| ABRUPTO |
semper idem Ano VI ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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30.4.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 30 de Abril de 2007 Novas formas de sociabilidade: encontros de blogues (em alta), amizades de blogues (em baixa), amiguismo nos blogues (em alta quanto aos livros), sedução nos blogues (em alta, mas sempre muito corny), rupturas nos blogues (em alta), casamentos e divórcios nos blogues (não é estatisticamente relevante porque já não se usa), filhos nos blogues (em alta), mortes nos blogues (poucas, mas lá chegará o tempo).O ersatz da vida toda, motor dos reality shows na TV, floresce nos blogues. Etiquetas: blogosfera (url) LIVROS NAS TERRAS DO LIVRO 5 (url) EARLY MORNING BLOGS 1009 - The Sun RisingBusy old fool, unruly sun, Why dost thou thus, Through windows, and through curtains call on us? Must to thy motions lovers' seasons run? Saucy pedantic wretch, go chide Late school boys and sour prentices, Go tell court huntsmen that the king will ride, Call country ants to harvest offices, Love, all alike, no season knows nor clime, Nor hours, days, months, which are the rags of time. Thy beams, so reverend and strong Why shouldst thou think? I could eclipse and cloud them with a wink, But that I would not lose her sight so long; If her eyes have not blinded thine, Look, and tomorrow late, tell me, Whether both th' Indias of spice and mine Be where thou leftst them, or lie here with me. Ask for those kings whom thou saw'st yesterday, And thou shalt hear, All here in one bed lay. She's all states, and all princes, I, Nothing else is. Princes do but play us; compared to this, All honor's mimic, all wealth alchemy. Thou, sun, art half as happy as we, In that the world's contracted thus. Thine age asks ease, and since thy duties be To warm the world, that's done in warming us. Shine here to us, and thou art everywhere; This bed thy center is, these walls, thy sphere. (John Donne) * Bom dia! (url) 29.4.07
FERIADOS VIVOS E MORTOS O discurso presidencial na Assembleia da República no dia 25 de Abril repetiu mais uma vez um tema recorrente nesse tipo de discursos: o que fazer com este dia para ele parecer "vivo" e não morto?![]() Ao longo dos anos, esta Câmara tem-se reunido em sessão solene para assinalar a passagem do dia 25 de Abril. Esta cerimónia tem vindo a repetir-se durante as últimas décadas, ano pós ano, sem grandes alterações de fundo. Creio que é chegado o tempo de nos confrontarmos com algumas interrogações. De tão repetida nos mesmos moldes, o que resta verdadeiramente da comemoração do 25 de Abril? Continuará a fazer sentido manter esta forma de festejarmos o Dia da Liberdade, ou será tempo de inovar? Estas dúvidas trazem consigo uma outra pergunta: não estarão as cerimónias comemorativas do 25 de Abril a converter-se num ritual que já pouco diz aos nossos concidadãos? Preocupo-me sobretudo com o sentido que este Dia da Liberdade possui para os mais jovens, para aqueles que nasceram depois de 1974. É deles o futuro de Portugal. O que dirá este cerimonial às gerações mais novas? É uma pergunta que não posso deixar de colocar à reflexão dos Senhores Deputados à Assembleia da República.O que fazer com o 25 de Abril para não parecer mais um dia em que não se trabalha e se vai para o Algarve? A pergunta já fora feita por Eanes, Soares e Sampaio, quer a propósito do 25 de Abril, quer a propósito do 5 de Outubro. O que é que leva os presidentes a interrogar-se sobre o sentido do seu papel nas sessões solenes da Assembleia da República todas as vezes que têm de falar num feriado com origem histórica e cívica, já que nunca vi nenhum presidente interrogar-se sobre os feriados religiosos? Mais: por que razão essa interrogação se concentra nas cerimónias do 5 de Outubro e, em particular, nas do 25 de Abril e não se coloca com a mesma acuidade no 10 de Junho e muito menos no 1º de Dezembro? A razão é contra-intuitiva, mas é bem simples: é que o 25 de Abril ainda é um feriado vivo e, por isso, divide e é controverso. Quando um presidente se interroga sobre o 25 de Abril e a sua eficácia comemorativa, está a fechar os olhos a uma evidência que passa a meia dúzia de metros da Assembleia: a "manifestação popular" do 25 de Abril que o PCP, a Intersindical, o BE, uma mão-cheia de pequenos grupos da extrema-esquerda que ainda existem e a ala esquerda do PS patrocinam com considerável sucesso na Avenida da Liberdade. Este ano até com um sucesso maior, dado que a "rua" tem estado bastante cheia de manifestações com grande quantidade de pessoas, devido ao agravamento da situação económica e social portuguesa. Mas esta manifestação é uma não-entidade, um curioso caso de como uma coisa que existe não existe nem para os media, nem para o Presidente, nem para a mecânica da opinião pública e publicada. Só a transformação deste 25 de Abril "popular", ou seja, da "esquerda", numa fantasmática irrealidade é que permite que o Presidente e os seus ecos governamentais digam, com absoluta calma e naturalidade, aquilo que, pelo menos para esta data, não é verdadeiro: que existe um problema de interesse e mobilização à volta do feriado do 25 de Abril. Bem pelo contrário, o 25 de Abril é um dos poucos feriados "vivos" que ainda existem, contrastando com a morte do 5 de Outubro (para todos menos os mações e os monárquicos) e dos outros feriados cívicos. ![]() Várias fotos das "manifestações populares" do últimos anos, incluíndo a de 2007. Numa demonstração suplementar do carácter de não-acontecimento destas manifestações está a enorme escassez de fotografias disponíveis em linha, e dos resultados das pesquisas de imagem no Google.Basta ver os blogues, que têm uma linguagem menos politicamente correcta, para se perceber que mesmo entre os jovens politizados ele está mais "vivo" que na própria Assembleia da República. Na Rede, uma parte da "direita", incluindo os jovens lobos da clientela de Paulo Portas, ou o seu espelho perfeito, os aderentes radicais chic pós-25 de Abril do BE, mantém uma enorme carga de politização do 25 de Abril, um 25 de Abril já completamente abstracto mas que ainda funciona como grande divisor na procura quase doentia de identidade que têm os grupos radicais. O problema é que a "vivacidade" do 25 de Abril, nas manifestações "populares" ou nos grupos radicais à direita e esquerda, é politicamente inconveniente e não é assimilável pelo discurso oficial que hoje une o Presidente com o primeiro-ministro e o PS, grande parte do PSD, e que obtém o lip service complexado do CDS-PP. Por isso têm que o matar para pretender ressuscitá-lo como outra coisa: um feriado morto, que se ensine nas escolas com a distância da viagem de Vasco da Gama e a unanimidade da opulência manuelina. No fundo a queixa é, digamos assim, pedagógica, as escolas não ensinam bem a "liberdade", como não ensinam bem a "boa educação", mudemos pois as coisas senhores deputados, em nome do 25 de Abril. Tudo o que aqui digo sobre o 25 de Abril se aplica ao 1º de Maio, que também é um feriado "vivo", mas comemorado do lado não-existente. Pode aparecer um milhão de pessoas nas manifestações que a intelligentsia mediática aborrece-se com o evento com a mesma sensação de inutilidade que lhe dá a imprensa "económica" cheia de yuppies: são restos do Portugal "velho" que não quer reformas, nem progresso económico, nem dinamismo e flexibilidade empresarial, logo não existe para a política do presente. Para esta forma de "pensamento único" a nulificação do 25 de Abril e do 1º de Maio é uma forma de combate político, como para o PCP o é a sua afirmação nas ruas como componente do discurso comunista. A ideia que a comemoração do 25 de Abril deve ser dirigida aos "jovens", essa outra entidade mítica da política moderna num país que tem cada vez menos jovens e cada vez mais velhos, é, bem vistas as coisas, um pouco absurda. Dirigi-la aos velhos teria certamente mais sucesso, porque para eles a data significa muito, muito bem ou muito mal, mas muito. Os retornados, os opositores ao regime de Salazar-Caetano, a elite que apoiava e beneficiava com a ditadura, o povo comum que nos primeiros dias depois de 25 de Abril "viveu" de forma existencialmente intensa uma revolução, as vítimas do PREC, todos os mais velhos têm alguma coisa a dizer sobre o 25 de Abril. Para os mais novos é em grande parte mais um TPC, mais umas aborrecidas aulas sobre o sinistro Salazar "que matou muita gente" e sobre a "liberdade", algo de tão abstracto porque felizmente ainda existe como o ar que se respira, ou seja, não se dá por ela a não ser quando não se tem. Nos jovens, o 25 de Abril já está no mesmo catálogo de ignorância, irrelevância e indiferença que o feriado cívico que veio substituir, o 5 de Outubro. Já ninguém se recorda, mas o 5 de Outubro já esteve há uns anos tão "vivo" como hoje ainda está o 25 de Abril, quando os gritos dos republicanos, o que significava na prática a Maçonaria, de "viva a República" eram dados com lágrimas nos olhos e na expectativa da carga policial à porta dos cemitérios ou dos monumentos que lembravam os próceres da República. Depois, pouco a pouco, as "romagens" aos cemitérios foram tendo cada vez menos gente, que se gritava emocionada "viva a República" era da campa ao lado e não os ouviam os vivos. Mas, convém lembrar, o Portugal de 2007 ainda não é o Portugal dos jovens sem história, nem demográfica nem socialmente. O 1º de Dezembro e o 10 de Junho são feriados ambíguos, porque os eventos que lhes deram origem já se apagaram de todo da memória colectiva. Esses sim estão completamente mortos, tanto mais mortos que ninguém pergunta sequer como os "transmitir aos jovens". Não estou a imaginar uma turba a atirar Pina Moura pela janela como fez a Miguel de Vasconcelos, nem camoneanos saudosos nas "comunidades" a recitar o vate pátrio e a mobilizar-se para a cerimónia das condecorações. A única parte "viva" do 10 de Junho é também aquela que escondemos: a memória dos militares mortos nas guerras coloniais, duplamente esquecidos, porque a sua memória choca com a parte "viva" do 25 de Abril e porque somos um dos poucos países que, tendo tido uma guerra recente, não temos sequer a dignidade da lembrança para oferecer aos que nela morreram, porque temos pouco respeito por nós próprios.Resta pois o único feriado "vivo" de carácter histórico e cívico, o 25 de Abril, porque continua controverso e divisor, politicamente pouco neutro e mexendo com a paixão ou a repulsa das pessoas que o viveram e que ainda são muitas. Mas, como em tudo, é só esperar que o tempo o mate. A entropia fará o serviço de reduzir o 25 de Abril ao 5 de Outubro, como reduziu o 5 de Outubro ao 10 de Junho e o 1º de Dezembro a nada. Ficou alguma coisa? Ficou e muita, mas perderá a data como referência e ainda bem, porque significa que teve sucesso depois de estarmos todos mortos. (No Público de 28 de Abril de 2007) (url) IMAGENS QUE FALAM (url) EARLY MORNING BLOGS 1008 - ...esta aventura, y las a estas semejantes, no son aventuras de ínsulas, sino de encrucijadas ... Ya en este tiempo se había levantado Sancho Panza algo maltratado de los mozos de los frailes, y había estado atento a la batalla de su señor Don Quijote, y rogaba a Dios en su corazón fuese servido de darle victoria y que en ella ganase alguna ínsula de donde le hiciese gobernador, como se lo había prometido. Viendo, pues, ya acabada la pendencia, y que su amo volvía a subir sobre Rocinante, llegó a tenerle el estribo, y antes que subiese se hincó de rodillas delante de él, y asiéndole de la mano, se la besó y le dijo: sea vuestra merced servido, señor Don Quijote mío, de darme el gobierno de la ínsula que en esta rigurosa pendencia se ha ganado, que por grande que sea, yo me siento con fuerzas de saberla gobernar tal y tan bien como otro que haya gobernado ínsulas en el mundo. A lo cual respondió Don Quijote: advertid, hermano Sancho, que esta aventura, y las a estas semejantes, no son aventuras de ínsulas, sino de encrucijadas, en las cuales no se gana otra cosa que sacar rota la cabeza, o una oreja menos; tened paciencia, que aventuras se ofrecerán, donde no solamente os pueda hacer gobernador, sino más adelante. Agradecióselo mucho Sancho, y besándole otra vez la mano y la falda de la loriga, le ayudó a subir sobre Rocinante, y él subió sobre su asno, y comenzó a seguir a su señor, que a paso tirado, sin despedirse ni hablar más con las del coche, se entró por un bosque que allí junto estaba. (Miguel de Cervantes) * Bom dia! (url) 28.4.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 28 de Abril de 2007 A parte nobre do debate em directo das eleições francesas na CNN foi feita com autores de blogues, que estavam ao mesmo tempo a actualizá-los. O Abrupto foi pioneiro desta prática que se está a generalizar. * Pensava eu, coleccionador, que a actividade tinha alguma dignidade mesmo na compulsão. O 24 Horas de hoje tirou-me as ilusões: António Vitorino d'Almeida colecciona "peluches", uma coisa que sei vagamente o que é, e diz que anda sempre com o "João Francisco", um membro da espécie; um relações públicas de uma discoteca que se chama Leitão colecciona leitões; uma "Estrelinha" da "Doce Fugitiva" da TVI colecciona vestidos, ou seja compra muita roupa e acha que isso é coleccionar; Manuel Luís Goucha colecciona botões de punho. Depois nos "famosos" há Legos (a única coisa decente); sapatos sem o fõlego da Imelda Marcos, tudo do género das bugigangas chinesas a julgar pelas fotografias. A tradição já não é o que era.
