing no measure
But a reconnaissant eye, an ear
Aware suddenly that as they passed
No sound accompanied arrival or vanishing
So high were their flight-paths on a sky
That has gone on expunging them since,
Leaving a clean page there for chance
To spread wide its unravelling hieroglyphs.

(Charles Tomlinson)

*

Bom dia!

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O JUDEU ERRANTE

voltou dos vulcões. Vamos ver até que ponto a Pátria está mudada uns milímetros. com terra nova como a que vi nascer. Não me parece: é difícil ter um aeroporto mais caótico que o de Lisboa, e não é pela abundância de voos. Há ali um problema de quem manda e quem se responsabiliza, and nobody cares. Depois parece que o Scolari deu um murro a alguém e isso é muito importante, and everybody cares. Está de facto tudo no sítio.

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15.9.07


ENTRE HOJE E AMANHA

o Abrupto voltara' ao habitual.

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JÁ AGORA, DE PASSAGEM,

Já repararam como o debate português esquerda/direita está muito mais mortiço e apagado? A razão parece-me evidente: é um debate muito dependente da conjuntura, em particular do PP e do BE, e ambos os partidos estão num curso de "centro". O PP com a célebre ambição de dominar o "centro-direita", o BE com as suas aproximações lisboetas ao PS. Com estes movimentos tácticos deixam órfãos os puristas das claras demarcações.

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UM BOM PAÍS PARA EMIGRAREM OS PRÓCERES DA "ESQUERDA"/"DIREITA"

é a Itália. Não conheço nenhum outro país europeu em que a obsessão classificatória, com os seus eternos problemas fundacionais, refundacionais, de limites, de território, de turf, sejam mais compulsivos. As livrarias estão cheias de livros, os jornais de artigos e uma série única de revistas politicas, sem paralelo com qualquer outro país europeu, não falam de outra coisa. É verdade que é mais a esquerda do que a direita, mas a indústria do "repensar" esta em plena produção. A França, que é quem mais se aproxima, não tem, nem de perto nem de longe, esta intensa actividade.

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A IDENTIDADE PELOS PALHAÇOS

Uma das tendências mais interessantes e mais previsíveis (se se estivesse atento) nas democracias ocidentais de hoje é a identidade pelos comediantes, a identidade pelos palhaços, sem ofensa aos ditos. É verdade que uns são mais comediantes e outros mais palhaços, mas este fenómeno atravessa várias democracias. Aconteceu em França com Coluche e chegou a Itália com Beppe Grillo, que arrasta multidões para propor legislação contra o sistema político italiano. As propostas são simples e tocam uma campainha que nós portugueses também já ouvimos: a impossibilidade de um político condenado se candidatar, um limite obrigatório de dois mandatos para os cargos electivos, votação nos candidatos e não nos partidos políticos.

Em países em que os comediantes tendem a ser mais influentes do que os políticos, que cada vez mais se parecem com os comediantes, em mau esclareça-se, realidades como o Daily Show de Jon Stewart ou os nossos Gatos Fedorentos, aparecem como locais de fixação de identidade, para um público crescentemente céptico e hostil à representação política. Se tudo na política é um espectáculo, por que razão não ir aos profissionais e ficar-se pelos amadores?

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12.9.07


A EDIçAO ITALIANA

é sem duvida das melhores do mundo. Em particular na "saggistica", nos ensaios e estudos.

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ACEDER A INTERNET SO' COM IDENTIFICAçAO

Uma lei de 2005 (lei 155, 31/7/2005) impede que em Italia se aceda a Internet num cafe' ou num ponto Internet sem identificaçao. Apenas uma minoria de sitios aplica a lei, Italia e' Italia, mas ela existe e esta' bem anunciada naqueles em que se aplica. Ou BI ou passaporte.

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ESTA' A INTERNET A MATAR A NOSSA CULTURA?

Um livro de Andrew Keen tem suscitado uma grande discussão na comunicação social internacional e na rede. O livro ainda não foi traduzido em português, mas o seu título e subtítulo não enganam ninguém: o Culto do Amador - Como a Internet dos dias de hoje está a matar a nossa cultura. É um livro panfletário e simplista, escrito para chocar, mas as questões que lá são levantadas são importantes e cada vez mais presentes, até porque são uma versão nova de problemas muito antigos potenciados numa dimensão que, essa sim, é nova. O livro de Keen não foi o primeiro e certamente não será o último sobre o assunto vindo do lado dos "apocalípticos" das novas tecnologias, para usar a terminologia de Eco. Pode-se até esperar um filão polémico de livros sobre este tema, porque os efeitos de "matança da nossa cultura", usando o título de Keen, são sérios e só se podem agravar nos tempos mais próximos. O catastrofismo é uma longa tradição do pensamento ocidental, principalmente nas mudanças do século, mas lá porque é cíclico e porque as coisas nunca correram tão mal como se anunciava, nem por isso, nada nos garante que, desta vez, não corram mesmo muito mal.

A tese de Keen é que múltiplos aspectos do nosso saber e da nossa cultura milenar (refere-se essencialmente à cultura do Ocidente) estão a ser postos em causa pela potenciação que as novas tecnologias associadas à rede estão a dar à ignorância presumida de saber, ao "amador" que pensa que pode competir com o profissional (seja jornalista, seja crítico literário, seja cientista, seja especialista de qualquer área do saber), apenas porque pode livremente e sem edição colocar num blogue o que lhe vem à cabeça; pela erosão do direito de autor pela pirataria generalizada na rede, com o consequente desinvestimento em produtos culturais caros (por exemplo a produção de CD com um grande investimento em estúdio e qualidade da gravação); pela vulgarização do plágio; pela impossibilidade de no mundo digital se "autenticar" a verdade, com o crescimento da virtualidade da Second Life em detrimento da primeira, etc, etc. O mundo obscuro dos avatars, das identidades virtuais em rede, não apenas deu um teatro tão gigantesco como eficaz às pulsões criminosas, desde a "fraude nigeriana" até ao phishing, passando pela pedofilia, como permitiu outro tipo de fraudes intelectuais como seja a falsificação artificial dos contadores de audiências dos blogues, os truques para se colocar bem uma página nos motores de busca, as falsas notas em blogues cujo objectivo é promover produtos pela sua citação, ou seja, toda uma série de práticas que fora da rede seriam consideradas enganadoras e fraudulentas e controladas pela lei e pela regulação. Keen mostra com exemplos como é possível moldar a realidade em rede usando os comentários anónimos, desenvolvendo formas anónimas de campanhas ad hominem, usando mil nomes de caixa de comentário em caixa de comentário, marcando temas e pessoas tidas como "inimigas", ou autopromovendo-se com elogios que se fazem passar como sendo de terceiros.

