ABRUPTO

31.8.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 31 de Agosto de 2007

Dos 10 milhões de endereços de correio electrónico que o Governo anunciou há cerca de 15 meses, alguém sabe referir meia-dúzia deles, válidos?

(C. Medina Ribeiro)
*

Eu acho que a RTP sabe muito bem o que faz nos seus Momentos-Chávez com José Sócrates "estrelando". Todos os dias se percebe cada vez melhor o esquema, como hoje no noticiário das 13 horas que acabei de ver, a propósito do anúncio de uma nova barragem. O modelo é sempre o mesmo, e contrasta com o tratamento televisivo das outras estações (hoje vi o da SIC para comparação). Mostra como a RTP passa sempre o Primeiro-ministro em grande plano, sozinho no palanque, numa intervenção sempre mais longa na RTP do que nos outros noticiários, com os conteúdos da "mensagem", mesmo os puramente propagandísticos desprovidos de valor informativo, repetidos ad nauseam, (como a ideia de "os outros não fizeram, nós fazemos"), intactos na intervenção televisiva. Eles sabem o que fazem e sabem que nós sabemos o que eles fazem.

*
No seu ataque de hoje à Informação da RTP, fiquei com uma dúvida. Suponho que a hora da publicação do seu post é a de Lisboa. Se assim for, tenho que o felicitar pela rapidez da sua análise a peças jornalísticas da RTP. Conseguiu emitir o seu juízo mesmo no minuto em que peça acabou de ser emitida. Continuando a partir do princípio de que a hora de publicação do post (13:11) é a de Lisboa, gostaria que me esclarecesse como conseguiu compará-la com a peça da SIC, que foi emitida às 13:14.

Já não faço comentários às acusações que faz à informação da RTP, porque fazem parte da sua campanha contra o Serviço Público de Televisão. Tem todo o direito a fazê-la.

(António Luís Marinho)

NOTA: Se António Luis Marinho conhecesse o Blogger saberia que a hora indicada corresponde à abertura da nota que iniciei mal vi a notícia da RTP. O que tinha a dizer sobre a RTP poderia tê-lo dito mesmo sem comparação com outra estação, porque o tratamento que a RTP faz das sessões do Primeiro-ministro parece-me errada de per si. Entretanto apareceu a notícia da SIC que me permitiu a comparação que, como se sabe, se seguiu imediatamente à da RTP. A nota foi publicada por volta das 13:19, como pode ver, por exemplo, no Google Reader, depois de ambas as notícias terem sido emitidas.

É verdade que eu tenho "todo o direito" a ter a minha opinião sobre a RTP, mas o que gostava de ver é o Director de Informação da RTP a discutir a substância das críticas que faço Gostava de o ver a reagir a esta frase "a RTP passa sempre o Primeiro-ministro em grande plano, sozinho no palanque, numa intervenção sempre mais longa na RTP do que nos outros noticiários, com os conteúdos da "mensagem", mesmo os puramente propagandísticos desprovidos de valor informativo, repetidos ad nauseam, (como a ideia de "os outros não fizeram, nós fazemos"), intactos na intervenção televisiva", e não a tentar apanhar-me na esquina de um erro qualquer, ainda por cima com ignorância sobre o funcionamento do Blogger. Isso sim valia a pena.

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COISAS DA SÁBADO: DISCORDEM, MAS COM RESPEITINHO



Mário Crespo tem sido atacado pelo BE pelas suas entrevistas na SICN a Louçã e Gualter Batista, a face da “ceifa” de Silves. Ele cometeu dois crimes de lesa-BE, daqueles que são raríssimos na nossa comunicação social e por isso exigem do BE reacções veementes não vá servirem de exemplo a outros jornalistas: obrigou Louçã a dizer o que não queria (a usar a palavra “condenar” para a acção de Silves) e tratou o porta-voz dos “verdeufémios” sem o respeitinho que as suas “causas” merecem. Sinal de alarme para o BE, que não está habituado a este tipo de tratamento, e percebe, - se percebe! - , os enormes riscos para a sua intocabilidade política, que se inquira sobre os seus interditos: relações do BE com grupos que praticam aquilo que eufemisticamente se chama “desobediência civil”, e escrutínio sobre os financiamentos do estado a estes grupos, uma fonte importante para manter o BE a funcionar como “movimento”. Por fim, a descredibilização das “causas” da política radical, diminuem o radical chic de que o BE precisa para respirar. O BE (a sua direcção vinda do PSR) deve estar furioso com o que se passou em Silves, mas agora há que por termo à “ofensiva reaccionária”. Crespo estragou-lhes o esquema.

Mas há uma razão suplementar para a irritação de Mário Crespo e na qual ele está bem acompanhado por muitos portugueses: Gualter Baptista está ali à nossa frente a mentir-nos com o maior descaramento e a tratar-nos como parvos. Só que não acreditamos nas mentiras dele. Ele quer-nos convencer que aceitou por mail ser porta-voz de um movimento que desconhecia e por acaso estava ali de porta-voz emprestado, por coincidência enquanto o milho foi “ceifado”, acção com que não tem nada a ver, para além de mais isso que estão a ver nas imagens não é isso que estão a ver nas imagens, bla-bla-bla-bla-bla, etc., etc.,etc. E depois sabe-a toda, sabe até demais, para o tomarmos como um ingénuo voluntarioso apanhado nas consequências irresponsáveis da sua actuação. Não, ali há saber demais, de logro e engano, de linguagem de madeira, de doubletalk orwelliano, para um jornalista não se encanitar.

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OS NOSSOS HOMENS E MULHERES NO AFEGANISTÃO

The image “http://www.army.mod.uk/img/15psyops/isaf_badge_copy.gif” cannot be displayed, because it contains errors.

Os nossos homens e mulheres no Afeganistão, o mais arriscado teatro de operações em que estão tropas portuguesas, chegaram. Outros partiram. Sejam bem-vindos os que chegam e boa sorte para os que partem. O Abrupto contou com a sua colaboração, obrigado.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



CD da Mariza à venda em Ljubljana na Eslovénia. (Ricardo Duarte)
Na foto que publicou no Abrupto (...) o cd que está à esquerda do da Mariza também é de autoria portuguesa, pois é o Existir , dos Madredeus, outro nome da nossa música que conseguiu atravessar as fronteiras.
(Paulo Agostinho)




O glamour dos mitos – Hoje e ontem – Cementerio de la Recoleta, Buenos Aires. (MJ)



Barcos no Sado. (RM)



Vinha de vinho verde, em Gateira, Mancelos, Amarante. (Helder Barros)

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EARLY MORNING BLOGS
1099 - A la noche

Noche, fabricadora de embelecos,
loca, imaginativa, quimerista,
que muestras al que en ti su bien conquista
los montes llanos y los mares secos;

habitadora de cerebros huecos,
mecánica, filósofa, alquimista,
encubridora vil, lince sin vista,
espantadiza de tus mismos ecos:

la sombra, el miedo, el mal se te atribuya,
solícita, poeta, enferma, fría,
manos del bravo y pies del fugitivo.

Que vele o duerma, media vida es tuya:
si velo, te lo pago con el día,
y si duermo, no siento lo que vivo.

(Lope de Vega)

*

Bom dia!

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30.8.07


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
MOMENTOS EM TEMPO REAL EM AGOSTO



QUANDO

Fim da tarde, por volta das 20 horas, ao anoitecer, hoje à tarde, ao anoitecer, ao amanhecer, hoje, hoje, hoje, agora, hoje, hoje, hoje, à noite, esta manhã, hoje, hoje de tarde, fim da tarde, hoje, manhã de hoje, hoje, ao pôr do Sol, ao fim da tarde, agora, ontem à noite, ao fim da tarde, hoje à tarde, há minutos, pela manhã, esta tarde, durante o contra-relógio, ao anoitecer no Funchal, hoje à tarde, hoje, pelo fim da tarde, à noite, hoje, nascer do Sol, pôr de sol, manhã, final de tarde, ao anoitecer, de noite, agora, depois de uma trovoada, fim de tarde, hoje à tarde, à noite, há uma hora, ao anoitecer, hoje à noite, hoje, ao meio-dia, hoje, ao anoitecer, agora.

ONDE

Largo de S. Gonçalo Amarante, Sines, Penoita (Vouzela), Cala de Binibeca, Ilha de Menorca, Espanha, Lisboa, Funchal, Amarante , Vila do Conde, Caxinas, Lisboa, Vale Boi, Sagres, Amarante, Largo do Rossio, Cem Soldos, Tomar, Ilha do Pico vista de avião, Ilha das Flores, Ilha do Corvo vista do Mar, Marginal de Maputo, Departamento de cirurgia cardíaca, Brigham's and Womens Hospital, Boston, MA, USA, São João da Ribeira, Rio Maior, Rio Olo, linha do Vouga em Vouzela, Aldeia da Pena (S. Pedro do Sul), janela de café, Porto Serra de S. Macário do Rio Douro, em frente à aldeia de Covelinhas, Setúbal, Amarante, estrada entre Ribeira e Galamares, nos estaleiros Samuel e filhos em Vila do Conde, Termas de S. Pedro do Sul, Porto - Parque da Cidade, Porto- Pavilhão da água, num banco do jardim de S. Amaro, Tejo visto do Lux, praia das Caxinas, Vila do Conde, Motrinos, Monsaraz, Alentejo, Pena vista do Atlântico, áreas menos conhecidas da aldeia de Monsanto, Allgarve, Cabanas de Tavira, Caxinas, Vila do Conde, Armação de Pêra, Algarve, Marvão, Porto Santo, Viseu e Guarda, Castro Daire, Satão, Sabugal, Santa Maria da Feira, Outão visto de barco, Torreira – Murtosa, Praia das Maçãs, Praia do Guincho, Freguesia de Telões, Amarante, Matosinhos, Gulbenkian, Alcochete, Ria de Aveiro, Lisboa, Amarante, Lisboa, Alcochete, Cabrela, Rampa Alta, Amarante, Oeiras, Sabugal, Faro, Praia da Aguda, Estrada Nacional 1, Evoramonte, Alentejo, Caldas da Rainha, Ceuta, Malta, Portalegre, no Portugal profundo, Alcochete, Moledo do Minho, Figueira da Foz, Denver CO, USA, Portugal a 40°51'40.22"N 8° 7'2.13"W , Drave, perto da Serra de S. Macário, a Barra (Ilhavo) vista do navio museu Santo André em Aveiro, Almada, Tatton Park, Cheshire, Inglaterra, Lisboa, Oeiras, Funchal, Viseu, Funchal, Lisboa, Vouzela, Régua, aeroporto de Mavalane (Maputo), Monsanto, Vila Nova da Cerveira, Monsanto, Murtosa, Gralha, Zoo de Lisboa, Vila Nova de Cerveira, Amarante, Tulln (Áustria), pequena cidade na margem do Danúbio, a 34Km de Viena, junto ao Tejo, em Alcochete, Resende, Casa de Mateus, junto ao Rio Erges (Segura – Idanha-a-Nova), Alto Minho, Interlaken, na Suiça, Belmonte, Caracas e o Ávila vistos à distância, Alexanderplatz, Berlim, Fregim, Amarante, Marão e Aboboreira, Oceanário, Vila Nova de Cerveira, foz do rio Minho, Amarante vista ao longe, de Fregim, no Sado, Caxias, S. Martinho do Bispo, S. Gonçalo, Amarante, na árvore, Lisboa, Trafaria, Setúbal, Lisboa vista das Belas-Artes, Bencanta, sobre o Sado, na baía do Funchal, Rio, Fregim, Amarante, sobre o Rio Douro, Cabo Verde (Santiago).

O QUÊ

Banco de pedra, com painel de azulejo, fios, actividade do aeroporto, lua vista de uma varanda, praia, num jardim, vinha de vinho verde, Ilha do Pico vista de avião, lagoa, Ilha do Corvo vista do mar, mural "Ode a Samora Machel", com 700 metros, que o pintor moçambicano Naguib está a executar, rebanho abrigando-se da canícula, noite lisboeta, antiga ponte do comboio da linha do Vouga, aviso ao caçador numa janela de café, margem esquerda do Rio Douro, reparando a traineira "Direito à Vida", estátua de Pascoaes, doces fálicos de S. Gonçalo Amarante, diz a tradição que donzela que os coma, tem a fertilidade garantida, réplica da nau quinhentista única no País, passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro, navios, praia das Caxinas, igreja, Pena, montra de confeitaria, procissão, Feiras, Feira Medieval, um enxame de abelhas selvagens, piscina de mar, “O vento a dar-lhe forte no verão, estrada municipal, fim do concerto, barcos, primeira luz da manhã, monumento evocativo da grande cheia do Tâmega, Trompe l'oeil, não é uma casa mas um barco, portas e janelas, rua ornamentada para a Festa, carro vassoura da volta a Portugal em Bicicleta 2007 a fechar o pelotão de ciclistas, obras no Largo 10 de Outubro, cavalo, a antiga e muitas vezes degradada Nacional 1, paredes, Estação Marítima, teatro, azulejos, uma festa, pequenos grandes leitores, no início das festas populares, largada do toiro, Forte da Ínsua, nos Jardins Botânicos, a Barra, Cristo-Rei, jardim japonês, monumento, chuva, estátua de David Mourão-Ferreira, jardim Monte Palace, ciclista "às voltas" durante o contra-relógio..., sol nas Desertas, o início de uma procissão, aviso, “Cabeçudos” anunciando a festa popular, mais um camião de tomate pelo fim da tarde, praia deserta, praia, o elefante já não toca o sino no Zoo, feira do livro, Bienal Internacional das Artes, bar/ discoteca (Mythos), barcos, barcos, venda de cebolas, uvas, placa, amoras, peixes, crenças na Feira Medieval do Artesão, o 1º prémio da Bienal das Artes de Vila Nova de Cerveira, o céu, a lua, guindastes, casa, um raro sinal, partindo, terminada a pesca é preciso guardar o motor, arco-íris, lua na baía, flores de Agosto, pássaros de verão, chove, finalmente.

Obrigado.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Pizza Hut, Funchal, hora de almoço.

(João Almeida)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Praia do Guincho pela manhã. (Olga Flora)

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EARLY MORNING BLOGS
1098 - Metaphors of a Magnifico

Twenty men crossing a bridge,
Into a village,
Are twenty men crossing twenty bridges,
Into twenty villages,
Or one man
Crossing a single bridge into a village.

This is old song
That will not declare itself . . .

Twenty men crossing a bridge,
Into a village,
Are
Twenty men crossing a bridge
Into a village.

That will not declare itself
Yet is certain as meaning . . .

The boots of the men clump
On the boards of the bridge.
The first white wall of the village
Rises through fruit-trees.
Of what was it I was thinking?
So the meaning escapes.

The first white wall of the village . . .
The fruit-trees . . .

(Wallace Stevens)

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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29.8.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (31)

Em toda a campanha interior do PSD deve estar presente que um candidato a dirigente do PSD é um candidato a Primeiro-ministro. Marques Mendes, no seu "passeio" pelo Museu Nacional de Arte Antiga, esqueceu-se disso porque foi dar caução a um acto que é inadmissível numa funcionária pública no exercício das suas funções. Esta é uma questão de Estado, que já o presidente da República tratou com pouco cuidado.

Ao fazer o que fez (e já antes em várias alturas tinha procedido igualmente mal), Dalila Rodrigues colocou-se numa situação insustentável. Não é suposto uma funcionária pública abandonar o dever de lealdade e isenção e, se queria fazer o que fez, poderia muito bem fazê-lo noutra condição, noutro estatuto, de outra maneira. Tudo aquilo era possível, com Marques Mendes visitando o Museu ao lado de Dalila Rodrigues, ambos como cidadãos e políticos, no pleno exercício dos seus direitos, criticando o Governo como entendessem, mas Dalila Rodrigues não poderia estar ali como directora do Museu, mesmo demissionária, nem poderia colocar-se ao lado do líder da oposição na casa do Estado que gere, para atacar o Governo legítimo do seu país. Insisto: é uma questão de Estado.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Chove, finalmente, com abundância em Cabo Verde (Santiago). (Sérgio )



Pássaros de verão sobre o Rio Douro. (Gil Regueiro)



Flores de Agosto, Rio, Fregim, Amarante. (Helder Barros)

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1097 - The extreme difficulty which we in Flatland experience in recognizing one another's configuration

You, who are blessed with shade as well as light, you, who are gifted with two eyes, endowed with a knowledge of perspective, and charmed with the enjoyment of various colours, you, who can actually see an angle, and contemplate the complete circumference of a Circle in the happy region of the Three Dimensions -- how shall I make it clear to you the extreme difficulty which we in Flatland experience in recognizing one another's configuration?

Recall what I told you above. All beings in Flatland, animate and inanimate, no matter what their form, present to our view the same, or nearly the same, appearance, viz. that of a straight Line. How then can one be distinguished from another, where all appear the same?

The answer is threefold. The first means of recognition is the sense of hearing; which with us is far more highly developed than with you, and which enables us not only to distinguish by the voice of our personal friends, but even to discriminate between different clases, at least so far as concerns the three lowest orders, the Equilateral, the Square, and the Pentagon -- for the Isosceles I take no account. But as we ascend the social scale, the process of discriminating and being discriminated by hearing increases in difficulty, partly because voices are assimilated, partly because the faculty of voice- discrimination is a plebeian virtue not much developed among the Aristocracy. And wherever there is any danger of imposture we cannot trust to this method. Amongst our lowest orders, the vocal organs are developed to a degree more than correspondent with those of hearing, so that an Isosceles can easily feign the voice of a Polygon, and, with some training, that of a Circle himself. A second method is therefore more commonly resorted to.

Feeling is, among our Women and lower classes -- about our upper classes I shall speak presently -- the principal test of recognition, at all events between strangers, and when the question is, not as to the individual, but as to the class. What therefore "introduction" is among the higher classes in Spaceland, that the process of "feeling" is with us. "Permit me to ask you to feel and be felt by my friend Mr. So-and-so" -- is still, among the more old-fashioned of our country gentlemen in districts remote from towns, the customary formula for a Flatland introduction. But in the towns, and among men of business, the words "be felt by" are omitted and the sentence is abbreviated to, "Let me ask you to feel Mr. So-and-so"; although it is assumed, of course, that the "feeling" is to be reciprocal. Among our still more modern and dashing young gentlemen -- who are extremely averse to superfluous effort and supremely indifferent to the purity of their native language -- the formula is still further curtailed by the use of "to feel" in a technical sense, meaning, "to recommend-for- the-purposes-of-feeling-and-being-felt"; and at this moment the "slang" of polite or fast society in the upper classes sanctions such a barbarism as "Mr. Smith, permit me to feel Mr. Jones."

(Flatland: A romance of many dimensions por Edwin A. Abbott, a Square)

*

Bom dia!

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28.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Lua na baía do Funchal, agora. (Carlos Oliveira)



Arco-irís sobre o Sado. (RM)



Bencanta ao anoitecer. (Ochoa)



Lisboa, vista das Belas-Artes. (RM)



Terminada a pesca é preciso guardar o motor. Setúbal, hoje. (David Pedro)



Trafaria ao meio-dia. (Lina Nunes)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (30)


Uma proposta aos candidatos próximos futuros à Distrital de Lisboa, que reduziria consideravelmente a conflitualidade por lugares, os sindicatos de votos, o clientelismo: fundir todas as secções de Lisboa numa estrutura concelhia única, ao exemplo do que acontece no Porto e fazer o mesmo em Sintra e Loures. Não é remédio santo, mas ajudava a arejar as anquilosadas estruturas partidárias e a acabar com o caciquismo de meia dúzia de dirigentes de secção que, há trinta anos, subsistem no poder partidário, com secções praticamente sem actividade, nem influência, e que sobrevivem apenas para os manter em lugares autárquicos ou partidários.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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(António Cabral)



Partindo de Lisboa. (MJ)



Um raro sinal. (Ochoa)



Casa na árvore. (Ana Ferreira)



Guindastes, hoje. (RM)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 28 de Agosto de 2007


Exemplos da máquina de propaganda. Como se faz um "recado" governamental destinado a mostrar quão atento e rigoroso é o Primeiro-Ministro, que zela noite e dia pelos nossos problemas (sublinhados meus):
O primeiro-ministro chamou a São Bento, sede das principais acções da gestão governamental, todos os ministros para avaliar o estado de execução orçamental em 2007 e abordar já a preparação do Orçamento do Estado para 2008. Com estas reuniões, José Sócrates tem tido a preocupação de deixar claro que “a previsão do défice para este ano [3,3 por cento] é para cumprir e, se possível, baixar”, garante fonte conhecedora do processo.

A menos de seis meses do fim do ano e a um mês e meio da apresentação do Orçamento do Estado para 2008, o primeiro-ministro tem aproveitado as reuniões com os ministros para frisar que “a contenção orçamental é para ser feita e que tem de ser cumprido o défice previsto para este ano”, garante a mesma fonte. Que acrescenta: “O primeiro-ministro está atento e quer resolver os problemas que possam existir”.
(Correio da Manhã de hoje.)

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EARLY MORNING BLOGS
1096 - but the other

but the other
day i was passing a certain
gate ---rain
fell ---as it will


in spring
ropes
of silver gliding from sunny
thunder into freshness


as if god's flowers were
pulling upon bells of
gold ----i looked
up


and
thought to myself --- death
and will You with
elaborate fingers possibly touch


the pink hollyhock existence whose
pansy eyes look from morning till
night into the street
unchangingly --- the always


old lady sitting in her
gentle window like
a reminiscence
partaken


softly ---- at whose gate smile
always the chosen
flowers of reminding

(e.e. cummings)

*

Bom dia!

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27.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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A lua, hoje à noite, em S. Gonçalo, Amarante. (Helder Barros)



Anoitecer em S. Martinho do Bispo. (Ôchoa)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER:
GÉNIO, "INSACIÁVEL CURIOSIDADE", PESSIMISMO (3)


Norbert Wiener passava por louco no MIT, egoísta, mau colega, rezingão, interrompendo tudo e todos, nadando nu de charuto na boca, obcecado por mulheres com furos nas orelhas, deixando atrás de si confusão, perplexidade e... ideias. Entre essas ideias está uma consciência imediata das repercussões mais vastas das suas teorias na sociedade, o modo como elas moldariam ou poderiam moldar o futuro. Diferentemente de muitos cientistas que contribuíram para o Projecto Manhattan sem perceber que estavam a ajudar a construir uma arma de destruição sem paralelo, Wiener sabia exactamente quais as implicações que a cibernética teria a prazo. Desde o final dos anos quarenta que percebeu não só o que de positivo traria uma ciência da comunicação, do comando e controlo de máquinas automatizadas (um dos seus últimos projectos foi a implantação de membros mecânicos em amputados, directamente controlados pelo sistema nervoso), como as enormes possibilidades de desumanização de um mundo dominado por máquinas vistas como gadgets fascinantes. Do desemprego gerado pela robotização à guerra automatizada, previu muitas das coisas que hoje sabemos serem riscos reais.

Wiener considerava que existia uma contradição entre o tempo lento do humano e a irracionalidade inscrita na vida, com a tendência tecnocrática para adorar a rapidez e perfeição lógica das máquinas como protótipo do "pensamento perfeito". Mais: ele teme que as máquinas possam aprender e escapar ao controlo humano, um tema recorrente na ficção científica de que foi cultor, em que num mundo automatizado com máquinas inteligentes, se destruísse a humanidade. O filme War Games, em que um hacker inicia uma guerra termonuclear como se fosse um jogo, parece tirado a papel químico das preocupações de Wiener e das críticas que fazia a colegas seus como Von Neumann, rejeitando que a "teoria dos jogos" pudesse servir para simular processos humanos complexos. Wiener insistiu sempre que a "informação" era "conteúdo" e não apenas a sequência digital que a suporta, insistindo por exemplo que o fluxo de informação nervosa nos animais era analógico e não digital. A tensão entre o seu trabalho e o de outros cientistas que se dedicaram à "teoria da informação" como Shannon, ainda hoje são vitais como modos diferenciados não só de ver a cibernética, mas a mecânica psicológica e social.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER:
GÉNIO, "INSACIÁVEL CURIOSIDADE", PESSIMISMO (2)


As guerras são boas para a ciência, o que, como é evidente, é a pior das razões para as fazer. Só os futuristas italianos ligados ao fascismo é que tomavam a sério esta afirmação, que arrepiaria Norbert Wiener, que passou as últimas décadas da sua vida a escrever exactamente contra a relação entre a ciência e a guerra. Mas a formulação daquilo que mais tarde viria a nomear de "cibernética", - abençoados conhecimentos de grego! -, nasceu de um prosaico problema militar: como fazer uma tabela de tiro, de preferência que pudesse ser automatizada, para as armas antiaéreas. Reconhece-se neste problema o âmago de todos os problemas de comando e controlo, assim como do tratamento da informação e do feedback. A arma antiaérea não podia disparar para onde se via o avião (ou nos olhos dos artilheiros ou do radar) mas sim para onde estaria segundos depois, tendo em conta que os aviadores procediam a manobras de evasão, seguindo trajectórias erráticas, apenas limitadas pelas capacidades físicas dos aviões em responder a viragens bruscas de direcção. Quando o seu "papel" conhecido como "Yellow Peril" (Extrapolation, Interpolation and Smoothing of Stationary Time Series with Engineering Applications) foi desclassificado depois da guerra, as suas implicações para um vasto número de ciências começaram a tornar-se evidentes, desde a neurocirurgia, à robótica, à computação, à Inteligência Artificial, à antropologia, às "ciências cognitivas", etc., etc. Wiener veio a fornecer-nos um dos verdadeiros instrumentos científicos para perceber como a informação, usando uma sua metáfora, nada na direcção contrária do caos.