(url) (url) (url) 27.4.07
(url) IMAGENS QUE FALAM (url) EARLY MORNING BLOGS How on earth did it happen, I used to wonder that a whole city—arches, pillars, colonnades, not to mention vehicles and animals—had all one fine day gone under? I mean, I said to myself, the world was small then. Surely a great city must have been missed? I miss our old city — white pepper, white pudding, you and I meeting under fanlights and low skies to go home in it. Maybe what really happened is this: the old fable-makers searched hard for a word to convey that what is gone is gone forever and never found it. And so, in the best traditions of where we come from, they gave their sorrow a name and drowned it. (Eavan Boland) * Bom dia! (url) 26.4.07
(url) LIVROS NAS TERRAS DO LIVRO 3 (url) OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: O SOL DA TERRA
![]() (url) COISAS DA SÁBADO: ASCENSÃO E QUEDA DO “CASO” SÓCRATES ![]() O caso Sócrates começou por uma trivialidade: o político Sócrates usava sem rigor classificações e títulos académicos antes de os ter e quando não os tinha. Era pouco importante, mas era noticiável numa democracia em que se espera rigor da biografia oficial dos governantes. Podia ter imediatamente admitido que isso fora um engano, uma leviandade, um “uso social” descuidado, ou mesmo uma reivindicação (as escolas por onde tinha andado para se formar como “engenheiro técnico” reivindicavam a titularidade de “engenheiro”). Mesmo que admitisse ter sido um erro, a questão morria logo ali sem danos especiais para o Primeiro-ministro. Corrigia a sua biografia oficial e fechava o assunto. Sócrates fez exactamente o contrário. Acantonou-se em versões progressivamente mais contraditadas e para cada cavadela saiam várias minhocas. Ele parece ter um toque de Midas especial: qualquer documento que lhe diz respeito tem alguma coisa de errado. Ou são as disciplinas, ou são as notas, ou são as datas, ou são as versões, ou são as contradições. Até a Universidade Independente, no seu estertor, admite haver “falsificações”. Ele pode de facto estar a ser vítima de uma conspiração, mas não é pelas questões que lhe são colocadas pelo seu trajecto académico, é pelos papéis que estão nos seus dossiers. Depois, ele próprio e o seu poderoso gabinete – digo poderoso porque vários jornalistas andaram a gabar a sua capacidade de “controlar” a agenda, o que é um interessante atestado de menoridade a si próprios – fizeram tudo para impedir as notícias. Primeiro, fizeram tudo para impedir o Público de dar o salto crucial de levar a informação que já existia nos blogues para a imprensa “séria”; depois fizeram tudo para impedir que outros jornais pegassem na notícia e, em particular, que chegasse à televisão; por fim, invadiram o espaço público de sucessivas e contraditórias explicações para aumentar a confusão. Agora está-se na fase de demonizar quem ainda quer esclarecer aquilo que não está esclarecido. Não é difícil. Muitos órgãos de comunicação social só pegaram na questão a contra-gosto, e quando não a podiam evitar. Desenvolveu-se uma interpretação conveniente para encerrar o assunto com a entrevista do Primeiro-ministro, que todos sabem não respondeu (nem foi perguntado) sobre muita coisa. Mostrando uma rara contenção muitos órgãos de comunicação fecharam-se num silêncio que não é apenas silêncio: é uma crítica aos seus colegas que continuam a interessar-se pelo assunto. Por fim, não há governo, seja este seja outro (com excepção do de Santana Lopes e mesmo assim...) que não concite a nossa mecânica do “consenso” que junta sempre poderosos interesses à sua volta, materiais e espirituais. Este, até pela sua maior legitimidade política e pelo mérito do que fez, pelo apoio institucional que recebeu nos momentos decisivos do PR e da PGR, e pela sensação de falta de alternativa, ainda mais “consenso” produz. Por isso se cobrirá tudo com uma redoma ao mesmo tempo frágil e blindada e o tempo fará o seu efeito de esquecimento. Até um dia. Etiquetas: José Sócrates (url) LIVROS NAS TERRAS DO LIVRO 2 Estantes numa livraria na Jerusalem árabe. A maioria dos volumes, ricamente encadernados a ouro, são textos de carácter religioso.
(url) LIVROS NAS TERRAS DO LIVRO Leitores matinais de jornais num livraria de Telaviv, Israel. Os israelitas têm dos maiores consumos de jornais per capita do mundo.* A sua fotografia dos leitores de jornais numa livraria de Telaviv e a referência a serem os Israelitas dos maiores consumidores de jornais do mundo, fez-me lembrar de uma anedota, assaz anti-semita, que, diz-se, era contada pelo Hegel: Um Judeu, no Juízo Final, é posto diante de Deus Todo-Poderoso e Este dá-lhe a escolher entre a Salvação Eterna e... o jornal diário ("a Gazeta"). O Judeu escolhe o jornal! (url) EARLY MORNING BLOGS Is there a prayer for one who prays like him seething. He has offered no sacrifice, built no altar. He has not grasped the coattail of a flying angel, nor placed his trust in the mercy of heaven; is there a prayer for one who prays like him seething. Once he loved the lonely dweller in the sky. He remembers the day he lost his patience waiting for the echo of his cry for help to come back from empty space. His prayer stand now is the nickel clothes hanger above his bag of bones wrapped in a chilly sheet as he prays before bottles hovering like acrobats on trampolines— is everything liquid? Is there nothing solid— after the infusion? (Abba Kovner, traduzido do hebreu por Eddie Levenston) * Bom dia! (url) 25.4.07
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 25 de Abril de 2007 (2) Um exemplo típico de um tratamento comunicacional completamente hostil - a inauguração do túnel do Marquês. Por coincidência, é uma "obra" da oposição, das escassas que pode mostrar, e a perseguição a Carmona Rodrigues dentro do túnel pelos jornalistas não me lembro de nunca a ter visto ao Primeiro-ministro, muito menos no recente caso que o envolveu. Diferenças. (url) (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 25 de Abril de 2007 Ler os jornais à distância da distância e do tempo reduz dezenas de páginas ao essencial. No Sol de 21 de Abril duas coisas graves, se ainda soubéssemos medir a gravidade das coisas: - a Universidade Independente afirma que o "certificado entregue na Covilhã [o diploma da formação de José Sócrates] é forjado e já foi apresentada queixa-crime para apurar responsabilidades ". Basta este facto para que não seja possível, a não ser por razões políticas ou de bom comportamento face ao governo, considerar encerrado o caso Sócrates. Que haja um documento num dossier respeitante ao actual Primeiro-ministro que a entidade emissora considera falso a ponto de fazer uma queixa-crime (num caso em que abundam problemas de fidedignidade com os documentos), seria mais que suficiente em qualquer democracia para considerar em aberto a questão. Mas por cá abundam as pressões para encerrar o assunto e demonizar quem continua a considerar que é necessário esclarecê-lo devidamente. - Pina Moura diz numa entrevista que o convite que lhe foi dirigido para presidir ao grupo Media Capital se deve a partilhar as "mesmas convicções sobre as vantagens de uma afirmação articulada entre Portugal e Espanha" com os patrões da Prisa. Essas convicções são classificadas pelo próprio como sendo "iberistas" e da mesma natureza das que também "partilha com o presidente da Iberdrola". Ou seja, este homem que foi deputado português e continua a ser um alto quadro do PS, de quem o PS nunca se demarcou, tem feito uma carreira patrocinada por empresas espanholas no quadro de um projecto político (o iberismo é um projecto político) que ninguém, a começar pelo Parlamento português e a acabar na comunicação social, entende discutir enquanto tal.* No blogue "profissional" de Luís Paixão Martins esta fabulosa entrada, que não sei se é uma notável bofetada pública, um exercício de humor irónico, ou tudo junto. Uma coisa eu sei, nestas coisas quem paga o almoço é quem manda. Hoje almocei com um deputado, o presidente de uma associação empresarial e o secretário-geral de outra. Foi o deputado quem me pediu o encontro. Queria envolver essas entidades numa iniciativa da Assembleia da República. Como se classifica este almoço? Lóbingue ao contrário? PS: Paguei eu a conta. (url) (url) (url) (url) UM MAU CAMINHO PARA A LIBERDADE Vai chegar a Portugal, pela via paternal da UE, a criminalização da negação do Holocausto. Negar a existência do Holocausto vai dar pena de prisão, embora se admita que diferentes interpretações nacionais possam coexistir em função da tradição legal de cada país. Tal significa - uma típica demonstração da forma como funciona a UE - que a legislação aprovada pelos 27 tanto pode ser aplicada como não. Em Inglaterra não o será, em França já o é. O problema para nós é que, conhecendo a apetência do PS (e com ecos no PSD) pelo "politicamente correcto" e a necessidade do Governo em encontrar distracções grátis e inócuas para si, há todas as probabilidades de, daqui a uns dias ou uns meses, termos uma cópia portuguesa dessa legislação. A negação do Holocausto é uma aberração histórica e um extremismo político. Com mais ou menos detalhe, com diferentes interpretações sobre o alcance e o significado do que aconteceu, é da dimensão do vudu acreditar que os milhões de judeus que viviam na Alemanha, Polónia, Lituânia, Bielorrússia, Ucrânia, Holanda, Grécia, etc., etc., desapareceram do mapa dos vivos sem se saber porquê. Pensar que grandes "cidades" judaicas como Vilnius, Varsóvia, Cracóvia, Amesterdão, Salónica deixaram de o ser por algum beam me up sideral é estúpido e absurdo, mas as pessoas devem ter o direito de serem estúpidas e absurdas mesmo sobre os cadáveres alheios.Que a destruição sistemática e organizada dos judeus foi preparada pelos nazis é também um facto histórico inegável à luz dos documentos e testemunhos existentes. Autores "revisionistas" como David Irving podem ter razão num ou noutros ponto de interpretação, mas a "história" que produzem não é história. Mas mandá-lo para a cadeia, onde ele aliás já esteve, por pensar mal, ou mesmo pensar de modo obsceno - como é natural que as vítimas do Holocausto pensem, negadas no seu sofrimento - é um atentado à liberdade. ![]() Dito isto, eu não defendo qualquer salomónica condenação do megacinismo, defendo a liberdade de se ter e defender ideias, mesmo que me sejam repulsivas. É ela a essência da liberdade de expressão e repito-o pela milésima vez: é o direito do outro pensar de uma forma que me parece no limite obscena e vergonhosa. Mas é assim a liberdade e qualquer criminalização do pensar e do dizer é liberticida. A obsessão actual de criar sociedades "limpas" da violência, da mentira, da crueldade, do racismo, da xenofobia é um dos aspectos mais liberticidas em curso nas democracias ocidentais e tem vindo a agravar-se nos EUA e na Europa. Do tabaco ao Holocausto, da pornografia ao fast food, dezenas de leis nos protegem do mal. Pode-se dizer que criminalizar a negação do Holocausto não é a mesma coisa que proibir fumar em público. De facto não é, é mais grave. Mas a atitude geral é a mesma absurda, prepotente, liberticida obsessão que nos chega do Estado e dos governos em obrigar-nos a "viver bem" e a "pensar bem", ou a ir para a prisão. (No Público de 21 de Abril de 2007) (url) (url) IMAGENS QUE FALAM (url) EARLY MORNING BLOGS E a voz passou sobre mim, cheia e rumorosa, como a rajada que curva os ciprestes: - Tu dizes que eu te persigo! Não. O óculo, isso a que chamas Profundas Sociais, são obra das tuas mãos - não obra minha. Eu não construo os episódios da tua vida; assisto a eles e julgo-os placidamente... Sem que eu me mova, nem intervenha influência sobrenatural - tu podes ainda descer a misérias mais torvas, ou elevar-te aos rendosos paraísos da terra e ser diretor de um Banco... Isso depende meramente de ti, e do teu esforço de homem... Escuta ainda! Perguntavas-me, há pouco, se eu me não lembrava do teu rosto... Eu pergunto-te agora se não te lembras da minha voz... Eu não sou Jesus de Nazaré, nem outro deus criado pelos homens... Sou anterior aos deuses transitórios; eles dentro em mim nascem; dentro em mim duram; dentro em mim se transformam; dentro em mim se dissolvem; e eternamente permaneço em torno deles e superior a eles, concebendo-os e desfazendo-os, no perpétuo esforço de realizar fora de mim o deus absoluto que em mim sinto. Chamo-me consciência; sou neste instante a tua própria consciência refletida fora de ti, no ar e na luz, e tomando ante teus olhos a forma familiar, sob a qual, tu, mal-educado e pouco filosófico, estás habituado a compreender-me... Mas basta que te ergas e me fites, para que esta imagem resplandecente de todo se desvaneça. E ainda eu não levantara os olhos - já tudo desaparecera! (Eça de Queirós, A Relíquia) * Bom dia! (url) (url)
FOGO DE ARTÍFICIO
Com os últimos foguetes do Dia da Independência, uma salva de mísseis do Hamas. (url) 23.4.07
NEVER ENDING STORY
Hoje dia de alerta máximo. Alerta de bombistas suicidas em varios locais. Alerta contra disparos nas estradas por onde vou passar. Ontem, vários mortos. Uma explosão que ouvi, ao princípio da noite, de uma noite tépida e bela atravessada por sirenes e precedida por uma outra sirene, essa comemorativa de mais de 22.000 mortos, um por cento no último ano. Paixões máximas, geografia mínima. (url) 22.4.07
A CULPA E' DOS SULTOES
O imperio otomano nao se baseava numa realidade nacional e, nem depois da Revoluc,ao Francesa, cujas ideias chegaram la', conseguiu gerar cidadaos. Quando tentou era tarde demais. A sua forc,a e a sua fraqueza estavam em assentar numa hierarquia de comunidades religiosas independentes, subordinadas a' primacia dos turcos e do Islao, mas autogeridas. Mais do que as rac,as e as etnias era a religiao o factor de distinc,ao protegido pela interdic,ao, sob pena de morte, de proselitismos e de conversoes do Islao para qualquer outra das religioes. Por sua vez, as conversoes de judeus, cristaos latinos e ortodoxos para ao Islao eram um caminho sem retorno que "matavam" os conversos nas comunidades de origem. O grau de hostilidade contra os conversos e' uma das fontes histo'ricas da violencia nos conflitos nas Balcas. O resultado e' este mundo rigido e intratavel quando as fronteiras da identidade religiosa tem que se compatibilizar com realidades politicas que lhe sao alheias e "superiores". * Naquelas terras, já o velho império romano oriental teve problemas de coesão entre ortodoxos, jacobitas, monofisitas, nestorianos, iconoclastas e seus opositores e quase tudo isso dissidências dentro do Cristianismo e antes da chegada do Islão, 1.000 anos antes dos Sultões… Pela duração, talvez a solução administrativa destes últimos tenha sido a solução menos má para um problema congénito (url)
UM QUOTIDIANO
em que abundam as pistolas e as metralhadoras, livros, o Livro, e a fe' absoluta, menos absoluta e fe' nenhuma. (url)
VISTO DE LONGE 2
De novo, Pina Moura e Portas. Menos liberdade, mais rui'do. O PS reorganiza-se na comunicac,ao social para o futuro pro'ximo, com a mao de ferro do PSOE a ajudar. Quer no grupo da Prisa, quer na comunicac,ao social do estado, em particular na RTP, nao vai haver tolerancia em tudo o que afecte os seus mais altos interesses. Casos como o "caso Socrates" nao se podem repetir. Portas vai voltar a fazer o mesmo: uns anos de psicodrama e servic,o ao PS, outra derrota, outra retirada. O tempo voltou para tra's, para as primeiras manobras das pro'ximas eleic,oes. (url)
VISTO DE LONGE
Portugal continua com uma magnifica capacidade de fazer o tempo andar para tra's. (url) 21.4.07
DAQUI A UNS ANOS, NA EUROPA, SERA' QUE SERA' ASSIM?