Ou seja, a rede é o Oeste selvagem, sem lei e sem ordem, e é nessa escola que milhões de jovens se iniciam sem terem um mínimo de know how para saberem distinguir entre a ciência e a charlatanice, sem conhecerem os mil e um truques que pululam em linha, e, quando os conhecem, praticam-nos sem qualquer padrão de moralidade, entrando em esquemas que cá fora seriam considerados do domínio da fraude. O reclame que as associações produtoras e distribuidoras de filmes, vídeos e DVD fazem passar antes das sessões de cinema ou do visionamento de um filme em casa, em que se coloca a questão de como é que uma pessoa que nunca sonharia roubar uma televisão, ou um vídeo numa loja, o faz através de um download ilegal, é uma tentativa um pouco desesperada de explorar essa contradição. A facilidade com que estas práticas se generalizaram na rede (são hoje já habituais em Portugal e penetraram na blogosfera) mostra como existe uma indiferença, complacência e mesmo colaboração activa com o seu carácter fraudulento.

A este assalto, que podíamos chamar "moral", de dissolução de regras e comportamentos éticos valorizados no mundo real, mas ignorados e hostilizados em rede, acresce que o "culto do amador" legitima uma degradação acentuada dos critérios de qualidade de muitas actividades que implicavam ou um saber especializado, normalmente resultado de muitos anos de estudo e trabalho, ou de uma prática profissional extensiva. É o caso da utopia do "jornalismo dos cidadãos", dentro da crise mais geral da comunicação social de referência, cuja leitura é substituída por uma "cultura de blogues", dispersa, opinativa, pouco rigorosa, extremista e de "causas", mais intolerante do que a imprensa tradicional, mas que cada vez mais funciona como fonte noticiosa e como pedagogia do debate público. É também o caso da Wikipédia, talvez o melhor exemplo da perda de critérios de rigor e qualidade, a favor de uma ideologia utópica do homem comum, das massas, escrevendo por tentativa e erro, uma enciclopédia colectiva. A Wikipédia tem conhecido nos últimos tempos uma séria crise de credibilidade, mas continua a servir como referência para as mesmas multidões que em linha não sabem distinguir a astronomia da astrologia.

Todos estes exemplos e outros representam problemas reais e que se tem vindo a agravar, mas que Keen retira do seu contexto social, o que não permite perceber o que se passa e nos empurra para uma visão maléfica das novas tecnologias, face às quais nada mais haveria a fazer do que queimar as máquinas, como os ludditas faziam aos teares mecânicos. O pano de fundo daquilo que critica Keen são mudanças sociais profundas, que se tem vindo a dar nas sociedades industriais nos últimos 150 anos, mas que ganharam velocidade de cruzeiro depois da II Guerra Mundial: aquilo que se pode chamar o advento da sociedade de massas, assente no consumo generalizado de bens materiais (electrodomésticos, automóveis, casas nos subúrbios, etc.) e "espirituais" (férias baratas, rádio, televisão, imprensa popular). A pulsão igualitária e demagógica das massas, aquilo que antigamente se chamava a "psicologia das multidões", de facto varre muito dos quadros da cultura e saber tradicional, que julgam e com razão ser elitista. O "culto do amador" é apenas um dos sinais dessa tábua rasa demagógica que está de facto a "matar a nossa cultura" tal como a conhecemos. Se tudo ficar por aqui, caminha-se para uma nova barbárie.

A crítica de Keen e de outros "apocalípticos" falha ao menosprezar o enorme adquirido que se deu nestes mesmos 150 anos, a verdadeira revolução social, que permitiu a muitos milhões de pessoas, que viviam dominadas apenas pelo seu trabalho brutal e pela cultura "folclórica" tradicional, aceder a consumos que nunca tiveram e passar a ter voz em áreas que sempre lhes estiveram vedadas, seja como audiências de televisão, seja em estudos de mercado, seja em sondagens, seja comprando e votando. O efeito dessa voz cria uma enorme perturbação, degrada tudo, simplifica, confunde, mas, ao alterar sem retorno os equilíbrios elitistas do passado, gerou novas condições de democraticidade, competitividade e criatividade que também se verificam na rede.

Não sei até que ponto se encontrará um qualquer equilíbrio que trave o lixo demagógico que hoje enche tudo impante da sua nova voz tecnológica e salve a "nossa cultura", mas não posso, em nome dessa mesma "cultura", deixar de valorizar o acesso de milhões à porta de um mundo em que habita o "espírito", mesmo que assustado com tanta confusão.

(No Publico de 8 de Setembro de 2007)

NOTA: a maioria dos comentários, para não dizer todos, que vi na blogosfera a este artigo são de pessoas que afirmam que não leram livro de Keen. É para eles absolutamente normal comentar um livro, com opiniões fortes e taxativas, que não se dão o trabalho de ler. É aliás esta a prática normal nos blogues, com raríssimas excepções e é tida como normal. QED.

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NOTAS DO STROMBOLI



O Stromboli tem uma forma de imponência diferente do Etna. O Etna domina a terra, o Stromboli, como e' uma ilha-vulcão, domina o mar. Os dois muito pequenos povoados na ilha, Stromboli e Ginostra, encostam-se ao mar no lado oposto à Sciara del Fuoco, para onde o vulcão regularmente, mais ou menos de vinte em vinte minutos, atira a sua carga explosiva. Mas nenhuma das aldeias strombolianas e' segura: as "bombas" pesando centenas de quilos são atiradas pelo vulcão em todas as direções e furam uma casa sem qualquer problema. As indicaçoes da protecção civil são omnipresentes. Ginostra e Stromboli tem muito pouca população, Ginostra tem fama de ter o mais pequeno porto do mundo, e em Stromboli conhece-se quase toda a gente num dia. Um livro que tinha comprado chamado Stromboli Terre des Hommes sobre as figuras locais tinha as fotos das mesmas pessoas que vi irem a pesca, andar de Piaggio, a "machina" preferida de circulação, incluindo os "taxis" e o carro da policia, como se nada tivesse mudado a não ser a idade.



Veículos dos Carabinieri, um taxi, carro do vendedor de peixe, taxi turístico.



Os velhos pescadores de Stromboli parecem Vikings. Deve ser moda local e já tem muitos anos.


Stromboli não tem iluminação pública a não ser uma pequena faixa junto ao porto e por isso vulcão e céu negro partilham o olhar, com a vantagem de ser sempre para cima.

(Continua para o Etna e Stromboli e depois Vulcano.)