(Continua)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER:
GÉNIO, "INSACIÁVEL CURIOSIDADE", PESSIMISMO


Flo Conway / Jim Siegelman, Dark Hero Of The Information Age: In Search of Norbert Wiener The Father of Cybernetics, Nova Iorque, Basic Books, 2005

Amar Bose, o das colunas estereofónicas e rádios Bose, colega e colaborador de Norbert Wiener, num dos longos passeios que faziam pelos corredores do MIT, perguntou-lhe o que o movia, como tinha conseguido revolucionar tantos ramos do saber, abrir caminho a tantas tecnologias, invenções, ideias? Wiener, já no fim da vida, respondeu apenas: "insaciável curiosidade".

A "curiosidade" só lhe trouxe alegrias, mas aquilo por que pagou um preço elevado, foi pelo génio. Em certas actividades, como a matemática e a música, nasce-se genial. Nos seus últimos anos, Wiener interessou-se pela doutrina hindu da reincarnação, certamente para encontrar uma explicação para o facto de, aos sete anos, ser saudado pela imprensa como "the most remarkable boy in the world" pelas suas proezas matemáticas e linguísticas e por ser, no plástico sistema universitário americano, doutorado aos 18. Tudo isto sem uma verdadeira educação formal, mas sim uma dura e penosa "educação familiar", conduzida pelo seu pai que tinha teses sobre como é que se educa alguém para génio e fez do filho a sua vítima, atormentando-o à mais pequena falha e insultando-o nas várias línguas que usava, do grego homérico ao alemão.

O resultado ficou à vista e Norbert Wiener viveu toda a vida entre as grandes expectativas de genialidade e reconhecimento do seu trabalho, que demorou a ser feito, entre outras coisas porque tanta genialidade irritava. Wiener respondia em espécie, para além das excentricidades várias, acabava por destruir as equipas que lhe eram mais dedicadas e deixar marcas de animosidade generalizada entre os seus colegas. Na sua autobiografia, ajustou contas com os pais com uma veemência pouco comum, como se lhes devolvesse o custo das depressões e tendências suicidárias que ocasionalmente o dominavam. O seu destino escapou por pouco de ser semelhante ao de John Forbes Nash, um dos colegas matemáticos com quem se cruzou, a quem a "beautiful mind" não salvou da esquizofrenia.

(Continua.)

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EARLY MORNING BLOGS
1095 - Mottled Tuesday

Something was about to go laughably wrong,
whether directly at home or here,
on this random shoal pleading with its eyes
till it too breaks loose, caught in a hail of references.
I’ll add one more scoop
to the pile of retail.

Hey, you’re doing it, like I didn’t tell you
to, my sinking laundry boat, point of departure,
my white pomegranate, my swizzle stick.
We’re leaving again of our own volition
for bogus patterned plains streaked by canals,
maybe. Amorous ghosts will pursue us
for a time, but sometimes they get, you know, confused and
forget to stop when we do, as they continue to populate this
fertile land with their own bizarre self-imaginings.
Here’s hoping the referral goes tidily, O brother.
Chime authoritatively with the pop-ups and extras.
Keep your units pliable and folded,
the recourse a mere specter, like you have it coming to you,
awash with the new day and its abominable antithesis,
OK? Don’t be able to make that distinction.

(John Ashbery)

*

Bom dia!

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26.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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O céu em Caxias há uma hora. (Ana Ferreira)



No Sado. (RM)

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1094 - And the days are not full enough

And the days are not full enough
And the nights are not full enough
And life slips by like a field mouse
Not shaking the grass.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Amarante vista ao longe, de Fregim, à noite. (Helder Barros)



Hoje à tarde a foz do rio Minho. (Ôchoa)



O 1º prémio da Bienal das Artes de Vila Nova de Cerveira. (Ôchoa)



(António Cabral)

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25.8.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 25 de Agosto de 2007


Começaram os Momentos-Chávez de Sócrates na RTP, hoje a pretexto da entrega de uns computadores ao abrigo do Programa Novas Oportunidades, modelo de sessão, com filmezinhos e tudo, que vai ser repetido muitas vezes. Não é preciso ser adivinho para perceber que os Momento-Chávez se vão tornar uma constante dos Telejornais. De novo, para que cada um julgue por si, apelo à comparação entre o modo como a presença do Primeiro-ministro é tratada na RTP, pomposa, lenta, com o melhor enquadramento possível para a fala solitária e auto-elogiosa de Sócrates, texto oficial e oficioso, sem ter mais que um grão de informação para um barril de propaganda; e o modo como a SIC trata a mesma matéria com muito mais sobriedade e sem bónus de tempo.

Mas hoje, a máquina comunicacional não prescindiu de, também na RTP, fazer entrar Sócrates em directo no noticiário das oito, - oh que coincidência de horários!- , do palácio Galveias onde está o corpo de Eduardo Prado Coelho. Não há de facto vergonha nenhuma, nem respeito.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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No Oceanário.

(José Rui Fernandes)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 20


O Governo pode querer distrair-nos, mas o seu papel nesta questão dos "verdeufémios" está no essencial por esclarecer. Acresce que o que está esclarecido mostra nonchalance face à violência da extrema-esquerda, correlativa da excitação com a extrema-direita (tenho a certeza que Sócrates já teria aparecido a "acalmar" o povo se o incidente viesse da outra extrema), grave negligência na manutenção da ordem pública, encobrimento dessa negligência e cortinas de fumo para enganar a opinião (a questão do acampamento ser organizado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia dita como desculpa pela presidente do IPJ, e pelo MAI). Continua em aberto saber-se que tipo de financiamentos são dados a estas organizações e se vão continuar a ser dados.

Para agravar a responsabilidade do Governo, o Expresso de hoje acrescenta alguns dados novos e outros, que não sendo inteiramente novos para quem leia o Abrupto (onde os jornais vão buscar muita informação sem citar, o que é o habitual), contêm informação suplementar:

- um relatório do SIS de péssima qualidade (se é assim que os nossos serviços "analisam", estamos feitos): "Os serviços de informação não consideraram, porém, que o acampamento de duas semanas - de 4 a 19 de Agosto (...) constituísse qualquer risco para a ordem pública. Elementos do SIS terão elaborado um relatório antes mesmo da realização do Ecotopia desvalorizando o impacto social da iniciativa, por se tratar de um encontro de “pacifistas e jovens ambientalistas”.

- uma algaraviada cujo objectivo auto-justificatório é evidente:
"o caso foi levado ao Gabinete Coordenador de Segurança, convocado quinta-feira pelo ministro Rui Pereira. Em debate esteve a possibilidade de alargar a investigação, passando da hipótese de crime semipúblico (o que está a acontecer no processo aberto pela GNR de Armação de Pêra), para a de organização criminosa, com o apoio da PJ. Uma tarefa difícil. “A forma como agem torna-os quase inimputáveis: se uma organização que não existe e não tem corpos sociais reclama a iniciativa, não tem ninguém que responda por ela”, explica uma das fontes contactadas, admitindo que “dificilmente” estes casos podem ser agrupados e tratados como “terrorismo ou crime organizado”. E, de facto, são muitas as dificuldades já patentes em estabelecer ligações entre o movimento que reclama a autoria da acção em Silves - Verde Eufémia. Desde logo, porque “ele não existe”, segundo o seu autoproclamado porta-voz, Gualter Baptista. “Não há líderes, nem associados. Nasceu apenas para esta acção”, disse."
O que é grave neste tipo de justificações, semelhantes às que deu o MAI numa entrevista na SICN, é que basta dar um envelope certo a determinado tipo de acções, para se poder cometer todo o tipo de violências com impunidade. Na verdade, não se prosseguem outras linhas legais perfeitamente possíveis (vejam-se os comentários dos leitores juristas do Abrupto), apenas porque elas mostravam a negligência no tratamento deste assunto. Este discurso confuso destina-se apenas a tapar as falhas graves das forças de segurança e a cobrir a GNR e o MAI. Aliás, a cronologia do que aconteceu revela que a GNR esteve longe de agir "correctamente" como o MAI diz, a começar pelo facto de uma manifestação ilegal agressiva e hostil se poder ter realizado em frente às autoridades. Há aqui também a intenção de proteger a Governadora Civil, que esteve longe de cumprir as suas obrigações, mas sabemos como os Governos civis são emanações locais dos partidos que, como na DREN, são intocáveis .

- a farsa das identificações dos "responsáveis" que, com tanto orgulho parecia o saldo da intervenção policial, e que se revela cada vez mais inútil para a investigação.

- o papel do GAIA, em que ninguém é responsável, os comunicados são alterados todos os dias e que "é uma organização aberta e horizontal, onde não há direcção", e ninguém responde por nada. Mesmo assim, recebeu do IPJ 6600 euros, que duvido que tenham qualquer contabilidade que não seja também "aberta e horizontal".

- o papel irresponsável da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, que lhe cede instalações e só agora descobriu "que o GAIA se tem excedido na sua militância” (não devem ler o que está na sua página da Internet) e lhe vão fechar a sede.

Tudo isto é um retrato exemplar de muita coisa que se passa em Portugal e continua a passar-se. E tudo isto diz respeito ao Governo que quer ver se passa entre as gotas da chuva sem se molhar.

*
Sabe que depois de colocarem as vacas a comerem farinha feita de origem animal, estão a cultivar milho geneticamente transformado e dar a animais que vão ser fonte da nossa alimentação..Se isso não o preocupa então o Sr é uma pessoa feliz...para si nada se deve fazer, quando se esgotaram todos as maneiras democraticas de resolver o problema. O equilibrio da terra tem que se manter senão morremos todos.

Esta acção que nada tem a ver com o agricultor foi a única forma de colocar o País a falar no assunto. Os ambientalistas já propuseram oferecer 50 toneladas de milho biologico e ajudar com voluntarios a cultivar no próximo ano completamente gratis. Se precisar de saber algo mais sobre o problema tenho muito gosto em ilucidar.

Tenha cuidado as vacas loucas só se soube depois de muita gente falar no assunto e aquelas que falaram foram ao tempo ridicularizadas.

(A.Baptista, Almada)

*

Comportamento policial na protecção de milho transgénico em França (Reuters, Set 2001) enviado por Pedro Loureiro

Reuters. 1 September 2001. French Police Prevent GM Crop Destruction.

SIGALENS, France -- Police clad in riot gear prevented activists opposed to genetically modified (GM) crops from hacking down three fields of experimental maize on Saturday. It was the first time French police have stopped GM crop sites being ransacked since protesters began a campaign in late June to rip up bio-engineered plants.

The police action came after Prime Minister Lionel Jospin publicly criticized the destruction of GM crop tests on Tuesday, describing the protests as illegal and urging activists to stop. Some 100 activists from radical farmers' union Confederation Paysanne, anti-globalization movement Attac and other groups arrived at a site in Sigalens in southwest France, wielding sickles and scythes to chop down the maize plants.

But between 100 and 150 police carrying riot shields and truncheons waited at the field, which belongs to French biotechnology firm Biogemma.

*

O relatório por si citado e apresentado ao Gabinete Coordenador de Segurança é efectivamente baseado em equívocos jurídicos o que faz com que a argumentação aduzida não tenha sentido nenhum.

Sem querer maçar os leitores do Abrupto com “technicalities” jurídicas, o que o artigo 299.º do Código Penal refere no seu n.º1 é o facto de alguém “(…) promover ou fundar grupo, organização ou associação cuja finalidade ou actividade seja dirigida à prática de crimes (…)”. Depois, ao longo dos dois números seguintes, o Código Penal faz incluir no mesmo crime o facto de alguém fazer parte desses grupos ou os apoiar, sendo que neste caso, a lei deixa em aberto as formas de apoio. Isto é, menciona algumas mas não impede a possibilidade de outras formas de apoio que não estejam contempladas no texto legal, serem tidas em conta num caso concreto. Por último, a lei prevê também a possibilidade de alguém dirigir ou chefiar estes grupos.

Sendo assim, para o texto legal, é completamente irrelevante se o grupo está registado nalgum registo de pessoas colectivas ou se tem corpos sociais constituídos. Se se adoptasse este ponto de vista teríamos soluções completamente absurdas. Ou seja, todos os grupos criminosos desde que não existissem de modo formal, nunca poderiam ser criminalmente processados. As organizações criminosas são por natureza obscuras e encontram-se à margem dos normais mecanismos burocráticos que se aplicam a empresas, comissões, sociedades comerciais ou não. A Máfia não está registada como Máfia SA com um Conselho Fiscal e um Conselho de Administração, assim como qualquer organização dedicada ao tráfico de droga não tem um CEO que responda pelos traficantes perante a comunidade.

O carácter informal, flexível e fluído dos Verdes Eufémios não é motivo para excluir os seus intuitos criminosos. Aliás, toda a acção levada a cabo por eles e depois toda a estratégia de negação e alijamento de responsabilidades mostram um elevado nível de concertação ao melhor nível de qualquer organização criminosa minimamente competente.

Resta assim saber como o MAI justificará esta posição defendida no relatório citado, uma vez que quem o escreveu ou não sabe nada de Direito Penal, ou se sabe, o que é pior ainda, terá ignorado o que está escrito na lei. Quando muito, as dificuldades apresentadas no relatório para processar este grupo não são de carácter legal mas sim apenas de produção de prova e aí, sim, o relatório estaria exacto.

(João Paulo Brito)

*

Estou a escrever em resposta ao comentário deixado no seu blogue por A. Baptista, de Almada. Diz esse senhor o uso de milho geneticamente transformado é uma fonte de preocupação. No caso da plantação no Algarve o milho utilizado era o chamado milho Bt, de Bacillus thuringensis, a bactéria de onde foi retirado o gene introduzido no milho pela Monsanto. Este gene codifica para a produção de um composto que é tóxico para algumas espécies de insectos. A produção desta toxina no milho permite uma grande diminuição dos pesticidas utilizados. Certamente que A. Baptista concorda que a utilização excessiva destes pesticidas é prejudicial para o ambiente e para a saúde pública, não?

Quando ao perigo de comer o milho transgénico, para a aprovação desta variedade vários estudos foram realizados e passados sob o crivo das entidades reguladoras, não tendo sido encontradas razões de peso que recomendassem contra a sua utilização. Quer isto dizer que podemos desatar a criar e plantar todo o tipo de transgénicos? Não. Cada novo organismo geneticamente modificado deve ser estudado e os seus riscos para a saúde pública avaliados, como em todas as áreas da indústria alimentar. Os transgénicos não são necessariamente maus, considero até que são uma ferramenta de grande importância para que a produção alimentar acompanhe o crescimento da população mundial, sem nos vermos obrigados a recorrer a outras técnicas que teriam piores consequências. Como recém licenciado em Biologia Molecular e Genética, talvez não seja completamente parcial, mas considero-me minimamente informado sobre o assunto.

Por último, uma pequena menção ao espectro das grandes corporações, também invocado pelos activistas anti-transgénicos. Se é verdade que são grandes empresas que comercializam alimentos transgénicos, é preciso levar em conta o grande investimento que tem que ser feito para que se obtenha uma variedade útil.

(Filipe Cadete, Oeiras)

*

O comentário de Filipe Cadete explica bem o que está em causa quanto a este milho Bt. Só queria acrescentar que a substância produzida pelo Bacillus thuringensis é um dos poucos insecticidas que é possível usar na Agricultura Biológica, o que não deixa de ser curioso, o tal milho “biológico” que estes verde eufémios se propuseram oferecer, muito provavelmente seria pulverizado com esta toxina.

Para tranquilizar os mais preocupados, devo esclarecer que esta substância é pouco persistente e é muito pouco provável que ainda exista quando o milho for consumido.

(Francisco Gomes)

*

Lá vamos nós... Afinal sempre se vão discutir os transgénicos.
Os argumentos apresentados até aqui a favor dos transgénicos caem
todos pela base e pela realidade de hoje, não é pela futurologia e
obscurantismo. Aliás, metade são "desargumentos". Escrevo tudo de
cabeça, não tenho oportunidade de pesquisar concretamente alguns
assuntos, mas deve estar tudo correcto.

Está muito longe de ser líquido que a utilização dos transgénicos
diminua a utilização de pesticidas. Nos EUA, onde os transgénicos são
utilizados há mais tempo, se não me engano desde 1996 (não é há 50
anos, como muita gente pensa), o que se observa é que as pragas
rapidamente desenvolvem defesas contra as toxinas o que implica
fumigar, como na agricultura convencional, mas mais forte.
Nunca vi os seres maravilhosos deste admirável Mundo novo,
preocuparem-se com a utilização excessiva de pesticidas a não ser como
argumento a favor dos OGM.

Os estudos que passam pelo crivo das entidades reguladoras são todos
das próprias empresas que querem introduzir o novo produto no mercado.
Não tem constado que nesses relatórios se tenham encontrado "razões de
peso" para chumbar a comercialização desses produtos. Quem ficar
sossegado com isto, pode felizmente ficar sossegado com tudo. Não é o
meu caso. Aliás, estudos recentes com ratos e milho, não podem deixar
ninguém sossegado.

Considero a preocupação com a fome daqui a 20 ou 30 anos,
particularmente repugnante, mesmo sem saber quais são as "outras
técnicas que teriam piores consequências". É exactamente ao contrário.
*Hoje* o que se observa, são agricultores do Terceiro-Mundo no limiar
da sobrevivência a terem que investir em sementes dessas piedosas
empresas todos os anos, a troco da mesma produção ou de aumentos
residuais. Estão no Terceiro-Mundo para resolver o problema da fome?
Não, estão no Terceiro-Mundo porque é lá que a penetração no mercado é
mais fácil, toda a gente sabe porquê. É uma espécie de laboratório
vivo e em tamanho natural.
Nunca vi os seres maravilhosos deste admirável Mundo novo,
preocuparem-se com a fome de *hoje* e explicarem o que impede e
impediu até agora não se ter resolvido o problema de quem tem fome.
Deve ter sido a broca do milho.

Isto leva à questão de esterilidade das sementes. As sementes são
estéreis não por caridosa preocupação ambiental e preocupações de
contaminação cruzada, mas porque são uma "feature" essencial na
rentabilização do investimento.
Infelizmente, com o casuísmo da natureza já observado por Darwin e que
tanto tem desiludido os crentes no "design inteligente", a
contaminação revelou-se inevitável e a criação de híbridos viáveis uma
realidade. E de casuísmo em casuísmo, chegamos a resultados que esses
seres maravilhosos deste admirável Mundo novo, nunca previram. A
Bayer, cultivando transgénicos ilegalmente nos EUA, contaminando
outras culturas e o meio envolvente, acabou no tribunal e a melhor
defesa que conseguir esboçar foi apelidar o facto de "acto de Deus".
Nos EUA até pode ser um bom argumento em tribunal, mas lá se foi a
alta-tecnologia.

E da contaminação, chegamos às patentes e aos investimentos dos
outros. Nos EUA e no Canadá, naquelas explorações que fazem parecer a
agricultura portuguesa um quintal, há variedades a serem cultivadas e
seleccionadas há décadas, por vezes várias gerações. Chegam esses
seres maravilhosos do admirável Mundo novo e não querem saber disso,
semeiam nos campos vizinhos, contaminam, arruinam o trabalho de
décadas e ainda processam os agricultores que detectam a presença de
transgénicos nas suas terras. Como as variedades são patenteadas, só
as pode cultivar quem pagar as sementes.

A inevitável Monsanto desenvolveu uma tecnologia chamada "terminator"
(não confundir com o filme) também com o intuito de tornar estéreis as
sementes, mas tem sido alvo da maior polémica. Uma vez mais não há
garantias que não torne as outras sementes não transgénicas estéreis,
levando à extinção primeiro de variedades agrícolas e depois sabe-se
lá de quê.
Está mesmo a ver-se que impedir os agricultores de guardar sementes de
ano para ano, o que se calhar acontece desde a sedentarização, vai ser
exactamente o que faltava, a "ferramenta de grande importância para
que a produção alimentar acompanhe o crescimento da população
mundial".

O argumento da selecção pelos agricultores ainda não apareceu, mas vai
aparecer. Dizer que a selecção à posteriori das melhores sementes, o
apuro e criação de novas variedades de "sementes do avô" tem alguma
semelhança com a biotecnologia dos laboratórios, só mesmo para o
ruído, tal como é para o ruído o comentário que sugere que o milho da
Monsanto até sintetiza uma toxina utilizada na agricultura biológica
(de notar o "biológica"). E daí? Devemos estar gratos por não ser DDT?

Por fim, sim é exactamente isso. Existem uns produtos que ninguém
precisa, mas onde determinadas empresas, designadamente a Monsanto,
gastaram uma considerável soma de dinheiro. Agora querem rentabilizar
o investimento, não interessa como.

José Rui Fernandes

*

O último comentário do seu leitor José Rui Fernandes sobre a questão dos
transgénicos deixou-me perplexo. O principal argumento apresentado a
favor de se usarem actualmente organismos geneticamente modificados
reside no facto de a modificação em questão consistir na introdução de
um gene que faz com que o organismo gere uma toxina que o torna
resistente a certas pragas. Isto permite poupar em pesticidas. Em
contrapartida, as sementes são estéreis e, portanto, o lucro das
empresas de biotecnologia provém não só do facto de venderem as sementes
aos agricultores mas também do facto de estes terem da as comprar todos
os anos. Até aqui faz tudo sentido.

Mas o seu leitor afirma que «o que se observa é que as pragas
rapidamente desenvolvem defesas contra as toxinas o que implica fumigar,
como na agricultura convencional, mas mais forte». Não percebo o «mas
mais forte». A única conclusão a que consigo chegar do que é afirmado
anteriormente é que seria necessário usar pesticidas tal como na
agricultura convencional, mas não vejo nenhum dado no texto de onde se
possa deduzir que as quantidades usuais seriam insuficientes. Mas não é
este o fulcro da questão. O que me escapa aqui é o seguinte: então os
agricultores vêem-se na obrigação de comprar as sementes transgénicas
todos os anos e, ainda por cima, têm que gastar mais pesticidas do que
aqueles que gastariam se fizessem agricultura convencional? Que sentido
faz isto? Qualquer agricultor que se visse nesta situação regressaria à
agricultura convencional e as empresas de biotecnologia iriam à
falência. O que é que falha neste argumento?

(José Carlos Santos)

*

O leitor José Carlos Santos fica perplexo com pouco, mas como vivo
para agradar, escrevi um guia para os perplexos

(José Rui Fernandes)

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EARLY MORNING BLOGS
1093 - Je vis haut élevé sur colonnes d'ivoire

Je vis haut élevé sur colonnes d'ivoire,
Dont les bases étaient du plus riche métal,
A chapiteaux d'albâtre et frises de cristal,
Le double front d'un arc dressé pour la mémoire.

A chaque face était portraite une victoire,
Portant ailes au dos, avec habit nymphal,
Et haut assise y fut sur un char triomphal
Des empereurs romains la plus antique gloire.

L'ouvrage ne montrait un artifice humain,
Mais semblait être fait de cette propre main
Qui forge en aiguisant la paternelle foudre.

Las, je ne veux plus voir rien de beau sous les cieux,
Puisqu'un oeuvre si beau j'ai vu devant mes yeux
D'une soudaine chute être réduit en poudre.

(Joachim Du Bellay)

*

Bom dia!

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24.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Lua.



Fregim, Amarante, Marão e Aboboreira, fim de tarde.

(Helder Barros)

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COISAS DA SÁBADO: OS PORTUGUESES E O MEDO

Um tufão, um ciclone, um furacão mete medo, mas convém colocar as coisas em proporção. É um espectáculo incómodo, ouvir as declarações transidas de medo dos turistas portugueses que foram para as Caraíbas e sabem (se não sabem deviam saber) que foram para lá no início da época das tempestades tropicais. É que a República Dominicana, a Jamaica, Cuba e o México não são só mojitos, gins tónicos e praias. Sabem (e se não sabem deveriam saber) que quem paga o preço destas tempestades são os autóctones, os mais pobres e deserdados, que vivem em condições de miséria e que não têm qualquer defesa face a um furacão. Que eu saiba não é comum um furacão levar pelos ares qualquer hotel de turismo, nem as águas entrarem pelo quinto piso do bar. Claro que há incómodos, não há luz e água, tem que se ir para abrigos. Mas esses incómodos vêm no pacote de férias em sítios destes.

Acabem pois com a lamúria que é muitas vezes apenas desprezo pelas vítimas, como acontece em noticiários que abrem e fecham com os pobres turistas refugiados nos quartos de banho do hotel e se esquecem das centenas de vítimas cá fora, nos bairros pobres, nas aldeias de pescadores, nas favelas dependuradas num declive. Que maçada, pode ser que amanhã falte uma criada que desapareceu ou perdeu os filhos numa enxurrada!

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 19



Uma coisa de que suspeitava mas que agora pude confirmar na Sábado: os GNR foram-se embora de junto dos manifestantes porque era a hora do almoço.

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 18

NÃO NOS TIREM O SUBSÍDIO POR FAVOR, A GENTE DIZ, ESCREVE, ASSINA TUDO O QUE FOR PRECISO


O "comunicado final" do GAIA é pura e simplesmente patético (substitui vários outros que entretanto foram apagados da Rede mas que se podem encontrar no Abrupto também assinados pelo GAIA e de teor completamente diferente).:

O GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental não se responsabiliza pela acção de corte de milho transgénico na Herdade do Lameiro em Silves, sexta-feira 17 de Agosto. O GAIA não organizou a acção. Não houve qualquer discussão ou decisão, nem portanto qualquer acta de Reunião Nacional, que desse origem a uma acção assumida pela organização.
(...)