Nao se pode comer carne de porco. Nao se pode comer invertebrados. Logo nao se pode comer marisco. Nao se pode comer carne com sangue. Nao se pode comer carne que saiba a alguma coisa. Nao se pode comer animais sem cascos. Pode-se comer girafa. Nao se pode comer passaros a nao ser algumas excepc.oes veementemente discutidas. Nao se pode comer na mesma refeic.ao leite ou manteiga e carne. Se se comer carne so se pode beber leite a nao ser seis horas depois pelo menos. Existe tambem um grande debate sobre se sao seis horas ou mais. Etc., etc. Podem-se comer gafanhotos, mas nem todos os tipos. * Ao ler o seu ultimo enunciado pensei que (...) envisionava uma Europa convertida ao Judaismo e seguindo as leis de Kashrut (seguidas por mim, embora com uma leitura mais "liberal"). So apos alguns momentos me apercebi que se referia a uma outra cultura, bem mais agressiva, e essa sim com objectivos de conquista mundial. Enfim, tristemente e ironicamente penso, que terao achado os ditos Europeus, ha cerca de 1300 anos... (sem acentos) (url) 18.4.07
FALAR COM DEUS NUMA ILHA DESERTA
O artigo comec,a sabiamente: com Deus deve-se sempre falar com poucas palavras. Depois vem a pergunta de supermercado: que livros de orac,oes leva para um ilha deserta (nao ha' ponto de interrogac,ao). Depois vem uma lista de siddurim . (Continua) (url)
NATUREZA MORTA EM VIAGEM
Ao meu lado direito, uma foto de uma praia ao sol. Podia ser o Algarve. Nao e'. Atra's de mim fala-se russo. Do meu lado direito, uma cadeira, um casaco, um moleskine, um telemo'vel, o International Herald Tribune. Um livro sobre Salonica. Umas folhas com o ti'tulo Portugal / XXth century - Oddities and wonders. Parece a minha letra. A meia du'zia de metros, uma esquina onde uma bomba matou o seu lote habitual de vitimas. Vitimas objectivas. Estavam nas compras, estavam na rua, estavam. Os vidros foram reparados, mas tem po'. 'A volta de mim, por cima de mim, onde agora habito, o predio e' da Bauhaus. (url) 17.4.07
IMPORTANCIA DA ORDEM NO MUNDO (url)
CHOQUE TECNOLO'GICO
Aqui os ciber-cafes que nao sao cafes, acumulam tres func,oes: conversao de moeda, tatuagens e internet. Num quartinho esconso. (url)
OLHO PARA A NOTA EM BAIXO
e vejo a falta que faz o chapeuzinho na palavra manha. Nao e' manha, mas matin, morning, morgen. Aqui os chapeuzinhos tem mais dignidade, fazem o papel das vogais. (url)
DE MANHA
gente a ler jornais e maes a passear os filhos. Jornais e natalidade nao costumam aparecer juntos. (url)
UM JORNAL PERGUNTA:
devemos educar pela identidade? E responde: sim. O contrario do que se defende na Europa. Num sitio em que nas ruas ja' ouvi cinco linguas diferentes e onde cada pec.a de roupa e' um sinal de pertenc.a a uma identidade, a um grupo dentro dessa identidade, a uma seita de um grupo dentro dessa identidade. (url)
UMA RUA DE LIVROS
![]() numa galaxia muito longe, junto a um mar de muitas guerras, onde termina uma terra com demasiados mortos. Mas ainda ha' esperanc,a. Num beco escuro, debaixo de ciprestes, uma pilha de livros para oferecer. Levei um. Um manual de como se deve escrever num quadro negro de lousa. (url) 15.4.07
(url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) CASTIGANDO OS COSTUMES ![]() O "programa" de Molière que usou a citação de Jean-Baptiste Senteuil, Castigat ridendo mores, foi exposto no prefácio do Tartufo e é pela sua natureza universal: punir os vícios pela sátira, pelo "medo do ridículo".Uma coisa é fazer uma capa do Inimigo Público, ou um cenário de um sketch televisivo, outra é um cartaz numa praça pública, ao lado de outro cartaz a que pretende servir de contraponto, instalados no terreno de uma questão política por excelência - a emigração - e que, por o ser, divide interesses, percepções e preconceitos. A transposição de uma linguagem como o humor de um meio controlado pelos seus próprios termos espectaculares - visto que a eficácia dos Gatos Fedorentos vem essencialmente do texto representado e não da escrita - para o espaço público de uma praça, onde já praticamente ninguém "faz" política, é uma mudança qualitativa. O humor na Praça do Marquês de Pombal não transporta consigo os mesmos códigos do "espectáculo" original e tem efeitos perversos, ruído, incontroláveis pelos seus autores. É que do outro lado está o cartaz do PNR. É verdade que nem o PNR, nem os Gatos Fedorentos fizeram os seus cartazes para os automobilistas do Marquês de Pombal, mas sim para a comunicação social. O problema é que o cartaz do PNR foi um grande sucesso em todos os palcos e o dos Gatos Fedorentos comporta uma ambiguidade que o torna bastante menos eficaz. Comecemos pela desproporção de meios. O cartaz do PNR é o fruto de uma actividade minoritária e sitiada, feita no limbo da política portuguesa, com fracas possibilidades de ultrapassar os muito pequenos círculos de adeptos e fiéis da extrema-direita. Em condições normais nunca chegaria às páginas da imprensa e muito menos aos ecrãs da televisão a não ser em reportagens sobre os seus "perigos", feitas de forma claramente hostil. O cartaz solitário do PNR foi, por si só, uma grande publicidade e completamente conseguido nas suas intenções: fazer propaganda do partido e do seu líder. Na verdade, é ilusório pensar que o efeito de eficácia do cartaz fosse a sua mensagem antiemigrantes. Não, o efeito de eficácia do cartaz é dizer que aquele grupo e aquele senhor da fotografia têm a coragem de dizer aquelas coisas, "que muitos pensam", sobre a emigração. Ora este efeito foi plenamente conseguido, a contrario da tendência dominante da comunicação social. O PNR só tirou vantagens de colocar o cartaz pela visibilidade incomodada que obteve, alimentando-se das reacções que provocou. Pelo contrário, o cartaz dos Gatos Fedorentos vem desse mainstream, é mais uma manifestação desse mainstream comunicacional. Os Gatos exprimiram aquilo que toda a gente acha bem pensar sobre a emigração, mesmo que depois o sinta bastante menos do que o pensa. A sua mensagem passa não pelos interstícios, onde tudo corre com mais força, como acontece com a do PNR, mas no amplo leito de cheia de um rio de planície. É por isso que o efeito de humor não é subversivo, para usar esta palavra, prega aos convencidos. Por outro lado, quando o cartaz dos Gatos foi lá colocado ao lado, o do PNR já se encontrava vandalizado, coberto por jactos de tinta que pretendiam cobrir as frases mais polémicas e a cara do dirigente do PNR. As pinturas de tinta nos olhos são uma metáfora do acto de cegar, transmitem uma imagem de violência, contrariamente, por exemplo, aos bigodes ou aos narizes de palhaço (que apareceram na última campanha eleitoral) que pretendem apenas ridicularizar. Ora aqui também ganha o PNR, visto que a imagem vandalizada do cartaz reforça subjectivamente a sua imagem de perseguidos, mostra uma intolerância qualquer de que eles são vítimas. ![]() Percebeu e depois deixou logo de perceber. Quando colocou lá doze musculados protectores, passou de agredido para potencial agressor. A inteligência parece ter-se esgotado depressa no PNR.O problema não está, como é óbvio, no facto de os Gatos Fedorentos, enquanto grupo de humoristas, fazerem política pura e dura, em pleno espaço público. Nem sequer penso ser comparável o acto de fazer este cartaz com os sketches que foram criticados como "políticos" na última campanha referendária sobre o aborto. Só que a intervenção dos Gatos Fedorentos será agora julgada pela sua eficácia política e não pelo riso que provoque. Este palco suplementar implica um risco acrescido de trivialização da imagem do grupo, acentuada igualmente pelo peso da publicidade, multiplicando actos de humor sucessivos que, a uma dada altura, tem uma pérola de humor para dez pedras de meia graça esforçada. Foi este caminho que levou esse outro humorista genial, Herman José, à crise actual. Mas o risco maior é o de as pessoas começarem a identificar uma orientação política explícita na actuação do grupo. Porque, depois, começam a perguntar-se por que razão é que eles acham o PNR, Portas e Lopes ridículos e Louçã não. Ora esta pergunta não tem humor nenhum, porque os maus "costumes" que o riso "castiga" estão bastante bem distribuídos em todos os lados da política. (No Público de 14 de Abril de 2007) (url) EARLY MORNING BLOGS Not because of victories I sing, having none, but for the common sunshine, the breeze, the largess of the spring. Not for victory but for the day's work done as well as I was able; not for a seat upon the dais but at the common table. (Charles Reznikoff ) * Bom dia! (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) 14.4.07
BIBLIOFILIA: LIVROS RUSSOS Estes livros (da esquerda para a direita) dos poetas Essenine e Maiakovski, e a tradução de 1959, de A Lã e a Neve de Ferreira de Castro , faziam parte da biblioteca russa de Francisco Ferreira "Chico da CUF" e foram-me oferecidos pelo próprio, pela sua viúva Maria Llistó, entretanto falecida, e entregues pela família. Aqui ficam em homenagem a Francisco Ferreira e a Maria Llistó, um casal que se encontrou na guerra civil de Espanha e na diáspora soviética, e que se afastou do comunismo com grande risco pessoal. A sua experiência entre os exilados comunistas portugueses na URSS era única visto que conheceram em primeira mão a tragédia da II Guerra Mundial, da repressão estalinista e a vida soviética não apenas nos meios da nomenklatura, mas também nas fábricas. A sua denúncia do comunismo soviético não era teórica, mas testemunhal, vinha do conhecimento da vida do homem comum e do seu sofrimento. (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) 13.4.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 13 de Abril de 2007 (2) Esta discussão de um "código de conduta" dos blogues depois das críticas do Primeiro-ministro à blogosfera, parece-me muito suspeita e censória. Noutra altura, talvez valha a pena, nestes dias é auto-punitiva, é admissão de uma qualquer culpa colectiva especial. Aqui no Abrupto seguem-se desde sempre regras simples: o que é ilegal "lá fora", é ilegal "cá dentro"; o que não se deve fazer num órgão de comunicação social, não se deve fazer num blogue, adaptados os géneros; o autor que assina o Abrupto com o seu nome é responsável por tudo que aqui se publica, incluindo as cartas dos leitores e não há anonimato por regra, sendo as excepções para os casos em que o anonimato é irrelevante, ou é especialmente justificado pelo risco para o seu autor, sendo que ele se encontra sempre identificado para o autor do blogue.* ![]() A apresentação promocional da terceira série de House no canal Fox é de uma imbecilidade total. * O ritmo dos silêncios e das falas nos diferentes órgãos de comunicação social sobre a controvérsia das habilitações de José Sócrates dará, a seu tempo, um excelente estudo de caso. É interessante ver como a entrevista do Primeiro-ministro serviu de pretexto para que os órgãos de comunicação social que só levantaram a questão por arrastamento incómodo, se calarem de imediato, considerando o assunto encerrado. Como o problema antes era o "silêncio", depois deste ser "quebrado" nada há mais a tratar. Nas televisões, neste momento, só a TVI continua a falar do caso na parte nobre dos telejornais (nem na RTP, nem na SIC vi qualquer notìcia às 20 horas, mas pode ter-me escapado).