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NOTAS DO ETNA 2



Os vulcões podem ser perigoso e são-no, mas as pessoas agarram-se a eles pelas suas vantagens: boas terras e boas colheitas. Num mapa geológico do Etna, ilustrando a mutabilidade do vulcão e as diferentes correntes de lava datadas desde o seculo XVII, procurei em vão o nome de Zafferana Etnea, indicação que precisava. Bem olhava para as aldeias que povoam o vulcão, a sua volta, no seu sope', e nada de Zafferana. Ate' que na parte a vermelho, indicando as correntes de lava do século XX e XXI, a ultima das quais foi ha uma semana, e ainda nao vem no mapa, muito acima no vulcao, la' estava a aldeia no mais improvável dos sitios. Zafferana e' um burgo pequeno, com uma vista para a região de Catania sem igual naquela altitude, cheia de imagens votivas de santos protectores do vulcão, onde se desenrolava um casamento simples, o único movimento visivel. Parece que e' o mel a razao da sua existência precária. Uma corrente de lava atravessou-a ha' poucos anos e várias vezes terramotos ou o vulcão quase a apagaram do mapa. Mas os homens voltam por causa do mel.

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NOTAS DO ETNA







(Ainda imperfeitas devido ao teclado.)

Subir, andar num vulcao activo com a dimensao do Etna, um gigante de 3000 m que domina toda a Sicilia oriental, e' muito dificil. Se se imaginar a Igreja do Vaticano e colocar outra igual em cima, depois cobrir de areia para fazer uma piramide, e experimentar subir por ali acima talvez se perceba o esforço fisico que e' necessario so' para a cone eruptivo. Ou seja, para o topo de um vulcao a que so' se chega depois de um longo caminho de carro, teleferico e veiculo de todo o terreno. Depois ha' o chao, feito ou de cinzas vulcanicas que se movem como areia movediça em declive, ou de lava fragmentada, um dos sitios mais duros para se andar. Por sim, descontando o resto, as fumarolas a 300°, o chao quente, o risco real de se perder o pe' e mergulhar numa cratera (e ha' varias conforme os anos das grandes erupçoes), ha' o cheiro, o ar cheio de enxofre que obriga a um tossir permanente. Enfim, pequenas coisas para se ter a vista mais proxima que ha' da Lua ou do inferno, conforme as confissùoes civis e religiosas.

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10.9.07


HÁ UM VULCÃO QUE FALA



E é verdade, porque ouvi. É mais um ronco que uma fala, mas tambem há quem fale assim. e para quem está à volta, o ronco é mais uma ordem do que uma fala. Mas haá as abelhas e o mel, as terras sao férteis, as alcaparras invadem tudo, e a pesca é abundante. Pelos vistos, valem o risco de lhes cair uma bomba em cima.

(Em breve fotos, noticias, eventos, efemera de três vulcões vistos de muito perto. )

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7.9.07


A MUNTAGNA



Hoje, pela primeira vez sem nuvens, ao Sol do Sul. uma nuvem diferente, longa e difusa, caminha para o mar.

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6.9.07


VULCOES E ERUPçOES, PALAVRAS SEM ACENTO E PERTURBAçOES NA COMUNICAçAO

acabaram por vir todas em pacote. No vulcao em que estou ha uma erupçao em curso. Nao e como o Piton de la Fournaise, que resolver dar sinais de vida na tarde da manha em que de la sai. Isto para dizer aos leitores do Abrupto que tem enviado fotos, comentarios e outras colaboraçoes que logo que possa, terao o seu lugar no blogue. E que podem esperar mais noticias da erupçao, que espero nao faça estragos para alem das chuvas de cinzas que prejudicaram umas colheitas e perturbaçoes nos voos. O vulcao e traiçoeiro, tem uma longa historia de tragedias, mas bem pode rugir sem estragar nada. mas se calhar nao esta na sua natureza.

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5.9.07


LENDO/VENDO/OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 5 de Setembro de 2007
A ERC NO CENTRO DA POLÍTICA DE HOJE

(Com pedido de desculpa de erros e impossibilidade de consultar os documentos originais, devido às condições em que a nota foi escrita.)

A entrevista do Presidente da ERC, Azeredo Lopes, a Mário Crespo na SICN foi das mais embrulhadas a que jamais assisti. Se não se percebesse bem demais o que ele queria e não queria dizer, não se percebia mesmo nada. Claro que este "perceber" é para os cognoscenti, porque para qualquer pessoa aquilo era mesmo incompreensível.

Por detrás do hermetismo e de algum malabarismo jurídico, está a "entidade", uma das instituições que já é central no debate político actual. Não no debate sobre a comunicação social, mas no debate político puro e duro. As razões são genéticas da "entidade", deste tipo de "entidades" no modelo dirigista do estado, na tradição europeia de interferência na comunicação social, e, no caso português, da vontade de governos e partidos terem um "polícia" numa área muito perigosa para os políticos. A actual ERC com os poderes reforçados que lhe foram dados tem mostrado à evidência o seu papel na legitimação do poder. Sou, por tudo isto e já do tempo da AACS, partidário da sua extinção. Para "regular" a comunicação social, basta a auto-regulação e a lei geral para punir os crimes e abusos. Se um e outra não funcionam em Portugal, porque os jornalistas são avessos à auto-regulação e os tribunais erráticos na defesa do cidadão contra os abusos da comunicação social, trate-se antes de os melhorar e os tornar eficazes.

*


Dito isto, convém não deixar de comentar o artigo de Estrela Serrano em resposta a Cintra Torres hoje no Público. Ele revela o caminho em que a ERC se está a enredar, e o beco sem saída em que se vai meter. Trata-se da introdução de análises qualitativas do "conteúdo" das notícias, usando alguns modelos académicos, mas cujo resultado numa avaliação em última instância política, é enganador. Na polémica com Cintra Torres ambos discutem o número de notícias "favoráveis"/"desfavoráveis" dos candidatos às eleições da CM de Lisboa, como forma de avaliar se a comunicação social favoreceu um ou outro candidato, até agora apenas medido de forma quantitativa pelo número de notícias. Este caminho é muito arriscado e corre o risco de funcionar como as caixas chinesas, dentro de uma há outra, etc., etc.

A questão é que o "sentido" e "conteúdo" não pode ser avaliado fora do contexto. Há notícias "desfavoráveis" que acabam por ser positivas, como por exemplo, vários ataques a Carmona Rodrigues que produziam um efeito de vitimização "favorável" ao candidato. Como é que isso se mede? Mais: nem todas as notícias "desfavoráveis" são iguais, há umas mais "desfavoráveis" do que as outras. Um jornalista hábil pode conduzir uma campanha ad hominem sem parecer mal nas estatísticas da ERC. Por exemplo, que candidato não trocaria uma única notícia "desfavorável" dura (as que envolvem dinheiro, a apropriação de bens públicos, as que favorecem o caldo demagógico popular) por cem notícias "desfavoráveis" que se limitem a retratar tricas partidárias, pequenos lapsos, silêncio incomodados, que são facilmente "lidos " por jornalistas que lhes atribuem importância, mas que são irrelevantes para a maioria dos eleitores.