O GAIA e a EYFA negam qualquer envolvimento na realização da acção de 17 de Agosto. Além disso, a acção não foi assumida pelo colectivo de participantes no Ecotopia, não sendo por isso uma acção do Ecotopia. O GAIA assume-se como organização proponente de acções directas. Todas as acções directas realizadas pelo GAIA têm sido e serão devidamente anunciadas e assumidas. O GAIA não realiza acções directas de carácter destrutivo.
(...)

o GAIA e a EYFA não se responsabilizam pelos encontros e reuniões que ocorrem no período do evento. O GAIA não tem conhecimento da ocorrência de reuniões visando o corte de transgénicos na Herdade do Lameiro, embora reconheça a ocorrência de reuniões fechadas no Ecotopia. O GAIA não tem conhecimento do aluguer de autocarros do Ecotopia para Silves no dia 17 de Agosto e nega a entrada de qualquer autocarro no terreno do Ecotopia nessa data. O GAIA não tem conhecimento sobre a identidade e a quantidade de participantes do Ecotopia presentes na acção de corte de transgénicos e desconhece igualmente a proporção relativa a manifestantes de fora do Ecotopia.
(...)

Houve no período anterior ao Ecotopia um apelo a uma acção contra os transgénicos para dia 17 de Agosto da parte do GAIA, de acordo com os pârametros de acção do GAIA. No entanto, o GAIA não acompanhou o processo que decorreu depois da proposta de acção, e que parece ter sido liderado pelo movimento Verde Eufémia. O GAIA desconhece a origem deste movimento e de como se introduziu na dinâmica do Ecotopia. Daqui se conclui que qualquer participante do Ecotopia presente na acção da Herdade do Lameiro agiu a título individual, não representando o colectivo do Ecotopia nem qualquer uma das organizações proponentes.

(...) o GAIA considera que os direitos à saúde pública e a um ambiente são, consagrados na Constituição Portuguesa, estão ameaçados e compete aos cidadãos fazer cumprir os primordiais direitos comuns dos Portugueses. Por esta razão o GAIA apoia a acção do movimento Verde Eufémia, considerando que a destruição de 2% da plantação de um agricultor transgénico constitui um gesto simbólico cujo impacte económico é reduzido trazendo, no entanto, o assunto para a discussão pública como é importante nesta fase de proliferação dos campos de milho transgénico em Portugal. Apesar de manifestar o seu apoio devido ao impacte final para a discussão do tema dos OGMs, o GAIA não desenvolve este tipo de acções e não se reconhece na acção de destruição do campo de milho transgénico da Herdade da Lameira em Silves.

*
O comunicado do GAIA faz-me lembrar os anúncios que há em algumas garagens pagas onde se avisa que os proprietários da garagem não se responsabilizam por danos ou furtos nas viaturas estacionadas. Não se responsabiliza. Não tem conhecimento. Não acompanhou o processo posterior. Desconhece a origem e como se introduziu. Desconhece.

Porém, manifesta o seu apoio.

(R)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Alexanderplatz, Berlim, agora, depois de uma trovoada.

(Fernando Correia de Oliveira)

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EFEMERA: O QUE SE ENCONTRA NAS FEIRAS





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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 17



A posição do BE, abundantemente explicada aos incréus e nem sempre entendida, é esta: se o campo de milho fosse da Monsanto, ou de qualquer multinacional, ou grande empresa nacional, não haveria problema em destruí-lo. O problema foi a destruição do campo ter um "agricultor" por alvo, ainda por cima aparecendo na televisão, furioso, doente, ferido na sua condição de agricultor. Foi um azar. Se o campo fosse do Mal puro (a presença do agricultor esbateu o Mal dos transgénicos americanos), entre o Bem (os "verdeufémios") e o Mal haveria apenas a "propriedade privada", essa trivialidade capitalista que o BE despreza. Logo, a destruição seria bem-vinda. O puxão de orelhas aos "verdeufémios" foi esse: então vocês não sabem que só se atacam campos vazios (sem "agricultor") e de preferência com o selo do Mal estampado num arame farpado, numa cerca, num cartaz? Assim não passam no exame do BE.

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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 16 - MAIS SOBRE A POLÍTICA RADICAL - sobre o contexto político da "luta contra os transgénicos".

A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 15 - A IGNORÂNCIA SOBRE A POLÍTICA RADICAL -
"ler" os grupos radicais não é a mesma coisa do "ler" os partidos políticos do mainstream.

DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO: O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES - + novos comentários.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (29)

O caso Somague é um típico caso de financiamento ilegal de um partido político e como tal deve ser cabalmente esclarecido e as responsabilidades apuradas. Não tenho nada mais a acrescentar ao que já muitas vezes escrevi sobre o assunto, em particular sobre esta "estranheza" da apetência das empresas de construção civil pelo financiamento partidário do PSD e do PS. Nem sequer vou fazer a pobre rábula de atirar pedras aos outros para dizer que "somos todos iguais", embora não ficasse mal lembrá-lo ao porta-voz do PS Canas, um dos eminentes membros do "partido de Macau". Infelizmente "somos todos iguais" no mal, e não é uma espécie de justiça salomónica, agora bato num, depois bato noutro, que resolve o problema. O que o resolve é face a cada caso concreto, levar tudo até às últimas consequências. Desse ponto de vista, é bom como pedagogia que o PSD "leve" a ver se aprende que não se brinca com estas coisas. Pode ser que aprenda primeiro. Seria bom.

*

Numa primeira fase pareceu-me que no PSD se estava a responder bem ao "caso Somague", mas agora já não estou certo disso, em particular no que diz respeito aos responsáveis pelo partido na altura. Pode-se perceber a tentativa indirecta de atirar as culpas a José Luís Vieira de Castro, tanto mais sabendo que ele não se pode defender. Mas José Luís Vieira de Castro tem amigos que o conhecem bem, que o acompanharam no exercício de funções no PSD e no Governo, e esses amigos, entre os quais me conto, podem falar por ele. E aqui fica a minha fala para dizer que ele como governante nunca, repito nunca, faria um favor em troca de um financiamento partidário. E digo isto, entre outras coisas, porque ele muitas vezes discutiu comigo esses problemas enquanto era Secretário de Estado e muitas vezes me disse como tudo estava "armadilhado", (não só estava, como tinha recebido tudo "armadilhado" do governo anterior do PS) e como o único processo que encontrava para não se deixar envolver era enviar os processos de que desconfiava à Procuradoria e nunca decidir de forma diferente do que resultasse do seu parecer . Foi o que fez no processo da Somague, como em muitos outros. Uma análise à sua acção como Secretário de Estado revelará com clareza esse modus operandi, e não se lhe conhece decisão contrária aos pareceres que recebeu. Não é por aí que chegam lá.

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EARLY MORNING BLOGS
1092 -Fire and Ice

Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I’ve tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.

(Robert Frost)

*

Bom dia!

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23.8.07


A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR



(Silva Porto)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 16

MAIS SOBRE A POLÍTICA RADICAL


Um exemplo de como é necessária prudência com grupos, grupúsculos, movimentos, puras siglas, é que, para se perceber determinadas posições, é necessário conhecer uma geografia mais profunda das organizações, que nem sempre é evidente e é muitas vezes disfarçada. Veja-se o caso da entrevista de Mário Crespo ao Ministro da Agricultura na SICN. A uma dada altura, Crespo cita contra os transgénicos a Confederação Nacional da Agricultura, como se fosse uma entre muitas organizações de agricultores. Crespo argumentava, se então até os agricultores da CNA protestam contra os transgénicos não há aqui um problema? Há, mas é outro tipo de problema.

A CNA não é uma normal organização de agricultores. É a "frente" para a agricultura do Centro e do Norte do PCP. Constituiu-se com base numa série de movimentos organizados pelo PCP, desde movimentos de rendeiros, utentes de baldios, etc, concentrados numa área geográfica muito limitada. A lógica das posições da CNA é a da política agrícola do PCP. Esta, quanto aos OGM, aos transgénicos, tem duas componentes: uma, a do combate às multinacionais da agricultura, americanas como a Monsanto, e nesse combate enquadra-se a recusa dos OGM; outra, a defesa do proteccionismo da agricultura europeia da competição com a agricultura americana, usando os transgénicos como argumento para manter os produtos agrícolas americanos fora da fronteira da UE. Por tudo isto, nada tendo a ver o PCP, ou a CNA, com o BE ou com os "verdeufémios", começam a perceber que a causa comum contra as OGM ficou ameaçada pelas asneiras dos "verdeufémios" e vêm tentar travar a discussão e reorientá-la.

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 15

A IGNORÂNCIA SOBRE A POLÍTICA RADICAL


A preparação que é necessário ter para compreender grupos radicais não é a mesma que basta para partidos como o PS e PSD. A lógica destes grupos e o seu funcionamento são muito diferentes dos partidos mainstream e obedecem a regras e tendências que são próprias. O mesmo se passa com o PCP que também não se confunde com o BE nem com grupos como os "verdeufémios". Começa logo por aqui, o Movimento Verde Eufémia não existe como se verá, é apenas um nome que foi utilizado para uma "acção", e que, como foi "queimado", acabará por cair. O que existe é uma constelação de grupos radicais em várias áreas, concentrando-se na cultura, no ambiente, nas "causas" como o anti-racismo e o apoio aos imigrantes, muitos organizados como ONG e associações de diferente tipo, e quase todos subsidiados pelo Orçamento de Estado através de vários ministérios. O GAIA é um exemplo típico. Sim, somos nós que pagamos muita da política radical que se faz em Portugal, seja com governos do PS, seja do PSD e PP.

Politicamente estes grupos estão esmagadoramente à esquerda e, na esquerda, com uma ligação forte com o BE, embora as juventudes do PCP e do PS também adiram a estas causas "fracturantes". A diferença é que no BE esta mouvance é um elemento estrutural, enquanto no PCP (na JCP) e no PS (na JS) são residuais. Apenas uma minoria radical escapa ao BE, nalguns casos organizada em grupúsculos que lhe são ideologicamente hostis, como o grupo Política Operária, ou algumas tendências trotsquistas, anarquistas, mas são quase sempre de gente mais velha. Para além disso existem outros grupos ad hoc constituídos por jovens ultra-radicais, os nossos "autónomos", os nossos "casseurs", pouco numerosos no seu conjunto, mas que, de vez em quando, se lembram de tomar a sério o seu vocabulário de "acção directa". Alguns dos autores das destruições na Rua do Carmo no 25 de Abril pertencem a este último grupo.

(Continua.)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

Clicar nas fotos para aumentar.






Caracas e o Ávila vistos à distância. (Jennifer Quintero)



Crenças na Feira Medieval do Artesão, Belmonte. (MJ)



Interlaken, na Suiça. (Abílio Carvalho)



Alto Minho. (Ôchoa)



Peixes. (Ôchoa)



Amoras. (RM)



Placa junto ao Rio Erges (Segura – Idanha-a-Nova). (Fernando Marques)


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22.8.07


A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR



Les très riches heures du Duc de Berry

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DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO:
O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES (4)


school_internet.jpg (59999 bytes)Uma mera observação do mecanismo dessas escolhas mostra que estão feitas para, a prazo, afastar do sistema escolar os professores que dão aulas há mais anos e que são, por norma, os mais qualificados. Como muitos aspectos da reforma da função pública, que foram feitos á pressa e apenas para poupar dinheiro, corre-se o risco de estar a desertificar a função pública do seu know-how mais especializado, do seu capital de experiência. Isto é muito bonito na retórica, mas na prática quem está a apanhar com a ameaça de despedimento a prazo, são os mais velhos, os mais experientes, os que tem maior currículo e saber.

Não se trata de fazer eco da resistência sindical às mudanças que tanto favoreceu a fragilidade dos professores face ao Ministério. Trata-se de casos em que os professores têm pura e e simplesmente razão para se sentirem injustiçados e as reformas podem ter um efeito perverso de agravarem a qualidade do ensino ao empobrecerem a quantidade de "saber" existente dentro das escolas.

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 14

A FUGA ÀS RESPONSABILIDADES


Começou a operação de desresponsabilização do GAIA com aspectos de pura fraude, em particular a tentativa de apagar documentos e tomadas de posição, substituindo textos na Rede por outros, apagando páginas, numa tentativa de nos enganar. Onde antes esteve isto (entretanto apagado)
DIA DE ACÇÃO CONTRA OS TRANSGÉNICOS - 17 Agosto - NÃO À COEXISTÊNCIA, SIM À RESISTÊNCIA!

17 de Agosto tem lugar um dia de acção contra os transgénicos, no âmbito do Ecotopia, um dos maiores encontros de activismo pelo ambiente da Europa. "
e depois isto (entretanto apagado)
"O GAIA apoia a acção do Movimento Verde Eufemia, por considerar o uso de desobediência civil e acção directa não violenta uma estratégia válida na luta pelos direitos sociais e ambientais da população. "
agora está isto:
"O GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental) e a EYFA (European Youth For Action), organizações coordenadoras do ECOTOPIA 2007 em Aljezur, desmentem qualquer envolvimento na acção promovida pelo Movimento VERDE EUFÉMIA no passado dia 17 em Silves. A Organização do evento desconhecia a ocorrência da acção, sendo por isso desresponsabilizados pela sua ocorrência nem pela mobilização d@s manifestantes.

Dada a natureza democrática do ECOTOPIA, onde qualquer cidadã@ é convidad@ a participar, ambas as associações rejeitam qualquer responsabilidade pelo eventual envolvimento de alguns d@s participantes na colheita do milho transgénico. Assim sendo são totalmente falsas e infundadas as alegações, feitas na comunicação social, de que as entidades envolvidas na concretização deste evento, nomeadamente no apoio à divulgação, junto d@s jovens portugueses, de um evento absolutamente idóneo, como o ECOTOPIA, tenham apoiado a acção de corte do milho. As associações organizadoras do Ecotopia manifestam o seu profundo desgosto e desagrado pela desacreditação injustificada do evento 2007, que se está a gerar na cobertura mediática." (sublinhados meus)
As "causas" são muito bonitas até que a cobardia obriga à abjuração. Vão ver que ainda vão receber o subsídio este ano.

*
O GAIA ainda não percebeu que o tiro saiu pela culatra. Na próxima que quiserem "acção directa", "criativa" e até "estética", podiam organizar-se, com o dinheiro dos subsídios comprar um terreno ao desbarato, pegar nas sacholas e cultivar milho biológico. Depois visitam o Abrupto e aprendem a ceifar.

Dito isto, é razoável notar que o cultivo de milho biológico ou convencional é um direito em vias de extinção. Infelizmente o milho transgénico não é cultivado dentro de caixas de acrílico e a contaminação não só é inevitável como tolerada pela comissão europeia. Muito mais haveria a dizer mas a macro-causa não é essa.

Entretanto, ficamos a saber que o Abrupto tem um leitor tripeiro a viver em Ottawa o que sem dúvida é importante. É bizarro que tenha merecido publicação graças ao link para o "movimento de extinção humana voluntária", uma introdução insuportável de ruído (se a questão é o extremismo, arranja-se para todos os gostos). Não perdi lá 20 segundos, o título diz tudo, mas o excesso de natalidade é um grave problema e como uma imagem vale por mil palavras fica o Breathing Earth.

A informação sobre as ZLAN é uma das muitas que faz o Abrupto interessante. No entanto acabo por não entender se a associação às ZLT é assim tão linear. A natureza do problema é tão diferente que só a "estética" do título não chega para me convencer. Independentemente disso, basicamente o que diz, e outros blogues com muito menos categoria e até sem categoria nenhuma, é que qualquer causa ambiental e quem as defende é de extrema-esquerda ou na melhor das hipóteses de esquerda. Não vos reconheço esse direito.

Na minha visão simplista das coisas, pelo menos alguns destes temas ambientais na Wikipedia são transversais à sociedade e consequentemente aos partidos. Mas aparentemente não. É óbvio que numa altura destas o PSD, a braços com eleições entre dois carismáticos líderes, não tem tempo para minudências ambientais. Já o PS anda ocupado a tirar o ambiente do caminho das auto-estradas, eólicas, camas para o Allgarve, engorda de peixe em Rede Natura e de tudo que o país obviamente necessita. Para o CDS, o cúmulo ambiental é um verdejante campo de golfe. Passou-se o mesmo na cultura. A "cultura de direita" é uma coisa que não existe, graças aos "marketeers" de esquerda e à ausência da direita.

Mas daqui a uns anos, podemos sempre vir aqui ao Abrupto ler nostalgicamente sobre os últimos dias de paisagem natural em Portugal. É uma pena, isto e o resto.

(José Rui Fernandes)

*

Gostava de esclarecer à acusação que faz ao GAIA de fuga de responsabilidades na acção em Silves que se pode ler no seu blog. Houve membros individuais do GAIA que participaram da acção organizada pela Verde Eufémia, como, quem sabe, se calhar também haviam membros do PSD. A mudança de comunicado foi porque foi feito um comunicado por uma pessoa em cima da hora, e após foi feito outro com uma opinião mais consensual relativamente ao grupo.

Não é discutido na imprensa a questão dos transgénicos e andam tod@s à guerra a mandar a acusações para aqui e para ali. É o jogo da política retórica onde o essencial é completamente ignorado e o debate torna-se estéril.

Parece que tod@s se preocupam mais com a destruição de um hectar de 70 hectares de terreno de um agricultor do que a verdadeira questão que os OGM estão a ser impostos às populações sem elas quererem, a maioria está contra os OGM. A carne que foi alimentada com OGM não é rotulada, logo quem come carne não sabe se a carne foi alimentada soja transgénica. As plantações OGM contaminam os campos vizinhos (não será também invasão de propriedade alheia?). O Algarve declarou-se zona livre de transgénicos e o agricultor em questão preferiu ignorar o desejo da comunidade e plantou OGM.

Aqui, em Portugal, e talvez em muitos sítios, vivemos revoltados contra quem luta pelo direito a um ambiente e uma sociedade justa e saudável e apáticos relativamente as constantes abusos feitos às populações e ao meio ambiente. No Algarve estamos repletos de campos de golfe a consumir quantidades exorbitantes de água e em alguns sítios por vezes no verão temos pessoas a percorrer kms para conseguir lavar os pratos do almoço. Isto sim é vandalismo, é abuso. Não vou percorrer a quantidade de injustiças que ocorrem todos os dias, mesmo à frente dos nossos narizes, às quais estão a maioria dos portugueses estão indiferentes...

a verdade mesmo, o verdadeiro vandalismo foi o que aconteceu em Silves realmente... esses hippies drogados deviam ser corridos a tiro...

(pedro gonçalves)

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DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO:
O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES (3)


school_internet.jpg (59999 bytes)Muitos dos professores que suportaram o pouco que funcionava nas escolas, que passaram anos a minimizar o experimentalismo governamental, que mudava de políticas educativas como quem mudava de camisa, que fizeram carreiras exemplares assumindo, até porque mais qualificados e reconhecidos como melhores, muitos cargos pedagógicos e de gestão nas escolas, que investiram na especialização nas suas áreas de competência, vêem-se agora prejudicados por critérios ad hoc, escola a escola (conheço casos em que o mesmo currículo especializado, graduações, mestrados, doutoramentos, é avaliado em diferentes escolas de maneiras completamente diferentes), e pela redução da avaliação da carreira ao escasso período de sete anos sem qualquer ponderação. Qualquer professor que dê aulas há quinze anos, o que acontece com os professores mais qualificados, vê-se ultrapassado facilmente por um professor com metade da sua experiência. Professores há anos no último escalão da profissão, com a carreira “congelada” por medidas administrativas, vêm-se empurrados para horários zero, sem qualquer componente lectiva, e, a prazo, afastados compulsivamente da carreira.

A hierarquia é necessária, mas há aqui uma perversão dos critérios de mérito de qualquer hierarquia na função pública. Em Portugal, onde a qualificação na função pública é escassa, é fazer exactamente o contrário do que se deve.

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A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR



Numa caixa de laca russa.

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DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO:
O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES (2)


school_internet.jpg (59999 bytes)Os professores não podem escolher o seu período de férias, são obrigados a ter férias em Agosto. Mas, no silêncio deste mês, perante a indiferença de todos, porque a comunicação social e os partidos parecem nem sequer saber o que se está a passar, vêem-se sujeitos a opções decisivas em prazos curtíssimos, que começam e acabam em pleno Agosto. Sem qualquer Simplex que os ajude. Muitos tem que interromper as suas férias e vir para as escolas onde têm que fazer escolhas instantâneas, cujos critérios mudam mesmo em cima do próprio prazo para as fazer. Não é novidade: no concurso para professor titular os critérios são pouco rigorosos, abertos a todas as interpretações e mudaram já com o concurso a decorrer.

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DA RETÓRICA MACRO (DAS "REFORMAS") À REALIDADE MICRO:
O CASO DAS ESCOLAS E DOS PROFESSORES (1)


school_internet.jpg (59999 bytes)

Não é verdade que em Agosto não se passe nada, bem pelo contrário. As escolas e os professores vivem situações dramáticas muitas das quais pouco têm a ver com qualquer reforma de per si, mas sim com medidas mal pensadas, atabalhoadas, incompetentes e por critérios que estão a atingir os professores com um rastro de reais injustiças, sentidas em primeiro lugar pelos melhores entre eles. O sentimento de injustiça é profundo e, em demasiados casos, justificado. Vive-se nas escolas um ambiente de cortar à faca.

*
“…estão a atingir os professores com um rastro de reais injustiças, sentidas em primeiro lugar pelos melhores entre eles.” – Quem é que diz quem são os melhores? Acha que se trata de algo consensual? Acha que sistema de hierarquização dos professores que estava em vigor era justo e que portanto os que estavam “à frente” são os melhores? O que lhe posso dizer é que se é verdade que o concurso para professor titular trouxe injustiças, também o é o facto de algumas que existiam foram corrigidas (mais à frente desenvolverei esta ideia).

“Vive-se nas escolas um ambiente de cortar à faca.” – Como noutras situações bem disse, isto é apenas um soundbyte, propaganda. Haverá escolas onde ainda bem que ambiente é de cortar à faca porque isso se deve ao facto de se ter abanado um sistema caduco, outras em que se criaram problemas para além dos que já existiam e na maioria das escolas tudo está rigorosamente na mesma porque todas estas medidas reformistas mantém no essencial, tudo na mesma. Utilizando uma estratégia que é uma deformação profissional, digo-lhe: se tiver dúvidas sobre isto, pergunte-me que eu dou-lhe exemplos.

“…Muitos tem que interromper as suas férias e vir para as escolas onde têm que fazer escolhas instantâneas, …” – Tem a certeza? Não podem resolver via Internet?

“no concurso para professor titular os critérios são pouco rigorosos, abertos a todas as interpretações e mudaram já com o concurso a decorrer.” – Quando muito os critérios foram pouco rigorosos, isto porque o concurso para professor titular já acabou (o que não quer dizer que não tenha sequelas). Do resto da sua frase apenas fica o exagero que em literatura se chama hipérbole e aqui, demagogia.

“…vêem-se agora prejudicados por critérios ad hoc, escola a escola…” – Os professores com o perfil que apresenta foram prejudicados porquê? Passaram a ganhar menos? Foram ultrapassados por outros que não desempenharam cargos pedagógicos e não investiram na sua formação? Não é possível.

“(conheço casos em que o mesmo currículo especializado, graduações, mestrados, doutoramentos, é avaliado em diferentes escolas de maneiras completamente diferentes)” – Eu gostava muito de conhecer estes casos de que fala mas tenho a certeza que ia ficar desapontado porque só teria a certeza que o Pacheco Pereira fez uma interpretação incorrecta da história que lhe contaram. Mas conte!

Qualquer professor que dê aulas há quinze anos, o que acontece com os professores mais qualificados, vê-se ultrapassado facilmente por um professor com metade da sua experiência. – Suponho que o Pacheco Pereira não está a defender que o tempo de serviço é o critério fundamental para criar a hierarquia na classe dos professores porque se assim fosse nem valia a pena estar aqui a discutir o problema da avaliação dos professores. Se tivéssemos um sistema em que aquilo que alega (um professor com quinze anos de serviço ser ultrapassado por um com sete anos) acontecesse, isso seria um muito bom sinal, mas pode ter a certeza que isso não é possível. Nenhum professor com sete ou oito anos de serviço pôde ultrapassar um professor com quinze anos de serviço. Desafio-o a apresentar-me um caso. Vai ter que relativizar muito o conceito de “metade” e de “ultrapassagem”.

“Professores há anos no último escalão da profissão, com a carreira “congelada” por medidas administrativas, vêm-se empurrados para horários zero, sem qualquer componente lectiva, e, a prazo, afastados compulsivamente da carreira.” – Os professores no último escalão da profissão ficaram com a carreira congelada no momento em que atingiram essa condição. Desses, aqueles que não conseguiram entrar para a categoria de professor titular ficam ainda “à frente” de todos os outros da categoria “não-titular” e portanto o desemprego só lhes baterá à porta depois desses terem abandonado a profissão.

Haveria até alguma justiça se os professores que refere fossem de facto empurrados para o fim da hierarquia porque, salvo algumas excepções (e que realmente são profundas injustiças), só ficaram nessa situação docentes que nos últimos sete anos de trabalho não desempenharam cargos pedagógicos e/ou não foram razoavelmente assíduos em pelo menos cinco desses sete anos.

“A hierarquia é necessária, mas há aqui uma perversão dos critérios de mérito de qualquer hierarquia na função pública.” – Então diga lá quais são os critérios para estabelecer essa hierarquia. Nos seus textos só deixa antever que considera a experiência profissional um critério muito importante. Mas esse critério era praticamente absoluto até agora e com esta pretensa reforma apenas se juntam mais uns factores de mérito (discutível, eu sei) que em nenhuma altura se podem sobrepor ao sacrossanto “tempo de serviço”. Quando por ventura a hierarquia existente é posta em causa cai o Carmo e a Trindade porque é uma grande injustiça.