(url) COISAS DA SÁBADO: COMO FALAR DE LIVROS QUE NÃO SE LERAM? ![]() Pierre Bayard, Comment parler des livres que l'on n'a pas lus?, Paris , Minuit, 2006 Aqui está um livro de consabida utilidade, que é uma excelente oferta para muita gente. Comprei-o já há uns meses atraído pelo título. Já li a contra-capa, uma excelente maneira de falar de um livro sem o ler. Lá se explica como é possível ter “un échange passionnant”, - em francês fica melhor, - sobre um livro sem ter que o ler. Conheço bem o género porque já vi vários casos em que basta conhecer o título para se discutir o livro. Dois exemplos: o Fim da História de Fukuyama e a Guerra das Civilizações de Huntington, em que nem sequer é preciso saber o título completo. Aqui fica a sugestão para tradução, genuína sugestão sem qualquer influência externa, sem amiguismo, sem escola de pensamento nem partido político, até porque ainda não li o livro nem sei se o virei a ler. * Outro exemplo de um livro que creio já ter sido discutido por pessoas que nunca o leram é «O Fascismo nunca existiu» de Eduardo Lourenço. Etiquetas: livros, Pierre Bayard (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 13 de Abril de 2007 Os pecados veniais de 1993 (ano da biografia parlamentar) ou de 1995-6 (ano da Independente) preocupam-me pouco. O "jovem" Sócrates (que já não era tão jovem como isso, mas dou o desconto porque nas carreiras políticas das "jotas" envelhece-se devagar) pode sempre dizer que confundiu o "uso social" dos títulos académicos com a sua veracidade. Passons, não é grave, nem nada de especial, até porque sem méritos não se chega a Primeiro-ministro.O curso pode ter sido de plástico, mas em muitas universidades portuguesas e não só nas privadas, é essa a oferta existente. A troca de favores, que agora parece ser, para os que querem encerrar o assunto, a única dúvida aceitável (com a ajuda inestimável do BE dixit ), só pode ser provada por um inquérito comparativo com outros estudantes em idênticas circunstâncias. Ora, isto é difícil sem uma comissão habilitada e com poderes para inquirir, e a amostra será sempre tão pequena que os resultados serão precários. Se Sócrates teve a vida "facilitada" pela Independente? É natural que sim, porque é sempre boa publicidade ter um deputado como estudante. Mas, para isto Sócrates não tinha que dar nada em troca a não ser "existir" e inscrever-se naquela universidade. Não me parece que sobre isto tenha especiais responsabilidades, e não há a mínima indicação de que terá havido qualquer troca de favores. Mas não é o Sócrates de 1993 ou de 1996 que me preocupa, é o Sócrates de 2007 revelado pela sua atitude face ao que se está a passar. Preocupa-me o "método", a ocultação da verdade pela confusão lançada com explicações e afirmações contraditórias, as pressões para que o assunto não fosse tratado na comunicação social, a mistura de arrogância e falsa indignação, o "silêncio" que fala ao telefone, a derradeira tentativa de encerrar o assunto quase manu militari usando todos os meios e todas a influências, incluindo insultos e ameaças e tentando criar um vazio de credibilidade sobre quem continua a achar-se pouco esclarecido. Isto preocupa-me até porque é o "método" da OTA, e será o "método" para qualquer coisa que irrite, acosse ou ameace o Primeiro-ministro do alto do seu poder. Não é o carácter que tem que ser julgado, é a qualidade da governação que pode ser afectada por um estilo de tratar as coisas em que se usa o poder, todo o poder, para esconder as fragilidades. * Há, no entanto, em tudo o que veio a público, um único documento que me preocupa muito mais do que qualquer outro e esse tem que ser cabalmente esclarecido e até agora não o foi. É este, em duas versões do mesmo documento: Não é um cheque, nem uma escritura, nem um documento legal, mas é o único documento que conhecemos assinado por José Sócrates e tudo nele é obscuro. E todos os dias mais obscuro fica, como se vê hoje no Jornal de Notícias: "No Parlamento também ninguém sabe explicar quando e como foram feitas as alterações, porque "decorreram 15 anos e é impossível indagar", respondeu ao JN o gabinete da secretária-geral. Adelina Sá Carvalho diz, no entanto, que, "em regra, as correcções são feitas no original", acrescentando que "nenhum dos documentos [dos dois encontrados no Parlamentol] é um original". Não há, portanto, nenhuma explicação para o facto de, em regra, as alterações serem feitas no original de "um registo biográfico que é enviado, por cópia, aos serviços que dele carecem" - como diz a secretária-geral - e existir uma cópia no Arquivo Histórico sem as correcções e outra corrigida na Divisão de Apoio ao Plenário. O gabinete do primeiro- -ministro voltou a garantir ao JN que "foi feita uma clarificação do registo inicial", salientando que em nenhuma das cópias existentes é referido "pelo deputado ter, àquela data, uma licenciatura em Engenharia Civil". O gabinete de Sócrates garante igualmente que as correcções foram feitas "naquela altura", ficando na dúvida apenas quanto ao dia, por já terem passado 15 anos. Sem o original, existem apenas duas cópias que dizem coisas diferentes."Convinha lembrar à responsável da Assembleia da República as palavras de Mariano Gago sobre a responsabilidade dos "donos" da Universidade Independente pela preservação e integralidade do seu arquivo e que se aplicam como uma luva à Assembleia da República. Convinha que não se esquecesse de que talvez não lhe fique bem ser tão peremptória sobre a impossibilidade de "indagar". Convinha também lembrar ao senhor Procurador Geral da República que, aqui sim, há razões para inquirir. Etiquetas: José Sócrates (url) COISAS DA SÁBADO: OS MARINHEIROS INGLESES E O DECLÍNIO DA VERGONHA ![]() Não cabe a ninguém fazer julgamentos morais sobre o comportamento de pessoas em perigo e seria uma enorme jactância estar a julgar sobre a coragem ou a cobardia dos marinheiros ingleses, confrontados com ameaças reais de um poder capaz de as levar avante. Mas, repito, que há qualquer coisa de muito errado em toda esta história, há, e convinha discuti-la em vez de a colocar debaixo do tapete. É que é difícil de compreender que sem qualquer sinal de aberta violência ou constrangimento forçado, - não tinham a espada da Al-Qaida e uma expectativa de uma morte quase certa sobre a sua cabeça - os marinheiros se prestassem tão depressa, tão bem e tão à vontade a servir a propaganda de guerra iraniana. Sabemos que foram ameaçados de vários anos de prisão e que o Irão mostrou que não queria saber da Convenção de Genebra para nada – por exemplo, ameaçou julgar como espiões os marinheiros ingleses que se encontravam uniformizados, logo não podiam cair sobre a acusação de espionagem, mesmo que estivessem a recolher informações – mas mesmo assim é pouco. Insisto, trata-se de militares com preparação específica, profissionais treinados e que estão numa zona de guerra, se bem que longe do sítio em que esta tem mais intensidade, Bagdad e as cidades limítrofes.Não adianta saber a opinião de cada um sobre a guerra do Iraque, mesmo admitindo que a oposição generalizada ao conflito afecta o moral das tropas. Mas o problema está mais para além deste conflito e tem a ver com a difícil sobrevivência do ethos militar nas democracias contemporâneas e com a fragilidade de velhas regras de conduta assentes na “honra”, uma ideia tão bizarra nos nossos dias que tenho que a escrever com aspas para se perceber que é a honra antiga, que ao mais pequeno estremeção se passa à colaboração quase voluntária com o “inimigo”. Sim, porque os sorrisos e as palavras afectuosos dos soldados na despedida ao Presidente do Irão não são nem forjados nem resultado de qualquer síndroma de Estocolmo para que não houve tempo nem condições. Foram mesmo fragilidade humana, fraqueza perante o inimigo. Não custa compreender que, chegados a casa, vender a história aos jornais fosse o corolário normal dos seus sorrisos iranianos, com a suicidária complacência do Ministério da Defesa britânico. Assim não vamos a lado nenhum e o mal-estar que certamente este caso causa nas forças armadas britânicas e na população representa uma grande vitória para o Irão. (url) EARLY MORNING BLOGS Among twenty snowy mountains,The only moving thing Was the eye of the blackbird. II I was of three minds, Like a tree In which there are three blackbirds. III The blackbird whirled in the autumn winds. It was a small part of the pantomime. IV A man and a woman Are one. A man and a woman and a blackbird Are one. V I do not know which to prefer, The beauty of inflections Or the beauty of innuendoes, The blackbird whistling Or just after. VI Icicles filled the long window With barbaric glass. The shadow of the blackbird Crossed it, to and fro. The mood Traced in the shadow An indecipherable cause. VII O thin men of Haddam, Why do you imagine golden birds? Do you not see how the blackbird Walks around the feet Of the women about you? VIII I know noble accents And lucid, inescapable rhythms; But I know, too, That the blackbird is involved In what I know. IX When the blackbird flew out of sight, It marked the edge Of one of many circles. X At the sight of blackbirds Flying in a green light, Even the bawds of euphony Would cry out sharply. XI He rode over Connecticut In a glass coach. Once, a fear pierced him, In that he mistook The shadow of his equipage For blackbirds. XII The river is moving. The blackbird must be flying. XIII It was evening all afternoon. It was snowing And it was going to snow. The blackbird sat In the cedar-limbs. (Wallace Stevens) * Bom dia! (url) 12.4.07
ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 12 de Abril de 2007 ![]() À luz dos recentes acontecimentos, a blogosfera emergiu como parte do processo político pela primeira vez de forma plena. De modo duplo: como local mal frequentado e como centro de vitalidade. Quem vê um sem o outro, engana-se. É como Deadwood, malfeitorias inomináveis, invejas, mesquinhices, ressentimentos, facadas nas esquinas dos comentários, gente vil na sombra do anonimato, mas, ao mesmo tempo, esta lei da selva, altamente competitiva introduz vitalidade, força, vis, numa sociedade amorfa, complacente e muito pouco dinâmica. O balanço do futuro dirá qual dos modos prevalece. Etiquetas: blogosfera (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) 11.4.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 11 de Abril de 2007 Espaços onde se pode respirar, andando: Percursos Pedestres e Pedestrianismo e Notas Perdidas de um Montanheiro". Espaços onde se pode respirar, lendo ( e vendo ) :"O Pico estirava no negrume a sua enorme massa de lavas, que o dia costumava pintar docemente de lilás e de azul. Uma ou outra luzinha acusava agora na costa e nas vertentes da montanha as calhetas adormecidas, a porta de um botequim, a janela de algum pescador doente ou de um Sr. Laurianino da Terra Alta ou de Santo Amaro, entretido a fazer as contas do vinho, da fruta e da lenha à mesa patriarcal, com a ponta da coberta arredada. O Pico era aquilo: aquela Terra Santa aproada a sueste e carregada de vinhas, de baldios, de barcos-de-boca-aberta, de bofage e de iscalho de baleia, com gentinha ainda a pé, mães ainda firmes e belas para lá do oitavo filho, velhos com barba de metro, rapazes prontos para uma cana de leme ou para um báculo de Bispo no Padroado do Oriente e felizes com qualquer destes destinos … - tudo isto debaixo de 3000 metros de "mistério" coroados de uma agulha de neve…". Nemésio, claro. (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) EARLY MORNING BLOGS Levava um Cão na boca um pedaço de carne, passava com ela um rio, e vendo no fundo da água a sombra da carne maior, soltou a que levava nos dentes, por tomar a que via dentro na água. Porém como o rio levou para baixo com sua corrente a verdadeira, levou também a sombra e ficou o Cão sem uma e sem outra. (Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes) * Bom dia! (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) 10.4.07
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 10 de Abril de 2007 (2) Quando um jornalista discute o sucesso do governo ou do Primeiro-ministro apenas como resultado de "estratégias de comunicação social", passa a si próprio um interessante atestado de instrumento passivo dessas "estratégias", quase de marioneta. Quando se diz que o último mês foi "terrível" por "incompetência" comunicacional devido aos casos da OTA e das qualificações académicas do primeiro-ministro, e se comenta com ar cognoscenti que "não percebo o que é que estão a fazer os assessores", esquece-se um pequeníssimo pormenor: é que a OTA e as confusões curriculares de José Sócrates revelaram-se questões com substância, questões que tiveram pés para andar queiram ou não os estrategos do gabinete, queiram ou não os jornalistas.* Esperei com curiosidade o debate da SICN sobre o "silêncio" do Primeiro-ministro. Pura ilusão. O tema já era de todo bizarro: que sentido tem discutir como tema principal o "silêncio" e não o caso em si? A obsessão dos jornalistas pelas "estratégias de comunicação social" em vez de irem à substância do assunto é puro umbiguismo profissional.* Não é que acrescente muita coisa ao que já se sabe, mas parece incontroverso que o Primeiro-ministro usou indevidamente não só o título de engenheiro, como a informação falsa de que tinha uma licenciatura em engenharia muito antes de efectivamente a ter, a julgar pela versão que dá do seu currículo. Por mero acaso, quando verificava umas datas biográficas, consultei a edição de 1994 de Classe Política Portuguesa de Cândido de Azevedo, feita em parte com base nas informações fornecidas pelos próprios e é assim que José Sócrates é apresentado: * Folgo por o Gato Fedorento o ter apanhado: a questão principal, agora e sempre, quase nunca é aquela que os outros propõem. A sua é. Por isso, o seu post confirma a estratégia de desqualificação que figura generosamente no seu discurso: desqualificação da argúcia dos outros, da razão dos outros, das escolhas dos outros. Os outros pensam? Sim. Pensam bem? Não. Não é apenas retórica, é mais um tique. E por isso o Gato o arranhou. Recentrando a questão. Etiquetas: comunicação social, José Sócrates (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 10 de Abril de 2007 O "caso" Esmeralda é outro exemplo de todos os absurdos que passam por normalidades no nosso quotidiano e um retrato de como esse quotidiano está hoje devastado de qualquer consideração de valor ético. É um espectáculo, como quase tudo, com actores e espectadores cumprindo o seu papel numa encenação trágico-cómica que deixará as suas vítimas na obscuridade quando o circo se levantar e for para outra freguesia. Neste caso tudo impressiona (impressiona? mas será que alguma coisa ainda impressiona?) na moldagem da "justiça" a um resultado previamente estabelecido pela percepção popular (ela própia mediática) dos "bons " e dos "maus". Como peça absurda deste teatro, este relatório que faz notícia hoje e que (supunha eu, que ainda não aprendi) seria (deveria ser) o mais confidencial dos documentos, aqui posto a público concerteza pela colaboração prestimosa da "justiça". Este relatório é mais um elemento da trama da peça, com o eco exacto na voz de uma criança daquilo que aprendeu e foi ensinada pelos adultos, da rede afectiva em que foi envolvida, a que não falta o "homem do saco".Repito a pergunta que mais faço hoje, uma variante de uma pergunta muito mais antiga e idênticamente sem resposta: who cares? Mas quem é que quer saber desses miseráveis detalhes do espectáculo? Ninguém, respondeu o outro. * Não sei se teve oportunidade de ver, mas há algumas semanas preparava-me para observar o serviço noticioso das 13h00 e apanhei o final de um destes programas altamente culturais que os precedem. Qual o meu espanto, e à mistura com o genérico, imediatamente antes do início do serviço noticioso, aparece, com efeitos gráficos, em jeito de nossa senhora, a imagem do pai adoptivo, fardado como sempre, vendo-se por baixo uma frase que se não estou enganado dizia “preso há xx dias”, como se tivesse sido alvo de rapto por terroristas no Iraque ou coisa semelhante. Chego a ter medo de estar a ficar louco ou de estar um país fantástico que não consigo compreender! (url) EARLY MORNING BLOGS Repousava à soalheira um Velho calvo, com a cabeça descoberta, e uma Mosca não fazia senão picar-lhe na calva. Acudia logo o Velho com a mão, e como ela fugisse mui depressa, dava em si mesmo grandes palmadas, de que a Mosca gostava e se ria. Disse o Velho: Ride-vos, embora, de quantas vezes eu der em mim; que isso não me mata, mas se uma só vez vos acerta, ficareis morta, e pagareis o novo e o velho. (Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes) * Bom dia! (url) 9.4.07
ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) HOJE
(url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) EARLY MORNING BLOGS A little Madness in the Spring
Is wholesome even for the King, But God be with the Clown – Who ponders this tremendous scene – This whole Experiment of Green – As if it were his own! (Emily Dickinson) * Bom dia! (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) 8.4.07
HOJE num blogue perto de si
(url) Clicar sobre as fotos para aumentar. A aldeia de Masca, Tenerife. (António Marques)
Madeira - Quinta do Santo Serra. (Carlos Oliveira) Parque nas Nações, no jardim junto à ponte Vasco da Gama. (Orlando Nascimento) Alter do Chão. (André Felício) (url) À ESPERA QUE O ASSUNTO MORRA POR SI... Tudo começou num blogue Do Portugal Profundo de autoria de António Balbino Caldeira em 2005. O facto de ter começado num blogue não é em si relevante: é um blogue assinado, o seu autor é conhecido até porque já estivera envolvido num processo judicial de violação do segredo de justiça do caso da Casa Pia, e as informações que durante quase dois anos foi publicando sobre os títulos académicos de José Sócrates tinham muitos elementos factuais e verificáveis. A nota original no blogue data de 22 de Fevereiro de 2005 e continha muitas das dúvidas que se vieram a revelar legítimas e sujeito de investigação jornalística. Não é verdade o que diz o comunicado pessoal do primeiro-ministro de 22 de Março de 2007 sobre"mais uma campanha de insinuações, suspeitas e boatos que [o] pretende atingir na [sua] honra e consideração e que, à semelhança de outras de triste memória, assume uma dimensão difamatória e caluniosa (...) são veiculadas pelos mesmos meios, sob o anonimato dos blogues ou por jornais de referência no sensacionalismo e no crime".Não havendo "anonimato" na origem das dúvidas sobre os seus títulos académicos, é interessante verificar que durante dois anos o primeiro-ministro nunca entendeu accionar qualquer mecanismo judicial em sua defesa contra uma "campanha de insinuações, suspeitas e boatos" que o pretendia atingir na sua "honra e consideração", tanto mais que estava (e está) convencido que a "campanha" tem a mesma origem das que o atingiram durante a campanha eleitoral. Ele pensa que se trata de uma campanha orquestrada, quiçá por uma qualquer agência de comunicação. Um autor de blogue como o Do Portugal Profundo pode sempre ser visto como "suspeito". O tom justiceiro do blogue, o recebimento de muita informação de forma anónima por comentadores não identificados, o próprio facto de parecer possuir fontes de informação privilegiada, suscitam a habitual pergunta conspirativa: "O que é que o move?" A máquina comunicacional do primeiro-ministro e alguns jornalistas foram por aí, o que é um distracção interessante, mas irrelevante. Para se desviar a atenção da mensagem deu-se atenção ao mensageiro. O autor do blogue pode ter as mais obscuras das intenções, ser movido pelas piores razões, misturar informação e desinformação, mas basta passar por lá para se perceber que o grosso do que lá está é informação verificável e, uma vez verificada, publicável no mais sólido jornal do mundo. O que lá está é a mesma matéria prima das redacções dos jornais, a que se pode dar ou não um tratamento editorial, filtrando-as pelos critérios do jornalismo, ou deitá-las ao lixo, se forem apenas lixo. Faz parte do mesmo tipo de argumentos conspirativos destinados a diminuir o mensageiro para matar a mensagem a insinuação de que o Público só tratou desta notícia como vingança da derrota da SONAE na OPA sobre a PT. Mesmo que fosse verdade seria tão irrelevante como as "motivações" de António Balbino Caldeira.É exactamente por ser assim que nos podemos perguntar por que razão demorou tanto tempo, dois anos, até se ver a questão tratada num jornal de referência, o Público. Há algumas honrosas excepções, como Paulo Alves Guerra que em Abril de 2005 se referiu ao caso citando o Do Portugal Profundo . O mesmo jornalista noticiou a investigação do Público no programa da manhã da RDP Antena 2, mal foi conhecido o seu teor . Esta é uma excepção que conheço e sei que há mais, embora sejam de facto excepções... (Acrescentarei aqui outros casos que entretanto conheça porque a cronologia é relevante.)A resposta a esta questão diz-nos muito sobre os males do jornalismo português, a sua complacência e deslumbramento com o poder, quando não a sua dependência dos "poderes", a começar pelas "fontes amigas" tão importantes para a carreira de um jornalista, a sua falta de coragem cívica, em particular quando tem que quebrar as regras não escritas do pack journalism. Pack journalism no Merriam-Webster: journalism that is practiced by reporters in a group and that is marked by uniformity of news coverage and lack of original thought or initiative.Este "consenso" de rebanho entre jornalistas sobre aquilo de que se pode ou deve falar, e sobre os temas malditos que "sujam" as mãos de qualquer profissional e merecem o ostracismo dos outros, é o resultado destilado dos gostos, amizades pessoais e políticas, ideias feitas, ignorâncias activas, vinganças, que unem grupos de jornalistas entre si. O pack journalism traduz também a relação ambígua que muitos jornalistas mantêm com políticos que têm a mesma idade, a mesma formação, a mesma linguagem, o mesmo vocabulário, as mesmas escolas de ver o mundo, as mesmas ignorâncias, os mesmos ódios, os mesmos adversários. As paredes do Snob e outros bares frequentados pela "classe" estão cobertas destas camadas de pack journalism até ao tecto e os blogues de jornalistas revelam-nas com uma ingenuidade alarmante.O Público quebrou esse muro de silêncio e fez jornalismo como deve ser. Não é "jornalismo de sarjeta", como afirmou o ministro que "tutela" a informação, que só é poderoso porque tem um largo sector da comunicação debaixo da sua "tutela", é jornalismo. E o Público foi imediatamente sancionado por ter violado o pacto de silêncio: durante vários dias contavam-se pelos dedos de meia mão só, os órgãos de informação que ousavam sequer reproduzir a notícia maldita do Público. Esta é a segunda questão a que é vital responder para se perceber até que ponto existe efectiva liberdade de informação: por que razão muitos jornais e acima de tudo as televisões, com relevo para a RTP, entenderam pelo seu gritante silêncio que o Público tinha feito "jornalismo de sarjeta" indigno de ser citado? Foi preciso esperar uma semana até que o Expresso acrescentasse mais achas para a fogueira, tornando o assunto, como se costuma dizer, "incontornável", coisa que ele era desde 2005. A ironia destas coisas apanhou mesmo um dos responsáveis do Expresso que tinha atacado o Público considerando que a notícia sobre Sócrates "não honra (...) todos aqueles que de algum modo contribuíram para fazer do Público um jornal de referência". Estes dias de silêncio e isolamento forçado do Público são um revelador e uma face negra da situação da nossa comunicação social e dos seus compromissos invisíveis com o poder socialista, o seu Governo e o primeiro-ministro. Seria interessante saber, porque se trata de política no seu verdadeiro sentido, se houve ou não conflitos nas redacções entre quem queria e quem não queria dar sequência às notícias do Público. Seria interessante saber por que critérios jornalísticos tal não foi feito, em particular pela parte da comunicação social que os portugueses pagam com os seus impostos e está sujeita ao governo, a RTP. Mais uma vez, a análise da cobertura televisiva da RTP, primeiro censória, depois desculpatória, revela a governamentalização do "serviço público". Sabe-se hoje que foram dias de intensa actividade telefónica do primeiro-ministro e dos membros do seu gabinete com objectivos muito claros: primeiro impedir que a história aparecesse (falhou no Público); depois que alastrasse (sucesso relativo durante alguns dias isolando o Público); depois que não chegasse à televisão (sucesso relativo); depois que a forma de tratamento fosse a menos gravosa para o primeiro-ministro (conseguido na Renascença, desconhece-se o efeito nos outros órgãos de informação). "Quinta-feira, dia 22, logo após o noticiário das oito da manhã da Renascença, os assessores do primeiro-ministro despertaram para um frenesim de telefonemas. A rádio dava eco à notícia do jornal ‘Público’ que levantava dúvidas em torno da licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente. O pivô rematava a peça dizendo: “Engenheiro não! Licenciado... talvez”. Ligaram várias vezes para mim e para a redacção a protestarem”, contou ao Expresso o director de informação da Emissora Católica, Francisco Sarsfield Cabral. A frase que tinha provocado a ira do gabinete do primeiro-ministro não voltou a ser repetida. "(do mesmo artigo do Expresso).A chuva de comunicados e declarações oficiais revela também os mesmos objectivos, contendo inverdades e sugerindo distracções, tentando lançar confusão e apontando pistas falsas. Lendo a adjectivação dos comunicados oficiais está lá tudo como, por exemplo, no comunicado do Ministério do Ensino Superior, em que se sugere que o mal da Universidade Independente é apenas do "apuramento e comunicação da informação estatística", ou seja, dos procedimentos burocráticos, e que apresenta como seu objectivo "dissipar a inaceitável suspeição generalizada que foi lançada", ou seja, comprovar a validade dos seus diplomas, já que tudo o resto é "inaceitável". Para uma entidade com poderes inspectivos, as conclusões já estão tiradas antes da investigação. A não existir dolo, nem facilitação gravosa e excepcional no processo académico do primeiro-ministro, o que sobrará de toda esta questão é bem mais grave do que saber se José Sócrates é ou não engenheiro, agente técnico, ou estudante finalista: é o modo como a comunicação social se coloca perante o poder socialista. É por isso que a grande esperança governativa é que o assunto morra por si, mesmo indo-se os anéis (os títulos académicos), mas ficando os dedos e os seus fios visíveis e invisíveis, os mecanismos que do poder chegam às redações, explicando muita e muita coisa que escapa ao olhar do cidadão desprevenido destes meandros vitais do poder dos nossos dias. (Adaptado do Público de 7 de Abril de 2007). * Há seis perguntas que deviam ser feitas pelos jornalistas e para as quais é importante conhecer a resposta. Alguém já lhes sabe responder? Etiquetas: comunicação social, José Sócrates (url) EARLY MORNING BLOGS Comigo me desavim, ando enredado, confesso, em pontos de introspecção e às vezes sinto que em vão em mim mesmo me atravesso. é certo que nunca meço uma angústia até ao fim, há sempre um não contra um sim, como sombra que não passa, e assim, e por mais que faça, comigo me desavim. dizia santo agostinho que se via dois em um, e sem espanto nenhum viveu duplo e sozinho. fez a ideia seu caminho vindo agora ter comigo. não creio seja castigo, todavia se presumo que a dialéctica é fumo, sou posto em todo perigo. e é certo que, nesse caso, todo a penar me esguedelho, tendo no verso um espelho que a mais versos me dá azo. enquanto os faço me atraso e a solução não consigo a olhar o meu umbigo, a ver nele que são dois sem contentamento, pois não posso viver comigo. fica um eu no rés do chão e outro no primeiro andar. às vezes podem trocar nessa coabitação. levo uma vida de cão, de companhia e mastim, ladra-me um assim assim e enquanto o outro me morde nem posso sentir-me um lorde, nem posso fugir de mim. (Vasco Graça Moura)
* Um poema inédito para os leitores do Abrupto. Bom dia! (url) 7.4.07
AMANHÃ no número 1000 dos EARLY MORNING BLOGS
(url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) COISAS DA SÁBADO: MEGALOPOLIS (1) Neste debate foram escandalosamente ignorados urbanistas de origem diferente da dos engenheiros, como, entre outros, arquitectos e geógrafos. Foram também afastados do debate economistas e gestores, sociólogos e peritos em demografia, para apenas falar das áreas profissionais que o grande público conhece. Foram igualmente esquecidos responsáveis de organismos do Estado, fulcrais no debate e na decisão de todas as questões relacionadas com o NAL e inevitavelmente envolvidos nesta matéria, como, entre outros, os da DGOTDU, das autoridades militares e das relações internacionais e ibéricas.Esta questão é mais que pertinente, até porque reduzir os "especialistas" aos engenheiros já se viu que desemboca numa fractura entre os que estão já comprometidos com o projecto, ou com as empresas e departamento que o patrocinam, e os que o contestam. Os argumento técnicos dos engenheiros a favor e contra acabam por dar a sensação de soma zero ao comum dos mortais, o que pode desiludir os que acham que estas questões são "técnicas" ou de "especialistas". Não, estas questões são, em primeiro lugar políticas, e só depois técnicas na sua execução. São políticas pela razão principal que é uma ideia do futuro de Portugal que as move (escolhendo entre vários "futuros") e um modo de vida dos portugueses (escolhendo entre vários "modos de vida", com suas vantagens e custos). Não sendo ouvidos urbanistas, arquitectos, geógrafos, economistas e sociólogos, o que deixa de ser discutido é o "impacto humano" da OTA, o que é bizarro já que tão cuidadosos somos com o seu impacto "ambiental" nos sobreiros e nas aves. E os homens? MEGALOPOLIS (2) É que não é preciso ter qualquer poder de advinhação ou sequer conhecer os planos secretos do munícipio de Alenquer que foram publicados à revelia dos seus autores, para perceber o que se vai passar: vai existir uma megalopole gigantesca, que estenderá o pior dos subúrbios lisboetas até ao Sul de Santarém, à volta, ao lado, acima e em baixo do aeroporto. O plano secreto de Alenquer já se conhece, mas não custa perceber que de Rio Maior para baixo muitos autarcas estão agarrados à OTA como a grande oportunidade de garantirem que os seus concelhos passam a ser periferias de Lisboa. Uns mais em segredo, outros ás claras, vêem na OTA a grande esperança para aquilo que sempre considerarm o "progresso": urbanizações, construção civil, "parques industriais" e serviços de baixa categoria. Ou seja a Lisboa dos subúrbios, de Loures, Sacavém, Camarate, Brandoa, Sintra, Amadora, dormitórios, abarracamentos, armazéns, sucatas, fabriquetas, entrepostos de camionagem, o habitual caos do nosso inexistente ordenamento, crescerá exponencialmente. E na esteira desta grande "esperança", compradores anónimos ou por interpostas pessoas estão a comprar propriedades agrícolas, a fechar com portões antigos caminhos de passagem, a preparar-se para drenar áreas húmidas, e não é para a agricultura é na esperança, quase certeza, que os municípios da região passem grande parte das terras inscritas nos PDMs dos seus concelhos da reserva agricultura para a urbanização acelerada.* Um interessante anúncio no «JN» de 2 de Dezembro de 2005. Etiquetas: aeroporto da OTA (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR ![]() ![]() Clicar sobre as fotos para aumentar. Fundão - na encosta da Serra da Gardunha. (Eduardo Saraiva) Cabo da Roca. (Aida Magalhães Filipe) Praia da Nazaré, na base das falésias do "Sítio". (Vítor Xavier) Alcongosta. (Aida Magalhães Filipe) (url) EARLY MORNING BLOGS