A ERC pode querer convencer-nos que está a dar passos em frente no escrutínio da pluralidade da comunicação, mas não é difícil com estes critérios obter de antemão qualquer resultado que se deseje, ou seja, a análise diz muito pouco sobre o que acontece. É que o "sentido" é um poço sem fundo, necessita de um contexto o que implicaria ir muito mais longe e nesse longe o subjectivo está sempre presente. E a campanha de Lisboa não é excepção com Costa "favorecido" logo `a cabeça, de mil e uma maneiras, mesmo que com cem notícias "desfavoráveis"...

*

É sempre muito estimulante ler as suas opiniões sobre a comunicação social e, em particular, sobre a ERC. Digo-o sem ironia, porque, como sabe, sou leitora assídua dos seus artigos e do seu blog.

Como também sabe, não partilho muitas das suas ideias e análises, o que não me impede de admirar e acompanhar outras posições suas, e não apenas sobre os media. Dito isto, gostaria de comentar o seu post na parte em que se refere ao meu artigo de 4ª. feira no Público.

Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que ao contrário do que afirma, a ERC não faz “avaliação política” nem “em última” nem em qualquer outra “instância”. Esse é um elemento mistificador de qualquer análise sobre o trabalho da ERC. Percebo que, como analista político, queira dar às suas análises sobre a ERC um enfoque político. Mas não é isso que transforma a ERC num órgão político ou governamental.

Não vou voltar a invocar a legitimidade que lhe foi conferida através da eleição dos seus membros pela Assembleia da República e compreendo que seja politicamente correcto atacar a ERC ou pedir a sua extinção, como faz. Tão pouco pretendo discutir e comparar m aqui os sistemas e as práticas de regulação dos media nos EUA e na Europa. Vivemos com as nossas realidades, a nossa Constituição e as nossas leis. Como membro do órgão regulador nacional, compete-me, precisamente, respeitar e
cumprir o quadro normativo português.

O resto é discussão para políticos e, sem diminuir essa discussão, não é isso que me leva a escrever-lhe. Trata-se, antes, de responder ao questionamento que faz no seu post sobre a introdução de metodologias de análise de conteúdo na regulação dos media, concretamente nas deliberações da ERC, considerando-a um “caminho arriscado”. Ora, é precisamente o contrário. Qualquer regulação que não se baseie em critérios rigorosos, susceptíveis de conferir substância a conceitos jurídicos indeterminados, como sejam, o rigor informativo, a isenção, o pluralismo, a diversidade, a ética de antena, e outros constantes da legislação aplicável ao sector, corre o risco de ficar à mercê dos gostos e da inspiração do regulador. Isso sim, seria
arriscado.


Os “modelos académicos” da análise social e da análise dos media a que se refere, são aqueles que conferem rigor às decisões, uma vez que, ao preverem a definição de categorias e indicadores para a avaliação dos conteúdos, os cidadãos e os próprios media podem sempre conhecer os critérios e os métodos adoptados e conferir os resultados obtidos. Isso é transparência de actuação, ao contrário de decisões sem critério, baseadas no “acho que” e no “porque sim”.


É verdade, como diz, que o "sentido" e o "conteúdo" na informação política (mas também noutros campos) “não pode ser avaliado fora do contexto”. Ora, é precisamente a avaliação qualitativa que fornece o contexto e, por isso, eu recuso as leituras apressadas que por aí pululam, como a de que quem tem maior cobertura é favorecido. Nenhum desses indicadores pode ser lido por si só, como faz a análise puramente quantitativa. É a ponderação (elemento qualitativo) de vários factores que nos conduz ao contexto e a uma leitura minimamente rigorosa.

Os exemplos que refere confirmam o que acabo de dizer. Sugiro que leia a Deliberação sobre as autárquicas de 2000 (o chamado Caso Carrilho). Ela confirma que, afinal, o que parecia, não foi o que a análise do contexto veio a revelar.


Devo dizer-lhe que a ERC não está a inventar nada. Outros reguladores com maior experiência usam metodologias qualitativas. Uns fazem-no com meios internos, outros em ligação a universidades, outros usam os dois meios como a ERC está a fazer. Mas não deixa de ser curioso que o que se critique à ERC é ela “fazer”, não é “não fazer” ou “fazer mal”. Aliás, as promessas/ameaças de quem, cada vez que a ERC faz um relatório, diz que vai “desmontá-lo” continuam por concretizar.


Permita-me, Dr. Pacheco Pereira, que lhe confie a minha interpretação pessoal sobre a fixação de algumas pessoas na ERC. É que, a partir do momento em que um organismo oficial apresenta trabalho baseado em métodos transparentes, susceptíveis de confirmação e, naturalmente, sujeitos a escrutínio, fica mais difícil usar o palpite como argumento.

Estrela Serrano

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4.9.07


JUDEU ERRANTE





Mais uma corrida, mais uma viagem.
Sem acentos.


Em breve, Scritti Veneti e Vulcões. Por ordem caótica. Como puder ser. Até onde der o fio. Até quando no ar houver sinal.

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EARLY MORNING BLOGS
1102 - Sterminator Vesevo



Qui sull'arida schiena
Del formidabil monte
Sterminator Vesevo,
La qual null'altro allegra arbor nè fiore,
Tuoi crespi solitari intorno spargi,
Odorata ginestra,
Contenta dei deserti.
(...)
Questi campi sparsi
Di ceneri infeconde, e ricoperti
Dell'impietrata lava,
Che sotto i passi al peregrin risona;
Dove s'annida e si contorce al sole
La serpe, e dove al noto
Cavernoso covil torna il coniglio;
Fur liete ville e colti,
E biondeggiar di spiche, e risonaro
Di muggito d'armenti;
Fur giardini e palagi,
Agli ozi dei potenti
Gradito ospizio; e fur città famose,
Che coi torrenti suoi l'altero monte
Dall'ignea bocca fulminando oppresse
Con gli abitanti insieme. Or tutto intorno
Una ruina involve;
Dove tu siedi, o fior gentile, e quasi
I danni altrui commiserando, al cielo
Di dolcissimo odor mandi un profumo,
Che il deserto consola.

(Leopardi)

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Brincando com o fogo.



Et l'hippopotame.



Mr. Da Silva e os seus tigres. (RM)



Noite chega a Setúbal.



Fim da luz do dia em Setúbal. (Ochoa)



Fim do dia em Nevogilde. (Paulo Loureiro)



Entrada da barra na Nazaré. (RM)



Douro Internacional , Penedo Durão, Freixo-de-Espada-à-Cinta”. (Gil Regueiro )



Castelo de Paiva, vista panorãmica do Douro desde S. Domingos. (Helder Barros)

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3.9.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Portugal a 40°52'48.54"N 8° 4'21.46"W: um sobreiro.