“Trata-se de casos em que os professores têm pura e e simplesmente razão...” – A razão que dá agora ao descontentamento dos professores soa agora a frete político uma vez que as queixas dos sindicatos dos professores são aquelas que já faziam quando o ministro era um seu amigo e correligionário.

(Cândido Pereira, Professor de Ciências)

*

Concordo consigo quando diz que têm vindo a ser tomadas acções que visam afastar os docentes mais experientes das escolas, mas discordo do motivo: não creio que estas escolhas sejam feitas apenas para poupar dinheiro; infelizmente, uma dúzia de anos de trabalho para o estado, sem vínculo, converteu-me às teorias da conspiração.

Considere o seguinte: os professores mais experientes são também aqueles que, além do que disse, tendem a ter uma formação acadêmica de índole científica, em
oposição aos mais novos que, na sua maioria, são produtos dos departamentos de educação, sejam das universidades ou das verdadeiras aberrações que são hoje as "escolas superiores de educação" (pareço estar a sofrer de uma falta temporária de maiúsculas). Estes professores mais velhos tendem a ter Licenciaturas pré-bolonhesas em Matemática, Física, Química, Português, etc., em vez de "ensino de...".

Antes da hecatombe de Bolonha, estes cursos davam a quem estivesse neles para estudar, uma base sólida de conhecimento científico (aliás reconhecida, por exemplo, por universidades de topo dos EUA, que consideravam o nosso ensino pré-graduado "muito bom").

Ora, no que hoje é o nosso "sistema de ensino", tudo isto são defeitos. Professores com conhecimentos científicos sólidos têm hábitos desagradáveis: exigem mais dos alunos (logo aumentam o "insucesso"), argumentam melhor contra as ideias peregrinas do ministério, vêm claramente a farsa do negócio milionário das "acções de formação",etc. São incómodos.

Eu não estou no que hoje passa por ensino não-superior em Portugal, mas vejo os efeitos que este teve sobre os que saem de lá: os piores são analfabetos funcionais, os melhores (e isto é terrível para o nosso futuro), são uma sombra do que poderiam ser.

A acrescentar a isto tudo, e para terminar, também concordo com a sua descrição do ambiente que se vive: acho incrível que 30 anos de "democracia" tenham gerado chefias infladas de má-fé, carreirismo e desonestidade, e que apenas parecem conseguir actuar através de golpes de corredor...

O futuro não se me afigura muito bonito...

(João Carlos Soares)

*

Acabo de Ler o texto/comentário do meu colega de ofício, João Cândido Pereira, Professor de Ciências. O texto em causa espelha dois aspectos preocupantes: (i) uma total ausência de qualquer ideia de fundo de quem contesta as opiniões de JPP e só vê nelas demagogia e decifra quase nada no enorme volume de demagogia, estupidez, irresponsabilidade e cinismo com que os ministérios da educação, e este em particular, atolam o sistema; (ii) este tipo de opiniões ao serviço de causas políticas que se encavalitam na dignidade de se ser professor hoje no ensino básico e secundário em Portugal (numa postura que é claramente contra a identidade social-democrata de JPP, legítima como qualquer outra) acaba por provocar aquilo que isola os professores e os seus problemas do pluralismo democrático, silencia-os no decisivo espaço público, e atirando-os para os braços de radicalismos dogmáticos, tipo Ana Benavente ou Maria de Lurdes Rodrigues. Felizmente que David Justino foi «suave», pois se não melhorou muito como era sua obrigação, pelo menos não estragou tanto. Em vez de aproveitar a abertura do espaço mediático - como é o caso do ABRUPTO - para democratizar o ensino e torná-lo um espaço onde a pluralidade de opiniões se torne a via mais eficaz para travar as barbaridades que cada um que chega ao ministério decide «implementar» sem qualquer preparação ou conhecimento sério e ponderado da realidade escolar, com opiniões «arrasadoras» como as do professor João Cândido Pereira temo pela futuro da qualidade que resta ao sistema de ensino. Aposto que João Cândido Pereira, mais do que da experiência empírica de professor que provavelmente terá, o que o moveu neste seu texto foi a sua grande alma socialista. E é das seguidistas. De tão veementemente árida, torna-se acrítica.

(Gabriel Mithá Ribeiro)

*

A última tendência (talvez se justificasse o plural, pois foram tantas em tão pouco tempo) da política educativa portuguesa teve várias consequências, já abordadas no Abrupto. Em primeiro lugar, há uma desvalorização da formação científica dos professores em detrimento da formação "pedagógica". Por esse motivo se abordou a hipótese de colocar mestres em ciências da educação a leccionar várias disciplinas. Mesmo não tendo um sólido conhecimento científico na área das disciplinas que váo leccionar. Há pessoas no ministério que acreditam que o importante é saber "ensinar a aprender", "guiar" os alunos na "descoberta e na construção dos saberes e na aquisição de competências." Como se fosse possível ensinar no vazio.
A desvalorização da formação científica é bem notória nos currículos dos cursos da área de educação (Escolas Superiores e algumas Universidades). Neles, o peso das cadeiras científicas é menor do que nos currículos das universidades tradicionais e o das cadeiras dedicadas às ciências da educação, pedagogias, didácticas e afins é muito maior. O resultado é óbvio: professores que (teoricamente) sabem ensinar, mas que não sabem o que ensinar. E este aspecto tem consequências até a nível disciplinar: quando um professor se mostra inseguro do seu conhecimento ou revela mais do que uma vez falhas que os alunos detectem, começa a ser posto em causa. Perde autoridade, ganha fama de inseguro ou mesmo de incompetente. Os alunos ainda acreditam que os professores devem saber tudo e não aceitam bem um professor que não saiba muita coisa).
A pior consequência, porém, verifica-se a longo prazo. À medida que os professores com mais conhecimentos científicos vão abandonando o ensino (pela idade ou porque simplesmente optam por outra via profissional onde sejam mais valorizados), ficam os outros. Que ensinam menos, por muita vocação que possam ter. E são alunos pior preparados que começa(ra)m a chegar ao ensino superior. E de lá sairão para ensinar também. O ciclo torna-se vicioso e difícil de travar, com graves custos para o país.

A propósito de teorias da conspiração, uma bem curiosa, que já ouvi várias vezes: um ensino mau e sem exigência, que atribui diplomas (de 9º ano, de 12º ano ou outro qualquer) sem que o aluno tenha a formação adequada (veja-se a proliferação de cursos EFA e CEF) é apenas uma forma subtil (!) de produzir mão-de-obra não especializada, barata e incapaz de pensar e se defender. Logo, mais fácil de convencer pela propaganda, pelas instituições de crédito, por quem lhes apresenta contratos de trabalho ou por quem os emprega sem um contrato de trabalho. Não houve recentemente um ministro que valorizou os nossos salários baixos?

(Paulo Agostinho)

*

Sou Professor do Ministério da Educação e encontro-me há 16 anos em situação de destacamento nominal numa Cooperativa com Multideficientes. Tenho sido constantemente reconduzido. Este ano em Maio a situação manteve-se, a Escola onde sou efectivo autorizou o meu destacamento, a Cooperativa concordou e os documentos foram enviados para o Ministério da Educação, pois este queria ter o processo concluído até 15 de Junho. Este ano o Ministério não autorizou a entrada de mais professores destacados. Ficavam os que estavam (5).

Entretanto em Julho abriram os concursos para os Professores Titulares, e 4 dos destacados concorreram, tendo entrado no quadro de Professores Titulares três. Na lei que entretanto saiu, quem ficasse Titular perderia de imediato o destacamento. A Cooperativa ficou em pânico, pois o ano Lectivo para as crianças deficientes irá ficar
completamente comprometido. Como é que o Ministério não tinha previsto uma situação destas? Em Maio pedia rapidez no processo com os Destacados, só podendo ficar os que estavam, e em Julho a Lei muda tudo. A Cooperativa informou-os da situação, por carta com aviso de recepção, em Julho, mas não houve qualquer tipo de resposta. Daqui se ,concluiu que o Ministério desconhece por completo a situação dos seus professores destacados. Enquanto lhe dá jeito para os manter num local onde a maior parte dos docentes não quer trabalhar (com Multi-Deficientes Profundos) reconduz estes professores. Quando resolve fazer uma reforma, fá-la por metade, e esquece-se que estes Professores que estão lá há anos estão no topo da carreira. A situação neste momento é desesperante para a Cooperativa, já foram enviadas inúmeras cartas para o Ministério a denunciar a situação, mas nãohouve até agora qualquer tipo de resposta, que dê uma solução para o problema. Muitos dos projectos que tínhamos planeado para o próximo Ano Lectivo tiveram de ser anulados, e isto tem graves implicações no trabalho que temos vindo a desenvolver com este tipo de crianças, podendo vir a comprometer muitas delas para o futuro. Não era assim,
de uma forma tão abrupta que gostaríamos de acabar com os nossos destacamentos. Ao longo destes 16 anos nunca ninguém do Ministério apareceu para nos avaliar ou para nos perguntar se precisavamos de alguma coisa. Entretanto a Cooperativa recebeu um fax no dia 14/08/2007, assinado pela Chefe da EMPAAG, Júlia Ribeiro, a informar que por despacho do Secretário de Estado da Educação, de 06/08/2007
tinham sido autorizados os destacamentos até 31/08/2008. Os serviços administrativos tentaram confirmar através do telefone do Ministério a veracidade deste Despacho e foram informados de que o Ministério desconhecia a situação.

Neste momento os professores estão na situação de se terem de apresentar ao mesmo tempo na Escola e na Cooperativa, sob pena de levarem faltas injustificáveis caso não o façam. Isto representa o Ministério no seu melhor! Para o Ministério há alunos de primeira e alunos de segunda!

P.S.: ao contrário das Escolas do Ensino Regular, no Ensino Especial os Docentes só têm 1 semana de férias no Natal, não há férias do Carnaval, da Páscoa e trabalha-se até ao dia 31 de Julho com os alunos. Por gostarmos muito do que fazemos é que estamos lá há tanto tempo, e deu muito jeito ao Ministério, porque não sabe o que fazer com os deficientes.

(Miguel Miranda)

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A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR



Num manuscrito francês do século XV.

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 13

ZLANs, ZLTs e Zs



Aqui há uns anos havia um movimento criado pelos soviéticos, no conjunto dos movimentos "unitários" que serviam a política externa da URSS, chamado Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLAN). As autarquias do PCP e um número significativo de autarquias do PS e PSD, os habituais inocentes úteis, punham à entrada dos seus concelhos uns grandes cartazes a dizer que eram "zonas livres de armas nucleares". Tudo isto era relativamente inócuo e simbólico, embora não o fosse totalmente. As autarquias pagavam uma soma por pertencerem ao movimento, que ia servir para o financiamento destes movimentos pró-soviéticos e do PCP, e, de vez em quando, uma coisa que certamente atraía os respectivos inocentes úteis, havia umas visitas à RDA, com os autarcas muito contentes com as maravilhas do "socialismo real". Com o fim da URSS, estes movimentos desapareceram ou reciclaram-se.

Isto tem a ver com a chamada "estética" dos "verdeufémios", uma interessante afirmação do seu porta-voz para explicar por que razão andavam de máscara e embuçados, como o "el-rei de Portugal" do fado, embora eles se achem mais para o palestiniano. Aliás, esta questão da "estética" dava um tratado. É que entre estas heranças (como o de Eufémia) está um movimento que foi buscar á "estética" do comunismo o mesmo nome agora mudado em "Zonas Livres de Transgénicos" . Como com o ZLAN, que gostava imenso destas estatísticas (mais "estética"), parece que em Portugal, 27 municípios, 1 freguesia e 1 região já se declararam Zona Livre de Transgénicos. Espero que também isto não inclua qualquer pagamento, quota ou assinatura, para além dos gastos em papel e cartazes e propaganda absurda. Assim vamos nós cantando e rindo.

*
Toda a discussão em torno dos "verdeufémios" teve, pelo menos, uma vantagem: Ficámos a saber que há certos crimes (baptizados com o patusco nome de "semi-públicos") que só têm consequências para quem os pratica se forem objecto de queixa das suas vítimas. É estranho, parece injusto (nomeadamente porque o receio de represálias pode ser determinante), mas é mesmo assim - e foi a percepção, agora, dessa realidade que me fez entender o que se passou comigo há um par de anos:

Foi quando me apercebi que era possível que, à vista de toda a gente, jovens assaltassem quiosques dos CTT, cabines telefónicas e parquímetros impunemente - cenas essas a que assisti por cinco vezes (nos Restauradores e nas Avenidas Novas, em Lisboa) e em plena hora-de-ponta, duas das quais mesmo nas barbas de agentes da PSP e da Polícia Municipal!

Revoltado e intrigado pela inacção destes, resolvi, a certa altura, abordar um - que me pareceu mais pachola - e perguntar-lhe a razão de tanta passividade. E o homem, com o ar fatigado de quem já disse a mesma coisa mil vezes, explicou-me: O mais que podiam fazer era abordar os larápios e identificá-los - eventualmente na esquadra, se houvesse possibilidade de os levar até lá. Em seguida, e como as empresas lesadas não apresentavam queixa, os jovens apenas tinham, como punição, um curto intervalo forçado na sua actividade - que decerto aproveitavam para um bem merecido repouso...

Na altura, ficou tudo dito. Agora, ficou tudo percebido.

(C. Medina Ribeiro)

*

As ZLT não são algo tão "folclórico" com as ZLAN - a legislação consagra mesmo a figura da "zona livre de transgénicos", np artº 13º do Decreto-Lei nº Decreto-Lei nº 160/2005.

(Miguel)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Uvas na Casa de Mateus. (António Ruivo )



Venda de cebolas em Resende.

(Gil Regueiro)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 12



Na frenética actividade de apagamento de páginas, os "verdeufémios" / "gaias" estão a tentar fazer desaparecer esta amável imagem intitulada "pontapeogm" da Rede e que funcionou como logotipo da "ceifa". (A página da GAIA está indisponível nesta altura.) Em consequência as ligações que estavam no Abrupto ficaram quebradas, mas como já estava à espera que isto acontecesse, há cópia. Este tipo de apagamentos (desde o da página do IPJ aos da página pessoal do porta-voz) são inúteis porque a Rede não é humana e não esquece. Acabam por ficar pior mudando do que deixando tudo na mesma.

*
Eu pensava que atitudes como as destes verdeufémios já eram de um extremismo preocupante, mas, como em tudo na vida, há sempre espaço para mais... Este movimento, embora restrito, tem alguns seguidores aqui no Canadá. Foi através de uma palestra pública dada na universidade onde lecciono, que fiquei a conhecer, com assombro, esta ideia. Na altura nem me descansou o facto de saber que o movimento seja reduzido. Que fazer se alguém passar da extinção voluntária a forçada? Basta um punhado de extremis É o cúmulo do "complexo de culpa humano".

Nuno Miguel Coelho (tripeiro e ribeirense a viver em Ottawa)

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EARLY MORNING BLOGS
1091 - Le Censeur

On me disait : il est temps d' être sage ;
au pinde aussi l' on change de drapeaux.
Tentez la gloire, et, dans un grand ouvrage,
pour le théâtre abdiquez les pipeaux.
De mes refrains j' ai repoussé le livre ;
mais, quand j' invoque et Thalie et sa soeur,
leur voix me crie : ah ! Que Dieu nous délivre,
nous délivre au moins du censeur.
La liberté, nourrice du génie,
voit les beaux-arts pleurant sur son cercueil :
qui va d' un joug subir l' ignominie
a de son vers d' avance éteint l' orgueil.
Réponds, Corneille, oserais-tu revivre ?
Et toi, Molière, admirable penseur ?
Non, dites-vous ; ou que Dieu vous délivre,
vous délivre au moins du censeur.

Tu veux encor ravir le feu céleste,
jeune homme épris des lauriers les plus beaux,
quand la censure, à son rocher funeste,
de ton génie a promis les lambeaux !
D' affreux vautours, que leur pâture enivre,
vont mutiler le noble ravisseur.
Fils de Japet, ah ! Que Dieu te délivre,
te délivre au moins du censeur.
Avec Thalie, en satires féconde,
peignons nos grands, leurs valets, leurs rimeurs,
les vils ressorts qui font mouvoir le monde,
et la cour même envenimant nos moeurs.
Délateur, tremble ! En scène il faut me suivre.
Jeffrys en vain t' a pris pour assesseur.
Quoi ! Tu souris ! ... ah ! Que Dieu nous délivre,
nous délivre au moins du censeur.
De Louis Onze évoquons les victimes ;
que, dévoré d' un sanguinaire ennui,
ce roi bigot, pour se soûler de crimes,
mette sa vierge entre le diable et lui.

Mais, tout sanglants, nos Tristans vont poursuivre
ce voeu formé contre un lâche oppresseur.
Morts ! Taisez-vous ! Ou que Dieu nous délivre,
je laisse donc Thalie et Melpomène
pour la chanson, libre en dépit des rois.
Sans le régir j' agrandis son domaine ;
d' autres un jour lui traceront des lois.
Qu' en république on puisse y toujours vivre :
c' est un état qui n' est pas sans douceur.
Pauvres français, ah ! Que Dieu vous délivre,
vous délivre au moins du censeur.

(Pierre-Jean de Béranger)

*

Bom dia!

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21.8.07


A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR



(Brueghel)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 11


"Double standards"
Os comentadores da área do PSD que fazem tanto alarido contra o Governo por causa da destruição de um campo de milho por uns "ecomilitantes" radicais -- como se operação tivesse sido ordenada ou capitaneada pelo próprio Primeiro-Ministro em pessoa -- estarão disponíveis para gastar 1/10 da sua ira para verberar a flagrante violação da lei de financiamento dos partidos por parte... do PSD (ver post anterior)?
[Publicado por vital moreira] 21.8.07
Vital Moreira publicou esta nota no Causa Nossa e não vejo outro destinatário que não seja eu. Enganou-se completamente no alvo e deu lições a quem não as recebe. Não conheço qulquer "comentador da área do PS" que alguma vez tenha escrito o que nos últimos dez anos tenho publicado sobre os problemas de financiamento, clientelismo, corrupção nos partidos políticos, dando exemplos do próprio PSD. Não precisa de ir mais longe do que os arquivos do Abrupto.

Pelo contrário, não conheço nada de parecido no PS, no PCP ou no BE. Gostava que Vital Moreira me desse um único exemplo de um artigo, um comentário, seja lá o que for, concreto, duro e sem rodriguinhos que se possa comparar com o que escrevi sobre o PSD, e certamente não faltaram oportunidades. E não faltaram oportunidades, algumas bem recentes como as suscitadas pelos financiamentos brasileiros do PS e as críticas do Tribunal Constitucional a todos os partidos sobre as últimas contas apresentadas. E já agora, o PS, como o PSD, o PP e o PCP foram todos criticados. O problema dos financiamentos partidários é estrutural do nosso sistema político e, como tal, não serve para atacar o partido A ou o partido B.

Por isso, não devia entrar no fácil mecanismo de desvalorizar os adversários com "double standards", que não se lhe aplicam. Aliás, o que é preocupante, mas Vital Moreira não o vê, é a estranha coincidência de aparecimento de notícias contra o PSD e Marques Mendes sempre que o PS está em dificuldades. Existe um padrão fácil de identificar nos últimos anos. O PS e o Governo podem achar o PSD e Marques Mendes uma oposição frágil e ridicularizarem-na, mas não brincam em serviço. É uma técnica conhecida de contra-informação e o seu uso deveria preocupar qualquer democrata. Aliás, esta crise dos transgénicos, que tenho seguido com alguma atenção, revela muito bem o modo como o Governo actua na comunicação. Quase que se pode prever ao milímetro o que vai fazer e ver as armas pesadas que usa. Os mecanismos profissionais de manipulação de opinião que utiliza diminuem a qualidade da democracia.

Vital Moreira, se está preocupado com os financiamentos dos partidos políticos e se quer ver tudo esclarecido como eu quero, dedique um pouco mais de atenção ao PS onde há muita falta de debate destas coisas.

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A VER SE APRENDEM: O QUE É CEIFAR



(Emile Bernard)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 10



(Mais novos comentários em baixo.)

Como aconteceu com o ciclo da história do diploma de Sócrates, hoje é o dia de tentar matar a questão incómoda da destruição do campo de Silves. Estas coisas tem ciclos comunicacionais e é possível manipula-los com uma gestão adequada dos silêncios, sussurros e falas, assim como com distracções úteis. A "central de comunicação" sabe muito bem como isto se faz. Nunca se esqueçam que são profissionais e tem muitos meios à sua disposição.

Mais novidades na frente jurídica, aqui.

Uma análise do nome Verde Eufémia no Kontratempos.

Razão tem o Portugal dos Pequeninos.

*
Boa noite. Mais uma vez o costume. Desista. Francisco Alves é agora Gualter Baptista. O Teatro Plástico é agora o Verde Eufémia. O caso é de lamentar e igual ao do Rivoli. O relativismo moral em ser-se de equerda continua a fazer escola e a dar frutos. Outros casos houve e as pessoas já se esqueceram. Houve alguma condenação aos 13 ocupantes do Rivoli? Pois...
(Filipe Figueiredo)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 9



Esta velha questão volta sempre, mas volta porque tem implícita um problema que é uma incomodidade para muitos: se a manifestação de Silves fosse de skinheads ou do PNR, contra uma herdade que tinha trabalhadores indocumentados do Magrebe, a GNR colocaria dois guardas a vigiá-la ou haveria um aparato bélico por tudo quanto era campo? E não haveria prisões e barrreiras policiais? E preciosismos jurídicos para explicar por que não houve detenções? E não teriamos já tido o PM com declarações veementes sobre a ordem pública e os energúmenos nazis?

Todos sabemos a resposta.

*
Sobre esta questão do milho transgénico e dos verdes-eufémios muito se tem dito mas pouco se tem visto o problema na sua verdadeira dimensão. A mim parece-me claro que o verdadeiro culpado de tudo é o Sr. Agricultor (Sr. A - chamo-o assim uma vez que não sei o verdadeiro nome) que teima em trabalhar para ganhar a vida.

Ainda por cima numa actividade que, sabemo-lo todos, é trabalho-intensiva, de sol a sol e de alto risco pois além dos verdes-eufémios deste mundo, ainda pode contar com secas, inundações, ventos desmesurados, fogos postos ou de geração espontânea, pragas de gafanhotos ou outros coleópteros maléficos, taxas e impostos inesperados e inopinados e outras calamidades que me abstenho de mencionar.

Tivesse o Sr. A a esperteza de se ter inscrito atempadamente num partido político daqueles que, hoje ou amanhã, governam o país, no caso actual no PS, e não teria estes dissabores. Em primeiro lugar os eufémios, verdes ou de qualquer outra cor, quiçá vermelhos, teriam sido oportunamente aconselhados a não se meterem com o Sr. A preferindo um Sr. B qualquer, politicamente inócuo.

Em segundo lugar provar-se-ia que o milho do Sr. A, transgénico que possa ser, é total e absolutamente inocente de qualquer tentativa de prejudicar os ambientes ou a saúde das populações indefesas.

E, last but not least, ao Sr. A jamais lhe passaria pela cabeça a tonta ideia de se dedicar à agricultura de forma activa para ganhar o sustento dos seus. Para tal, uma qualquer sinecura ser-lhe-ia garantida, quiçá mesmo no Min. da Agricultura, onde o Sr. A poderia dar a sua contribuição à Pátria e o seu conselho a quantos pudessem pensar em cultivar qualquer coisa que não fosse do agrado dos eufémios deste país, conselho esse que adivinho sábio e cauteloso.

A gente pagaria com o prazer com que sempre pagamos.

Fez por isso muito bem a GNR em não ter intervido para acalmar os rapazes da Eufémia organização, que é para o Sr. A aprender e não ter a mania de se meter em cavalarias altas e andar a dar maus exemplos às gerações vindouras, com esta mania de trabalhar. Ainda por cima na agricultura!!!

A bem da Nação.

(JM)

*

Ver e ouvir o Dr. Louçã em reacção às afirmações do ministro da agricultura sobre uma eventual conexão existente entre o BE e o terrorismo (não foi empregue o uso da violência contra a ordem estabelecida, pese embora não salvaguarda por quem de direito- a GNR - e em claro desrespeito pela justiça, segurança e liberdade de um indivíduo e de todo um Estado de direito?!) praticado pelos "verdeufémios" constitui, para não inovar, um autêntico elixir à capacidade de indignação do cidadão comum.
Por mero exercício mental, e depois de ouvir o Dr. Louçã, em uma das suas melhores performances de pregador da boa nova, decidi espreitar o blogue de um assessor do BE (o mesmo que publicitou as alterações aos conteúdos da Wikipedia sobre o perfil do PM a partir de um computador do CEGER) para saber como pairam as modas na blogosfera da esquerda do BE (sim, porque há varias esquerdas neste pequeno país), e em especial, a moda do movimento dos "verdeufémios". Et voilá !! O blogue «zerodeconduta» desvaloriza o acto terrorista dos "verdeufémios" alegando que o vandalismo e o desrespeito pela lei moram nas instituições e nos grupos económicos! Como é possível?!

Todos sabemos que o "pecado mora ao lado" e temos o dever cívico de o propalar mas estamos moral e civicamente impedidos de olhar, sem ver, que nem obstinados de uma seita, apenas para um dos lados (à direita ou à esquerda, consoante a escolha do "freguês") do nosso circuito.

Da minha parte, fico inquieta. Porquê?? Porque sou da idade dos "verdeufémios".

(Bárbara Rosa)

*

Todos sabemos a resposta.