![]() 999c ![]() (Bocage) * Bom dia! (url) 6.4.07
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 6 de Abril de 2007 Quem não quer que haja referendo sobre a chamada Constituição Europeia não quer democracia na União Europeia. Tão simples e tão grave como isto. Parece, a julgar pelo Expresso, ser o caso de Durão Barroso que está a pressionar o governo para romper com o compromisso referendário do PS e do PSD. Esta atitude é tanto mais grave quanto sem referendo não haverá debate, e mesmo com referendo será um debate viciado pela desproporção de meios. Este "método" é impensável depois do que aconteceu em França e na Holanda, e iria acontecer de certeza noutros sítios. Nem sequer será eficaz, porque como receita para pressionar os países desfavoráveis à Constituição com truques para alargar o número dos que a aceitam, dará como resultado uma União Europeia dividida como nunca aconteceu.Se querem "fazer a Europa" por tratados entre governos, podem fazê-lo, mas depois não se queixem se o anti-europeísmo deitar fora o menino com a água do banho. Deste modo, os cidadãos sentem-se ainda mais marginais num processo de engenharia política que culparão de todos os males, até porque os afasta de qualquer intervenção. Este é só um dos maus sinais que se adensam à volta da Presidência portuguesa. Etiquetas: Europa, União Europeia (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 999c - O Lobo mordido por um Cão ![]() Sendo um Lobo mordido gravemente por um Cão, estava estirado na terra, sem se poder erguer. Vendo passar uma Ovelha, pediu-lhe, que lhe trouxesse uma pouca de água de um rio, que por ali corria, dizendo-lhe, que, se lhe dava de beber, ele lhe daria de comer. Entendeu a Ovelha ser aquilo assim; trouxe-lhe de beber, e contra sua vontade também de comer. A malícia faz grande dano aos simples. (Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes) * Bom dia! (url) 5.4.07
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COISAS DA SÁBADO: UM PASSO EM FRENTE, VÁRIOS PASSOS AO LADO
e nenhum atrás, é, como título a anunciar uma publicação da editorial do PCP, um elogio. De facto esta edição do primeiro volume das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, de responsabilidade de Francisco Melo, é uma saudável novidade para os tradicionais costumes das publicações do PCP sobre a sua história. Estas ou eram memorialística heróica, ou edições cuidadosamente expurgadas para não contrariarem a história "oficial" do partido. Este volume das obras de Cunhal é diferente e essa diferença é um passo considerável na credibilização histórica das edições PCP.O passo em frente é dado pela publicação de muitos textos de Cunhal, que o PCP até agora fazia que ignorava, ou só publicava em extractos inócuos. Nestes textos perpassa a história real e não apenas a história fictícia e a assunção pelo PCP desta realidade tardou mas é bem-vinda. É verdade que quase todos os textos não podiam ser ignorados porque estavam referenciados nos volumes da biografia de Cunhal que publiquei e que se percebe ter sido usada sem ser citada, mas pode-se sempre esperar que o seja no volume final. Vamos agora aos passos ao lado. Os inéditos dos arquivos do partido, que até agora eram desconhecidos, completam o que já se sabia, e representam um adquirido importante para o conhecimento de Cunhal dirigente partidário. No entanto, tudo indica que haverá mais textos que não foram escolhidos, sem serem referidos nem identificados. As notas são rudimentares na maioria dos casos e tornam dependente, para a sua compreensão mínima, a consulta de outras fontes. Quer o caso do "grupelho provocatório", quer o caso do browderismo no PCP (polémica com Piteira Santos), permanecem em grande parte incompreensíveis sem um esforço suplementar de consulta. Existe o texto, mas não o contexto. Apesar de tudo isto, e tendo em conta o mundo de betão que é a história "oficial" do PCP, esta edição e o seu organizador, abriram um caminho positivo que espero que continue a ser trilhado pelas Edições Avante!. Etiquetas: PCP, Álvaro Cunhal (url) ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR Serra da Estrela, vista de Alcongosta, pequena aldeia em plena Serra da Gardunha, o orgulho dos locais pela sua produção de cerejas que é a maior da região. (Aida Magalhães Filipe)
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 5 de Abril de 2007 Duas perguntas obrigatórias: por que razão a questão dos títulos académicos do primeiro-ministro demorou tanto tempo até chegar à imprensa e por que razão uma vez chegada através do Público, o jornal ficou isolado na sua notícia durante alguns dias, em particular pelo silêncio da televisão? (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ESTILHAÇOS DA QUADRATURA DO CÍRCULO Títulos académicos do Primeiro-ministro Ontem ao ver atentamente a quadratura do círculo fiquei com a noção de que o processo de admissão à Ordem dos Engenheiros não foi totalmente explicado. Algumas coisas ficaram por esclarecer e outras ficaram muito confusas. Os títulos Engenheiro e Engenheiro Técnico são conferidos pela Ordem dos Engenheiros (OE) e pela Associação Nacional de Engenheiros Técnicos (ANET). Na OE podem inscrever-se todos os licenciados de cursos reconhecidos pela Ordem. Na ANET todos os bacharéis e licenciados pelos politécnicos. No entanto qualquer licenciado de cursos não reconhecidos pela OE, pode candidatar-se através de um exame nacional. Segundo as regras que estão na página da OE (que eu conheço muito bem porque como pode ver pelo anexo fiz o exame este ano), o exame deve ser requerido até ao dia 10 de cada ano. No exame dura o dia inteiro. Da parte da manhã efectua-se a parte específica, à escolha da pessoa que se candidatou. Da parte da tarde efectua-se a parte geral com uma pergunta de cada uma das outras áreas (excepto a que foi efectuada da parte da manhã). As áreas do exame são as seguintes: - Planeamento e Ordenamento do Território - Vias de Comunicação - Estruturas e Betão Armado - Construções Civis - Hidráulica, Hidrologia e Recursos Hídricos - Geotecnia e Fundações Para efectuarem o exame em Coimbra compareceram os alunos: - Instituto Politécnico de Viseu, Castelo Branco, Leiria, Tomar, Guarda - Instituto Superior de Engenharia de Coimbra - Instituto Piaget de Viseu - Universidade de Aveiro Para efectuarem o exame em Lisboa compareceram os alunos: - Instituto Politécnico de Beja, Portalegre, Setúbal, Autónomo - Universidade do Algarve, Católica Portuguesa, Independente, Lusófona e Moderna Para efectuarem o exame no Porto compareceram os alunos: - Instituto Politécnico de Bragança, Viana do Castelo - Instituto Piaget de Mirandela - Instituto Superior de Engenharia do Porto - Universidade Fernando Pessoa O Eng. Téc. José Sócrates não se inscreve na OE porque não pode, para tal teria que efectuar o exame (e ser aprovado). (António Godinho) * Analisando os estatudos da Ordem dos Engenheiros, logo de início, no artigo 2º, tratando das suas atribuições, aparece o seguinte: /2 – Na prossecução das suas atribuições, cabe à Ordem: g) Proteger o título e a profissão de engenheiro, promovendo o procedimento judicial contra quem o use ou a exerça ilegalmente; / Parece-me que estamos, no caso do cidadão José Sócrates, perante uma situação óbvia em que utiliza o título de Engenheiro ilegalmente. Vejamos, para comprovar o que digo, um pouco mais dos estatutos da Ordem:/ / /*Artigo 4.º* Título de engenheiro/ /Para efeitos do presente Estatuto, designa-se por engenheiro o titular de licenciatura, ou equivalente legal, em curso de Engenharia, inscrito na Ordem como membro efectivo, e que se ocupa da aplicação das ciências e técnicas respeitantes aos diferentes ramos de engenharia nas actividades de investigação, concepção, estudo, projecto, fabrico, construção, produção, fiscalização e controlo de qualidade, incluindo a coordenação e gestão dessas actividades e outras com elas relacionadas./ Tendo em conta que José Sócrates não se encontra inscrito na Ordem dos Engenheiros, por nunca sequer se ter mostrado interessado em realizar o exame de admissão, parece-me óbvio que apenas resta àquele órgão, para manter a sua honra e a integridade do título que se propõe defender, proceder em conformidade com os seus estatutos. Como estudante de engenharia (daqueles que têm que fazer as cadeiras para conseguir obter uma licenciatura) fico à espera de uma atitude íntegra e necessária por parte de quem tem o dever de pôr termo a este tipo de devaneios a que o Sr. Sócrates já nos tem vindo a habituar. (Jean Barroca) Futebol, claques, etc. Já todos sabemos que no futebol profissional os “meninos” das claques oficiais, isto é, adeptos apoiados pelas direcções dos próprios clubes, se comportam mal e são estranhamente violentos e selvagens. Para minimizar os estragos, os actos criminosos e evitar a violação sistemática das segurança dos cidadãos que involuntariamente se cruzam no caminho destes energúmenos, a polícia cria, para cada jogo considerado de maior risco, pelotões e dispositivos de segurança, os quais pela sua própria natureza e excepcionalidade, custam muito dinheiro ao erário público. A questão que quero colocar é a seguinte: quem paga estes dispositivos especiais? Não deveriam ser os próprios clubes, aqueles que negoceiam em cifras de muitos milhões de euros os contratos da esfera do futebol, que se exploram as emoções dos adeptos e organizam estas claques exemplares? Porque não é apresentada a factura (custos) dos serviços, de todos os serviços prestados pela polícia nestes dispositivos? É que se não á apresentada a respectiva despesa aos clubes, o mecanismo regularizador da despesa que funciona “naturalmente” é, mais uma vez, o orçamento do estado, ou seja, são os cidadãos bem comportados, que trabalham, cumprem com civismo a lei, que pagam os seus impostos, numa palavra aqueles que sustentam o país e que deveriam ser estimados que desembolsam mais estas verbas. Os clubes coitadinhos, esses precisam sempre de serem apoiados e desculpabilizados mesmo quando são os mentores das claques. Os delinquentes ou os mafiosos que se abrigam e governam com a encenação teatral e histérica do futebol, estão talvez carentes de apoio social e psicológico, subsidiado pelo estado, está bom de ver….e nada de os prender e criminalizar, que os dispositivos policiais só lá estão para suster alguns estragos excessivos. É que sem algum controlo, o futebol pode sair prejudicado, portanto convém não exagerar. Há que compreender e pagar estas coisas, falando muito da compreensão e nada do pagamento. (Jorge Oliveira) * Como achega envio-lhe um excerto do livro "The History of The Decline and Fall of the Roman Empire by Edward Gibbon Volume IV", em que é descrita a actuação das facções do Hipódromo em Constantinopla, nos fins do Século VI DC (igualmente lhe envio o livro completo para enquadramento do texto retirado). Chego a perguntar-me se o que observamos não será qualquer coisa de intrínseca na natureza humana, pelos menos em sociedades que perderam os seus ideais e que entraram num processo de decadência, pois são impressionantes as semelhanças do que então se passou com o que agora observamos. Podemos observar que à época, após um longo período de crescimento constante da violência quer entre facções, quer extravasando para a cidade, o poder político aparece como refém de grupos violentos organizados, e o próprio poder judicial com raras excepções acaba por vergar-se (não sei o que isto me lembra...). Esperemos que apareça alguém com a coragem de Teodora para reverter a situação e permitir a resolução do assunto (não que advogue os métodos drásticos utilizados por Belisário). (Acácio Cunha) Anexo: The History of The Decline and Fall of the Roman Empire by Edward Gibbon Volume IV The race, in its first institution, was a simple contest of two chariots, whose drivers were distinguished by white and red liveries: two additional colors, a light green, and a caerulean blue, were afterwards introduced; and as the races were repeated twenty-five times, one hundred chariots contributed in the same day to the pomp of the circus. The four factions soon acquired a legal establishment, and a mysterious origin, and their fanciful colors were derived from the various appearances of nature in the four seasons of the year; the red dogstar of summer, the snows of winter, the deep shades of autumn, and the cheerful verdure of the spring. 42 Another interpretation preferred the elements to the seasons, and the struggle of the green and blue was supposed to represent the conflict of the earth and sea. Their respective victories announced either a plentiful harvest or a prosperous navigation, and the hostility of the husbandmen and mariners was somewhat less absurd than the blind ardor of the Roman people, who devoted their lives and fortunes to the color which they had espoused. Such folly was disdained and indulged by the wisest princes; but the names of Caligula, Nero, Vitellius, Verus, Commodus, Caracalla, and Elagabalus, were enrolled in the blue or green factions of the circus; they frequented their stables, applauded their favorites, chastised their antagonists, and deserved the esteem of the populace, by the natural or affected imitation of their manners. The bloody and tumultuous contest continued to disturb the public festivity, till the last age of the spectacles of Rome; and Theodoric, from a motive of justice or affection, interposed his authority to protect the greens against the violence of a consul and a patrician, who were passionately addicted to the blue faction of the circus. 43 [Footnote 41: Read and feel the xxiid book of the Iliad, a living picture of manners, passions, and the whole form and spirit of the chariot race West's Dissertation on the Olympic Games (sect. xii. - xvii.) affords much curious and authentic information.] [Footnote 42: The four colors, albati, russati, prasini, veneti, represent the four seasons, according to Cassiodorus, (Var. iii. 51,) who lavishes much wit and eloquence on this theatrical mystery. Of these colors, the three first may be fairly translated white, red, and green. Venetus is explained by coeruleus, a word various and vague: it is properly the sky reflected in the sea; but custom and convenience may allow blue as an equivalent, (Robert. Stephan. sub voce. Spence's Polymetis, p. 228.)] [Footnote 43: See Onuphrius Panvinius de Ludis Circensibus, l. i. c. 10, 11; the xviith Annotation on Mascou's History of the Germans; and Aleman ad c. vii.] Constantinople adopted the follies, though not the virtues, of ancient Rome; and the same factions which had agitated the circus, raged with redoubled fury in the hippodrome. Under the reign of Anastasius, this popular frenzy was inflamed by religious zeal; and the greens, who had treacherously concealed stones and daggers under baskets of fruit, massacred, at a solemn festival, three thousand of their blue adversaries. 