(José Manuel de Figueiredo)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 21



A mais completa e total legitimação da "ceifa" dos "verdeufémios" não foi feita por Miguel Portas. Longe disso. Portas ainda hesitou, e enunciou uns "mas", mesmo na sua declaração inicial. Na verdade, a completa legitimação da "ceifa", sem um "mas", sem uma hesitação, foi feita num texto que passou despercebido de Boaventura de Sousa Santos na Visão de 30 de Agosto:
"Frequentemente, um pequeno acontecimento revela aspectos da vida colectiva que, apesar de importantes, permanecem submersos na consciência dos cidadãos e na opinião pública. A destruição de um campo de milho transgénico no Algarve é um desses acontecimentos. Atraves dele revelaram-se, entre outras, as questões da legitimidade das lutas sociais, da propriedade privada, da influência dos interesses económicos nas legislações nacionais, do papel do Estado nos conflitos sociais, da construção social da perigosidade de certos grupos sociais e da possivel nocividade dos organismos geneticamente modificados (OGMs) para a saúde publica.

As lutas sociais são frequentemente compostas de acções legais e ilegais. Os actos fundacionais das democracias modernas foram, quase sem excepção, ilegais: greves e manifestações proibidas, lutas clandestinas, insurreições militares (como 0 25 de Abril), actos que hoje consideramos terroristas (como os do "terrorista" Nelson Mandela). Em certos contextos, os activistas podem escolher entre meios legais e ilegais (como no caso vertente), noutros não tem outra opção que não a da ilegalidade.

A propriedade privada é um alvo dificil, porque as concepções sociais a seu respeito são muito contraditórias e evoluem historicamente. Os primeiros impostos sobre o capital industrial não foram considerados pelos empresários como uma violação do direito de propriedade? Há violacões da propriedade privada que não causam qualquer comoção social apesar de serem graves, por exemplo, os salários em atraso. No caso dos transgénicos, o tratamento do direito de propriedade apresenta contradições flagrantes. Por um lado, a polinização cruzada faz com que culturas convencionais venham a ser contaminadas pelos OGMs, o que, sendo uma violação do direito de propriedade, não levanta nenhum clamor. "
A linguagem é académica, mas a intencionalidade política do artigo é o essencial na sua economia: a acção da "ceifa" tem significado "social" e como "movimento social" comporta uma legitimidade própria, sendo a sua expressão "legal" ou "ilegal" secundária para a sua interpretação, a não ser para os que a criticam. Esses são um "lóbi", uma expressão de interesses, um degrau abaixo dos portadores dos "movimentos sociais".

O texto de Boaventura de Sousa Santos tem o mérito de colocar a discussão da acção dos "verdeufémios" no sítio certo: uma discussão sobre a democracia, a legalidade, a propriedade privada, o direito, e o papel daquilo a que chama "movimentos sociais" (chamar aos "verdeufémios" movimento social já levaria a uma grande discussão). Na verdade, discutir os transgénicos na sequência da "ceifa" é puro benefício do infractor, ou seja, é dar o "sentido" desejado pelos "ceifeiros" à sua acção, o que é uma forma de a justificar.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 3 de Setembro de 2007


Notas avulsas de um leitor compulsivo de jornais e revistas, em linha e em papel:

- o Expresso melhorou muito a sua componente em linha embora a pouca selectividade dos feeds perturbe a leitura de "última hora" que permanece melhor no Público ;

- o "Actual" do Expresso parece que tem sempre a mesma capa e a capa é muito baça e pouco interessante;

- a Focus está melhor na direcção de Nuno Ramos de Almeida;

- o mais estranho de todos os semanários portugueses é o Semanário, um verdadeiro mistério na sua existência, na sua redacção, no seu arranjo gráfico, nas suas "notícias". Estas são na sua maioria delirantes, e basta coleccionar os títulos de primeira página para o perceber. E no entanto, de vez em quando, contém informações de primeira mão e de primeira água, a que ninguém liga, mas que falam a favor do carácter muito peculiar das suas fontes.
As fontes do PSD no Semanário são também transparentes para um conhecedor, mas interessantes sobre os bas fonds parlamentares e outros. São uma sobrevivência quase arqueológica do tempo em que quase todo o noticiário político era aí produzido.

*
Escrevo-lhe por ter visto um momento no Telejornal da RTP1 deste domingo que me deixou profundamente incomodado, quer pela reacção dos entrevistados, quer pela “normalidade” com que este tipo de acontecimentos vai sendo encarado por parte do público.

Num directo a propósito do regresso dos portugueses de férias e do trânsito (invariavelmente esta classificação de “portugueses” mais não é, para os canais televisivos, do que os lisboetas que regressam à capital no final de Agosto), dois agentes da Brigada de Trânsito da GNR, mandavam alguns automobilistas sair da estrada e encaminharem-se para um ponto de reportagem da RTP onde eram questionados sobre assuntos tão diversos como o seu local de origem, o local de destino e o tempo que teriam perdido na fila à entrada da Ponte 25 de Abril. Assim, sem mais, e com o próprio jornalista a referir-se a um “ponto de reportagem improvisado” com a complacência das autoridades para poder saber o que tinham os automobilistas a dizer sobre o facto de estarem numa fila há 1h30 minutos! Aliás, pelo que percebi, e apesar de viver nos Açores, as filas de ontem nem sequer seriam maiores do que o normal num qualquer dia de trabalho, tendo em conta que, por exemplo, em Dezembro do ano passado demorei uma hora e vinte para fazer o trajecto entre o Aeroporto e o Estádio da Luz.

Sinceramente, nem sei o que pensar quando vejo agentes da autoridade aceitarem servir de ajudantes de produção dos canais televisivos, seleccionando “figurantes” para participarem num Telejornal. Mais estupefacto fico quando vejo que a generalidade dos automobilistas aceita este tipo de comportamento por parte das autoridades e aceita passivamente que polícias fardados se dediquem a este tipo de actividade.

Será normal, por esse mundo fora, colocar os agentes da polícia a seleccionar automobilistas para participarem em Telejornais?

(Nuno Mendes)

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UM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

PÔR OS PÉS NA TERRA - sobre o retorno da malvada realidade e a usura do "estilo" socrático. + comentários.

COISAS DA SÁBADO: DISCORDEM, MAS COM RESPEITINHO - sobre a entrevista de Mário Crespo e o alarme que grassa no BE com a perda do respeitinho ao radical chic.

LENDO VENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 31 de Agosto de 2007- sobre os "momentos-Chávez" da RTP, com comentário do Director de Informação da RTP e nota de resposta.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Nascer do Sol em Setúbal, hoje.



Últimas luzes da madrugada em Setúbal, hoje.

(Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS
1102 - A Horace

J’ai déjà passé l’âge où ton grand protecteur,
Ayant joué son rôle en excellent acteur,
Et sentant que la Mort assiégeait sa vieillesse,
Voulut qu’on l’applaudît lorsqu’il finit sa pièce.
J’ai vécu plus que toi; mes vers dureront moins;
Mais au bord du tombeau je mettrai tous mes soins
A suivre les leçons de ta philosophie,
A mépriser la mort en savourant la vie,
A lire tes écrits pleins de grâce et de sens,
Comme on boit d’un vin vieux qui rajeunit les sens.