Tem razão, provavelmente sim.
Mas convenhamos que é um bocadinho diferente ameaçar fisicamente pessoas, incitar à violência racial (já morreu um cabo-verdiano em Lisboa, lembra-se?) de destruir uns pés de milho. Acho um pouco forçada esta comparação ainda que partilhe de todos os seus argumentos para condenar esta palhaçada

(JGR)

*

Serão os alimentos geneticamente modificados prejudiciais para a saúde humana?
Não sei, não sou especialista na matéria e desconfio que grande parte das pessoas que por aí anda a gritar e a ceifar e a comentar também não.

Então em quem devemos confiar?
Em princípio, nas instituições estatais que devem explicar muito bem se estes alimentos são ou não prejudiciais à saúde humana e porquê. E não vale dizer que é um tema polémico e que os cientistas ainda não provaram nem uma coisa nem outra.

O que devia fazer o primeiro-ministro?
Devia primeiro perguntar aos seus ministros da agricultura e da saúde se este tipo de produção alimentar é ou não prejudicial para a saúde humana mas também deve perguntar ao seu ministro da administração interna qual a razão da inércia da GNR. E depois, perante o país, explicar tudo muito bem explicadinho. Inclusivé se o Estado anda a financiar ou não, directa ou indirectamente, esta gente.

Os "verdeufémia" serão aqui os heróis, os justiceiros?
Não, não são. São um bando de maníacos que acredita que vai mesmo salvar o mundo. E levam isto tão a sério que até acham que se pode tornar num modo de vida, uma espécie de novas cruzadas contra o mal.

Se fosse uma acção do PNR seria diferente?
Claro que sim. É óbvio que sim. Comparem as reacções ao cartaz do PNR no Marquês de Pombal e as reacções ao sucedido.

Mas então ao que andam estes "verdeufémia"?
Muito honestamente, julgo que as intenções nem são assim tão más. O problema é que esta gente sofre do síndrome do Robin Wood, acha que ainda vivemos na Idade Média e que as coisas se resolvem à pedrada. Sim, vivem uma utopia, a utopia do deus bom e do deus pastor que nos desvia daquilo que eles consideram ser o mal. Sim, são uma seita. E acham-se modernos. E, pior, acham que têm razão.

O que sai deste episódio?
Pelo menos uma pergunta: em que tipo de sociedade nos estamos a transformar? Sociólogos, psicólogos, antropólogos, biólogos, médicos, filósofos, por favor, ajudem-nos a compreender o que nos está a acontecer.

(Ricardo S. Reis dos Santos )

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 8



Perguntas que estão por responder:

- foi a manifestação dos "verdeufémios" autorizada? Isso significa que responsáveis, objectivos e trajecto foram comunicados às autoridades que depois procedem à autorização, nomeadamente o Governo Civil. Quem pediu a autorização? Se o Movimento Verde Eufémia não tem existência jurídica, quem foi? É importante saber que trajecto foi indicado para se saber se ele acabava no campo de milho ou não. É também importante saber se a manifestação foi autorizada, porque nesse caso a força pública deve acompanhá-la durante todo o trajecto e não vir-se embora como aparentemente aconteceu.

- se a manifestação foi ilegal porque não foi impedida? Refira-se que em casos recentes de manifestações a propósito do encerramento dos Centros de Saúde houve intervenção policial, com os manifestantes a serem filmados não se sabe bem por quem e os filmes a ir parar onde não deviam (a DREN, por exemplo). Critérios...

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 7



Ouvindo o MAI ontem na SICN pareceu-me que ele estava a usar um preciosismo jurídico para justificar não ter havido detenções. Sempre que era perguntado por Mário Crespo como era possível fazer aquilo e não haver detenções ele respondia "para uma detenção se manter..." o que não era o que lhe fora perguntado. Os leitores do Abrupto juristas são claros em explicar o "jogo de palavras" do MAI:
Com a ressalva de que não sou um criminalista (à excepção de algumas incursões a que a profissão por vezes obriga) passo a apresentar o meu humilde contributo com base na leitura que faço da lei:

Efectivamente, o jogo de palavras do MAI no que respeita à detenção não parece inocente.

Senão, vejamos:

A) Sem grande rigor científico, podemos apontar a seguinte divisão de crimes:

Crimes públicos: Não carecem da apresentação de queixa. Esquematicamente: as autoridades tomam, por qualquer merio, conhecimento do crime, investigam e deduzem acusação contra o arguido.

Crimes semi-públicos: É preciso que a pessoa com legitimidade para o efeito (ofendido) se queixe para que o processo crime tenha início. Esquematicamente: o ofendido queixa-se, as autoridades investigam e deduzem acusação contra o arguido.

Crimes dependentes de acusação particular: É necessário que o ofendido apresente queixa e, depois, se constitua assistente no processo penal e deduza acusação particular. Esquematicamente: o ofendido queixa-se, as autoridades investigam e é o ofendido que vem deduzir acusação.

B) Aceitemos, por ora, a qualificação atribuída ao crime pelo MAI, que se refere à figura do "crime de dano". Vem o mesmo previsto no artigo 212º do Código Penal:
"1 - Quem destruir, no todo ou em parte, danificar, desfigurar ou tornar não utilizável coisa alheia, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
2 - A tentativa é punível.
3 - O procedimento criminal depende de queixa"

C) Estamos, assim, perante um crime punível com pena de prisão e cujo procedimento depende de queixa.

D) Passemos agora ao Código de Processo Penal que nos diz, no seu artigo artigo 255.º, em que casos pode haver detenção em flagrante delito por crime punível com pena de prisão.

"1 - Em caso de flagrante delito, por crime punível com pena de prisão:
a) Qualquer autoridade judiciária ou entidade policial procede à detenção;
b) Qualquer pessoa pode proceder à detenção, se uma das entidades referidas na alínea anterior não estiver presente nem puder ser chamada em tempo útil.
2 - No caso previsto na alínea b) do número anterior, a pessoa que tiver procedido à detenção entrega imediatamente o detido a uma das entidades referidas na alínea a), a qual redige auto sumário da entrega e procede de acordo com o estabelecido no artigo 259.º
3 - Tratando-se de crime cujo procedimento dependa de queixa, a detenção só se mantém quando, em acto a ela seguido, o titular do direito respectivo o exercer. Neste caso, a autoridade judiciária ou a entidade policial levantam ou mandam levantar auto em que a queixa fique registada.
4 - Tratando-se de crime cujo procedimento dependa de acusação particular, não há lugar a detenção em flagrante delito, mas apenas à identificação do infractor."

E) Não nos suscita grandes dúvidas que no caso dos eufémios estivemos perante uma situação de flagrante delito, definida no nº 1 do artigo 256º do Código de Processo Penal como " todo o crime que se está cometendo ou se acabou de cometer"...

F) Em suma: Independentemente da qualificação do crime como público ou semi-público (a qual é, para este efeito, totalmente irrelevante!), parece-nos que a GNR deveria ter procedido à detenção de eufémicos, a qual só não se manteria se o agricultor não viesse a exercer, em acto a ela seguido, o seu direito de queixa. Mais: até qualquer pessoa poderia, tal como o prevê a lei ter procedido à detenção no caso vertente.

Não é correcta, assim, a apreciação do MAI. Até se dirá que é irresponsável que o próprio Ministro da Administração Interna lance para a comunidade (contra o que diz a lei) a ideia de que existe uma espécie de carta branca para livremente se praticarem crimes semi-públicos perante o olhar impotente de autoridades. E depois, quem quiser que se queixe!

(Pedro Oliveira)

*

Ainda quanto à questão da detenção ou não dos “verdeufémios” e da natureza (pública ou semi pública) dos crimes praticados (e portanto da necessidade de queixa ou não), a mim, que não sou especialista, parece-me que para além da violação da propriedade privada e destruição de bens privados (crimes cujo procedimento criminal depende de queixa), estaremos adicionalmente perante outro tipo de crime: Trata-se de uma perturbação violenta e não autorizada da paz pública, tendo sido colectivamente cometidas violências contra a propriedade. Por outro lado, ainda que seja apenas um “movimento”, sem personalidade jurídica e com uma incipiente base institucional, poderá colocar-se a hipótese de estarmos perante uma associação criminosa.

Em qualquer dos casos, o procedimento criminal não depende de queixa. Logo, também por esta razão, não seria válida aqui a explicação do Ministro para a não detenção.

Vejam-se as definições legais (Código Penal):


“Artigo 302º
Participação em motim

1 – Quem tomar parte em motim durante o qual forem cometidas colectivamente violências contra pessoas ou contra a propriedade é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.

2 – Se o agente tiver provocado ou dirigido o motim, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.

3 – O agente não é punido se se tiver retirado do motim por ordem ou admoestação da autoridade sem ter cometido ou provocado violência.


Artigo 299º
Associação criminosa

1 – Quem promover ou fundar grupo, organização ou associação cuja finalidade ou actividade seja dirigida à prática de crimes é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos.

2 – Na mesma pena incorre quem fizer parte de tais grupos, organizações ou associações ou quem os apoiar, nomeadamente fornecendo armas, munições, instrumentos de crime, guarda ou locais para as reuniões, ou qualquer auxílio para que se recrutem novos elementos.

3 – Quem chefiar ou dirigir os grupos, organizações ou associações referidos nos números anteriores é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.”

E já agora, quanto aos que apoiam a prática de crimes:

“Artigo 298º
Apologia pública de um crime

1 – Quem, em reunião pública, através de meio de comunicação social, por divulgação de escrito ou outro meio de reprodução técnica, recompensar ou louvar outra pessoa por ter praticado um crime, de forma adequada a criar perigo da prática de outro crime da mesma espécie, é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 60 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.”

(R)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 6



Foi da Ecotopia que saiu o grupo que destruiu o milho da herdade de Silves. Isto é incontroverso. Podem chamar-se hoje Verde Eufémia, ontem outra coisa, amanhã outra, mas a organização da manifestação, a sua logística e preparação foi feita no acampamento. Era aliás um segredo de Polichinelo, visto que o seu anúncio faz parte de uma página do GAIA entretanto apagada (a prática de apagar páginas na Rede generalizou-se nestes últimos dias):

DIA DE ACÇÃO CONTRA OS TRANSGÉNICOS - 17 Agosto - NÃO À COEXISTÊNCIA, SIM À RESISTÊNCIA!

17 de Agosto tem lugar um dia de acção contra os transgénicos, no âmbito do Ecotopia, um dos maiores encontros de activismo pelo ambiente da Europa. Este ano, o Ecotopia decorre em Portugal, em Aljezur, entre 4 e 19 de Agosto e que reunirá centenas de activistas de dezenas de países. Este dia de acção contará com acções descentralizadas, directas e criativas, pelo que desde já são convidad@s a pensar a vossa própria acção ou a juntar-se com outr@s activistas durante o Ecotopia para formar grupos de afinidade. No dia anterior, 16 de Agosto terão lugar workshops de formação sobre o tema dos transgénicos e de preparação para as acções."
O GAIA era o grupo organizador da Ecotopia e apoiou a acção. Está escrito e registado aqui :

"O GAIA apoia a acção do Movimento Verde Eufemia, por considerar o uso de desobediência civil e acção directa não violenta uma estratégia válida na luta pelos direitos sociais e ambientais da população. "

O problema é pois com o GAIA, que o Governo ontem pretendia associar à Faculdade de Ciência e Tecnologia numa clara táctica de confusão ( a Presidente do IPJ escrevia:
"vai esperar para ver se a Faculdade de Ciências e Tecnologia retira o apoio à associação e só aí repensará o patrocínio", o que significa que existia ou iria existir um patrocínio; o MAI disse erradamente que o acampamento era de responsabilidade da Faculdade de Ciência e Tecnologia). Ora é o próprio GAIA que diz ter cortado os laços com a universidade visto que "o facto de se tornar independente permitiu uma participação activa nos temas das Alterações Climáticas e Globalização a um nível “grassroot” e com um nível de crítica social que raramente se encontra noutras Organizações Não Governamentais de Ambiente."

A natureza política das actividades do GAIA está espelhada em todas as informações do seu local na Rede, mas, mesmo assim, recebeu subsídios nos últimos onze anos sem que ninguém inquirisse sobre o carácter das suas actividades que inclui o habitual roteiro altermundialista de protestos, financiado pelo Orçamento de Estado português.

Ora, onde está o engano deliberado do Governo através do IPJ (como se vê na notícia do Público) é na frase de que a presidente do IPJ, Helena Alves, afirma que " nenhuma iniciativa desta associação foi financiada ou promovida pelo IPJ em 2007, designadamente o encontro denominado Ecotopia." Esqueceu-se de dizer foi que tal só se passou porque os subsídios este ano estavam atrasados, como o próprio GAIA o admite:
"IPJ não forneceu qualquer apoio ao GAIA, ou a qualquer outra associação juvenil, apesar de ter vindo a fazê-lo em anos anteriores e com resultados que o GAIA considera muito positivos. Isso prende-se com o facto de os prazos de candidaturas se terem atrasado de forma absolutamente inadmissível, o que é revelador da falta de atenção dada às iniciativas e à participação activa dos jovens por parte das entidades competentes."
Por isso, a mera publicação do desmentido do IPJ sem os elementos que o colocam no contexto e sem os esclarecimentos que faltam (por exemplo: já teria sido o GAIA subsidiado este ano se não fosse o atraso? É o que dá a entender a presidente do IPJ quando diz
"ir esperar para ver se a Faculdade de Ciências e Tecnologia retira o apoio à associação e só aí repensará o patrocínio".) é bastante insuficiente como trabalho jornalístico. Tudo isto já era conhecido ontem. Assim a "central de comunicações " do Governo ganha.

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 5



Ontem escrevi que temia que em vez de esclarecimentos precisos o Governo fornecesse "informações" exclusivas sopradas aos jornais, para (...) obter alguns efeitos de acalmia e distracção. " Aconteceu. Os "comunicadores" do Governo são profissionais sabem como se fazem estas coisas. Vamos ver alguns casos.

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EARLY MORNING BLOGS
1091 - Un Fou et un Sage

Certain Fou poursuivait à coups de pierre un Sage.
Le Sage se retourne et lui dit : Mon ami,
C'est fort bien fait à toi ; reçois cet écu-ci :
Tu fatigues assez pour gagner davantage.
Toute peine, dit-on, est digne de loyer.
Vois cet homme qui passe ; il a de quoi payer.
Adresse-lui tes dons, ils auront leur salaire.
Amorcé par le gain, notre Fou s'en va faire
Même insulte à l'autre Bourgeois.
On ne le paya pas en argent cette fois.
Maint estafier accourt ; on vous happe notre homme,
On vous l'échine, on vous l'assomme.
Auprès des Rois il est de pareils fous :
A vos dépens ils font rire le Maître.
Pour réprimer leur babil, irez-vous
Les maltraiter ? Vous n'êtes pas peut-être
Assez puissant. Il faut les engager
A s'adresser à qui peut se venger

(La Fontaine)

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Barcos junto ao Tejo, em Alcochete. De noite. (António Cabral )



Barcos junto ao Tejo, em Alcochete. Ao anoitecer. (António Cabral )





Bar/ discoteca (Mythos) de Tulln (Áustria), pequena cidade na margem do Danúbio, a 34Km de Viena. (MC)



Serra da Aboboreira, em Amarante, final de tarde. (Helder Barros)



Bienal Internacional das Artes de Vila Nova de Cerveira. (Ôchoa)



Feira do Livro.



O elefante já não toca o sino no Zoo de Lisboa. (Mónica Granja)



Praia da Gralha. (RM)

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 4



O Ministro da Agricultura referiu que o Governo iria publicar um comunicado esclarecendo o seu papel no apoio à Ecotopia, e, presume-se que ao GAIA, que a organizou. Chegou ao fim o dia e nada. Espero que um comunicado, que facilita o contraditório, não seja substituído por "informações" exclusivas sopradas aos jornais, para que o Governo possa obter alguns efeitos de acalmia e distracção. É que o modo como falam da
Faculdade de Ciência e Tecnologia, como responsável pelo acampamento, já me parece fazer parte de uma operação de desinformação em curso. E este Governo é useiro e vezeiro nestas técnicas de comunicação e já se percebeu que deu importância ao assunto.

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Segundo o MAI tratou-se de "ecoterrorismo soft". Se o pobre do agricultor, que teve um problema cardíaco depois da destruição, tivesse morrido (salvo seja!) passava a "ecoterrorismo hard"?

Já alguém se perguntou se o agricultor que estava num estado emotivo (e doente) logo a seguir à destruição, pura e simplesmente não apresentou queixa (o frágil alibi para não ter havido detenções) , por puro receio da sua integridade, face a uma GNR que parecia impotente e indiferente?

E já agora, a que horas é que tudo isto aconteceu? Vai ser interessante a cronologia.

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20.8.07


A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 2


O porta-voz que afinal não é do movimento de que é porta-voz e que esteve mas não esteve na destruição do milho mudou na sua página a entrada Who I'd Like To Meet do Hi5 de "Activistas para partir esta merda toda como deve ser! " para "Jornalistas medíocres que gostam de cuscovilhar as minhas brincadeiras com amigos do Hi5 para tentarem dar uma má imagem ao porta-voz de um movimento pacífico de desobediência civil..."

O porta-voz apagou também uma interessante foto em que aparecia vestido de palhaço numa acção contra os McDonalds.

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A DEMOCRACIA, A LIBERDADE, A ORDEM PÚBLICA, A INTELIGÊNCIA, O GOVERNO E OS "VERDEUFÉMIOS" 1



Foi penoso ver o MAI na SICN, mas o que disse mostra à evidência que o que aconteceu em Silves está longe de ser esclarecido. Em duas coisas, entre muitas, o MAI ou não sabe ou enganou-nos.

Uma é muito simples: a Ecotopia não é uma iniciativa da Faculdade de Ciência e Tecnologia, e espero que a universidade não se coíba de o esclarecer. Já é a segunda vez hoje que um responsável governativo quer deitar-nos poeira nos olhos com esta falsa informação. Percebe-se bem que o Governo queira esconder o seu papel no financiamento do GAIA (na sequência dos governos anteriores), agora que a coisa correu mal. O Ministro da Agricultura anunciou um comunicado sobre isto, mas deve ser tão difícil de fazer, que ainda não viu a luz do dia. Na verdade, o que importa saber não é se o GAIA ainda não receeu este ano (porque todos os subsídios estão atrasados), mas se o que aconteceu nos últimos onze anos tinha mudado e este ano não iria haver subsídio ao GAIA e porquê.

Segundo, é o mais grave e o mais complicado: as explicações do MAI sobre o comportamento da GNR são contraditórias, confusas e desresponsabilizadoras. Porque, por muita volta que se dê, houve uma violação da ordem pública na presença da GNR. E se foi na sua ausência, então ainda pior. O que o MAI diz é que a GNR acompanhou a manifestação (era legal a manifestação? Não sabemos), e isso vê-se nos filmes da televisão. Vê-se os manifestantes em fila enquadrados pela GNR. Depois de chegarem ao terreno, pelos vistos, a GNR foi-se embora e não viu nada. Só regressou dez minutos depois de ser chamada pelo agricultor, já a plantação estava destruída. Parece absurdo? É absurdo. E ainda mais absurdo é querer-nos convencer que isto foi normal.

*

O que se soube na entrevista do MAI: apenas seis pessoas foram identificadas.

*

Fiquei a saber que posso ir para a rua embuçado riscar carros, furar pneus e partir vidros, que não sou preso porque é um "crime semi-público" e precisa de queixa do lesado. Parece-me que há aqui alguma coisa que não encaixa e apelo aos leitores que são juristas que me expliquem por que razão não pode haver detenções. É que me pareceu haver uma habilidade do MAI que , quando perguntado sobre por que razão não havia detenções, respondia sempre "para uma detenção se manter era preciso haver queixa..." Ora uma coisa é haver detenções e outras é "manterem-se".

*
Tudo isto se resume a um tema a que o José Pacheco Pereira se tem referido vezes sem conta: Uma completa dissociação de realidades entre o jovem pós-urbano e o mundo rural, não menos jovem, mas com a vida bem talhada no rosto já aos 30 anos. Esta diferença entre a 'província' e a 'cidade alternativa' vai-se agudizando, e pode assumir proporções bem mais sérias, com fracturas reais e profundas no país, a uma grande distancia das pseudo causas fracturantes que o povo atura e de certo modo respeita.

É que a agricultura é muito bonita quando vista de um gabinete da faculdade, mas é feita no dia-a-dia, lavrando desde o nascer ao pôr-do-sol. O povo pode parecer inculto, mas sabe bem o que custa cultivar. E parece-me que mais do que tentar ensinar os agricultores a cultivar, os jovens alternativos deviam cultivar neles próprios conceitos como respeito pelo próximo, humildade e ecologia humana.

Este acto pode marcar uma viragem em atitudes. Como se diz no outro mundo, longe dos gabinetes, no mundo equidistante de Davos e Porto Alegre, o zé povinho farta-se. A panela enche até rebentar. Se de facto, como diz a Verde Eufémia, os agricultores não querem perceber os malefícios dos transgénicos, parece-me que nenhuma destas cultas personagens quer perceber que as culturas que levam meses a estarem completas são destruídas num dia com vendavais, secas, e pestes. E pelos vistos, com desobediência civil. Só quem nunca viu o desespero de um agricultor a perder as suas colheitas, é que não pode compreender o mundo rural. E se para evitar vendavais, secas e pestes os transgénicos podem ser uma solução, podem ter a certeza que da próxima vez que os jovens tentarem destruir uma plantação, os agricultores também terão uma solução...

É que lá diz o povo inculto: "quem provoca, leva". E pelos vistos, tem razão... mais uma vez teve a prova de que não é a gnr que o vai defender.

(Daniel Rodrigues, em Genève)

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ÁTOMOS E BITS

de 20 de Agosto de 2007

(Mais novos comentários em baixo.)

Poeira para os olhos, tomar-nos por parvos, chamar-nos imbecis, tentar enganar-nos, lançar a confusão, jogar com as palavras, doubletalk orwelliano, fugir às responsabilidades, tudo isto nestas declarações dos "verdeufémios" (sublinhados meus):

A destruição (...) teve o objectivo de “evitar um mal maior”disse (...) Gualter Baptista, porta-voz indicado mas que não faz parte do movimento nem participou na acção, explicou (...) que no protesto participaram entre 130 e 140 cidadãos (...) numa estratégia de acção directa e desobediência civil.

“A acção consistiu na ceifa de menos de um hectare de milho" e (...) elogia a “forma adequada como a autoridade actuou à chegada ao local depois da ceifa e de se deparar com os activistas saindo do campo por sua própria iniciativa, embora atacados fisicamente pelos agricultores”.

O Verde Eufémia – que, nas palavras de Gualter Baptista, é um “movimento de cidadãos que não tem uma estrutura”.(..) “O movimento Verde Eufémia não é um movimento que se esconde, mas que está aberto à participação da sociedade”, garantiu Gualter Baptista."

Ou seja, quem usou da violência foram os agricultores, o porta-voz esteve lá mas não tem nada a ver com o que se passou, nem pertence ao Verde Eufémia, que por sua vez não existe, mas "não se esconde", e, cúmulo do ridículo, o que eles fizeram foi "ceifar". Alguém, por caridade, alguém lhes explica o que é "ceifar" e como não se costuma fazer trucidando o milho nem com as mãos, nem com os pés... Estou a ouvir o riso do Alentejo todo. Quanto às autoridades, estamos conversados, este elogio diz tudo.

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A Ecotopia por dentro no YouTube (informação de Rui Soares). Apenas 60 pessoas viram o video até agora, pelo que deve ser muito recente. Os videos sobre o Ecotopia Bike Tour são mais antigos e não se passam todos em Portugal, mas também servem para dar uma ideia..

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A célebre página governamental de apoio à Ecotopia foi apagada no servidor original. A versão que existia em cache (referida no Abrupto e que a SIC usou no noticiário de hoje) é mais moderada do que a original. O Google no entanto mantem o original em cache, pelo que, quem queira, a encontra aqui com o seu glorioso "Participa!". (Agradeço a José Carlos Santos a informação.)

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Considerando a resposta da senhora Presidente do IPJ, não se nota motivo para a remoção de uma página do site. Considerando a realidade e o que tudo aponta, concordo com o banimento da página a publicitar o Ecotopia, mas já me custa a entender que um organismo do estado apague uma página assim, sem qualquer explicação. Posso estar enganado, mas num meio que deixa rasto (e este é bem visível), o IPJ devia apagar o conteúdo e deixar a página com uma explicação standard, lacónica, ou o que quer que seja. E nos seus "termos de uso" não seria demais, apesar de ser óbvio, salientar que a divulgação de eventos se restringe aos cumpridores da lei. Assim, tudo indica que foram apanhados pelos acontecimentos e estão a tentar esconder a mão. Num qualquer site já ficaria mal, num site do Estado, é péssimo.

Não considero nada disto (do milho) surpreendente. Já aqui há uns tempos, num dos "campos de férias" do BE se ensinavam "técnicas de desobediência civil", vulgo arruaça, com ampla cobertura dos meios de comunicação social (a tal rede de simpatias). Para este ano, mais comedidos, anunciam técnicas de stencil , vulgo vandalização de propriedade pública e privada com pinturas que fazem parte da "estética" do movimento. O Bloco de Esquerda também é financiado pelo estado e promove activamente estas actividades fora da lei.

(José Rui Fernandes)
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Num fabuloso comunicado o GAIA "apoia a acção do Movimento Verde Eufemia, por considerar o uso de desobediência civil e acção directa não violenta uma estratégia válida na luta pelos direitos sociais e ambientais da população. " Nega que a Ecotopia possa ser responsabilizada pelos eventos, mas afirma que é "natural que alguns participantes na acção e no Movimento Verde Eufémia tenham participado no Ecotopia. "

Mas, o mais interessante, e tão confuso como o resto, é a afirmação de que, sendo subsidiada há 11 anos por
"entidades públicas", (o que quer dizer que Governos do PSD-PP e do PS alinham nestas brincadeiras), este ano o "IPJ não forneceu qualquer apoio ao GAIA, ou a qualquer outra associação juvenil, apesar de ter vindo a fazê-lo em anos anteriores e com resultados que o GAIA considera muito positivos. Isso prende-se com o facto de os prazos de candidaturas se terem atrasado de forma absolutamente inadmissível, o que é revelador da falta de atenção dada às iniciativas e à participação activa dos jovens por parte das entidades competentes."