44 From this capital, the pestilence was diffused into the provinces and cities of the East, and the sportive distinction of two colors produced two strong and irreconcilable factions, which shook the foundations of a feeble government. 45 The popular dissensions, founded on the most serious interest, or holy pretence, have scarcely equalled the obstinacy of this wanton discord, which invaded the peace of families, divided friends and brothers, and tempted the female sex, though seldom seen in the circus, to espouse the inclinations of their lovers, or to contradict the wishes of their husbands. Every law, either human or divine, was trampled under foot, and as long as the party was successful, its deluded followers appeared careless of private distress or public calamity. The license, without the freedom, of democracy, was revived at Antioch and Constantinople, and the support of a faction became necessary to every candidate for civil or ecclesiastical honors. A secret attachment to the family or sect of Anastasius was imputed to the greens; the blues were zealously devoted to the cause of orthodoxy and Justinian, 46 and their grateful patron protected, above five years, the disorders of a faction, whose seasonable tumults overawed the palace, the senate, and the capitals of the East. Insolent with royal favor, the blues affected to strike terror by a peculiar and Barbaric dress, the long hair of the Huns, their close sleeves and ample garments, a lofty step, and a sonorous voice. In the day they concealed their two-edged poniards, but in the night they boldly assembled in arms, and in numerous bands, prepared for every act of violence and rapine. Their adversaries of the green faction, or even inoffensive citizens, were stripped and often murdered by these nocturnal robbers, and it became dangerous to wear any gold buttons or girdles, or to appear at a late hour in the streets of a peaceful capital. A daring spirit, rising with impunity, proceeded to violate the safeguard of private houses; and fire was employed to facilitate the attack, or to conceal the crimes of these factious rioters. No place was safe or sacred from their depredations; to gratify either avarice or revenge, they profusely spilt the blood of the innocent; churches and altars were polluted by atrocious murders; and it was the boast of the assassins, that their dexterity could always inflict a mortal wound with a single stroke of their dagger. The dissolute youth of Constantinople adopted the blue livery of disorder; the laws were silent, and the bonds of society were relaxed: creditors were compelled to resign their obligations; judges to reverse their sentence; masters to enfranchise their slaves; fathers to supply the extravagance of their children; noble matrons were prostituted to the lust of their servants; beautiful boys were torn from the arms of their parents; and wives, unless they preferred a voluntary death, were ravished in the presence of their husbands. 47 The despair of the greens, who were persecuted by their enemies, and deserted by the magistrates, assumed the privilege of defence, perhaps of retaliation; but those who survived the combat were dragged to execution, and the unhappy fugitives, escaping to woods and caverns, preyed without mercy on the society from whence they were expelled. Those ministers of justice who had courage to punish the crimes, and to brave the resentment, of the blues, became the victims of their indiscreet zeal; a praefect of Constantinople fled for refuge to the holy sepulchre, a count of the East was ignominiously whipped, and a governor of Cilicia was hanged, by the order of Theodora, on the tomb of two assassins whom he had condemned for the murder of his groom, and a daring attack upon his own life. 48 An aspiring candidate may be tempted to build his greatness on the public confusion, but it is the interest as well as duty of a sovereign to maintain the authority of the laws. The first edict of Justinian, which was often repeated, and sometimes executed, announced his firm resolution to support the innocent, and to chastise the guilty, of every denomination and color. Yet the balance of justice was still inclined in favor of the blue faction, by the secret affection, the habits, and the fears of the emperor; his equity, after an apparent struggle, submitted, without reluctance, to the implacable passions of Theodora, and the empress never forgot, or forgave, the injuries of the comedian. At the accession of the younger Justin, the proclamation of equal and rigorous justice indirectly condemned the partiality of the former reign. "Ye blues, Justinian is no more! ye greens, he is still alive!" 49 [Footnote 44: Marcellin. in Chron. p. 47. Instead of the vulgar word venata he uses the more exquisite terms of coerulea and coerealis. Baronius (A.D. 501, No. 4, 5, 6) is satisfied that the blues were orthodox; but Tillemont is angry at the supposition, and will not allow any martyrs in a playhouse, (Hist. des Emp. tom. vi. p. 554.)] [Footnote 45: See Procopius, (Persic. l. i. c. 24.) In describing the vices of the factions and of the government, the public, is not more favorable than the secret, historian. Aleman. (p. 26) has quoted a fine passage from Gregory Nazianzen, which proves the inveteracy of the evil.] [Footnote 46: The partiality of Justinian for the blues (Anecdot. c. 7) is attested by Evagrius, (Hist. Eccles. l. iv. c. 32,) John Malala, (tom ii p. 138, 139,) especially for Antioch; and Theophanes, (p. 142.)] [Footnote 47: A wife, (says Procopius,) who was seized and almost ravished by a blue-coat, threw herself into the Bosphorus. The bishops of the second Syria (Aleman. p. 26) deplore a similar suicide, the guilt or glory of female chastity, and name the heroine.] [Footnote 48: The doubtful credit of Procopius (Anecdot. c. 17) is supported by the less partial Evagrius, who confirms the fact, and specifies the names. The tragic fate of the praefect of Constantinople is related by John Malala, (tom. ii. p. 139.)] [Footnote 49: See John Malala, (tom. ii. p. 147;) yet he owns that Justinian was attached to the blues. The seeming discord of the emperor and Theodora is, perhaps, viewed with too much jealousy and refinement by Procopius, (Anecdot. c. 10.) See Aleman. Praefat. p. 6.] A sedition, which almost laid Constantinople in ashes, was excited by the mutual hatred and momentary reconciliation of the two factions. In the fifth year of his reign, Justinian celebrated the festival of the ides of January; the games were incessantly disturbed by the clamorous discontent of the greens: till the twenty-second race, the emperor maintained his silent gravity; at length, yielding to his impatience, he condescended to hold, in abrupt sentences, and by the voice of a crier, the most singular dialogue 50 that ever passed between a prince and his subjects. Their first complaints were respectful and modest; they accused the subordinate ministers of oppression, and proclaimed their wishes for the long life and victory of the emperor. "Be patient and attentive, ye insolent railers!" exclaimed Justinian; "be mute, ye Jews, Samaritans, and Manichaeans!" The greens still attempted to awaken his compassion. "We are poor, we are innocent, we are injured, we dare not pass through the streets: a general persecution is exercised against our name and color. Let us die, O emperor! but let us die by your command, and for your service!" But the repetition of partial and passionate invectives degraded, in their eyes, the majesty of the purple; they renounced allegiance to the prince who refused justice to his people; lamented that the father of Justinian had been born; and branded his son with the opprobrious names of a homicide, an ass, and a perjured tyrant. "Do you despise your lives?" cried the indignant monarch: the blues rose with fury from their seats; their hostile clamors thundered in the hippodrome; and their adversaries, deserting the unequal contest spread terror and despair through the streets of Constantinople. At this dangerous moment, seven notorious assassins of both factions, who had been condemned by the praefect, were carried round the city, and afterwards transported to the place of execution in the suburb of Pera. Four were immediately beheaded; a fifth was hanged: but when the same punishment was inflicted on the remaining two, the rope broke, they fell alive to the ground, the populace applauded their escape, and the monks of St. Conon, issuing from the neighboring convent, conveyed them in a boat to the sanctuary of the church. 51 As one of these criminals was of the blue, and the other of the green livery, the two factions were equally provoked by the cruelty of their oppressor, or the ingratitude of their patron; and a short truce was concluded till they had delivered their prisoners and satisfied their revenge. The palace of the praefect, who withstood the seditious torrent, was instantly burnt, his officers and guards were massacred, the prisons were forced open, and freedom was restored to those who could only use it for the public destruction. A military force, which had been despatched to the aid of the civil magistrate, was fiercely encountered by an armed multitude, whose numbers and boldness continually increased; and the Heruli, the wildest Barbarians in the service of the empire, overturned the priests and their relics, which, from a pious motive, had been rashly interposed to separate the bloody conflict. The tumult was exasperated by this sacrilege, the people fought with enthusiasm in the cause of God; the women, from the roofs and windows, showered stones on the heads of the soldiers, who darted fire brands against the houses; and the various flames, which had been kindled by the hands of citizens and strangers, spread without control over the face of the city. The conflagration involved the cathedral of St. Sophia, the baths of Zeuxippus, a part of the palace, from the first entrance to the altar of Mars, and the long portico from the palace to the forum of Constantine: a large hospital, with the sick patients, was consumed; many churches and stately edifices were destroyed and an immense treasure of gold and silver was either melted or lost. From such scenes of horror and distress, the wise and wealthy citizens escaped over the Bosphorus to the Asiatic side; and during five days Constantinople was abandoned to the factions, whose watchword, Nika, vanquish! has given a name to this memorable sedition. 52 [Footnote 50: This dialogue, which Theophanes has preserved, exhibits the popular language, as well as the manners, of Constantinople, in the vith century. Their Greek is mingled with many strange and barbarous words, for which Ducange cannot always find a meaning or etymology.] [Footnote 51: See this church and monastery in Ducange, C. P. Christiana, l. iv p 182.] [Footnote 52: The history of the Nika sedition is extracted from Marcellinus, (in Chron.,) Procopius, (Persic. l. i. c. 26,) John Malala, (tom. ii. p. 213 - 218,) Chron. Paschal., (p. 336 - 340,) Theophanes, (Chronograph. p. 154 - 158) and Zonaras, (l. xiv. p. 61 - 63.)] As long as the factions were divided, the triumphant blues, and desponding greens, appeared to behold with the same indifference the disorders of the state. They agreed to censure the corrupt management of justice and the finance; and the two responsible ministers, the artful Tribonian, and the rapacious John of Cappadocia, were loudly arraigned as the authors of the public misery. The peaceful murmurs of the people would have been disregarded: they were heard with respect when the city was in flames; the quaestor, and the praefect, were instantly removed, and their offices were filled by two senators of blameless integrity. After this popular concession, Justinian proceeded to the hippodrome to confess his own errors, and to accept the repentance of his grateful subjects; but they distrusted his assurances, though solemnly pronounced in the presence of the holy Gospels; and the emperor, alarmed by their distrust, retreated with precipitation to the strong fortress of the palace. The obstinacy of the tumult was now imputed to a secret and ambitious conspiracy, and a suspicion was entertained, that the insurgents, more especially the green faction, had been supplied with arms and money by Hypatius and Pompey, two patricians, who could neither forget with honor, nor remember with safety, that they were the nephews of the emperor Anastasius. Capriciously trusted, disgraced, and pardoned, by the jealous levity of the monarch, they had appeared as loyal servants before the throne; and, during five days of the tumult, they were detained as important hostages; till at length, the fears of Justinian prevailing over his prudence, he viewed the two brothers in the light of spies, perhaps of assassins, and sternly commanded them to depart from the palace. After a fruitless representation, that obedience might lead to involuntary treason, they retired to their houses, and in the morning of the sixth day, Hypatius was surrounded and seized by the people, who, regardless of his virtuous resistance, and the tears of his wife, transported their favorite to the forum of Constantine, and instead of a diadem, placed a rich collar on his head. If the usurper, who afterwards pleaded the merit of his delay, had complied with the advice of his senate, and urged the fury of the multitude, their first irresistible effort might have oppressed or expelled his trembling competitor. The Byzantine palace enjoyed a free communication with the sea; vessels lay ready at the garden stairs; and a secret resolution was already formed, to convey the emperor with his family and treasures to a safe retreat, at some distance from the capital. Justinian was lost, if the prostitute whom he raised from the theatre had not renounced the timidity, as well as the virtues, of her sex. In the midst of a council, where Belisarius was present, Theodora alone displayed the spirit of a hero; and she alone, without apprehending his future hatred, could save the emperor from the imminent danger, and his unworthy fears. "If flight," said the consort of Justinian, "were the only means of safety, yet I should disdain to fly. Death is the condition of our birth; but they who have reigned should never survive the loss of dignity and dominion. I implore Heaven, that I may never be seen, not a day, without my diadem and purple; that I may no longer behold the light, when I cease to be saluted with the name of queen. If you resolve, O Caesar! to fly, you have treasures; behold the sea, you have ships; but tremble lest the desire of life should expose you to wretched exile and ignominious death. For my own part, I adhere to the maxim of antiquity, that the throne is a glorious sepulchre." The firmness of a woman restored the courage to deliberate and act, and courage soon discovers the resources of the most desperate situation. It was an easy and a decisive measure to revive the animosity of the factions; the blues were astonished at their own guilt and folly, that a trifling injury should provoke them to conspire with their implacable enemies against a gracious and liberal benefactor; they again proclaimed the majesty of Justinian; and the greens, with their upstart emperor, were left alone in the hippodrome. The fidelity of the guards was doubtful; but the military force of Justinian consisted in three thousand veterans, who had been trained to valor and discipline in the Persian and Illyrian wars. Under the command of Belisarius and Mundus, they silently marched in two divisions from the palace, forced their obscure way through narrow passages, expiring flames, and falling edifices, and burst open at the same moment the two opposite gates of the hippodrome. In this narrow space, the disorderly and affrighted crowd was incapable of resisting on either side a firm and regular attack; the blues signalized the fury of their repentance; and it is computed, that above thirty thousand persons were slain in the merciless and promiscuous carnage of the day. Hypatius was dragged from his throne, and conducted, with his brother Pompey, to the feet of the emperor: they implored his clemency; but their crime was manifest, their innocence uncertain, and Justinian had been too much terrified to forgive. The next morning the two nephews of Anastasius, with eighteen illustrious accomplices, of patrician or consular rank, were privately executed by the soldiers; their bodies were thrown into the sea, their palaces razed, and their fortunes confiscated. The hippodrome itself was condemned, during several years, to a mournful silence: with the restoration of the games, the same disorders revived; and the blue and green factions continued to afflict the reign of Justinian, and to disturb the tranquility of the Eastern empire. 