Avec toi l’on apprend à souffrir l’indigence,
A jouir sagement d’une honnête opulence,
A vivre avec soi-même, à servir ses amis,
A se moquer un peu de ses sots ennemis,
A sortir d’une vie ou triste ou fortunée
En rendant grâce aux dieux de nous l’avoir donnée.
Aussi, lorsque mon pouls inégal et pressé
Faisait peur à Tronchin, près de mon lit placé,
Quand la vieille Atropos, aux humains si sévère,
Approchait ses ciseaux de ma trame légère,
Il a vu de quel air je prenais mon congé;
Il sait si mon esprit, mon cœur, était changé.

(Voltaire)

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Baía do Funchal. (Carlos Oliveira)





Hoje, domingo, em Vilar de Perdizes na chamada ‘Feira do Oculto’. (Carlos Cunha )





Ilha das Flores, esta tarde. (Paulo Henriques)


Na entrada da "Câmara Municipal" de Liverpool, uma carta enviada pela Câmara Municipal de Leiria está em exposição. (Luis Cunha, Chester, UK)





Jogadores de Futebol a cumprimentarem-se no inicio da partida, entre o Amarante F.C. e o Brito. (Helder Barros)



O Grande bazar de Istambul, ontem à tarde. (Fernando Correia de Oliveira)

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2.9.07


PÔR OS PÉS NA TERRA



Acabadas as férias, os portugueses que saíram de casa (menos do que se pensa) chegam tão cansados quanto partiram. Esta é a natureza das férias modernas, mas ainda vai demorar algum tempo até que as pessoas se apercebam que é assim. Os aviões, os aeroportos, o destino das bagagens, os engarrafamentos, os furacões tropicais e a chuva fora de época são os bodes expiatórios do cansaço, mas o mal vem de uma característica das sociedades modernas: haver muita gente a fazer as mesmas coisas, nos mesmos sítios, ao mesmo tempo e sem muito dinheiro. Dá sempre torto.

Agosto é o mês do escapismo total, para 11 meses de escapismo parcial. É o mês da silly season oficial, para 11 meses de silly season oficiosa, que é o reino da espectacularidade em tudo o que é espaço público. Talvez por isso, o contraste com a realidade que passa pelos interstícios do escapismo é mais poderosamente depressor que noutras alturas. Voltar a casa, voltar ao trabalho, voltar à escola, voltar ao quotidiano, voltar à vida de todos os dias, é uma experiência sem entusiasmo, sem esperança. Pode-se escrever o mesmo todos os anos, porque todos os anos é o mesmo.

Só que este ano está pior e não é apenas um estado de alma, uma impressão, um pessimismo avulso. É a malvada da realidade. Não há escapismo que oculte que Portugal não anda para a frente, o que significa que anda para trás. A economia portuguesa não arranca, o desemprego aumenta e vai continuar a aumentar, a qualidade de vida dos portugueses deteriora-se no seu bolso, na sua casa, na sua vida. Estamos mais pobres, vamos ainda ficar mais pobres. Ponto final.

A meio do ciclo político deste Governo, se o país está cansado, o Governo está exausto, com excepção do primeiro-ministro, para quem governar tem uma parecença próxima com o jogging, com as vantagens e os defeitos de uma actividade que não se caracteriza por ter um destino, mas sim um trajecto. À sua frente só tem dificuldades que já não pode assacar aos seus predecessores com o mesmo à-vontade com que o tem feito. Ele continuará a fazê-lo por inércia e porque não sabe fazer doutra maneira, mas cada vez mais é o Governo Sócrates que será medido e não os Governos Barroso-Lopes, por muito incompetentes que tenham sido. E as medições, algumas que já se conhecem, outras cujos resultados já se sentem na pele, não lhe vão ser favoráveis, com excepção do controlo do deficit público.

O choque da realidade, por muitas distracções, propaganda, "momentos-Chávez" que haja na benigna RTP, fará com que as pessoas cansadas tenham pouca paciência e essa impaciência voltar-se-á contra o estilo. O estilo do homem. O estilo do nosso primeiro-ministro. O que ele é, o âmago da governação socialista actual. Sócrates é um governante "moderno" dos tempos do spin e do espectáculo, com poucas ideias e muitos slogans e, acima de tudo, muita pose. O estilo é o homem, mas o problema do homem é que o estilo gasta-se muito depressa.

Veja-se o caso exemplar, talvez o mais exemplar deste Governo, que ainda está vivo e aos saltos e ainda vai dar muito que falar: a escolha do novo aeroporto de Lisboa, a questão da Ota. Da voz dos "técnicos" oficiais (os que o Governo escolheu) vai sair um veredicto limitado à partida apenas a duas escolhas: ou Alcochete ou Ota. Se sair Ota, o que certamente o Governo desejaria e a solução com que muitos "técnicos" já estão comprometidos, numa semana o Governo faz outro PowerPoint, com filmes de computador em apoio e fará uma farândola de propaganda sobre o acertado da sua decisão, atrasada criminosamente pelos do costume. Um mês depois põe lá os camiões, as terraplenagens e o betão num átimo, até porque bem precisa para combater o desemprego. Como qualquer decisão que favoreça a Ota está à partida inquinada pela maneira como o Governo fez as coisas, não convencerá ninguém sobre a sua seriedade, e ficará sempre com a suspeita que andou a montar uma distracção para o Presidente da República ver. Mário Lino poderá então continuar o seu "projecto pessoal". Se sair Alcochete, o Governo terá que fazer alguns malabarismos, deitará borda fora o ministro Mário Lino, mas terá muita dificuldade em explicar por que razão a teimosia e o "quero, posso e mando" do primeiro-ministro esteve a um nanossegundo de nos fazer deitar biliões para o sítio errado. O estilo é o homem e o estilo, quando deixa de ser "estiloso", mata.

A Ota é apenas um exemplo, porque se começássemos a fazer o escrutínio sobre como muitas das reformas anunciadas estão a ser conduzidas, veríamos a enorme diferença entre a amplitude do anúncio e a escassez de resultados. Pior ainda: como algumas anunciadas reformas eram muito bonitas no papel, obtiveram muito apoio como intenção, mas na prática estão a agravar os problemas que pretendiam resolver. O modo populista e punitivo como as reformas foram lançadas colocou contra as reformas, numa amálgama de recusa, os melhores e os piores profissionais e isso impede que haja forças que lhes sirvam de sustentação. Nos discursos oficiais, as palavras são muito bonitas; no interior das escolas, das repartições, dos hospitais, dos serviços públicos, a realidade é o caos e a desorganização, é um agravar dos problemas sobre um enorme mal-estar, em que o que é mais afectado é o melhor e não o pior dos serviços do Estado.