Ou seja, ainda não recebeu à data de Agosto, mas vai receber. O resto é omissio veri e suggestio falsi.

Eu percebo muito bem o GAIA, quer desresponsabilizar os seus financiadores do IPJ (e mesmo assim não se percebe muito bem o que se passou), mas é omissa sobre se outro tipo de financiamentos públicos nacionais e internacionais existiu. Basta ver o local da GAIA na Rede para se perceber o grau de profissionalização da sua actividade. Nada está esclarecido, tudo mais confuso.

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Apesar do absurdo do comunicado do GAIA - tão absurdo quanto a posição de Miguel Portas, tentando fazer passar a destruição de um campo de milho como uma acção 'não violenta', como se tivessem ido para lá soltar pombas brancas em nome da ecologia -, a verdade é que só muito dificilmente esta organização poderá ter recebido apoio do IPJ neste ano. Com efeito, numa demonstração, também ela violenta, de ineficiência e de laxismo absoluto, o IPJ não iniciou ainda o cálculo e distribuição de subsídios em sede de PAJ (Programa de Apoio Juvenil) relativos a 2007, sendo que já estamos bastante para lá da primeira metade do ano.
(Artur Vieira)

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A Ecotopia só acabou ontem. Espero que algum jornal ou jornalista se tenha lembrado de lá ir. Eu sei que ontem foi domingo, mas trabalho é trabalho, oportunidade é oportunidade, e não ter aproveitado essa oportunidade jornalística para saber mais sobre os "verdeufémios", se não se usou, foi pura negligência.

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O Presidente da República não está satisfeito com o que se sabe dos eventos, e entende que é preciso que se "investigue a invasão e destruição da exploração de milho transgénico em Silves". O tom duro assumido e esta exigência só pode significar incomodidade face às explicações sobre o comportamento das autoridades, quer o IPJ, quer, em particular, a GNR que o Ministro veio de forma atabalhoada defender. É mais que óbvio que alguma coisa não correu bem na actuação das forças policiais, que não teriam dificuldade, se o desejassem, em impedir a destruição. Para além de que não se percebe por que razão não houve detenções e como é que foram feitas as identificações. Haveria instruções especiais para esta manifestação? Foi a manifestação convocada legalmente? Em que termos e por quem? Que papel teve o Governo Civil, a emanação local do PS? São questões que têm que ser respondidas.

Cito do Bloguítica: «A GNR, com os meios que tinha ao seu alcance, fez exactamente aquilo que deveria ter feito», referiu Rui Pereira (Lusa via DD, 20.8.2007). «[A GNR] cumpriu a sua missão com competência, pôs fim a um acto inadmissível de vandalização da propriedade privada, evitou que os manifestantes continuassem a destruir o campo de milho e obstou a que houvesse confrontos pessoais, com ofensas à integridade física».
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Isto parece o jogo do gato e do rato. «A GNR, com os meios que tinha ao seu alcance, fez exactamente aquilo que deveria ter feito». Admitamos que sim, mas então havia um problema óbvio com os «meios que tinha ao seu alcance». O que é que levou a que a GNR não tivesse os meios adequados? O que é que falhou?
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É claro que, em bom rigor, a GNR não «cumpriu a sua missão». A GNR foi incapaz de evitar a «vandalização da propriedade privada», apesar de saber antecipadamente
que ela iria ocorrer (Público, 18.8.2007)
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O Ministro da Agricultura vai visitar a herdade atacada pelos "verdeufémios". Acho bem e penso que deveria assumir responsabilidades pelos estragos para já, mesmo que depois se exigisse o seu pagamento aos "verdeufémios" em tribunal. Mas, convém que a tardia agitação governamental não esqueça o que ainda está em aberto e é também de sua responsabilidade: financiamentos governamentais aos grupos radicais, e comportamento da GNR.

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Já não falo do silêncio dos partidos, como o PCP, PP e o BE, habitualmente tão loquazes... O PS mais uma vez não existe.

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Estado da questão dos "verdeufémios":

- continua por esclarecer o papel do Governo no financiamento deste tipo de grupos. Sabemos que a página do vigoroso "Participa!" foi apagada no servidor do Governo mas ainda existe um traço aqui , como me informa Ricardo Nunes ( "a página da juventude já não existe essa página, mas o mais interessante é que quem a apagou do servidor não a apagou do cache de busca do servidor") . De qualquer modo o apagar da página é uma interessante admissão de culpa.

- O Diário de Notícias utilizando as informações e as questões do Abrupto (sem citar como é infelizmente habitual), avançou a matéria e interrogou sobre o apoio a Presidente do IPJ cuja resposta é particularmente omissa e confusa
"Helena Alves, garante que o IPJ apenas recebeu um pedido para a divulgação e que não deu apoio financeiro ao Ecotopia. "Limitámo-nos a publicitar o evento, recebemos um pedido através de uma instituição idónea, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa", porque é desta faculdade que parte o Gaia - Acção e Intervenção Ambiental, responsável português pela organização do Ecotopia.

No site do Gaia surge novamente o logotipo do IPJ e de outras instituições governamentais como o Instituto do Ambiente e o Programa de Apoio às Associações Juvenis (PAAJ). Mas questionada sobre se esta associação recebe dinheiros públicos, Helena Alves, diz não ter essa indicação. "Patrocinamos mais de 900 associações, mas penso que não", refere, acrescentando que o logotipo pode estar na página devido a patrocínios de anos anteriores."
[Esta resposta é inadmissível. A senhora Presidente é suposto saber quem financia e o argumento de suggestio falsi de que o faz a mais de "900 associações" - eis um número bem preocupante! - para dar a entender que é muito difícil verificar, é ridículo. Basta usar um computador minha senhora, e é suposto haver contabilidade e registos, não é?]

"A presidente do IPJ afirma que vai esperar para ver se a Faculdade de Ciências e Tecnologia retira o apoio à associação e só aí repensará o patrocínio. "É uma entidade idónea, serão eles os primeiros a intervir se for caso disso". Mas admite também retirar o evento do site do IPS se as autoridades identificarem uma relação causa-efeito entre o evento e a destruição de propriedade em Silves. "Até agora, não tenho nenhuma confirmação, mas terei de repensar se se confirmar que [o movimento] veio de lá, até porque estamos no site a aconselhar a iniciativa".
[Mais suggestio falsi: o GAIA não é uma instituição da Faculdade de Ciência e Tecnologia, como o próprio GAIA admite, para prosseguir objectivos "a um nível “grassroot” e com um nível de crítica social que raramente se encontra noutras Organizações Não Governamentais de Ambiente". A Faculdade, com o mesmo laxismo do IPJ, parece que lhe cede uma sala. Os objectivos do GAIA são explicitamente políticos, mas, como muitas instituições de carácter político radical, são subsidiadas com dinheiros públicos. Este embrião de história do GAIA é claro na mistura entre um enquadramento legal destinado a facilitar subsídios, e um activismo radical que é inaceitável que os portugueses subsidiem com os seus impostos:

"O GAIA foi fundado em 1996, como um núcleo universitário dedicado exclusivamente para assuntos ambientais. Após 3 anos de activismo, dentro e fora da Universidade, os seus membros tomaram consciência de que os assuntos que a associação defendia eram demasiado importantes para serem sujeitos às limitações de uma associação de estudantes. Em 2000, o GAIA registou-se como Associação Juvenil, legalmente independente da Universidade - que todavia apoia o GAIA, cedendo um gabinete no campus para a Sede Nacional. O facto de se tornar independente permitiu uma participação activa nos temas das Alterações Climáticas e Globalização a um nível “grassroot” e com um nível de crítica social que raramente se encontra noutras Organizações Não Governamentais de Ambiente.

Em 2001, o GAIA registou-se legalmente como ONG e iniciou o processo para se tornar ONG de Ambiente no Registo Nacional. Devido a mudanças de governo todos os processos foram interrompidos a nível institucional e só se registou oficialmente em 2004.

O GAIA é uma organização que foca as temáticas ambientais integrando questões sociais e politicas. Com uma forte base activista, utiliza frequentemente acções criativas de cariz directo e não violento como forma de sensibilizar e criar consciência das raizes sociais dos problemas ambientais. O GAIA investe muito do seu tempo e energias na integração e influênciando outros grupos sociais, o que faz do lobbying e cooperativismo, pontos importantes na sua agenda."

O crime de Silves deverá ter o tratamento judicial adequado, mas o que ficou a nu é a existência de uma série de organizações habilmente disfarçadas de ONGs e prosseguindo os temas do politicamente correcto nas margens do radicalismo político, subsidiadas pelo dinheiro dos contribuintes.

*

Já agora, alguém imagina a GNR a pedir os documentos a um automobilista (nacional ou estrangeiro) apanhado em transgressão e este a dizer "ó amigo não tenho papéis nenhuns" e esta a retribuir dizendo, "ora vá-se lá embora em paz, que somos todos civilizados"? Será interessante saber quantas pessoas foram identificadas realmente pela GNR na destruição do campo de milho e, no caso dos estrangeiros, onde é que eles estão...

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

Clicar nas fotos para aumentar.



Manhã numa praia deserta na Murtosa.

(José Carlos Santos)


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EARLY MORNING BLOGS
1090 - "Truth," said a traveller

"Truth," said a traveller,
"Is a rock, a mighty fortress;
Often have I been to it,
Even to its highest tower,
From whence the world looks black."

"Truth," said a traveller,
"Is a breath, a wind,
A shadow, a phantom;
Long have I pursued it,
But never have I touched
The hem of its garment."

And I believed the second traveller;
For truth was to me
A breath, a wind,
A shadow, a phantom,
And never had I touched
The hem of its garment.

(Stephen Crane)

*

Bom dia!

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19.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Pôr de sol em Monsanto.

(António Cabral)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 19 de Agosto de 2007

(Mais novos comentários em baixo.)


A página do Governo (citada em baixo) onde se apelava à participação na Ecotopia foi retirada de linha. (Muita coisa aconteceu neste domingo moroso...) Isto não isenta a responsabilidade do Governo na sua existência, e no compromisso que ela traduz. Falta também saber se o Governo subsidiou directa ou indirectamente a Ecotopia e porque razão os meus impostos servem para pagar estas palhaçadas. Sim porque a leitura dos documentos da Ecotopia não enganam ninguém na mistura de causas radicais, new age anti-cíentifico, misturado com um clima de utopia de acampamento com "democracia directa". Mambo jambo ideológico radical deste género:

O Ecotopia é igualmente um modelo funcional de comunidade auto-sustentável que coloca em prática os princípios de um estilo de vida alternativo e mais amigo do ambiente: tomadas de decisão por consenso, reciclagem de lixo, refeições vegetarianas, uso de energias alternativas.(...) O Ecotopia tem uma estrutura horizontal (não-hierárquica) e auto-organizada; a tod@s é pedido que tomem parte no funcionamento do campo, resolvendo problemas e tomando decisões. E tod@s são responsáveis pelo programa. O Ecotopia funciona no sistema de ecotaxas - um sistema económico alternativo baseado no padrão de vida e rendimento médio de cada país, em vez de baseado nos mercados financeiros, o que significa que cada um no Ecotopia paga pela comida o mesmo que pagaria no próprio país." (Sublinhados deles).

Sempre quero saber qual é a minha "ecotaxa".

*

http://sherlockholmes.stanford.edu/images/bio_fairies.jpg
Se eu acreditasse em fadas, duendes de jardim e outras entidades do género, também achava que tudo o que se passou colocou na "ordem do dia" a questão dos transgénicos. Sucede que não acredito. Bem pelo contrário, o que foi colocado na "ordem do dia" foi a desordem pública, o comportamento de grupos como os "verdeufémios", as suas relações e financiamentos, o comportamento das autoridades e do Governo face ao crime, a apatia da polícia, o papel do BE, etc., etc. Ou seja, exactamente aquilo que povoa os pesadelos mais negros do ecologismo radical e militante e dos grupos políticos que o suportam, exactamente aquilo que eles não desejavam. É por isso que Miguel Portas já apareceu três vezes a explicar-se e ainda aparecerá mais.

*

Mais abaixo nesta nota escreveu-se: "Governo continua calado e mudo, o seu estilo habitual até que seja obrigado a falar. Falará." Falou: um comunicado do MAI, distribuído hoje à hora do almoço, diz que (cito)

O Ministério da Administração Interna (MAI) considerou hoje "inaceitável" a "destruição de bens patrimoniais alheios" e anunciou uma investigação ao caso dos estragos feitos na sexta-feira por activistas contra os organismos geneticamente modificados (OGM) numa herdade em Silves.

"O MAI considera inaceitável qualquer acto de violência ou de destruição de bens patrimoniais alheios, que configura um ilícito criminal"(...) "Tendo em conta os eventuais ilícitos criminais praticados, seguir-se-á agora uma investigação a cargo dos órgãos de polícia criminal competentes que, no inquérito, será dirigida pelo Ministério Público, nos termos do Código do Processo Penal"
Muito bem. Foi tarde, foi resultado da pressão, mas está bem.

A única coisa que continua por se saber é a razão do comportamento da GNR que afirma que "desenvolveu as medidas tendentes a repor a ordem pública, defendendo pessoas e bens com respeito pelos princípios da necessidade, adequação e proporcionalidade que regem a acção da polícia", o que não é verdade. O comunicado do MAI refere que "as forças de segurança têm obrigações legais e instruções precisas, do Governo e dos respectivos comandos, para reagirem a esses actos ilícitos, obedecendo aos princípios constitucionais e tendo em conta as condições operacionais de cada caso", mas é omisso quanto a se saber se, neste caso, essas "obrigações" foram cumpridas. Até porque convinha que não deixassem o dono da herdade na situação de ficar com os prejuízos e estes serem assacados a um grupo de estrangeiros que entretanto desapareceram nas fronteiras.

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As férias devem fazer muito mal aos partidos, que entendem manter-se calados nesta questão. As razões são várias: muito incómodo para o BE, agora que quer dar uma imagem "des-revolucionária"; menos incómodo, mas mesmo assim algum, para o PCP; os "Verdes" não existem e por isso não contam; o PP deve estar algures a bronzear-se, e os seus blogues simpatizantes entretêm-se a transformar isto numa coisa folclórica com o BE, deixando o Governo folgar. O Governo agradece a todos.

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Um dos sectores em que é maior a falta de transparência na utilização de dinheiros públicos, é o dos financiamentos públicos de ONGs e de toda uma rede de associações e grupos, que proliferam por aí, apresentando-se como independentes, mas cumprindo agendas políticas, quase sempre radicais. As "causas" são conhecidas, o racismo (o SOS Racismo por exemplo), o apoio aos imigrantes, ou o ambiente . A Ecotopia, de onde veio o assalto ao campo de milho, tem locais na Rede que omitem quaisquer referências aos financiamentos, mas denotam no entanto uma actividade profissionalizada a nível nacional e internacional (*). No caso da Ecotopia esta é anunciada pelo Governo que aconselha os jovens a participar, pelo que também aqui há perguntas a fazer ao Governo sobre que tipo de actividades patrocina e se, directa ou indirectamente (através de associações participantes), não está envolvido no " dia de acção contra os transgénicos".
(*) A nível internacional são importantes os financiamentos da Comissão e do Parlamento Europeu, em particular através dos Grupos Políticos Europeus.
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A invasão e destruição do campo de milho transgénico continua o seu curso. O Governo continua calado e mudo, o seu estilo habitual até que seja obrigado a falar. Falará. O Público que ontem tinha a reportagem mais interessante, hoje não diz quase nada. Dirá. O Diário de Notícias, pelo contrário, dedica o editorial ao tema e entrevista, sob a forma da entrevista-apertão, Miguel Portas.

Ambos são interessantes, o editorial e a entrevista. O editorial tem um título bizarro "Ser ambientalista também tem limites", como se houvesse alguém que pensasse que"ser ambientalista" é uma actividade tão estruturalmente boa, uma manifestação tão intacta e lustral do Bem, que há que lembrar que... "também tem limites". Mas depois diz, com clareza, que "o que fizeram é crime e deve ser punido como tal" e refere "a intervenção frouxa da GNR no terreno" e "a responsabilidade dos tribunais". Faltou referir que a GNR tem uma cadeia de comando e alguém deve reponder pelo que se passou, e que os "tribunais" estão no fim de um processo que antes disso passa pela PGR, que, habitualmente tão loquaz, permanece em silêncio. Em seguida volta-se para Miguel Portas, para fazer render a entrevista: "será que Miguel Portas está a convidar ladrões e "ocupas" para lá irem a casa?".

Se aceitarmos o que diz na entrevista, está. Imaginemos que "as novas conflitualidades emergentes chegaram a Portugal" (o grau de cegueira e wishfull thinking de frases como esta é total...) e que uma dessas "conflitualidades" é combater que haja deputados portugueses no Parlamento Europeu, uma espécie de representação transgénica. E que eles resolvem fazer uma "acção espectacular que coloca na agenda o problema", ocupando a casa de Miguel Portas destruindo-lhe o recheio. Como essa acção seria limitada à casa de Portas a ele se aplicaria o que diz dos eventos de Silves:
"Eu dissociar-me-ia de acções como as de Silves se elas se tornassem sistemáticas, se eles passassem a queimar tudo quanto são campos de milho transgénico. A minha simpatia parte da convicção de que a acção foi simbólica.
Ou seja "Miguel Portas está a convidar ladrões e "ocupas" para lá irem a casa" fazerem "uma "acção simbólica" que "coloque na agenda o problema".

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Repare-se que a acção foi anunciada na "VISAO" de 2 de Agosto. Leia-se no artigo " O ecotopia passa por aqui"., pag.92, : Dia de acção contra o cultivo de transgénicos, com acções descentralizadas, directas e criativas". Não criativo, repetição, foi o uso de tambores ( os mesmos?) como apoio musical ...Já foram usados, pelo menos em Sines fins de julho, numa acção de "teatro de rua" contra a poluição, Organizada BE.

(Alberto Ventura)


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O porta-voz dos verde eufémia pode ser visto em detalhe aqui, onde se pode ler por exemplo: " Who I'd Like To Meet...Activistas para partir esta merda toda como deve ser! "

(João Carvalho)

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Também eu vi a reportagem sobre a destruição da cultura de milho transgénico perante a impassividade das autoridades e fiquei indignado. Pelo que ouvi nessa reportagem tratava-se do único sustento de um agricultor cumpridor das suas obrigações legais e que procurava a inovação, ou seja, um exemplo a seguir. Por mim estou solidário com esse agricultor, neste momento que deverá ser de raiva para com o obscurantismo anti-ogm e para com a inoperância das autoridades que o deviam proteger e para não ficar só pelas palavras, se souber de alguma forma de poder dar uma contribuição monetária para minimizar este mau bocado do referido agricultor estou disposto a fazê-lo.

Como cita no seu Blog ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... neste momento acho que ambas se aplicam.

(Pedro Bandeira)

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A destruição de um hectare de milho na herdade da Lameira no concelho de Silves por um grupo de chamados ambientalistas é um acto de pura cobardia e intolerável numa sociedade democrática. O grupo organizado arrancou “a parcela com melhor milho, que daria cerca de 40 toneladas" e que seria uma das únicas fontes de rendimento de um simples agricultor e isto perante a divulgada complacência das autoridades que não deteve qualquer indivíduo. Quem entenda um pouco do amanho da terra perceberá que uma cultura agrícola representa para além do rendimento esperado, uma obra construída durante um longo período tempo, semelhante quantas vezes ao trabalho intelectual, cultural e artístico. Para o agricultor desesperado ver o seu milho estragado significa uma dor muito profunda, que uma justa e exigível compensação não atenuará completamente. Torga explica tudo se tivermos paciência na adaptação. “Que vale um boi no café? Em termos de pura dor – nada. Pois digo que nunca vi ninguém sofrer tanto como o meu vizinho a quem morreu um esta noite.”

Os movimentos ecologistas terão todo o direito de discordar das sementes geneticamente modificadas, de usar a força da argumentação cientifica e ideológica, de usar múltiplas manifestações para chamar a atenção da opinião pública, mas nunca utilizar a selvajaria para alcançar os seus propósitos. A defesa dos valores ecológicos só marca passo com atitudes do género. Destruir colheitas autorizadas, fiscalizadas e que cumprem todas as regras legais tem um nome: barbárie.

(José Alegre Mesquita)

*

Se um grupo militante contra o aquecimento global desfizer à paulada e "simbolicamente" uns automóveis que encontre pelo caminho para chamar a atenção sobre a emissão de CO2, Miguel Portas simpatizará com o gesto?
E se outro grupo ecológico invadir um eucaliptal e serrar essas árvores que secam os solos? Ou decidir abater os porcos de uma suinicultura que polui um rio?

(Alice M. Pratas)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Hoje, nascer do Sol em Vila Nova da Cerveira. (Ôchoa)

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EARLY MORNING BLOGS
1089 - The Tree

I stood still and was a tree amid the wood,
Knowing the truth of things unseen before;
Of Daphne and the laurel bow
And that god-feasting couple old
that grew elm-oak amid the wold.
'Twas not until the gods had been
Kindly entreated, and been brought within
Unto the hearth of their heart's home
That they might do this wonder thing;
Nathless I have been a tree amid the wood
And many a new thing understood
That was rank folly to my head before.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

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18.8.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 18 de Agosto de 2007 (2)


Isto ainda está longe de acabar. Continuamos a não saber as razões da apatia da GNR, e sobre quem se responsabiliza pelo que sucedeu. As autoridades devem considerar que a ordem pública não é com elas. O ministro ainda nada disse, mas terá que dizer alguma coisa. A PGR continua muda. A destruição da colheita diante das cãmaras e da GNR, não apareceu nos noticiários da RTP e da SIC (a não ser que me engane no meio do zapping.) A RTP passou no oráculo a posição do único partido que até agora se pronunciou, o PSD. Mas a SIC apresentou uma reportagem sobre um acampamento internacional em Aljezur chamado Ecotopia e era evidente que daí vieram alguns dos manifestantes que invadiram e destruiram a colheita. os mesmos tambores, as mesmas danças new age, o mesmo folclore.

*
Sou frontalmente contra a introdução dos transgénicos no sistema produtivo alimentar. É mais uma, que a coberto da ciência e das influências certas, pode eventualmente trazer graves prejuízos no futuro. Basicamente, julgo que não se está a exercer a cautela, que o mínimo bom senso aconselharia. Nem a defesa dos consumidores eticamente exegível que seria etiquetar claramente os alimentos com composição geneticamente modificada.

Dito isto, há uma coisa que sou ainda mais contra: Arruaceiros e as suas arruaças. Não vi o que se passou, mas já percebi mais ou menos. Foi a destruição de algumas plantas de milho transgénico, uma actividade que tem resultados comprovados onde quer que seja exercida: A criação de mais antipatizantes dos movimentos ecologistas. Assim sendo, tenho de ler este folclore à luz de outros objectivos, eventualmente políticos, onde o milho é um motivo óptimo -- pelo menos não morde. Esses objectivos políticos são os da extrema-esquerda, que como diz, por algum motivo neste país tem carta branca para fazer o que lhe apetece. A rede de "simpatias" não se começa a formar, está formada há muito tempo e seria interessante identificar exactamente quais as suas ramificações.

Mas a ver se entendo. A arruaça foi preparada "em segredo" por SMS e também convocaram a GNR? É óbvio que proprietário recebeu igualmente o SMS, ou escolheram uma hora com a sua presença para uma dramatização "extra". Os jornalistas nunca recebem SMS, têm daqueles rádios especiais com as frequências da polícia, como se vê nos filmes. O agricultor cultiva 50 hectares, mas era aquele hectare especificamente "o único meio de subsistência que tinha...", irá morrer à fome. O hectare destruído daria 40 toneladas de milho. Estou totalmente descansado -- afinal não é milho transgénico, é milho atómico, colhido em Marte pelos "rovers" e enviado para o Algarve de sputnik. Isto é tudo uma pantomina. A GNR foi figurante numa encenação da extrema-esquerda e não me admirava nada que o proprietário também. Admira-me é a extensão do eco destas acções. Estamos perante pantomineiros profissionais. Não percebo porque é que esta gente, se realmente se interessa pela saúde pública, não estuda, trabalha, anda para a frente e divulga as suas ideias nos locais próprios, como fazem os seus alegados antagonistas. Suponho que entre trabalhar e a pantomina não lhes surjam grandes dúvidas.

Por fim, informo o comentador Rúben Couto que a agricultura biológica dá dinheiro; e o comentador João Paulo Brito que está redondamente enganado -- há muitos e documentados incidentes ecológicos com os transgénicos.

Já escrevi sobre o assunto transgénicos e sementes em particular: A negociata das sementes e Quem precisa dos transgénicos?


(José Rui Fernandes)

*

Passou, penso que na SIC. Se não me angano foi antes desse “outro” movimento, com imagens da acção de vandalismo histérico-grupal.

A utilização de máscaras pareceu mais ou menos generalizada, confirmando a consciência do acto. É uma espécie de evolução para a retaguarda, com a GNR a fazer lembrar agricultores com um ramo na mão, desesperados, a lutar contra um ataque de milhões de gafanhotos. É apenas um país em agonia, que já vive o intenso epílogo de um sonho chamado Europa.