53 [Footnote 53: Marcellinus says in general terms, innumeris populis in circotrucidatis. Procopius numbers 30,000 victims: and the 35,000 of Theophanes are swelled to 40,000 by the more recent Zonaras. Such is the usual progress of exaggeration.] (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 999b - Rages de Césars L'Homme pâle, le long des pelouses fleuries, Chemine, en habit noir, et le cigare aux dents : L'Homme pâle repense aux fleurs des Tuileries - Et parfois son oeil terne a des regards ardents... Car l'Empereur est saoul de ses vingt ans d'orgie ! Il s'était dit : "Je vais souffler la liberté Bien délicatement, ainsi qu'une bougie !" La Liberté revit ! Il se sent éreinté ! Il est pris. - Oh ! quel nom sur ses lèvres muettes Tressaille ? Quel regret implacable le mord ? On ne le saura pas. L'Empereur a l'oeil mort. Il repense peut-être au Compère en lunettes... - Et regarde filer de son cigare en feu, Comme aux soirs de Saint-Cloud, un fin nuage bleu. (Arthur Rimbaud) * Bom dia! (url) 4.4.07
COISAS DA SÁBADO: FUTEBOL = COMPLACÊNCIA = VIOLÊNCIA
Mais um jogo de futebol, mais violência pública, mais o encolher de ombros da complacência com a violência se for devida ao futebol – eis a nossa excelente combinação de factores. Damos por adquirido que um jogo de futebol como o Benfica-Porto é de "alto risco", metemos as claques em camionetas seladas, que não podem parar em lado nenhum senão no rossio preparado à chegada, para evitar a destruição das áreas de serviço, bares e restaurantes da autoestrada, mobilizados centenas de polícías e bombeiros para formar cordões de segurança, empurrados como gado bravo para um canto da arena, cercado por barras de ferro, revistados à entrada com tanta eficácia que meia dúzia de petardos passaram para as bancadas e foram gloriosamente atirados contra os adversários. Mortos já houve, feridos e presos, são os habituais na "grande competição". Vá lá que ainda só é à pedra, petardo e cadeirada, ainda não é a tiro. Mas já faltou mais.Etiquetas: futebol (url) OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: OUTRAS VISTAS Por estes dias no nosso sistema solar: nuvens em Vénus, o vulcão Tvashtar em Io, e Prometeu arranca material a um anel de Saturno (url) 3.4.07
ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) EARLY MORNING BLOGS Caminhavam dois companheiros, tendo perdido o caminho, depois de terem andado muito, chegaram à terra dos Bugios. Foram logo logo levados ante o rei, que vendo-os lhes disse: - Na vossa terra, e nessa por onde vindes, que se disse de mim, e do meu reino? Respondeu um dos companheiros: - Dizem que sois rei grande, de gente sábia, e lustrosa. O outro, que era amigo de falar verdade, respondeu: - Toda vossa gente são bugios irracionais, forçado é que o rei também seja bugio. Como isto ouviu o rei, mandou que matassem a este, e ao primeiro fizessem mimos, e o tratassem muito bem.![]() 999a - O Rei dos Bugios e Dois Homens ![]() (Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes) * Bom dia! (url) 2.4.07
ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 2 de Abril de 2007 ![]() Em breve, as primeiras novas do Command Conquer 3 Tiberium Wars e não são muito brilhantes. Mas pode ser uma reaccionária resposta à mudança. * Vendo as imagens da claque do Porto a ser pastoreada pela polícia por detrás das grades, cheia de indivíduos ululantes a dizer obscenidades e com dísticos elegantes e graciosos ("Carolina dá-me o teu soutien", por exemplo), lembrei-me de como o cartaz do PNR era mais bem aplicado aqui. Eles não querem imigrantes ilegais, que vivem do rendimento mínimo, são violentos, não trabalham e pertencem a umas mafias criminosas. Enganaram-se certamente no destinatário do amável desejo de "boa viagem". Vamos dar-lhes uma oportunidade de se corrigirem. Etiquetas: Command and Conquer, futebol (url) (url) NUNCA É TARDE PARA APRENDER: DOMINAR OS MARES ![]() Paul Kennedy, The Rise and Fall of British Naval Mastery, Penguin Books, 2001. Este é um dos grandes clássicos da historiografia contemporânea, uma obra excepcional de síntese económica, geopolítica, militar e histórica. Quando se lê é o poder da síntese que sobreleva a tudo como aliás acontece nos grandes historiadores como Gibson, Braudel ou Norman Davies, como se o mundo fosse fácil de se perceber a partir de uma leitura centrada num único factor, neste caso o domínio dos mares. A história do Reino Unido assente no seu poderio naval, é uma história de "ascensão" e "queda" que ainda está em curso, já não como história do Rule Britannia, mas do seu, ao mesmo tempo descendente directo e destruidor, os EUA. Paul Kennedy mostra como a correlação entre o poder económico (industrial, hoje tecnológico) e o poder militar produzem a ascensão e queda de "poderes", que só muitos anos depois se detectam a olho nu. Na I Guerra Mundial, o submarino acabou com o papel central das grandes frotas de guerra à volta dos couraçados, enquanto que na II Guerra essa crise foi acelerada pelo avião, deixando aos porta-aviões o domínio dos mares. Embora o alcance temporal do livro não chegue à guerra das Malvinas, essa última demonstração do póstumo poder naval britânico foi uma síntese prática de todas as mudanças num só conflito. Os marinheiros do Belgrano e do HMS Sheffield pagaram o preço dos submarinos e dos aviões e do fim de uma certa forma de fazer a guerra. (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 999 - En la forest de Longue Attente En la forest de Longue Attente
Entrée suis en une sente Dont oster je ne puis mon cueur, Pour quoy je vis en grant langueur, Par Fortune qui me tourmente. Souvent Espoir chacun contente, Excepté moy, povre dolente, Qui nuit et jour suis en douleur En la forest de Longue Attente. Ay je dont tort, se je garmente Plus que nulle qui soit vivante ? Par Dieu, nannil, veu mon malheur, Car ainsi m'aid mon Createur Qu'il n'est peine que je ne sente En la forest de Longue Attente. (Marie de Clèves) * Bom dia! (url) 1.4.07
ESPAÇOS ONDE SE PODE RESPIRAR (url) HÁBITOS VELHOS E RELHOS Os eventos dos últimos dias revelaram a força de duas atitudes populares a que chamarei, por conveniência classificativa, a do "salazarismo difuso" e a do "politicamente correcto". Na realidade, embora pareçam distintas, elas são uma e a mesma atitude, com dois tempos históricos e genealogia diferentes, uma gerada à direita e outra à esquerda, mas ambas muito semelhantes nos seus efeitos sociais. A diferença entre um "salazarista difuso" e um "politicamente correcto" está no estilo e nos temas onde se exerce a sua acção, quase nada mais. Os eventos a que me refiro são dois: a vitória de Salazar num espectáculo televisivo (e do seu alter-ego no concurso, Álvaro Cunhal) e a histeria absurda com um singular cartaz do PNR. Ambos os eventos criaram uma espécie de minicrise de consciência e muito soul-searching, como distracções activas da coisa pública, em que a comunicação social e os "portugueses" (os portugueses tal como eram invocados no Big Brother pela Teresa Guilherme) são muito atreitos. aaaaaaaaaaaaaaaa ![]() Muita gente "politicamente correcta" pensava que este "salazarismo" era conversa de taxistas, sem perceber que também era conversa deles. Dêem-lhes um político severo, austero, sacrificado, falando contra a política e os políticos e esse político será popular entre as mesas de café, as cartas dos reformados ao Correio da Manhã contra os "ladrões", os ouvintes genuínos do Fórum da TSF, e as mil e uma expressões populares da demagogia entre "nós" (os trabalhadores esforçados que nunca meteram uma baixa fraudulenta, nunca beneficiaram duma cunha, nunca quiseram fazer uma marquise, nunca receberam qualquer dinheiro sem pagar factura por aqueles trabalhos na canalização, etc., etc.) e "eles" (os ladrões dos políticos). Não surpreende, por isso, que o espectáculo, qualquer que ele seja, seja o Big Brother ou Os Grandes Portugueses, atice os componentes demagógicos que existem um pouco por todo o lado, como forma dominante da iliteracia em política. O igualitarismo, a inveja socializada, a rasoira por baixo, o ódio ao prazer e à alegria - se o "outro" está feliz é porque "roubou" alguma coisa que é minha -, as emoções a preto e branco, a fixação simbólica em ideias simples e em personagens que aparentam ser "possuídas" por elas tinham que desaguar na apologia simbólica da mantinha com que Salazar protegia as pernas para não ter frio e poupar dinheiro ao Estado, ou no homem solitário da bicicleta atravessando o país à chuva para levar o Avante! ao isolado militante de uma aldeia rural. É difícil não acreditar na metempsicose, ao ver a transmigração da alma do morto Salazar para os vivos e o modo como, votando nele, se pretendeu castigar o presente com a eterna insatisfação reivindicativa dos comuns contra os poderosos, dos iguais face aos desiguais. Mas este "salazarismo difuso" tem uma nova companhia já há alguns anos, nascida entre intelectuais da esquerda, na Europa e nos EUA, e popularizada pela tropa de choque dos pequenos e médios intelectuais da comunicação social: o "politicamente correcto". Os seus efeitos devastadores chegam ao vocabulário, à codificação dos costumes, à censura, aos tribunais, às universidades, à teologia. As histórias aos quadradinhos de Walt Disney foram expurgadas, os cigarros apagados de filmes antigos, a "negação do holocausto" e do genocídio arménio foram criminalizados, a obra de Fernão Mendes Pinto foi recusada numa colecção da UNESCO pelo seu conteúdo colonialista e agressivo contra os não-europeus, os livros para adolescentes de Enid Blyton foram reescritos, os murais da Assembleia da República representando a submissão de uns negros a Vasco da Gama não podem ser mostrados a governantes africanos, o Charlie Hebdo foi a tribunal por causa das caricaturas que fez a Maomé, a ópera alemã encerrou um espectáculo em que aparecia a cabeça cortada do profeta, e um imenso etc. que cresce todos os dias. No concurso Os Grandes Portugueses, o "politicamente correcto" esteve representado por Aristides Sousa Mendes, a válvula de escape para quem não queria Salazar nem Cunhal, mas queria estar bem com aquilo que achava ser a sua "boa consciência". D. João II não servia, Camões também não e Pessoa muito menos. ![]() O senhor do PNR que aparecia no cartaz e que, como todos nós, descende de uma africana provavelmente colorida chamada Lucy, explicou à televisão que gosta muito dos imigrantes, e que até conhece alguns que são boas pessoas. Se estivesse em Paris, diria que gostava muito da sua mulher-a-dias portuguesa, que até era muito trabalhadora. Deixemo-lo no seu mundo povoado de pretos assassinos, árabes bombistas e romenos mendigos profissionais, todos dependurados na nossa Segurança Social, que não é muito diferente daqueles que imaginam o Presidente Bush armado até aos dentes debaixo da cama.O cartaz foi tratado como se fosse um perigo público. Não é. É a expressão de uma atitude muito minoritária (mas a crescer) que atribui aos imigrantes "maus" a insegurança e o desemprego de muitos portugueses, o que, pura e simplesmente, não é verdade. Se se pensa que esta posição é apenas a do PNR, está-se muito enganado: ainda há pouco tempo Paulo Portas expressou posições semelhantes, e muita gente no PCP, no PS e no PSD pensa o mesmo, embora não o diga. Não é por acaso que se atiram com veemência contra o cartaz do PNR, porque é um exorcismo que estão a fazer. Não é o cartaz que é um perigo público, o que é um perigo público é a hipocrisia da nossa atitude face à imigração. Esse olhar tem consagração governativa, num daqueles comissariados que institucionaliza a "correcção" em política do Estado. É o olhar "benevolente" e, no fundo paternalista, do complexo de culpa multicultural, do tratamento discriminatório falsamente positivo dos imigrantes que os coloca num gueto que pouco tem a ver com a realidade. É também por isto que a Europa não é o melting pot que são os EUA. Depois, a realidade aparece em cada esquina e é um escândalo de bater no peito. Quer o "salazarismo difuso", quer o "politicamente correcto" são atitudes contra a liberdade, contra aquilo que é vital numa democracia: um espaço público crítico, dividido, contraditório, competitivo e árduo, sem censura e sem os salamaleques a substituírem o falar livremente, de que tanta falta temos como abominamos. Sem esse espaço, a pasmaceira respeitosa, o sebastianismo preguiçoso, a boa consciência contente são os melhores ingredientes para a mediocridade a que infelizmente estamos tão habituados na nossa casinha portuguesa, pobre, mas honrada, onde não há racistas nem xenófobos e todos queremos o bem dos outros, a unidade, o consenso, em vez de andarem às turras uns com os outros sem cuidar do país. Ámen. (Adaptado do Público de 31 de Março de 2007) * Até que enfim, vejo alguém (que se expressa no mainstream comunicacional) ligar a Vida Nova e Os Vencidos da Vida de Eça, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro (e o Conde Arnoso, o Marquês de Ficalho, o Carlos Lobo d'Ávila, o Lima Mayer, que ninguém, mas absolutamente ninguém, conhece) ao Estado Novo, raciocinio politicamente incorrecto. O que é politicamente correcto é ver neles os grandes percursores avant-la-lettre do republicanismo (por isso restou apenas a memória dos intelectuais que privaram com Antero, mas não a dos nobilitados), em contraposição à visão nacionalista que o Estado Novo deles dava. De um lado as Farpas, do outro a Cidade e as Serras. Prefiro, de longe, os Maias. (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 998 - O parto da Terra ![]() (Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes) * Bom dia! (url)
© José Pacheco Pereira
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