Esta análise "micro" das reformas é pouco jornalística, mas é urgente. É urgente que se vá às escolas e às repartições saber como estão a ser aplicadas medidas como a hierarquização dos professores ou os critérios de mobilidade na função pública, para encontrar ambientes de cortar à faca, em que não é o mérito que impera, mas sim o acantonamento burocrático, os privilégios para os que estão, os conflitos de todos contra todos, as prepotências das chefias, a paralisia entre uma greve de zelo universal não proclamada mas eficaz nos seus efeitos de resistência e uma lei do silêncio e do medo. Corre-se o risco de ter como resultado a diminuição do já muito escasso know how e do capital de experiência existente nos serviços públicos e das medidas aplicadas terem apenas efeitos de contenção financeira, deixando os serviços públicos muito pior do que estavam. Em sectores cruciais como o ensino e a saúde, o preço será muito elevado se a retórica "macro" das reformas esconder a realidade "micro". E não adianta vir dizer que todas as reformas são assim, têm estes efeitos, porque não é verdade. Pode, de facto, estar apenas a assistir-se a mais uma operação de aperto financeiro, sem cuidar dos efeitos perversos que ficam pelo caminho e sem conteúdo reformista real. O barato pode-nos sair muito caro.
Um exemplo da necessidade da análise micro referido já há algum tempo no Abrupto era o das escolas onde "os professores vivem situações dramáticas muitas das quais pouco têm a ver com qualquer reforma de per si, mas sim com medidas mal pensadas, atabalhoadas, incompetentes e por critérios que estão a atingir os professores com um rastro de reais injustiças, sentidas em primeiro lugar pelos melhores entre eles. O sentimento de injustiça é profundo e, em demasiados casos, justificado. " Alguns socialistas protestaram no Abrupto e noutros blogues negando que tal correspondesse à realidade. O secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira vem confirmar o que escrevi:

"A tutela vai permitir o acesso a professor titular, por nomeação, dos docentes do antigo décimo escalão que foram ultrapassados por colegas da mesma escola ou agrupamento com classificações mais baixas, explicou hoje o (...) Admitindo que as regras deste primeiro concurso a professor titular criaram "injustiças", Jorge Pedreira anunciou hoje a um grupo de jornalistas que "o Ministério da Educação admite criar um mecanismo transitório" para que "sejam também providos a professor titular" os docentes do décimo escalão com menos de 95 pontos de classificação de escolas ou agrupamentos onde outros professores de escalões inferiores acederam ao topo da carreira com notas mais baixas." (Público)

O desgaste do estilo, logo, do homem, não se manifesta de forma catastrófica. Até um dia. Não se revelará tão cedo nas sondagens, a não ser como uma usura lenta, porque estas têm uma inércia própria e verdadeiramente só mudarão quando o tempo for de eleições e houver alternativa, mas o cansaço, a impaciência estão já cá. O ambiente torna-se volátil e é essa volatilidade, e não "erros" da máquina comunicacional do Governo, como alguns dizem, que é propícia para que cada dificuldade se amplie, cada caso se torne um escândalo. O ar cheira a cansaço, a apatia, a impaciência, a fatalismo, a desesperança e a repetição do show optimista habitual, neste ambiente miasmático, dissolve qualquer estilo como se fosse ácido. Só os stand up comedians proliferam nesta atmosfera. O tempo ainda lhes pertence, mas a prazo será de quem aparecer como alternativa. Espero que ainda haja suficiente realidade para não nos deixarmos levar por mais "estilosos".

(No Público de 1 de Setembro de 2007.)

*
Foi com enorme pesar que assisti ao silêncio ensurdecedor de tanta gente, com responsabilidades a vários níveis, acerca deste malfadado concurso, cujas consequências só serão contabilizadas daqui a algum tempo. No entanto, vale mais tarde do que nunca.

Sou professora há mais de 21 anos. Deveria ter passado ao 9º escalão em Março de 2007, tendo até frequentado acções de formação, na área disciplinar a que pertenço, correspondentes ao número de créditos de que necessitava. Concorri a professora titular. Obtive 144 pontos, apesar de terem sido considerados apenas 7 anos da minha vida profissional. Tenho a pontuação máxima na assiduidade, pese embora o facto de, nestes sete anos, ter estado hospitalizada em dois anos consecutivos. Não fui provida, dado que no meu departamento só havia 1 vaga, que foi preenchida pelo Presidente do Conselho Executivo. Tenho a segunda pontuação mais elevada da minha escola e não fui provida. Alguns cargos, como a direcção de instalações, ou a representação da escola na Comissão Pedagógica de um Centro de Formação de Professores, nem sequer foram considerados. A direcção de turma foi completamente desvalorizada, apesar de todos saberem que é um dos cargos que mais trabalho dá. Outros cargos, como o de presidente da Assembleia, foram completamente inflacionados em termos de pontuação. Não se percebe que critérios foram usados na abertura de vagas, apesar do site do ME ter publicitado uma fórmula que não chegou a ser publicada juntamente com o aviso de abertura do concurso.

Na minha escola passou-se o seguinte: um docente esteve no ano lectivo de 2006/2007 destacado no Conselho Executivo. O docente é QZP e está afecto noutra escola. Como refere o ponto 3 do artigo 6º do DL nº 200/2007, os docentes de QZP concorriam na escola onde estão afectos. Então, o colega foi aconselhado, pela Direcção Regional, a concorrer na escola onde exerce funções, tendo por base o ponto B2 do Manual de Instruções Interactivo, disponível no site da DGRHE, que refere que, em regra, os docentes concorrem onde exercem funções. Essa regra é válida para os docentes de QE. Parece-me que o artigo 6º é claro. Temos assim um Manual de Instruções a contrariar a própria legislação. Isto é legal? Claro que não pode ser. Bastava consultar-se a lista definitiva de admissão, onde, à frente do nome do docente, era mencionada a alínea d), que correspondia ao seguinte texto: " docente que concorre na escola onde está afecto". O que não era verdade. Ou seja, é provido num lugar de um quadro ao qual não pertencia, ultrapassando colegas com mais tempo de serviço que ficam assim impossibilitados de concorrer àquele lugar. Dei uma vista de olhos a algumas escolas da área da minha Direcção Regional. Muitos dos candidatos providos têm pontuações inferiores à minha. Ficaram vagas por preencher (três, mais concretamente), no departamento a que pertenço, nas restantes duas escolas do meu concelho. E também em concelhos limítrofes. Na minha escola foram providos três docentes, que equivalem a 12% dos docentes do quadro. Como só existia uma docente do 10º escalão e dois dos docentes providos fazem parte do Conselho Executivo, restam apenas dois titulares. Atendendo à proporção que existe entre o número de alunos e turmas das diversas escolas, criar-se-ão situações de enorme desigualdade. Vejo escolas a abarrotar de titulares e outras onde praticamente não existem. Por curiosidade, consultei a página de uma escola da zona de Lisboa. No departamento a que também pertenço foram providos dezanove docentes do 10º escalão e abertas 6 vagas que, neste momento, devido à igualdade na pontuação, já representam oito providos dos 8º e 9º escalões (o que também não estava previsto na legislação, pois o desempate seria efectuado tendo por base a formação académica e a assiduidade e, nesta, é demasiada coincidência dois docentes terem exactamente o mesmo número de dias e de tempos de faltas. E atenção que a criação de vagas adicionais não ocorreu em todas as escolas!). Ou seja, ao todo, vinte e sete titulares no departamento de matemática e das ciências experimentais. Existem muitas outras situações que nem sequer vou referir. Quem está nas escolas conhece-as demasiado bem.