(Paulo Loureiro)

*

Os meus olhos não acreditaram no que viram; a destruição da colheita diante do seu proprietário de lágrimas nos olhos. Estes grupos independentemente dos argumentos são de uma arrogância impar. A lei foi violada diante de todos e a GNR não deteve ninguém nem impediu o comportamento criminoso. Penso que estamos antes de tudo perante um caso de falha grave ao nível operacional da GNR.

(Jorge P. Salema)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Monsanto à noite. (RM)



Mais um camião de tomate pelo fim da tarde. (A.)







Hoje, no aeroporto de Mavalane (Maputo). (Ferreira Mendes)

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LENDO
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OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 18 de Agosto de 2007

Associação Almargem demarca-se de destruição de plantação

(Foto da Lusa no Expresso)

(Mais novos comentários em baixo.)

O PSD foi o primeiro partido da oposição a condenar o que se passou. Fez bem, porque o problema é institucional e o PSD não se deixou enredar na discussão dos transgénicos, que é uma diversão do fundamental. O secretário-geral afirmou que "o ministro da Administração Interna deve esclarecer publicamente a "atitude passiva" e "a complacência" dos agentes da GNR perante o caso de ontem" e disse "estranhar que, passadas 24 horas, o Ministério da Administração Interna ainda não se tenha pronunciado sobre o caso. "Foi muito grave, tanto mais porque aconteceu perante a passividade e complacência da GNR, que assistiu à destruição impune de propriedade privada". O presidente da Área Metropolitana do Algarve, Macário Correia condenou igualmente o que aconteceu. Esperemos agora pelos outros partidos. Não se trata de uma corrida, nem é importante ser o primeiro, mas se não houver massa crítica, o Governo faz de conta que não é com ele. E é.

*

O proprietário vai apresentar queixa. A GNR diz que não prendeu os responsáveis (porquê?) mas que os identificou e que muitos dos "verdeufémios" são estrangeiros. Quero ver quem paga os prejuízos.

*

Interpelar o Bloco de Esquerda tem sentido mas não é o mais importante. É o Governo, a começar pelo Ministro da Administração Interna e pelo Primeiro-Ministro, responsável pela ordem pública e pela defesa dos direitos dos cidadãos (incluindo o da propriedade privada), que têm que ser confrontados. Os desvios de atenção podem ser úteis ao folclore político, mas afastam-nos do essencial, da questão da responsabilidade de o Governo ter permitido um crime público, sob os seus olhos, e continuar caladinho a ver se a coisa passa.

*

Quantas destas associações político-ecológicas são financiadas como ONGs ou qualquer outra vestimenta pelo orçamento de estado, ou seja pelos nossos impostos? Até que ponto essa situação está por detrás da política de ter um pé dentro (sim, os nossos filiados estiveram lá...) e outro pé fora (estamos contra a destruição...), muito conveniente para o dia de hoje. E já agora quem é esta Verde Eufémia que parece ter sido criada apenas para cobrir esta "operação"? No Google não tem traços antes de anteontem. Quem fazia a despesa da "luta" era a Almargem.

*

Miguel Portas afirma a sua "simpatia com o gesto", que intitula de "primeiro acto de desobediência civil ecológica realizada em Portugal." A rede de "simpatias" começa a formar-se. Não é surpresa.

*

Isto é uma vergonha. Como muitas vezes acontece, a lei pára à porta da extrema-esquerda politicamente correcta. O relato do Público mostra como não vale a pena acreditar nas autoridades em momentos como este. Se o agricultor da próxima vez responder a tiro de caçadeira à destruição da sua propriedade tenho a certeza que é logo preso. Sublinho na notícia do Público a descrição do comportamento da GNR. Quem é que comandava a GNR? Alguém deu instruções? Que força policial é esta que assiste a um crime como se fosse a coisa mais natural do mundo? Com que então "tudo correu de forma civilizada"?

Este é um incidente que tem que ser completamente esclarecido. Que de imediato exige que o Ministro da Administração Interna explique o que se passa com as forças sob o seu comando, que o Procurador actue como deve. Que a oposição se mexa e abandone qualquer torpor algarvio e que o PS, se tiver ainda algum fio de vida vagamente ligado a 1975, também devia dar sinais de vida. Esta é uma causa bem longe de ser micro, é macro e bem macro. E não tenham ilusões de que ficará esquecida, porque enquanto tudo isto não se esclarecer e não houver consequências encontrá-la-ão aqui todos os dias.

"O agricultor estava desesperado. "Destruíram o único meio de subsistência que eu tinha...", conta, voz embargada, ao Público. José Menezes, 56 anos, proprietário da herdade da Lameira, concelho de Silves, tentara ao início da tarde de ontem, em lágrimas, desmobilizar um grupo que destruía um hectare de milho transgénico: "É disto que os meus filhos e mulher vivem. É a única fonte de rendimento. Se ceifarem este milho, eu morro à fome", dissera à Lusa.

O movimento autodenominado "Verde Eufémia" não se demoveu. Destruiu. Contra os organismos geneticamente modificados, protestou. A GNR estava por perto, mas não fez detenções. Os manifestantes e os guardas estiveram numa espécie do jogo do gato e do rato, a vigiarem-se uns aos outros. O porta-voz do movimento, Gualter Baptista, diz querer "restabelecer a ordem ecológica, moral e democrática que tem sido constantemente deteriorada pelas políticas da União Europeia e pelo Governo português".

Vandalizar parte da primeira plantação de milho transgénico no Algarve, com 50 hectares, teve um significado "simbólico" para outras iniciativas futuras. "Verde Eufémia", afirmou Gualter Baptista, "está disposto a defender o direito à desobediência civil" - como sucedeu ontem.

A concentração, com mais de uma centena de pessoas, na maioria jovens portugueses e estrangeiros, foi preparada em segredo, por contactos de SMS e e-mail. Mas as autoridades souberam do que se iria passar. Por isso, logo pela manhã, foi destacada uma patrulha para perto da herdade. Enquanto os militares permaneceram por perto, nada aconteceu; mal viraram costas, chegou um autocarro de onde saíram os ambientalistas que estragaram o cereal. Com o regresso da GNR, em número reforçado, terminou a tarefa. Quando se aproximou o segundo autocarro, afirmou o comandante Bengala, "tocaram tambores, ouviu-se música, e a coisa ficou por ali". A líder do movimento, acrescentou o oficial da Guarda, "até agradeceu a colaboração da GNR, e pediu desculpa dizendo que a situação lhe tinha saído fora de controlo".

A GNR apenas identificou meia dúzia dos manifestantes. Bengala afirmou que dispõe dos elementos necessários para "prosseguir com um inquérito, se for essa a vontade do proprietário lesado". José Menezes já disse que vai hoje apresentar queixa pelos prejuízos causados. Além desta propriedade possui ainda uma vinha, "mas a uva vai para a cooperativa, e não pagam". Por coincidência, "arrancaram a parcela com melhor milho, que daria cerca de 40 toneladas". O agricultor não entende. Diz que a sua propriedade está legal. O director regional de agricultura do Algarve, Castelão Rodrigues, confirma: "A plantação de milho está autorizada, foi fiscalizada e cumpre todas as regras legais."

Para a GNR, os manifestantes não pretendiam o "confronto" com as autoridades, mas apenas "chamar a atenção da opinião pública para as suas ideias". Quando o objectivo foi alcançado, disse Bengala,"entraram calmamente no autocarro e tudo correu de forma civilizada". Gualter Baptista assume a vertente revolucionária do movimento que diz ser "informal", baptizado de "Verde Eufémia", em homenagem às "lutas camponesas no Alentejo". Ao agricultor, afirmou, ofereceram "milho biológico para semear, caso quisesse abandonar os transgénicos". E a resposta? "Foi muito difícil conversar, os agricultores estão mal informados."

*
Estou razoávelmente convencido de que, perante uma manifestação silenciosa de pais e mães de famílias ostentando uns cartazes pedindo simplesmente o pagamento de salários em atraso, o comandante Bengala não hesitaria em mandar distribuir umas bengaladas.

(Orlando Simas, Pico-Açores)

*

Acabo de ver no Telejornal da RTP a reportagem sobre o ataque de cem desordeiros à propriedade privada de um cidadão cumpridor da Lei e, por isso mesmo, ao que parece, como tantos outros, prejudicado, porque ao dar conhecimento a quem de direito da cultura que estava a fazer de milho transgénico tornou-se um alvo fácil para os "activistas", com apenas três funcionários contra cem jovens zelosos da saúde pública, da democracia e da liberdade, alguns deles, provavelmente, experientes naquelas "acções" anti-globalização, e mal salvaguardado por uma GNR estranhamente apática.

Entendo que a jornalista foi infeliz ou falaciosa, questionando o agricultor num tom maternalista e não questionando o porta-voz dos desordeiros sobre a moralidade da acção praticada e a razão porque agiram de cara tapada... De facto, deixou o indivíduo promover livremente a sua mensagem, prestando-se a ser uma caixa de ressonância... Pergunto: não é isto pactuar com o terrorismo? Se essa senhora jornalista, consciente ou inconscientemente tendenciosa, fosse entrevistar um bombista iria deixá-lo falar à vontade? Provavelmente até ia de véu e luvas... E, para terminar, é correcto utilizar repetidamente o termo activista para os designar? Eu sei que é assim que eles se chamam a eles próprios, mas é esse o nome que aquilo que eles fizeram lhes dá? É chocante a leviandade ou cumplicidade com que se noticia a subversão do Estado de Direito neste país.

Quem são aqueles senhores para falar de transgénicos, biólogos, técnicos, cientistas? O agricultor sabemos a razão porque cultiva o milho, mas desses senhores e senhoras que de vez em quando aparecem a "agir" nestas causas modernas não sabemos nada, e ninguém os questiona...

M.

*

Desta vez não partilho da sua opinião, apesar deste "crime" ter execução da extrema esquerda, e de aproveitarem qualquer oportunidade para provocar desacatos como algumas pessoas sabem. Mas será que o agricultor tem a razão? Dizem que é um "pobre" homem (um pobre homem não tem 50 hectares de terreno), que apenas quer alimentar os filhos, será que tem de alimentar os filhos à custa da saúde dos outros? Podia muito bem fazer agricultura convencional, não falo da biológica porque isso ainda não da dinheiro. E se as forças de segurança são criticadas por não fazerem cumprir a ordem sempre em tom severo, como é que podemos legitimar o 25 de Abril? Penso que temos de ter bom senso e pensar sobre estas coisas, porque podemos estar no inicio da ditadura da agricultura. Quantas pessoas é que sabem o que são transgénicos? Uns 10% se tanto. Quantas é que sabem que há transgénicos em Portugal? Outros 10%. Quantas é que se preocupam com isso? Muito poucas, e o que fazer quanto a todas as questões que envolvem esta industria monopolizadora, os estudos que não são feitos, o constante "abafamento" da informação em tom de teoria da conspiração que descredibiliza qualquer tipo de contra-argumentação.

Eu pelo menos, neste tipo de coisas, esqueço as diferenças politicas, a as formas de actuar, tal como seria se o homem estivesse no Iraque a produzir armas de destruição maciça, ou se fosse um velho salazarento sem mão na Pide a deixar que fizessem o que quisessem com as pessoas, porque infelizmente este mundo dito esclarecido e informado só se preocupa com os problemas do mundo sub-desenvolvido, se for um africano ou um palestiniano ajudamos, se for um português que estiver na rua a pedir, mandamos-lo ir trabalhar. É caso para dizer que se fosse para os palestinianos, éramos capazes de nos revoltar contra os transgénicos, mas como é connosco, ou com quem de nós que não tem dinheiro (porque os ricos não comem transgénicos), já não há problema.

(Rúben Couto)

*

O assalto à herdade e posterior destruição da cultura transgénica é claramente um crime e também é mais uma vez a vitória destes grupos politicamente correctos que de repente acordam e lá fazem os seus combates (muitas vezes violentos) por um "mundo melhor", nem que seja à força da paulada e muitas vezes baseados em equívocos.

O que é impressionante nestes grupos é precisamente o facto de lançarem equívocos e fazerem deles verdades absolutas. Tal como a globalização, as culturas transgénicas são pintadas por estas pessoas como inerentemente más. Mas o facto é que, por exemplo nos E.U.A. já se consomem alimentos transgénicos há mais de 20 anos e até hoje nunca foi reportado nem um incidente ecológico ou qualquer problema de saúde. Sendo assim, no pior dos casos, o que se pode dizer é que, actualmente as culturas transgénicas podem apresentar riscos que talvez não conheçamos mas também não são tão perigosas como dizem.

As culturas transgénicas têm riscos, mas até hoje eles nunca se materializaram. E as culturas biológicas também têm riscos, nomeadamente o de estarem à mercê dos desígnios climáticos que podem em última análise destruir colheitas inteiras e comprometer rendimentos agrícolas e a alimentação de populações.

E se há secretismo por parte das empresas que se dedicam a esta actividade, tal não tem de se dever necessariamente a uma má fé ou vontade de provocar o mal impunemente. Há uma razão bem prosaica e ela é o dinheiro que se gasta na investigação transgénica tanto em pessoas como em recursos materiais.

Mas transparência por transparência e dado que este grupo é tão democrata, porque razão não mostra as caras dos seus elementos, ou diz de onde vem o seu financiamento, ou esclarece as suas ligações políticas ou ainda porque se escondem depois de destruirem o trabalho honesto de uma pessoa? Talvez porque este desporto de desobediência civil a que se dedicam seja crime....

No entanto, o pior deste tipo de gestos, é o paternalismo assustador destes "defensores" do ambiente e da democracia. Para esta gente tudo é válido desde que façam valer o seu ponto de vista. Só eles é que têm razão, só eles é que estão certos e não hesitam em recorrer ao "carácter pedagógico" da pancada para demonstrar que os outros estão errados. É isso que justifica que destruam as fontes de rendimentos alheias que eles reputam como más, sejam uma herdade transgénica, um restaurante do McDonalds ou uma loja que se encontre no caminho para uma cimeira do G8.

É claro que o ramalhete não fica completo sem os revolucionários de sofá do Bloco de Esquerda como Miguel Portas que logo aparecem a legitimar este tipo de acções. Quanto a mim, o melhor retrato desta gente tem sido feito pelo humorista mais politicamente incorrecto de todos que é o Gel e que juntamente com o seu irmão no programa "Vai tudo abaixo" da SIC Radical, interpretam as personagens dos Homens da Luta. De megafone em punho e viola debaixo do braço com muitas palavras de ordem mas sempre ressalvando que a "revolução" é só para os outros e desde que eles tenham os privilégios que acham que merecem por serem tão vanguardistas. MIguel Portas, tal como os Homens da Luta, só demonstra que a esquerda pode ser estúpida como dizia Saramago,mas a extrema-esquerda é extremamente estúpida.

(João Paulo Brito)

*

Como cidadão que (tenta) acreditar na Justiça e no Estado de Direito, onde todos podem conviver na sua diferença respeitando-se uns ao outros, não posso deixar de estar chocado e repugnado contra aquele acto vil, mesquinho e tresloucado contra a propriedade daquele senhor agricultor e especialmente contra a passividade das forças da autoridade. Quando li hoje a notícia no Diário Digital perguntei-me a mim mesmo porque é que o agricultor não tinha chamado a polícia, depois de ler o Abrupto fiquei a perceber o que aconteceu. É inaceitável a destruição da propriedade privada perante a passividade das forças da lei, que país é este onde se destrói propriedade privada e se acha bem? Isto tem que ter consequências a nível da GNR. Eu, enquanto cidadão, tenho que ter a garantia de que as forças policiais agirão quando a minha propriedade privada estiver sob ataque. Faz muito bem em dar todo o ênfase ao caso.

(Alberto Fernandes)

*

(...) "restabelecer a ordem ecológica, moral e democrática que tem sido constantemente deteriorada pelas políticas da União Europeia e pelo Governo português"; é este, segundo o artigo do Público, o móbil da destruição da cultura de milho transgénico levada a cabo por um grupo que, preocupado com o ambiente, manifestamente não considera que um agricultor e sua família façam parte do ecossistema (e não interessa a discussão sobre se o senhor é ou não pobre; para pessoas bem formadas os princípios não diferem de acordo com a carteira do sujeito dos mesmos). Imaginem! A “ordem moral”, o que quer que isso seja, defendida por gente com medo de mostrar a cara, não fosse a GNR cumprir o seu papel e levá-los a passar uma noite na esquadra... É que uma esquadra não deve ser nada confortável e, se por acaso se acaba o saldo do telemóvel (também por acaso fabricado por multinacionais capitalistas e com o qual se marcam acções de vandalismo por SMS) não há a garantia de poder telefonar ao pai ou à mãe para nos virem tirar dali. Felizmente para os “ambientalistas” há esta nova prática, inaugurada pela GNR, de ver cometer um crime, deixar o criminoso à solta e depois perguntar à vítima se quer apresentar queixa. Se calhar as férias grandes são mesmo grandes de mais...

(João Tinoco)

*

Os activistas do Movimento Verde Eufémia, que não rejeitam a possibilidade de repetir acções similares às de ontem, reputaram o aspecto com maior visibilidade da sua actuação apenas de "dano colateral" de algo que tem um objectivo mais amplo: lançar um alerta.

Segundo o “porta-voz" do grupo, esta acção visou “estabelecer a ordem ecológica, moral e democrática que tem sido deteriorada pelas políticas europeias e do Governo", num contexto em que "as autoridades nacionais não respeitam a opinião e o direito dos cidadãos", não deixando aos intervenientes outra solução que não "a intervenção directa".

Este exemplo daquilo que classifico como uma “acção de terrorismo cívico” deixou-me particularmente chocado ao ver o contraste entre o desespero do proprietário da Herdade da Lameira - que vê, de forma impotente, o seu património ser devassado por uma horda de insurrectos - e o comportamento irresponsável de um grupo de manifestantes, dispersando-se ao longo de uma estrada, com cartazes e instrumentos de percussão, como se de um cortejo de saltibancos se tratasse.

Terrorismo cívico é a única qualificação possível para um acto que visa a imposição por via violenta – ocorreu destruição de PROPRIEDADE PRIVADA, esta sim salvaguardada na Constituição – de uma maneira de pensar, como se a mesma se encontrasse entalhada no sentido primacial do conceito da Verdade.

Depois de destruírem 2% de uma propriedade privada, o grupúsculo prossegue alegremente o seu caminho, como se regressasse a um dos múltiplos festivais que pululam por Portugal neste atípico Estio.

Sempre me revi no slogan de Maio de 68: “Tudo é discutível. Sobre isso não há discussão”. O debate de ideias entre pessoas com pontos de vista diferentes, e mesmo divergentes, assume, indiscutivelmente, um carácter essencial ao aprofundamento da democracia e da cidadania plenas.

Todavia, quando Miguel Portas legítima no seu blog as actividades deste novo tipo de manifestações, questiono-me sobre o que diria o mesmo se organismos constituídos no seio da sociedade civil efectuassem rusgas visando a apreensão das chamadas “drogas leves” cujo consumo o Bloco de Esquerda quer ver despenalizado, usando como suporte para tais acções a falta de consenso dentro da comunidade médica no que concerne às alegadas “vantagens” terapêuticas da cannabis. (e.g. Moore TH et al. Cannabis use and risk of psychotic or affective mental health outcomes: a systematic review. Lancet 2007 28; 370:293-4).

Provavelmente charmar-lhes-ía grupúsculos neo-fascizantes, que não reconhecem o “direito à diferença” e aos “estilos de vida fracturantes”!

Seria interessante, para não dizer intelectualmente importante, que Miguel Portas (e outros defensores deste tipo de acções ditas “espectaculares”) reflectissem sobre aquilo Touraine escreveu em “Como sair do Liberalismo?”, a propósito dos movimentos dos sem abrigo e dos sem papéis:

O risco populista é maior no movimento dos sem-abrigo e no dos desempregados do que no dos sem-papéis que assentou na mobilização de uma consciência moral. Pode resolver-se a crise de alojamento ocupando imóveis desocupados? Evidentemente que não e ninguém, aliás, o pretendeu. Mas alguns entregam-se à ideia de que a denúncia espectacular será suficiente para resolver os problemas

(Rui Amaral Mendes)

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EARLY MORNING BLOGS
1089 - Cantico del Sole

The thought of what America would be like
If the Classics had a wide circulation
Troubles my sleep,
The thought of what America,
The thought of what America,The thought of what America would be like
If the Classics had a wide circulation
Troubles my sleep.
Nunc dimittis, now lettest thou thy servant,
Now lettest thou thy servant
Depart in peace.
The thought of what America,
The thought of what America,
The thought of what America would be like
If the Classics had a wide circulation...
Oh well!
It troubles my sleep.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

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17.8.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 17 de Agosto de 2007


Não sei se reparou, mas temos, em Portugal, uma nova unidade monetária: o “OTA”. (...) os nossos jornalistas, radialistas e pivots de TV, se um (ou dois) deles, utiliza duas vezes seguidas um adjectivo, um advérbio ou uma expressão qualquer – que por qualquer motivo está”na berra” - eis que todos os outros formam fila, para o repetirem ad nauseam. (...)

Agora é ”as bolsas perderam “n” milhares de milhões de Euros, o que dava para construir uma (duas, três, ¾ de…) OTA. O “Ota” passou a ser uma unidade monetária, equivalente (mais ou menos) à antiga e venerável “Pipa de massa”.

E todo o bicho careta, chamado a falar ou escrever sobre muito dinheiro (a fortuna do Soros, os rendimentos do Sultão do Brunei, o preço de um porta-aviões atómico, etc. etc) dirá, invariavelmente que “dava para pagar uma (duas, ¾ de…) OTA. É célebre!

Qualquer dia, vem nas cotações das moedas internacionais. “… e o Dolar desvalorizou 5% contra o OTA” ou “… o Yen mantem a paridade com o OTA”.

(Luis Manuel Rodrigues)

*
Para as áreas ardidas, certa Comunicação Social também prefere usar, em vez do velhinho "hectare", uma unidade de área muito especial, feita à medida da sua literacia: trata-se do "campo de futebol" que, na cabecinha dessa gente, deve ter, como submúltiplos, o "campo de andebol" e o "campo de ténis". Mas antes isso do que os "hectares quadrados", como há dias ouvi...

C. Medina Ribeiro

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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“Cabeçudos” anunciando a festa popular do 15 de Agosto, Régua. ( Gil Regueiro)



Hoje à tarde, em Vouzela. (José Manuel de Figueiredo)



Este aviso está no Centro de Saude de Alcântara, em Lisboa, situado na Calçada da Tapada, muito perto daquele já celebre banco de jardim que tantas vezes tem sido protagonista desta sua mesma rubrica. Calculo que saiba ser a freguesia de Alcantara, tal como a maioria dos bairros antigos de Lisboa, uma zona de população maioritariamente envelhecida e pobre que assim, passam a ter mais um motivo para "passear" quer o queiram e possam... ou não.

Nota: As consultas marcadas telefonicamente através da Loja do Cidadão resumem-se a 2 vagas para cada dia e, normalmente, esgotam pouco tempo depois de abrirem, nos últimos dias do mês anterior ao que dizem respeito.

(J. Correia)





De cada vez que me “diriGo” (ver fotos) ao Hospital de São João em socorro da criança, dou com um ambiente que faz lembrar Beirute no início dos anos 80, onde os Mercedes contrastam com o resto. A urgência é nova e foi muito esperada. O posto de atendimento está em frente à porta a dois ou três metros. A quarta pessoa na fila já está com as costas na porta automática e as restantes, clientes de uma urgência, ficam cá fora ao sol. Quem entra tem uma passagem à direita que dá acesso ao corredor central, a que se acede pedindo licença às pessoas que, estando na fila, a tapam completamente. Chamam-lhe “arquitectura”. A urgência infantil é de um aspecto miserável, com pais à porta fugindo dos carros e ambulâncias que vão chegando, muitos ao engano. Entre um mar de calhaus de cimento armado a estorvar o trânsito para simples prazer de quem os lá colocou, vêm-me à cabeça as Roménias de Ceausesco. Na Estada da Circunvalação no sentido oeste-este, o acesso é a viés a 45%, sem qualquer indicação para quem vem na aflição da criança que não respira ou está magoada. Esta não é “a crise”. É outra, diferente. Em quase todos os cantos de passeio há milhares de pequenos papéis e lixo de maços e de tabaco que o vento vai levando das planícies asfaltadas. Volto a casa e no caminho olho à minha volta e vejo festas populares apoiadas pelas paróquias do poder local onde abundam os artistas que ao abrigo do investimento “cultural” são pagos para cantar o bacalhau. Por muito que tente, não consigo compreender e apetece-me gritar, mas sinto que não posso ou não vale a pena ou que já desisti.

(Paulo Loureiro)

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16.8.07


LEITURAS QUE NÃO SÃO PARA APRENDER


http://g-ec2.images-amazon.com/images/I/513xp4AkShL._AA240_.jpg














(Em breve.)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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À espera da procissão, formação da banda e saída do primeiro andor.



Duas bandeiras, religiosa e civil (da banda), mais andores.





Saída dos andores.



O padre saí da igreja, o maestro manda preparar a banda.



Mais andores. Alguns têm que ser inclinados porque não cabem na porta.



Andores e o maestro manda a banda tocar os primeiros acordes.



Saí o último andor, a banda toca e alinha-se com a procissão.



Forma-se o fim da procissão com o povo. O conjunto começa a mover-se.

O início de uma procissão nas festas de 15 de Agosto.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (28)


Tudo na festa do Pontal foi montado. A inocência deveria andar por lá perdida à procura de uma outra inocência para haver dois à mesa. O espectáculo mil vezes treinado, mil vezes ensaiado, feito para as câmaras, para os jornalistas, resulta sempre. No fundo, o que é que há para ver senão o espectáculo? E quando o espectáculo é um concurso em que só um fica à frente, como é que não pode deixar de haver "vencedores" e "vencidos" quando o mundo é uma arena? Triste representação para um triste jornalismo, feitos um para o outro. Enquanto no PSD não se compreender que tudo isto é um sinal de decadência, que dali não pode sair nada que aumente a sua credibilidade, a ferida quase mortal que o partido arrasta desde os tempos de Barroso-Lopes, não se vai a lado nenhum.

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EARLY MORNING BLOGS
1088 - Thoughts on the Shape of the Human Body

How can we find? how can we rest? how can
We, being gods, win joy, or peace, being man?
We, the gaunt zanies of a witless Fate,
Who love the unloving, and the lover hate,
Forget the moment ere the moment slips,
Kiss with blind lips that seek beyond the lips,
Who want, and know not what we want, and cry
With crooked mouths for Heaven, and throw it by.
Love's for completeness! No perfection grows
'Twixt leg, and arm, elbow, and ear, and nose,
And joint, and socket; but unsatisfied
Sprawling desires, shapeless, perverse, denied.
Finger with finger wreathes; we love, and gape,
Fantastic shape to mazed fantastic shape,
Straggling, irregular, perplexed, embossed,
Grotesquely twined, extravagantly lost
By crescive paths and strange protuberant ways
From sanity and from wholeness and from grace.
How can love triumph, how can solace be,
Where fever turns toward fever, knee toward knee?
Could we but fill to harmony, and dwell
Simple as our thought and as perfectible,
Rise disentangled from humanity
Strange whole and new into simplicity,
Grow to a radiant round love, and bear
Unfluctuant passion for some perfect sphere,
Love moon to moon unquestioning, and be
Like the star Lunisequa, steadfastly
Following the round clear orb of her delight,
Patiently ever, through the eternal night!

(Brooke, Rupert)

*

Bom dia!

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15.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Anoitecer no Funchal, Sol nas Desertas. (Carlos Oliveira)

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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

LENDO / VENDO /OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 15 de Agosto de 2007 - sobre os programas da RTP2 sobre Torga e David Mourão-Ferreira.

NUNCA É TARDE PARA APRENDER: PARA QUEM QUEIRA SABER COMO É A GUERRA BIOLÓGICA - A Peste Negra como modelo para a guerra biológica.

DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (27) - sobre o "circuito das febras e da carne assada".

DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (26) - Se nada se tem a dizer, o telemóvel basta.


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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Esta tarde, em Viseu. Ciclista "às voltas" durante o contra-relógio... (Abílio Ribeiro)



Jardim Monte Palace - Funchal. (João Salgueiro)



Estátua de David Mourão-Ferreira em Oeiras.



Chuva em Lisboa pela manhã. (RM)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 15 de Agosto de 2007

Em dias seguidos, a RTP2 passou dois documentários sobre escritores portugueses, Torga e David Mourão-Ferreira. Esses documentários mostraram as forças e fraquezas deste tipo de produções, em particular a enorme dificuldade em ultrapassar neste tipo de trabalhos uma retórica cheia de empáfia, uma colocação das vozes a puxar ao sentimentalismo, uma linguagem serôdia e uma visão pinga-sentimento insuportável. Parecia, no intervalo dos depoimentos, quando a responsabilidade do documentário é puramente da produção, que se tinha voltado a um estilo de declamação e de representação entre os recitais de poesia de província e o teatro antes das telenovelas.

O documentário sobre Torga é o mais prejudicado por esta retórica apologética. Parece que não se conseguia sair das fragas, do húmus, do telúrico, dos rochedos, dos pés mergulhados na terra, e que não havia mais a dizer sobre Torga. Se calhar não há. Mas, nos depoimentos a qualidade do documentário melhora e muito. Quer Eduardo Lourenço, quer, em particular, António Barreto, diziam coisas interessante e que podiam e deviam ser exploradas no filme, para além das das fragas, do húmus, do telúrico, dos rochedos, etc., etc. Os depoimentos de Barreto sobre como o Douro foi feito de um enorme “sofrimento” explicavam muito da recusa do bucólico de Torga. Mas muito do que era interessante para se perceber Torga, por exemplo a influência de Unamuno, ficava por tratar. A dificuldade do script voar para além do lugar-comum era evidente.

Por seu lado, o documentário sobre David Mourão-Ferreira beneficiava da personalidade mais “solta” do escritor, menos ensimesmado nas fragas, no húmus, no telúrico, nos rochedos, nos pés mergulhados na terra, etc., etc. David Mourão-Ferreira trazia para o documentário textos e circunstâncias únicas que por si só lhe davam interesse, como é o caso de um diário pré-adolescente da sua experiência escolar, e da interacção com o pai, a avô e a professora, à volta da escola, que, como testemunho genuíno, me parece muito raro. Depois, a série de depoimentos é excepcional, ritmada, presa à fluência da biografia, à memória e ao gosto, que ilumina todo o percurso erótico, de escrita, académico e por fim a conversão religiosa e a doença. Só que, por razões que me escapam, seja porque foi preciso empregar mais gente, seja porque o gosto não abunda para aqueles lados, os intermezzos em que entravam poemas de David, eram tão possidónios que dava vontade de agredir a televisão. Umas meninas a dançar, umas imagens dos monumentos de Lisboa a mergulhar no Tejo, uns poemas lidos sobre um fundo azul com umas gotinhas de água. Isto num poeta que deixou gravado, de forma magnífica, os seus melhores poemas, e tendo entre os depoentes gente que diz melhor poesia, sem cair no sentimentalismo barato. Se se retirassem aquelas pastelices, e se substituíssem por fados da Amália, por imagens dos programas de televisão que fez ( e que mereciam, como o Nemésio, já ter sido editados em DVD), e por mais depoimentos ficava muito mais escorreito.

A estética narrativa dos nossos documentários raras vezes escapa a esta antiquada retórica que parece ainda dever algo à televisão de antes do 25 de Abril e é pena.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: PARA QUEM QUEIRA SABER COMO É A GUERRA BIOLÓGICA

John Kelly, The Great Mortality : An Intimate History of the Black Death, the Most Devastating Plague of All Time, Nova Iorque, Harper Collins, 2006.

Não tenhamos muitas ilusões: a guerra biológica, que, com grande probabilidade, teremos de afrontar neste século, será muito parecida com a terrível pestilência que no século XIV veio de Caffa, da Rota da Seda, para a Europa em meia dúzia de barcos genoveses. Onde chegavam, as pessoas começavam a tombar mortas, e os ratos e as pulgas que os infectavam estendiam-se pelo interior levando a doença até ao coração das terras europeias a velocidades que atingiam quatro quilómetros por dia. Onde chegava a peste, entre 50% e 70% dos infectados morriam, num curto intervalo de tempo, criando uma enorme perturbação social. Em muitos sítios, a ordem desapareceu e cada um ficou entregue a si prório e às piores violências imagináveis. Noutros, um módico de ordem resistiu, com as municipalidades (em várias cidades italianas, por exemplo) a funcionar para assegurar o enterro dos mortos e as frágeis medidas de salubridade pública que eram compatíveis com a medicina galénica que então se praticava. Mas, toda a história da Peste Negra mostra algo de muito importante para a percepção sobre os ataques biológicos (ou mesmo sobre pandemias possíveis como a "gripe das aves"), o enorme potencial de disrupção social das doenças contagiosas, do contágio fácil, humano a humano.

O livro de John Kelly sintetiza muitos dos relatos conhecidos sobre a Peste, e são mesmo muitos, e descreve as condições que favoreceram a rápida expansão da doença, em particular o enorme recuo do mundo medieval em relação ao mundo antigo na valorização da limpeza. Os romanos investiam no saneamento básico, as cidades, vilas e aldeias medievais viviam afogadas em lixo. É, às vezes, um pouco cansativo no detalhe anedótico, mas transmite o sentimento de opressão psicológica, de impotência e de "fim do mundo", da Peste.

Prevenidos já estamos.


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EARLY MORNING BLOGS
1087 - Seeker Of Truth

seeker of truth

follow no path
all paths lead where

truth is here

(e.e. cummings)

*

Bom dia!

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14.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Monumento a Miguel Torga. (MC )



Jardim Japonês em Tatton Park, Cheshire, Inglaterra . (Luís Cunha Chester, UK)



Cristo-Rei em Almada. (Carlos Oliveira)


A Barra (Ilhavo) vista do navio museu Santo André em Aveiro. (Paulo Cardoso)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (27)


O mal não está em que no PSD haja o "circuito da febra e da carne assada", como maldosamente uma fonte mendista dizia aos jornais ser aquele que Aguiar Branco não queria fazer. O "circuito da febra" tem sentido num partido popular em que muita gente nunca poderia ver um "notável" ou dizer umas verdades a um ministro se não fosse a ocasião da "febra". A questão é que nem deveria ser este o único circuito, nem ser este circuito o sinal da "militância" do "estar com as bases". Deveria haver um circuito das universidades, um circuito das tecnologias, um circuito dos livros, um circuito dos professores, dos médicos, dos enfermeiros, dos operários especializados, noutros sítios, noutros locais, noutras ecologias e de outras formas. E não há. É por não haver estes "circuitos" que a auto-imagem do partido não descola das "febras", onde, bem vistas as coisas, vão sempre os mesmos há muitos anos.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (26)


As duas candidaturas no PSD colocaram notícias nos jornais sobre os seus serviços de SMS. Menezes foi pioneiro, Marques Mendes veio a seguir. Podiam fazer muitas coisas, mas a prioridade pelo telemóvel como instrumento de comunicação política está muito conforme aos tempos, numa altura em que é impossível estar junto de alguém mais de cinco minutos sem o ver ao telemóvel. Como de costume as "jotas" foram pioneiras e usavam (e usam) o telemóvel à ganância.

O problema é que se nada se tem a dizer, o telemóvel basta. Se alguma coisa se pretende dizer ou discutir, não chega. São precisos papers, textos, reflexões, na rede e em papel. E não adianta dizer que estão a ser preparados os documentos, usando-se os nomes dos autores desses documentos para essas listas de "espingardas", porque na realidade é o telemóvel o veículo de comunicação mais eficaz para se dizer... nada. O resto é sentido mais como uma obrigação de circunstância do que uma necessidade vital.

Por isso, o telemóvel encaixa completamente na "Attention Deficit Disorder" dos nossos dias, como o seu short attention span, a sua incapacidade de prestar atenção a mais do que meia dúzia de palavras e sons, a sua íntima ligação com o soundbite, com a publicidade, com a linguagem dos chats, com muita da "cultura de blogue", com muita da iliteracia dos alfabetizados que são capazes de falar assim :- ) Oi, Tdo bem? 2 k fzes na 3a? Kres vir à festa Pontal? :-x, mas são incapazes de expor um argumento em três frases com sequência lógica.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Portugal a 40°51'40.22"N 8° 7'2.13"W , Drave, perto da Serra de S. Macário.

(José Manuel de Figueiredo)

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EARLY MORNING BLOGS
1087 - East Coker (fragmento)

In my beginning is my end. In succession
Houses rise and fall, crumble, are extended,
Are removed, destroyed, restored, or in their place
Is an open field, or a factory, or a by-pass.
Old stone to new building, old timber to new fires,
Old fires to ashes, and ashes to the earth
Which is already flesh, fur and faeces,
Bone of man and beast, cornstalk and leaf.
Houses live and die: there is a time for building
And a time for living and for generation
And a time for the wind to break the loosened pane
And to shake the wainscot where the field-mouse trots
And to shake the tattered arras woven with a silent motto.

In my beginning is my end. Now the light falls
Across the open field, leaving the deep lane
Shuttered with branches, dark in the afternoon,
Where you lean against a bank while a van passes,
And the deep lane insists on the direction
Into the village, in the electric heat
Hypnotised. In a warm haze the sultry light
Is absorbed, not refracted, by grey stone.
The dahlias sleep in the empty silence.
Wait for the early owl.

(T.S. Eliot)

*

Bom dia!

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13.8.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Agosto de 2007


A RTP começou hoje (13 /08/2007) o Telejornal das 20 horas com uma reportagem alarmista sobre a queda dos mercados bolsistas. A queda tinha sido na sexta feira dia 10 de Agosto. (imagino que na sexta feira tenham sido apanhados desprevenidos e mantiveram-se no caso Maddie). Alguém decidiu então mandar fazer uma reportagem sobre o assunto. Veio a verificar-se que durante o dia 13, segunda feira, os mercados tiveram tendência a corrigir da queda bolsista de sexta feira mas, mesmo assim, abriram fogo com vocabulário incendiário sobre as “assustadoras” quedas bolsistas com descrições acerca do “pânico” dos investidores como se a reportagem tivesse actualidade. De seguida trucidaram o Banco Central Europeu (BCE) que, para resolver um problema de liquidez do sistema financeiro europeu, terá posto à disposição dos bancos mais de 40 mil milhões de euros. Na reportagem a RTP, de forma crítica, censurava o fornecimento de liquidez ao mercado que seria a responsável pelas previstas novas subidas de taxas de juro.

Parece que a reportagem, feita pelo amador de serviço, estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana. Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho e que o BCE considere que os mercados estão normalizados com a ampla liquidez conferida ao mercado, o execrável serviço público não se comoveu.

(Miguel Rosa)

*

No texto de Miguel Rosa confundem-se opinião e factos. E os factos são: (comprovados no site da RTP)

1. No Telejornal da sexta-feira que refere (dia 10), o telejornal emitiu duas peças sobre o assunto;
2. O vocábulo "assustadoras" não consta em nenhuma peça do telejornal de dia 13;
3. Sobre a actualidade ("...como se a reportagem tivesse actualidade.") outros órgãos como a TSF deu a mesma notícia ao longo de toda a tarde do mesmo dia, e nos jornais de terça-feira foi assim: no DN na primeira página e destaque nas primeiras páginas. No público é o destaque na Economia, uma página inteira, no Diário Económico é manchete na primeira página, mais cinco lá dentro. No Jornal de Negócios é manchete, mais três páginas e um editorial;
4. "...terá posto à disposição dos bancos...", o BCE colocou, de facto, como vi/li/ouvi em todas as notiícias, apenas Miguel Rosa parece duvidar;
5. Sobre a desactualização das notícias: ("Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho...") além de não ter "inutilizado" todas as notícias em toda a imprensa escrita no dia seguinte, na mesma peça da RTP é dito: ..." Num comunicado o presidente do BCE mostra-se convicto de que esta tranche chega para normalizar as operações da banca Europeia. E o recado parece ter surtido efeito. A face mais frágil da crise no sistema bancário são as bolsas. Depois das fortes quedas do final da semana passada voltaram agora às subidas ."

As opiniões são:
1. "reportagem alarmista";
2. "imagino que na sexta feira tenham sido apanhados desprevenidos e
mantiveram-se no caso Maddie", imaginou mal como se pode ver;
3. "Alguém decidiu então mandar fazer uma reportagem sobre o assunto."
Puramente especulativo;
4. "vocabulário incendiário";
5. "trucidaram o Banco Central Europeu" (?!);
6. "de forma crítica, censurava" (?!);
7. "feita pelo amador de serviço" não é necessário insultar para criticar;
8. "estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana." Puramente especulação;
9. "execrável serviço público".
Mais opinião que factos como se vê. Acho que se não queremos ver posta em causa a nossa credibilidade teremos de ser absolutamente rigorosos.

Samuel Freire

*

Acabei de rever o Telejornal de dia 13/8 no serviço de TV online da RTP (via internet) e aqui dou a mão à palmatória: neste aspecto é um excelente serviço público de que até hoje desconhecia a existência.

Respondendo a Samuel Freire (que presumo seja o autor da reportagem que critiquei), passo a reproduzir alguns "factos" e opiniões.

1 - Quando utilizo a expressão "assustador", não estou tão afastado da versão da reportagem. Na verdade, num dia que terminou com todas as bolsas a recuperarem (umas mais, outras menos) das quedas do dia útil anterior, a reportagem fala em "pânico" dos investidores, "colapso" do sistema e "explosão" das taxas de juro. Com algumas cautelas, admito. Mas o que fica nos ouvidos do telespectador (como muito bem sabem na RTP) são as palavras fortes: pânico, colapso, explosão. Esta última é particularmente incendiária, não ?

2 - No que se refere "a trucidar o Banco Central Europeu" diz a reportagem, taxativamente: ".....As intervenções do Banco Central estão a criar um clima de incerteza em relação às taxas de juros. Há quem defenda que as injecções de capital do Banco Central inviabilizam a necessidade do aumento das taxas de juro já em Setembro. ....". Com esta frase, a mim pareceu-me que se responsabilizava o Banco Central pelos acontecimentos.( afinal não pelo aumento das taxas de juro como referi inicialmente mas porque a sua actuação impedia esse aumento).

3 - Continuo a considerar que na sexta feira foram apanhados desprevenidos no Telejornal porque, nesse dia, as fortes quedas das bolsas é que mereciam destaque e foi com a infeliz da Maddie que começaram o noticiário. Na segunda feira a crise parecia ter amenizado e, embora a notícia merecesse honras de abertura, creio que o tom de alarme chegou atrasado. E, por outro lado, não creio que a evolução dos acontecimentos de terça e quarta feiras, que lhes veio a dar alguma razão, possa servir de desculpa, tal como, se dentro de uma semana tudo estiver normalizado, eu não passarei a ter mais razão. No fundo o quero dizer é que os noticiários devem reflectir as notícias do dia.

4 - Finalmente peço desculpa pelos excessos de adjectivação, como nas expressões utilizadas: "feita pelo amador de serviço", "execrável serviço público" . Tanto mais que ouvida a notícia uma segunda vez se percebe alguma cautela no conteúdo, mantendo porém a adjectivação incendiária que é o que fica nos ouvidos do telespectador que não tenha acesso à repetição. E continuo a crer que é essa a intenção das televisões, coisa que não posso deixar de continuar a criticar.

(Miguel Rosa)
*

O Eugénio de Andrade quando alguém lhe falava do Torga dizia com imenso desdém, "ah! esse poeta parolo..."

*
Essa citação do Eugénio de Andrade sobre o Torga, faz pensar na habitual dureza (um eufemismo!) de uns autores para os outros. Independentemente de achar ou não que seja esse o caso aqui, é incrível ver como os escritores são por vezes tão escandalosa e surpreendentemente "injustos" para com os "colegas". Há disparates esplêndidos (sem ironia) na história da literatura. Lembremo-nos dos juízos de Tolstoy sobre Baudelaire ou de Brecht sobre Thomas Mann, de Nabokov sobre Balzac e Mann outra vez, Wittgenstein sobre Shakespeare... Ou, à nossa dimensão, das opiniões que Camilo confessava sobre Eça, do olhar deste sobre Camilo e do "ódio" de Fialho de Almeida pelo autor d'Os Maias. São cegueiras talvez inevitáveis. A época, a Escola. Ainda assim. Por vezes, um pobre crítico literário (uma espécie de eunuco estético - imagem de Steiner) consegue ver "melhor". Os grandes escritores são também grandes leitores e no entanto... Também na Filosofia acontece: não se fica banzado com a maneira desdenhosa com que Kant despacha Berkeley? Ou a visão que parece ter de Leibniz? E os ataques selvagens de Schopenhauer a Hegel e Fichte?

Torga poeta parolo: acho que se percebe o que Andrade quer dizer. E, enfim, num país pequeno, pobre e provinciano... Mas já não será de modo nenhum parolo o Torga dos Contos da Montanha (os Novos e os outros), de alguns Bichos e, descobri há pouco, algumas páginas do Portugal.

(Carlos David Botelho)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Há minutos nos Jardins Botânicos de Denver CO, USA . (Manuela Mage)



Hoje à tarde, na Figueira da Foz (José Manuel de Figueiredo)

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EARLY MORNING BLOGS
1086 - Invocation to Rain in Summer

O gentle, gentle summer rain,
Let not the silver lily pine,
The drooping lily pine in vain
To feel that dewy touch of thine,—
To drink thy freshness once again,
O gentle, gentle summer rain!

In heat the landscape quivering lies;
The cattle pant beneath the tree;
Through parching air and purple skies
The earth looks up, in vain, for thee;
For thee—for thee, it looks in vain,
O gentle, gentle summer rain.

Come thou, and brim the meadow streams,
And soften all the hills with mist,
O falling dew! from burning dreams
By thee shall herb and flower be kissed,
And Earth shall bless thee yet again,
O gentle, gentle summer rain.

(William Cox Bennett)

*

Bom dia!

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12.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Forte da Ínsua, Moledo do Minho, ao fim da tarde. (Gil Regueiro)



Hoje à tarde, nos Loendros (Vouzela). (José Manuel de Figueiredo)





Largada do toiro, nas festas do Barrete Verde, em Alcochete (10-15Ago). ( António Cabral)


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11.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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Ontem à noite, no início das festas populares do Barrete Verde, em Alcochete

( António Cabral )

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Pequenos grandes leitores numa feira do livro no Portugal profundo.

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EARLY MORNING BLOGS
1085 - With Tenure

If Ezra Pound were alive today
(and he is)
he'd be teaching
at a small college in the Pacific Northwest
and attending the annual convention
of writing instructors in St. Louis
and railing against tenure,
saying tenure
is a ladder whose rungs slip out
from under the scholar as he climbs
upwards to empty heaven
by the angels abandoned
for tenure killeth the spirit
(with tenure no man becomes master)
Texts are unwritten with tenure,
under the microscope, sous rature
it turneth the scholar into a drone
decayeth the pipe in his jacket's breast pocket.
Hamlet was not written with tenure,
nor were written Schubert's lieder
nor Manet's Olympia painted with tenure.
No man of genius rises by tenure
Nor woman (I see you smile).
Picasso came not by tenure
nor Charlie Parker;
Came not by tenure Wallace Stevens
Not by tenure Marcel Proust
Nor Turner by tenure
With tenure hath only the mediocre
a sinecure unto death. Unto death, I say!
WITH TENURE
Nature is constipated the sap doesn't flow
With tenure the classroom is empty
et in academia ego
the ketchup is stuck inside the bottle
the letter goes unanswered the bell doesn't ring.

(David Lehman )

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Uma festa no Portugal profundo. Agora.

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10.8.07


COISAS DA SÁBADO: E PARA NÃO SAIR DAS IMAGENS DE STATUS

The image “http://www.igrejasegura.com.pt/millennium_bcp1.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

(e na sequência deste texto)

Vale a pena ir ao espectáculo do BCP, também ele exemplar. De um lado a gravitas esperável da Opus Dei, da alta, dos senhores que de uma ponta à outra transparecem ordem, respeito, dignidade, influência, poder; do outro Joe Berardo, o novo-rico, o parvenu, pouco respeitador das convenções da alta, articulando com dificuldade umas frases num português meio madeirense, meio da diáspora sul-africana, usando o seu poder da maneira que o obteve, brutal e eficaz, sem rodriguinhos, introduzindo na alta finança a linguagem que invadiu tudo, a do futebolês-politiquês, usando de forma certeira a demagogia, os ordenados milionários dos administradores argumento ad terrorem. E no final, no meio de tanta fineza, a mostrar como todos são mais parecidos com ele do que parecem, a mostrar que os conflitos de poder não são abafados por tapetes persas nem mobiliário de mogno, e são mais parecidos com a saga de Deadwood , onde ele Berardo, já esteve e sabe que continua a estar. Vão ver como ele se vai sair melhor do que os “outros”, até porque quer ganhar dinheiro e não me parece muito interessado em ir para o Céu.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Azulejos em Portalegre. (António Cabral)



Calle Camoens (Ceuta).



Teatro Manuel (em Malta).



Estação Marítima em Ceuta. (Mónica Lopes)

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COISAS DA SÁBADO:O CASO DA “PEQUENA MADDIE”


Será, a seu tempo, mais um case study sobre a espectacularização dos media, igual a muitos outros, mas também com diferenças muito significativas. Muita coisa de semelhante existe na espectacularização mediática, caso após caso, desde a Ponte de Entre-os-Rios à “pequena Maddie”, mas, ao estudarmos as diferenças, percebe-se que os interditos neste caso algarvio remetem para preconceitos sociais que impregnam todo o caso. Os jornalistas que agora se preparam para investir contra a família de “Maddie”, ao sabor das fugas policiais orientadas, sempre tiveram um tabu que contrasta com o tratamento do caso da “Joana”, que não mereceu sequer o qualificativo de proximidade de “pequena”, e que merece ser usado como termo de comparação. Classe, status, inscritos nos corpos, nos rostos, na condição social, na nacionalidade, na casa, nos familiares, nos porta-vozes, nas “relações públicas”, pesam e muito naquilo que os jornalistas “respeitam” ou desrespeitam. O resultado está à vista.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

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Paredes das Caldas da Rainha. (A.)



Paredes de Evoramonte, Alentejo. (M. Evora)





Paredes do Sul.

(António Cabral)

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1084 - On Seeing Larry Rivers' Washington Crossing The Delaware At The Museum Of Modern Art

Now that our hero has come back to us
in his white pants and we know his nose
trembling like a flag under fire,
we see the calm cold river is supporting
our forces, the beautiful history.

To be more revolutionary than a nun
is our desire, to be secular and intimate
as, when sighting a redcoat, you smile
and pull the trigger. Anxieties
and animosities, flaming and feeding

on theoretical considerations and
the jealous spiritualities of the abstract
the robot? they're smoke, billows above
the physical event. They have burned up.
See how free we are! as a nation of persons.

Dear father of our country, so alive
you must have lied incessantly to be
immediate, here are your bones crossed
on my breast like a rusty flintlock,
a pirate's flag, bravely specific

and ever so light in the misty glare
of a crossing by water in winter to a shore
other than that the bridge reaches for.
Don't shoot until, the white of freedom glinting
on your gun barrel, you see the general fear.

(Frank O'Hara)

*

Bom dia!

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9.8.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.

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