Aliás, se o sistema anterior era perverso, essencialmente porque quem tinha o dever de exercer o poder hierárquico não estava para se aborrecer, obtendo satisfaz quem trabalhava e quem se esquivava ao trabalho, este concurso revelou-se diabólico.

(Maria Amélia Bento Ferreira)

*

Escrevo-lho apenas para lhe dizer que está enganado quando me classifica como socialista (" Alguns socialistas protestaram no Abrupto…”) pelo facto de eu ter rebatido os seus argumentos relativamente ao concurso para professor titular. Também nunca tive simpatia pelo anarquismo como a ministra Maria de Lurdes Rodrigues e muito menos gosto da política da senhora. Penso que pela sua capacidade de discutir um assunto não precisa de usar comigo a técnica de me identificar com um grupo do qual conhece sobejamente os argumentos e as manhas.

O que motivou a fazer o comentário, que o Pacheco Pereira gentilmente publicou no Abrupto, é chamar a atenção para a sua argumentação que é débil, nada rigorosa e com falsidades. As perguntas e desafios que lhe fiz permanecem sem resposta e ao contrário do que o Pacheco Pereira afirma o secretário de Estado não lhe dá razão porque as injustiças a que se referiu não se enquadram naquilo que o Pacheco Pereira escreveu, ou melhor só com um relativismo muito grande se pode achar que se estar a falar do mesmo.

Para que fique mais claro quero dizer-lhe que acho que o concurso para professor titular um processo conduzido com uma incompetência gritante e que parte de princípios e pressupostos com os quais discordo, mas não por pelos motivos que aparecem agora nos media. O que este concurso fez foi, na generalidade, manter tudo rigorosamente na mesma, isto é, manteve toda uma hierarquia baseada não em critérios de mérito mas apenas na antiguidade. Quando por “acidente” isto não funcionou pretende-se repor a “justiça” deixando tudo como estava antes. Assim sendo não me parece que seja argumentando como o Pacheco Pereira o fez que se põe em causa a “justiça” deste concurso.

(Cândido Pereira)

*

Tenham santa paciência, mas chamemos as coisas pelos nomes! Por que razão se insiste em chamar “concurso” àquela coisa inventada pelos nossos governantes para poupar uns trocados fazendo passar a falsa ideia (amplificada pelos comentadores de serviço)de que, assim, cuidavam da “qualidade no ensino”? Tratou-se, isso sim, de um sorteio. Com critérios bizarros, gratuitos, tontos, é certo, mas sorteio. Concurso é algo de completamente diferente.

Claro que o pudor e a honestidade intelectual são atitudes arcaicas, impecilhos nesta selva onde se deve salvar quem puder. Mas, caramba, haja algum rigor terminológico! E o que se promoveu com este sorteio? A injustiça de pôr em pé de igualdade professores recém-chegados ao 8º escalão (por via académica) e professores que já estariam no 10º em condições normais (ainda que com doutoramento); que privilegia quem está no 8º escalão em prejuízo de quem está no 10º; que atribui os mesmos pontos a quem teve sete turmas de vinte e seis alunos e a quem teve apenas uma turma de dez; que considera que o trabalho de direcção e coordenação realizado durante largos anos, mas antes de 99/00, é lixo se comparado com uns fictícios cargos de “coordenação (?) de departamento”, “representante na
assembleia de escola” com que muita gente foi brindada (agraciada, aliás, posto que até reduzia na componente lectiva sem descontar na pontuação desse item)após essa data; etc. Pois, “o povo é sereno”; pena que os professores e seus representantes,
aceitando tudo isto, sejam ridículos.

Nicolau Marques

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Ria de Aveiro. Uma gaivota e uma alforreca, que andam por aí. (José Carlos Santos)



Peixe apanhado nas águas de Tróia, que já não anda por aí. (Ochoa)

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EARLY MORNING BLOGS
1101 -La Montagne qui accouche

Une montagne en mal d’enfant
Jettait une clameur si haute
Que chacun, au bruit accourant,
Crût qu’elle accoucherait, sans faute,
D’une cité plus grosse que Paris:
Elle accoucha d’une souris.

Quand je songe à cette fable
Dont le récit est menteur
Et le sens est véritable,
Je me figure un auteur
Qui dit: ‘Je chanterai la guerre
Que firent les Titans au maître du tonnerre.’
C’est promettre beaucoup; mais qu’en sort-il souvent?
Du vent.

(Jean de La Fontaine )

*

Bom dia!

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1.9.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Aviões no Red Bull. (A.)





Visto do Mosteiro da Serra do Pilar. (Ricardo Prata)





Mais gente do que no S.João. (João Tomas C.Melo)





(Tiago Azevedo Fernandes)

(Continua.)

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EARLY MORNING BLOGS
1100 - Five A.M.

Elan that lifts me above the clouds
into pure space, timeless, yea eternal
Breath transmuted into words
Transmuted back to breath
in one hundred two hundred years
nearly Immortal, Sappho's 26 centuries
of cadenced breathing -- beyond time, clocks, empires, bodies, cars,
chariots, rocket ships skyscrapers, Nation empires
brass walls, polished marble, Inca Artwork
of the mind -- but where's it come from?
Inspiration? The muses drawing breath for you? God?
Nah, don't believe it, you'll get entangled in Heaven or Hell --
Guilt power, that makes the heart beat wake all night
flooding mind with space, echoing through future cities, Megalopolis or
Cretan village, Zeus' birth cave Lassithi Plains -- Otsego County
farmhouse, Kansas front porch?
Buddha's a help, promises ordinary mind no nirvana --
coffee, alcohol, cocaine, mushrooms, marijuana, laughing gas?
Nope, too heavy for this lightness lifts the brain into blue sky
at May dawn when birds start singing on East 12th street --
Where does it come from, where does it go forever?

(Allen Ginsberg)

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Bom dia!

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Terreiro do Paço e Cais do Sodré ao anoitecer.



Uma mercearia à venda. (RM)



Trânsito no Porto depois dos aviões. (Helder Barros)

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© José Pacheco Pereira
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